I Love You Like I Didnt Yesterday
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Então. Vocês devem ter notado que a música "Save Yourself (I'll Hold Them Back)" aparece bastante nessa fic, certo? Então suponho que vocês conheçam a tradução dela. Certo? Conhecem? Então tá. -q
Boa leitura e até meus comentários lá embaixo!
31 de outubro de 2007.
Estávamos em um show pequeno e fechado. Lyn-z e Jamia nos assistiam bem a nossa frente, na estreita área vip.
Eu estava muito feliz por poder comemorar meu aniversário tocando. A coisa ficava com uma energia inteiramente nova, forte e poderosa assim; eu sentia vontade de dançar, gritar, me jogar no chão, e simplesmente fazia isso, sem me importar com mais nada. Nada tinha muita importância, realmente. Centenas de pessoas pulavam e cantavam, e a música se sobrepunha à minha mente, tomando o controle dela e fazendo meus dedos trabalharem automaticamente.
Gerard apontou o microfone para a platéia e se virou para mim. Enquanto todos cantavam “I’m... o...kay”, ele murmurava “I... love... you”. Eu ri e me afastei; se o beijasse agora, não pararia mais.
Terminamos, Gerard desejou um feliz Halloween a todos e fomos para trás do palco. Depois de beber litros de água e tomar banho, estávamos prontos para ir para casa, mas ficamos ainda falando com um grupo razoavelmente grande de fãs que nos esperavam lá fora. Recebi muitos “parabéns”, vários papéis — duas meninas entregaram e disseram que eram fanfics, e eu fiz muita força para parecer desentendido — e presentes embrulhados. Eu aceitei tudo timidamente. Acho que nunca deixará de ser estranho, ainda que legal, ser reconhecido e tratado como um amigo por pessoas que eu nunca vi antes.
Quando consegui me afastar de todos educadamente, só achei Gerard por perto, também se despedindo e terminando alguns autógrafos. Fomos para o carro que nos aguardava.
— Cadê os outros? — perguntei.
— Já foram. Eles sempre conseguem sair mais rápido.
Dei de ombros. Eu estava sentado ao lado dele, no banco de trás, enquanto o motorista nos levava embora.
— Adorei o que você fez lá — falei, sorrindo.
— O quê?
Empurrei-o rapidamente com o ombro.
— Você sabe. Dizer que me ama. Nunca me canso de ouvir isso.
— Eu não disse, só fiz mímica com os lábios.
— Tá, que seja, mesmo assim você me ama. E por falar nisso... — abaixei o tom de voz como se fosse contar um segredo, não sei porque. — Nós vamos fingir que não temos nada? Duas garotas me entregaram fanfics agora e eu tenho quase certeza que envolve nós dois. Acho que isso quer dizer que tá na cara, as pessoas já sabem.
— Não sabem, não — ele respondeu. — Desconfiam. E eu não sei se é uma boa ideia tornar público.
— Por quê? — perguntei, cruzando os braços. Sério, às vezes eu sou muito infantil.
Ele riu.
— Porque ninguém vai entender que vamos ter uma família com a Lyn-z e a Jamia e continuar namorando. E também porque eles estão gostando um pouquinho demais disso — ele apontou para nós dois. —, e eu quero que o foco seja a música, não o casal gay e fofo quase pornográfico no palco. Já temos atenção demais da mídia, não acha?
— É... é, tá certo. Tudo bem.
Não falamos mais nada sobre nós no resto do caminho, só comentamos sobre o show. Não estranhei quando o carro parou na frente da casa de Gerard; era para lá mesmo que eu queria ir.
Entramos, passamos pela pequena área de entrada e assim que chegamos na sala...
— PARABÉNS PRA VOCÊ!
Ah... meu... Deus.
Os sofás foram afastados e uma mesa foi colocada no centro, com um bolo sobre ela. As luzes foram apagadas e a única iluminação vinha das velas do bolo. Aos poucos, enquanto sentia meu rosto esquentar, eu fui distinguindo as pessoas ao redor da mesa, batendo palmas e cantando.
Mikey, Ray e Bob, claro, estavam espalhados por lá. Donna e Linda estavam lado a lado, assim como Jamia e Lindsey. Também fui reconhecendo alguns amigos da equipe da banda, vizinhos meus, de Gerard e de Jamia com quem eu acabei me dando bem nos últimos anos, e outros rostos no escuro que eu ainda não podia ver.
