Notas iniciais
Ok. Chegou. T-T
Esse é o epílogo, o segundo capítulo que eu posto hoje. Se você não leu o anterior (32), volte lá :)
No fim vai ter duas imagens que eu juntei no Photoshop, de um show que aconteceu esse ano (Gerard loiro -q). O olhar que vocês verem na foto é o que eu descrevi no capítulo.
Gerard's POV. 2012.

— Sabe, eu tô pensando em qual vai ser a primeira reação quando subirmos lá — Ray comentou, checando-se no espelho.

— Por quê? — Frank perguntou.

— É o primeiro show que vocês vão aparecer assim. Ou eles vão gritar o tempo todo “O Gerard tá loiro!” ou “O Frank tá careca!”.

— Eu não tô careca!

— Cortou o cabelo, é basicamente a mesma coisa.

— Não é!

— Parem de brigar, crianças — Mikey se intrometeu, fazendo a maquiadora brigar com ele por ter aberto a boca e a atrapalhado.

Ray ficou quieto e meu baixinho mostrou a língua para ele antes de se virar para mim.

— Eu ainda estou bonito, não tô, Gee?

Eu sorri.

— Claro. Mas você sabe que eu preferia antes.

— Você gostava de puxar o cabelo dele, né? — Ray perguntou, lançando um olhar malicioso para nós dois.

Eu e Frank nos entreolhamos, e isso já foi resposta o bastante para Ray.

— Infelizmente ele não era o único — Frank resmungou. — Se eu não tivesse cortado, já teria ficado careca mesmo de tanto que a Cherry e a Lily puxavam.

— Não posso culpá-las — falei, rindo um pouco e passando a mão na cabeça dele. — Elas vão ficar com saudades.

— Na, nem vão... Já tenho um substituto — Frank olhou discretamente para Ray, que o viu pelo espelho.

— NEM PENSE NISSO!

— Tem certeza que vai deixar elas brincarem com o cabelo do Toro? — perguntei antes que Ray pudesse gritar mais. — Elas podem se perder lá dentro.

Mikey e Frank riram e Ray agarrou a primeira coisa que viu sobre a bancada e a jogou em mim.

— Calem a boca — falou, voltando ao espelho. — Ninguém vai tocar no meu cabelo. Ponto final.

Frank revirou os olhos e se aproximou de mim no sofá em que estávamos sentados.

— Eu gostei de você loiro — murmurou no meu ouvido.

Ele nunca fez ideia de como eu adorava isso. Por mais inocentes que fossem suas intenções — e nunca eram —, eu sempre senti um arrepio quando sua voz chegava assim, lenta, íntima.

— Fran, tem gente aqui — sibilei, olhando para a maquiadora que ainda estava concentrada em Mikey e outras duas pessoas que andavam pelo camarim.

Ele bufou.

— Se você não me deixar te beijar aqui, vou fazer isso no palco, e tem muito mais gente lá.

— Você sempre faz a mesma ameaça, e nunca é de verdade — provoquei, coisa que não devia ter feito.

Ele não seria tão louco a ponto de me beijar na frente de desconhecidos assim. Tudo o que falamos até agora poderia muito bem ser visto como brincadeiras, e Frank e eu sabíamos que tínhamos que ser discretos; não só porque já havíamos decidido fazer isso, como também porque Lyn-z e Jamia pediram que assim fosse de uma forma bem... ahn... firme. E não podíamos faltar com a promessa. Eram as mães das nossas filhas, pelo amor de Deus.

Mas Frank ainda era o mesmo, e por isso só deu uma olhada rápida ao redor antes de colocar a mão de repente entre minhas pernas.

— FRANK!

Ele afastou a mão, segurando o riso, e eu me encolhi quando todos se voltaram para mim. Acho que minha voz saiu um pouco alta... e aguda demais.

— Não me provoque — Frank disse, finalmente soltando a risada, e eu o fulminei com o olhar.

