I Love You Like I Didnt Yesterday
7 Capítulo 7
Notas iniciais
— A ideia de ter um celular é usá-lo, sabia? — Gerard falou, irritado.
— A ideia de ignorar as pessoas é ficar sozinho, sabia?
Ele bufou e começou a andar para sentar na minha cama, mas eu me coloquei na sua frente.
— O que você quer, Gerard?
Ele me observou por um momento e mudou de direção, indo se sentar na cadeira do computador antes que eu pudesse impedi-lo. E, é claro, a página que eu estava vendo ainda estava aberta. Merda.
Tentei parecer natural, sentando na ponta da cama e ficando de frente para ele.
— Eu já disse, precisamos conversar — ele falou.
— Não temos nada para...
— Pelo amor de Deus, Fran, não somos namorados. Somos amigos. E amigos têm muitas coisas para conversar.
Amigos. Por que essa palavra soou tão amarga na minha cabeça?
— E temos que falar sobre o que aconteceu naquele dia — ele prosseguiu.
— Você não disse que não aconteceu nada? — perguntei, arqueando uma sobrancelha, mas continuei, sem dar tempo para ele responder: — E por que tem que ser sobre isso? Por que não me pergunta sobre a Leathermouth, ou fala das suas coisas? Como está indo a Umbrella não sei o quê?
Ele riu rapidamente.
— The Umbrella Academy. Está indo bem.
— Tá vendo? Podemos conversar sobre isso.
Seu sorriso sumiu.
— Frank, vamos ser diretos. Eu falei que não foi nada porque o pessoal estava comigo, e eles iriam ficar muito curiosos.
— Já ficaram.
— Pois é, imagina se eu tivesse falado. Mas agora não tem ninguém aqui. E eu preciso que você me explique o que foi aquilo.
Eu suspirei e olhei para baixo.
— Eu não sei.
Ouvi-o suspirando também e se mexendo na cadeira. Só Deus sabe como eu estava nervoso. Não consegui olhar para cima por um bom tempo, até que percebi que fazia tempo demais. Quase gritei de horror quando levantei o olhar. Ele estava virado para a tela do computador.
— Gerard, isso é...
— Fanfics? — ele murmurou, e começou a rir. — Como você achou isso?
Eu me acalmei e tentei novamente agir naturalmente.
— Por acaso, fui vendo uns vídeos e textos e acabei parando aí. Louco, né?
— Completamente — ele continuava lendo, absorto. Foi clicando em várias histórias diferentes, e eu me controlei para não tirá-lo de lá. Na-tu-ral, Frank. Ele não sabe o que você estava fazendo com essas fics.
— Err... — ele falou, meio encabulado, e se virou para mim. — Tem algumas coisas sobre meu irmão e eu aqui.
Eu me aproximei para ver e dei uma risada rápida.
— Acho que Mikey ficaria traumatizado se visse isso.
Eu olhei para Gerard e ambos sorrimos. Nossas mentes perversas começaram a trabalhar juntas.
— Cria um e-mail qualquer e manda pra ele — eu disse, rindo, imaginando a cara do coitado do Mikey, e Gerard o fez prontamente.
Depois de enviar o link para o irmão, Gerard se virou para mim, que estava ao seu lado. Eu me afastei e sentei de novo na ponta da cama. O clima divertido foi se dissipando aos poucos e ficou tenso de novo.
— Por que você fez aquilo? — Gerard perguntou. — Você ia... Estava bem perto...
— De te beijar? É, eu ia.
Adoro quando minha coragem brota do nada. Nessas horas eu tenho orgulho de ser eu.
— Por quê?
— Já disse, não sei.
— Você tem que saber.
— Mas não sei!
Acho que fiz bico, já que ele riu. Levantou da cadeira e veio se sentar do meu lado, e eu fiquei olhando para baixo.
— O que você está sentindo? — perguntou, num tom gentil e fofo. Ele tinha que ser tão... sentimental? Preocupado? Carinhoso? Perfeito?
E eu estava sentindo tantas coisas. Tentei escolher uma delas para falar, assim eu não falaria a verdade mas também não mentiria.
— Curiosidade — eu disse.
Ele ficou quieto por um momento.
— Bem, isso eu entendo.