Gerard pegou todas as coisas que eu carregava, dadas pelos fãs, e levou para um sofá, enquanto eu me aproximava dos outros, vermelho como um tomate.
Dei uma olhada no bolo: grande, cobertura branca e com um lindo “Happy Ieroween” escrito em glacê preto, com um chapéu de bruxa colocado em cima e meio de lado no “Happy”. Quando terminaram de cantar, assoprei as velas que estavam postas nos cantos do bolo. Fiquei satisfeito que todos tenham vindo me abraçar quando acenderam as luzes, assim ninguém encheria meu saco por estar morrendo de vergonha.
Vi mais alguns conhecidos afastados — entre eles, Donald Way — e agradeci todos os “parabéns” que me deram.
— De quem foi essa ideia? — perguntei assim que Ray abriu a boca para falar o que eu sabia que seria “discurso!”.
— De quem você acha? — Bob disse, apontando com os olhos para um ponto atrás de mim.
Virei-me e vi Gerard sorrindo largamente.
— Obrigado, Gee.
Ele se limitou a piscar.
Eu estava pasmo. Tudo bem que eu já esperava que eles fizessem alguma coisa para o meu aniversário, mas não consegui saber qual foi a maior ou melhor surpresa daquela noite; porque a festa era a menor delas.
Pode ter sido o bolo, que não só era delicioso, como também tinha um detalhe interno: era colorido, um arco-íris de camadas que parecia perfeitamente uma bandeira gay. Todos riram alto com a minha cara quando eu descobri, e mais ainda quando dei o primeiro pedaço para Gerard.
Ou talvez a melhor parte possa ter sido quando eu vi a pilha de presentes amontoados em um canto e corri desesperado para lá. Ganhei algumas roupas absolutamente lindas de alguns amigos, livros que eu queria ler há séculos da minha mãe e Donna, discos das minhas bandas favoritas de Mikey, Ray e Bob e decorações muito fofas de Lyn-z e Jamia — incluindo um bonequinho em estilo de caricatura de Robert Smith. Mas talvez o melhor presente tenha sido de uma das fãs: um outro boneco, de biscuit, do Gerard.
Eu ainda estava decidindo se colocaria o mini-Gerard no meu quarto ou o deixaria para sempre no meu bolso, quando Ray disse que tinha mais um presente e foi para outro cômodo. Quando ele voltou com uma caixa cheia de buracos, eu prendi a respiração. Caixa com buracos só pode significar uma coisa...
— UM CACHORRINHO!
Esqueci de todo mundo pelos próximos cinco minutos. Peguei o filhote, com uma fitinha vermelha ao redor do pescoço, e o abracei, beijei, mordi e quase sufoquei de tanto apertar. Eu estava praticamente em êxtase ali.
— Ah, como ele é lindo, e fofo, e... AWWN! Ele me lambeu!
Os convidados também ficaram interessados em acariciar o meu novo cachorro, e eu só deixei que fizessem isso quando me lembrei de perguntar quem foi que me dera.
— A gente sabia que esse seria seu presente favorito — disse Bob. — Então não vamos falar de quem foi, considere que foi de todo mundo.
Lancei um olhar sugestivo a Gerard, que sorriu e piscou de novo.
Passei as próximas horas comendo, conversando e brincando com Peppers — nunca fui tão rápido em escolher um nome —, e só me encostei com Gerard em um canto quando a festa já estava perto de acabar.
— Tá gostando? — ele perguntou, olhando para todas as pessoas em sua sala de estar.
— Estou adorando! Muito obrigado, Gerard, mesmo — respondi, e de repente, lembrando-me de algo, dei risada. — Então, era esse o tal segredo o tempo todo?
Ele olhou para mim com um sorriso presunçoso.
— Não.
Abri a boca, surpreso.
— Não? Você ainda tá me escondendo alguma coisa? Pára de rir, seu idiota!
— Não se preocupa. Eu vou te mostrar. É mais um presente.
Quase pulei de animação. Ele me chamou para ir até seu quarto e lançou olhares significantes para Ray, Bob e Mikey, que ergueram seus copos ao nos verem passar.
— Vai lá, garoto — Ray disse, rindo.
Eu segui Gerard, desconfiado. Chegando em seu quarto, ele fechou a porta e o som que vinha da sala sumiu.