— Não quero nem saber o que aconteceu aí — Ray falou, e eu taquei de volta nele o objeto que ele jogara em mim, ainda sem ver o que era...

Petrifiquei por um segundo, prendendo a respiração. Mas percebi logo que o que eu jogara fora só um biscoito, e quando olhei para a bancada em frente a Ray, suspirei aliviado ao ver a minha miniatura de biscuit intacta. Frank me mataria se eu quebrasse aquele bonequinho; ele o levava para todo lugar, e quase chorou quando viu Cherry o segurando uma vez, a ponto de jogá-lo no chão. Mas o mini-Gerard conseguiu ser salvo, e agora era quase como um amuleto nas turnês.

— Tá, gente, tá na hora — disse Mikey, aproximando-se.

Eu e Frank nos levantamos e fomos para o centro do camarim. Todos nós demos um abraço conjunto e trocamos algumas palavras enérgicas.

Eu deveria estar pensando na banda nesse momento, mas, sentindo o abraço de Frank, acabei pensando rapidamente em nós dois... E em tudo pelo que passamos nos últimos tempos.

2007 foi um ano difícil. Eu fui mais idiota do que achei que um dia poderia ser, magoei e fui magoado, e tudo por não conseguir aceitar o que eu sentia. Mas criei consequências boas, como Lyn-z. Sem ela para me sustentar, eu teria com certeza afundado naquela época. Lindsey me ajudou a passar por tudo, pela horrível briga que eu tive com Frank, por toda a minha dor, mesmo sem saber de onde vinha, e eu nunca poderei ser suficientemente grato a ela por isso.

Mas 2007 também acabou sendo um dos melhores anos da minha vida. Eu e Frank finalmente nos acertamos, tivemos momentos inesquecíveis, várias primeiras vezes e tudo a que tínhamos direito. E ele nunca mais me deixou esquecer que seu aniversário daquele ano foi o melhor que ele já teve.

Os anos seguintes voaram como em um sonho. Frank e Jamia decidiram se casar, para formalizar os assuntos financeiros depois que foram morar juntos, e eu não pude falar nada, considerando que eu e Lindsey continuávamos casados. E, mais do que isso, eu também fui mais rápido em outras escolhas; fui pai antes dele.

Quando Bandit nasceu, minha vida pareceu finalmente completa. Frank se apaixonou por ela imediatamente, e nunca deixou de tratá-la como se fosse sua própria filha; Mikey quase deu pulinhos de alegria ao segurá-la pela primeira vez; e ver aquele brilho maternal nos olhos de Lindsey já valeria qualquer coisa mesmo. Tenho certeza que Frank sentiu o mesmo quando suas lindas gêmeas nasceram, mais de um ano depois.

Lyn-z e Jamia nunca foram um problema, até porque as duas continuaram se dando muito bem, em todos os sentidos. Por muitas vezes, eu e Frank dormíamos juntos e Lindsey e Jamia saíam, ou o contrário. Passávamos tanto tempo um na casa do outro que era quase como se morássemos os quatro juntos e Bandit, Cherry e Lily fossem todas irmãs. E quando a convivência ficava complicada, era só retornar ao conforto de nossas camas. Nossa vida funcionava perfeitamente.

Mas não foram tudo rosas. Tivemos nossos problemas, como amigos e como casal. Esconder do mundo que estávamos juntos foi um fardo tanto para mim quanto para ele, e por muitas vezes nossa relação foi balanceada por isso. A pior briga que tivemos, porém, não foi sequer sobre nós; foi quando Bob saiu da banda. A situação com ele já estava difícil; ele não concordava com muita coisa da nossa visão artística e estava, mesmo sem querer, atrapalhando o progresso do novo álbum. Mas não deixava de ser um amigo, e no grande período em que ele passou próximo do afastamento, a tensão geral acabou atingindo a mim e Frank. Discutimos diversas vezes sobre expulsar Bob ou não, e a cada vez um de nós defendia uma vontade diferente; uma hora um era guiado pelo sentimento e outro pela razão, e depois ocorria o contrário. Quando Bob finalmente saiu por conta própria, eu e Frank brigamos tragicamente, com acusações para todo lado, como se fosse culpa nossa.

