I Love You Like I Didnt Yesterday
6 Capítulo 6
Notas iniciais
O próximo vai ser mais... intenso -q
Minha mãe ficou surpresa em me ver. Quando eu estava em Jersey, passava o tempo todo na casa da Jamia ou indo da casa do Ray para a dos Way. Na verdade nenhum de nós fica num lugar por muito tempo, somos nômades por natureza.
Eu queria ficar sozinho, apesar de isso ser meio impossível. Minha mãe obviamente quis saber o porque do meu estado, mas respeitou meu desejo e me deixou ir para o meu quarto. Me senti um adolescente de novo.
Minha cabeça rodava. Se eu não tinha pensado na Jamia antes, agora ela não saía da minha mente. Como eu contaria para ela? Não, ela não poderia saber. Mas já devia ter visto sobre o beijo, e pareceu estar bem no telefone. Ótimo, eu só precisava fingir que estava bem e tudo ficaria normal. E quanto ao Gerard... Era só eu evitá-lo durante esses próximos dias em que estamos de folga. Quem sabe esse sentimento besta não suma com isso?
Eram 21:00. Eu não conseguiria dormir tão cedo. Fiquei deitado na minha cama, olhando para o teto por um bom tempo, até meu telefone tocar.
— Oi? — atendi sem ver quem era e me arrependi imediatamente.
— Frank, cadê você? — era o Gerard.
— Ahn... Estou bem.
— Não foi isso que eu perguntei.
— Não quero ver ninguém agora.
— Também não foi isso que eu perguntei.
Suspirei.
— Estou com a minha mãe.
Ele parou por um momento, raciocinando.
— Está tudo bem com a Jamia? Foi ela que ligou aquela hora?
— Está sim, tudo ótimo.
Ele ficou quieto de novo.
— Você não vai contar mesmo o que aconteceu?
— Você sabe o que aconteceu, Gee.
Dessa vez ele ficou quieto por vergonha. Podia imaginá-lo corando, com Ray, Mikey e Bob sem entender nada. Ah, sim, eles estavam com ele, com certeza, tentando ouvir o que eu falava. Acham que eu sou idiota?
— Não... não aconteceu nada — Gerard disse, hesitante, e eu ouvi Bob falando alguma coisa ao fundo que não entendi.
Eu sorri um pouco, um sorriso azedo.
— Claro, você tem razão. Então estamos conversados, né? Tchau.
— Não, Fran, espera...
Desliguei. Me cobri totalmente com o cobertor — ser pequeno às vezes é uma vantagem — e tentei fingir que era uma capa de invisibilidade. Sumir agora seria uma boa ideia.
——
No dia seguinte, eu estava decidido a ocupar minha mente. Levantei cedo e com uma disposição que eu desconhecia, tomei café conversando alegremente com minha mãe e saí rapidamente. Nunca agradeci tanto meus projetos paralelos.
Meu celular não parava de tocar, o que significava que Gerard não contara para ninguém o que aconteceu no saguão do hotel, graças a Deus. O ruim é que agora Ray, Mikey e Bob ficariam me importunando até o fim dos tempos para descobrir. Bem, uma hora a paciência deles acaba... Espero.
Fui me encontrar com o pessoal do Leathermouth e passei o dia com eles. Tinha muita coisa a ser feita, ensaiada e discutida, e meus problemas flutuaram para longe, como sempre acontece quando música é o assunto principal. Aí está a vantagem de se amar o que faz.
Felizmente lembrei de ligar para Jamia, só para avisar que eu havia “chegado” e que não poderia passar na casa dela hoje... E provavelmente nem nos próximos dias. Tive de falar onde eu estava, o que me deixou ainda mais apavorado. A qualquer momento eu poderia ir para casa e me encontrar com ela ou, pior, com Gerard.
Ele me mandou algumas mensagens durante o dia. “Precisamos conversar. Aconteceu algo, sim. Me liga.” Não é necessário enfatizar que eu o ignorei.
Cheguei em casa e só vi minha mãe. Ela disse que estava todo mundo me procurando.
— Eu não estou para ninguém.
— Você vai me contar o que aconteceu?
Eu olhei para ela. Queria contar. Precisava contar para alguém... Mas ainda não era a hora.
— Um dia. Prometo.
Ela assentiu e eu fui dormir.
No dia seguinte, fui trabalhar com o Leathermouth de novo, e algumas horas com o The Love Cats. Continuei ignorando o mundo ao meu redor. No outro dia, não tinha muito o que fazer, então fiquei ensaiando sozinho no porão, até que tive a brilhante ideia de passar um tempo na internet.
Entre as besteiras de sempre e os vídeos de gatos, comecei a procurar coisas sobre o MCR. Não demorei para achar algumas gravações que fizeram do beijo, mas o que me assustou foram os comentários. Eu ri alto com vários deles. Não tinha ideia de que o pessoal gostava dessas coisas tanto assim.
Os minutos foram passando e eu fui achando coisas mais estranhas, mais engraçadas e mais interessantes, até que finalmente caí nas fanfics. Nas que falavam sobre mim e Gerard, para ser mais específico.
Frerard.
Meu bom-senso dizia para fechar aquela janela imediatamente — afinal, aquilo não fora escrito para eu ler, fora feito para outros fãs —, mas minha curiosidade falou mais alto. Era muito estranho me ver como personagem, e mais estranho ainda como as histórias davam voltas. Em algumas era tudo absolutamente diferente da realidade, exceto nossos nomes, e em outras era tão parecido que eu cheguei a olhar para os lados procurando as câmeras. Vi que algumas já existiam há um tempo, mais ou menos desde a época do lançamento do vídeo de I’m Not Okay, onde eu beijei o Gerard na bochecha.
Então eu respirei fundo e decidi ir para a pior parte: as cenas de sexo.
Eram bem detalhadas. Na primeira vez que eu li, foi uma das experiências mais esquisitas que já tive. Na segunda, eu corrigi mentalmente as suposições erradas que faziam sobre o meu corpo. Na terceira, fiquei pensando se as suposições sobre o Gerard seriam verdade. Na quarta eu já conseguia imaginar tudo perfeitamente, e na quinta... Nunca me senti tão adolescente, com uma mão ocupada, os gemidos controlados e torcendo para que minha mãe não entrasse no quarto.
Perdi a conta de quantas vezes me xinguei enquanto me limpava. O propósito daquele distanciamento todo era afastar meu sentimento pelo Gerard, não aproximá-lo! Aí eu vou lá e me masturbo pensando em nós dois juntos? Frank, você não tem auto-controle?!
Meu celular tocou de novo. Era o Mikey. Desliguei sem atender e vi o monte de mensagens da Jamia e do Gerard que estavam esperando para serem lidas. Eu sabia que não poderia enrolar os dois por muito mais tempo. A qualquer momento eles cansariam e viriam me ver. Só restava saber quem viria primeiro. Mas eu esperava não descobrir tão rápido quanto aconteceu.
Enquanto eu ia até o computador para fechar a página das fanfics, minha mãe apareceu.
— Desculpa, filho, não deu para impedir...
Vi uma sombra chegando por trás dela. Meu coração acelerou, com medo e expectativa. Minha mãe se afastou e deu passagem para a pessoa que insistiu em me ver de qualquer jeito. Minha mãe saiu do quarto e fechou a porta, me deixando a sós com aqueles cabelos negros, olhos encantadores e a maldita boca que vinha atormentando meu sono há dias.
É, não era a Jamia.
Notas finais
Reviews? *-*
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