Notei imediatamente um violão encostado ao lado da cadeira do computador. Ele se sentou lá e pegou o instrumento.
— Senta — falou, e eu não pude deixar de sorrir, recordando a última vez em que ele me mandara fazer isso.
Fiquei de frente para ele, e percebi pela primeira vez que ele parecia um pouco nervoso.
— Eu espero que você não fique decepcionado — ele disse, afinando o violão. — Não é um cachorro, mas eu fiz de coração. E o Bob, o Ray e o Mikey ajudaram pra caramba.
Eu não via como podia me decepcionar. Ele ia tocar para mim! Meu lado romântico começou a ferver em meu peito.
— Isso aqui é tipo uma versão acústica, tá — ele continuou, um tanto mais nervoso. — Eu pensei em algumas das nossas conversas pra fazer a letra. Por exemplo, quando eu disse que te salvaria se você estivesse em perigo... e combina com a ideia pro novo disco, então...
Eu sorri. Adoro vê-lo tímido.
— Enfim, o importante é só você saber de uma coisa: eu fiz pra você. Inteira e exclusivamente pra você — ele finalmente parou de afinar o violão, e seu olhar quase me penetrou quando ele o dirigiu a mim. — Escrevi pensando em tudo o que te fiz passar esse ano, em como aquilo foi uma verdadeira luta pra você. Eu também fui uma vítima, mas o mais importante para mim era que você saísse dessa luta vivo, e você conseguiu. Você se salvou, como eu fiquei torcendo para que você fizesse. Você foi forte, viu tudo o que nós poderíamos ter juntos, e se salvou. E eu admiro isso em você.
Ele parou por um momento, procurando as palavras.
— Uma música romântica e fofa como Summertime não mostraria de verdade tudo o que eu sinto por você. É muito mais forte do que palavras bonitas e promessas de amor, porque no fim das contas... você é meu melhor amigo acima de tudo. Um dia, você disse que queria uma música só sua. É essa.
Com o coração batendo descompassado, prestei atenção quando Gerard começou a tocar e, em alguns segundos, cantar.
I hope you’re ready for a firefight
‘Cause the devils got your number tonight
They say we’re never leaving this place alive
But if you sing these words, we’ll never die
Get off the ledge and drop the knife
Not a victim of a victim's life
Because this ain't a room full of suicides
We're believers, I believe tonight
We can leave this world, leave it all behind
We can steal this car, if your folks don't mind
We can live forever if you've got the time
If you save yourself tonight
If you save yourself tonight
I'll tell you all how the story ends
Where the good guys die and the bad guys win
It ain't about all the friends you made
But the graffiti they write on your grave
For all of us who've seen the light
Salute the dead and lead the fight
Who gives a damn if we lose the war?
Let the walls come down, let the engines roar.
We can leave this world, leave it all behind
We can steal this car if your folks don't mind
We can live forever if you've got the time
I'm the only friend who makes you cry,
You’re a heart attack in black hair dye.
So just save yourself and I'll hold them back tonight...
Nesse ponto, eu não aguentei mais.
Gerard olhou para mim, surpreso, enquanto eu arrancava o violão de sua mão e me curvava.
— Q... — ele tentou começar.
Eu o beijei com tanta intensidade que todos os outro beijos pareceram insignificantes. Segurei seu rosto firmemente entre minhas mãos e senti seus braços rodearem minha cintura.
Sentei sobre seu colo e continuei o beijo, sem querer parar por motivo algum nesse mundo, mas ele se afastou, sorrindo.
— Isso quer dizer que você gostou? — perguntou num sussurro.
— Eu te amo — respondi simplesmente, passando a mão em seus cabelos, sentindo meu peito explodir de tanta felicidade. — Podemos fugir desse mundo, podemos viver pra sempre, o que você quiser, Gee, desde que eu possa continuar te amando. Só tem uma coisa nessa música que está errada.
Ele franziu a testa.
— O quê?
Eu sorri. Grudei nossas testas e fechei os olhos, falando bem baixo:
— Eu não me salvei, seu bobo. Você me salvou.
Notas finais
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Depois dessa fic, eu consigo achar um significado "Frerard" pra todas as frases de Save Yourself xD
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Estou postando o epílogo agora mesmo. A choradeira e agradecimentos vão ficar lá. '-'
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