Mas sabíamos que não era, e conseguimos superar o episódio. A banda não parou por lá, graças a Deus; o álbum novo foi um sucesso, os fãs adoraram e nós também; apesar de eu ter que ter aguentado o Frank — e consequentemente o Ray e o Mikey — me chamando de cabeça de fósforo desde que pintei o cabelo de vermelho. E agora, como o infeliz insiste em dizer que meu cabelo está mais laranja do que amarelo, ele me chama de caqui. Como é que eu me apaixonei por esse cara?

Fui despertado dos meus pensamentos-relâmpagos quando o abraço conjunto ficou mais forte.

— MY CHEMICAL ROMANCE! — gritamos juntos, e saímos do camarim para subir ao palco.

— Eu compenso a história do beijo mais tarde, ok? — murmurei para Frank enquanto esperávamos.

— Ah, você vai compensar com muito mais do que um beijo, Gerard.

Como se isso fosse ruim.

Fomos anunciados. Suspirei, pisquei para Frank e fui na frente, começando a apresentação e a levando adiante com os outros.

O show todo estava indo muito bem. Por um momento ou dois eu pensei que gostaria de fazer aquelas imbecilidades com o Frank de novo, beijá-lo ali mesmo e não me importar se estaria sendo filmado ou fotografado. Mas, de certa forma, esconder não era de todo ruim. Fazia com que nosso relacionamento fosse mais... nosso.

E, realmente, ver aqueles olhos tão conhecidos me lançarem olhares secretos, que só eu entendia, fazia meu coração bater mais rápido. Ah, ele não fazia ideia do que eu quis dizer quando escrevi que ele era um ataque cardíaco. Nunca fez.

Mas ele sabia o bastante. Sabia que eu o amava, sabia que ele era infinitamente importante para mim. E agora, quando começamos a tocar “Save Yourself (I’ll Hold Them Back)”, no rápido momento em que cruzamos os olhares, eu quase podia ouvir sua voz me dizendo a frase que me acompanhou por todos esses anos: “Você me salvou”. Eu só torcia para que, em meu olhar, ele pudesse também ouvir a minha voz.

Você me salvou, Frankie.



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Notas finais
Certo, certo... Agora vem o discurso.
Tem uma coisa que vocês precisam entender sobre mim: eu escrevo. É o que eu sei, gosto e vou fazer até meus dedos caírem. É o que eu preciso, para escapar das minhas agonias, dores... da realidade.
Só que todo escritor precisa de leitores. E sem ninguém para ler, o ânimo de escrever acaba na segunda página (e eu sei porque já tentei).
No momento, eu estou passando pelo pior período que meus breves 18 anos já me proporcionaram. Perdi minha mãe há pouco mais de três meses, e continuar está sendo realmente difícil. E o que eu faço então? Escrevo. Comecei essa fic porque queria sair de mim mesmo, queria que alguém tivesse um final feliz, pelo menos na minha cabeça, e o MCR é uma grande fonte de inspiração. Mas se não fossem vocês, essa história não teria saído do prólogo. Quando eu entro aqui no Nyah e vejo os comentários, eu consigo fingir que está tudo bem. Frank e Gerard estão juntos! Não há mais nada de errado no mundo, rs.
Então, obrigado, de verdade. Vocês significaram mais do que imaginam, cada um de vocês. Agradeço de novo cada um dos comentários, das recomendações, dos leitores e dos favoritos até agora, e todos os que por acaso vierem agora que a fic acabou.
E eu não vou parar! Já tenho outras ideias na cabeça e vou continuar enchendo a paciência de quem continuar lendo.
Por fim, espero que tenham gostado. Foi pra vocês.
;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!