Olhei para ele subitamente. Estávamos muito próximos de novo, e eu não consegui evitar olhar para sua boca mais uma vez. Só que agora nada nos interrompeu; nem mesmo ele.
Era melhor do que eu imaginava. Não tinha a adrenalina do palco, mas ainda tinha paixão... pelo menos da minha parte. Eu senti aquele mesmo arrepio, só que durante mais tempo, e, apesar do que estava fazendo minutos antes, senti o arrepio chegar ao meio das minhas pernas também. Minha mão voou para seus cabelos ao mesmo tempo em que eu abri um pouco minha boca, pedindo passagem, nem que fosse só para tirar a secura de seus lábios. Ele permitiu imediatamente, e eu mal senti o resto do meu corpo quando minha língua finalmente alcançou o interior da sua boca, cruzando-se com a dele uma, duas vezes...
Mas tudo que é bom dura pouco.
Ele se afastou. Eu fiquei com os olhos fechados por um momento, ofegando, e tirei minha mão do meio dos seus cabelos. Quando abri os olhos, Gerard sorria levemente.
— Eu... Eu também estava curioso — falou, baixinho.
Sorri também. Estava decidindo entre falar algo ou beijá-lo de novo quando ele continuou:
— Então, matou a curiosidade?
Eu o observei, confuso. Ele se afastou um pouco mais e pareceu envergonhado, começando a corar.
— Era só isso, não era? — ele perguntou, franzindo um pouco a testa. — Foi só para descobrir... Né?
Isso foi um balde de água fria. Não, uma banheira. Quer saber, foi a porra da Antártica inteira.
Desviei o olhar. Achei que isso seria o bastante para responder, mas tive que me levantar, antes que eu socasse aquele imbecil. Como eu posso ter achado que esse ser era perfeito?
— Claro, Gee. Só curiosidade.
Fiquei de costas para ele. Ele não era burro, já tinha entendido que não foi só aquilo. Mas o que poderia fazer, se para ele foi? Eu senti um nó na garganta, mas refreei as lágrimas. Se ele podia me beijar e deixar por isso mesmo, eu podia fingir que não dava a mínima, mesmo que ele soubesse que era fingimento.
Ele levantou e foi para a porta, ficando na minha frente de novo.
— Eu, ahn... Acho que vou agora.
— Pode ir. Valeu pelo serviço — eu disse, sarcástico, voltando-me para sentar na cadeira do computador.
— Frank, se tem mais alguma coisa que você quer me dizer...
— Não, não. Pode ir.
Mas ele continuou parado lá. Tentei ignorá-lo, mas ele estava demorando. Finalmente, virei o rosto, claramente furioso, e perguntei:
— Mais alguma coisa?
Ele tinha um olhar um pouco malicioso. Fiquei imediatamente curioso pelo o que ele tinha em mente, mas escondi.
— Tive uma ideia — ele falou, e eu esperei que continuasse. — O que você acha de inspirar mais algumas dessas fanfics?
Meu coração pulou uma batida. Eu já imaginava como faríamos isso, mas não me permiti criar expectativas ainda.
— Como? — perguntei.
— No palco. Vamos só... apimentar um pouco as coisas.
Eu sorri, contra a minha vontade, e isso era tudo o que Gerard precisava para conseguir dormir a noite. Antes que eu pudesse fechar a cara de novo, ele abriu a porta e saiu, sem parar de falar:
— Boa noite! E não esqueça de treinar seu sex appeal.
— Eu não preciso treinar nada, já sou perfeitamente sexy.
Ouvi sua risada se afastando pelo corredor. Suspirei e desabei na cadeira. Não consegui conter o sorriso imaginando os futuros shows. A perspectiva era boa... muito boa. Aquele desgraçado conseguiu apagar minha raiva com duas frases. Cara, ele deve ser perfeito, sim.
Mas não pude aproveitar minha imaginação, pois minha mãe apareceu na porta do quarto de novo. Aquele dia ainda estava longe de acabar.
— Desculpa de novo, Fran, mas ela viu o Gerard saindo, não tinha como falar que você não estava... É a Jamia.
A minha cara deve ter mostrado o tamanho do problema em que eu me meti, porque minha mãe fez uma expressão de pena e desaprovação ao mesmo tempo. Eu assenti com a cabeça e ela falou que ia chamá-la, não antes de me desejar boa sorte.
É, eu ia precisar.
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