Notas iniciais
Tem músicas pra vocês ouvirem hoje :)
Vou passar o link dos videos, porque acho que nesse caso a música em si é mais importante que a letra.
The Drowners, Suede - http://www.youtube.com/watch?v=-FBmYOB9WkA (clipe sexy do caramba, viu)
Penetration, Iggy and The Stooges - http://www.youtube.com/watch?v=rQ8zGaZwjDA&feature=fvst (tive que colocar depois que descobri que o Gee é fã do Iggy Pop *-*)
-q
Espero que gostem!

Mais algum tempo se passou sem que nada demais acontecesse. Comigo, pelo menos. Para Jamia e Lindsey, a vida estava irreconhecível.

Elas decidiram assumir o namoro, mas pareciam não saber bem como agir, já que ainda implicavam com qualquer coisa que a outra fizesse. Estavam fazendo força para parar com isso, porém. Só que Lyn-z iria embora, e nenhum namoro dá certo se na sua primeira semana uma das pessoas vai para outro estado. Então ela chamou Jamia para ir com ela, só para passar um tempo. Jamia hesitou muito; sua vida toda estava aqui, e ela ficaria sem me ver, e não saberia o que fazer em L.A., e todas as desculpas em que conseguiu pensar. Mas Lindsey argumentou contra tudo o que ela disse e ela acabou aceitando.

Eu e Gerard acompanhamos as duas para o aeroporto na data marcada. Gerard ficou conversando com a Lindsey em particular enquanto esperávamos o horário do voo, e eu fiquei feliz ao notar que não me incomodava com isso. Eles estavam íntimos, claro, como nunca deixariam de ser; mas não era uma intimidade que me afrontava ou da qual eu poderia desconfiar. Era algo que eu reconhecia, pois compartilhava com a Jamia, exatamente da mesma forma.

— Se ela fizer alguma coisa, qualquer coisa, você pode voltar, tá? — eu falava para uma Jamia impaciente. Parecia que estava despachando minha filha para sua primeira viagem. — Se você cansar, se sentir desconfortável, e não quiser ficar sozinha depois, pode passar quanto tempo quiser na minha casa, ou eu posso ficar com você na sua. Só tenha certeza de que não precisa se segurar lá por nenhum motivo se não quiser...

— Frank — ela me cortou, exasperada. É, bem... talvez, só talvez, eu estivesse repetindo as mesmas coisas nos últimos dez minutos. — Eu sei o que estou fazendo. E já entendi que posso contar com você. Mas coloca um pouco mais de confiança na gente, por favor!

— Eu coloco! Mas é que você vai ficar na casa dela...

— Não vamos ficar juntas o tempo todo, ela vai trabalhar e eu vou curtir o lugar. Ela disse que tem outro quarto na casa, então não vou nem precisar dormir com ela se não quiser. Não vamos ter tanto tempo assim pra brigar, como você tá imaginando.

Eu estava nervoso demais para fingir que não estava imaginando exatamente isso.

— Ok, ok... Então, já tá na hora? Certo. Qualquer coisa você liga, tá? E não esquece, se ela...

— Já entendi, Frank! — ela riu e me abraçou. — Vou sentir falta da sua super proteção. Mas vamos voltar antes que você perceba, sério. Vocês têm um show em New Jersey no fim do mês, né?

— Temos. Vocês vão vir?

— Com certeza, eu arrasto ela até aqui se precisar — ela sorriu e me deu um beijo na bochecha. — Agora eu tenho que ir. Vou te ligar. E, ah... a Lindsey pediu pra eu te dizer uma coisa.

Franzi a testa.

— O quê?

— Cuida bem do Gerard.

Eu olhei para Lyn-z, despedindo-se de Gerard mais a frente, mostrando claramente que estava quase chorando. Eu não tinha dúvidas de que se afastar dele ainda era difícil para ela, apesar de bem menos, agora que ela e Jamia se acertaram.

— Cuidarei — respondi. — Mais do que ela imagina.

Jamia e Lindsey embarcaram, finalmente, e eu e Gerard ficamos parados por um bom tempo, como idiotas, tentando entender o que sentíamos ao vê-las partir. Elas voltariam em duas semanas para o show, mas tinha algo de simbólico naquele momento. Fazia parecer definitivo; não só que eu e Gerard estávamos, realmente, juntos e sem ninguém para atrapalhar, como que elas também tinham seguido adiante. Só que elas eram mais importantes para nós dois do que poderiam imaginar, e apesar da felicidade de ter tudo resolvido, eu — e tenho certeza que Gerard também — quase choramos ao pensar que estávamos nos afastando delas. Não era algo que eu queria que acontecesse, nunca quis, realmente. Eu queria ter Jamia por perto para sempre, assim como quero Gerard para sempre, assim como também quero Ray, e Mikey e Bob! Não gosto de separações... E me peguei pensando se essa, nossa separação da Lindsey e da Jamia, era mesmo necessária.

De qualquer jeito, não era hora para choramingar. No fim das contas, mesmo que não gostássemos completamente da situação, eu e Gerard tínhamos um peso a menos nas costas, e eu sabia que isso nos ajudaria bastante.

Ou pelo menos deveria, se ele não continuasse com seu tal segredo escondido de mim. Eu já estava querendo desistir de descobrir, mas não é fácil assim vencer a minha curiosidade. Mas ele se policiou bastante, e eu só o vi falando aos cochichos uma vez com Ray e outra com Mikey nas semanas seguintes.

Tínhamos dois shows no México na última semana de outubro, antes do de New Jersey, que seria no meu aniversário, e os fizemos animados. Eu estava querendo logo tocar de novo, criar uma boa lembrança do palco, já que as últimas, do Projekt Revolution, eram dolorosas demais. Inesperadamente, até para mim, eu e Gerard não fizemos nada de insinuante em nenhuma das apresentações. Eu estava completamente feliz, e não teria problemas em fazer algo, mas não senti necessidade disso. Antes eu queria porque aquele era o único momento em que eu podia sentir Gerard, aproveitá-lo, fingir que ele era meu. Agora ele é meu. Tínhamos todo o tempo do mundo para reafirmar isso.

Quando voltamos para casa, eu perdi a paciência de novo sobre o segredo que as quatro crianças estavam me escondendo.

— O que pode demorar tanto pra vocês fazerem? — perguntei, irritado, depois de Bob ter corrido para esconder a “coisa” misteriosa, provavelmente no quarto do Mikey.

— Se não precisássemos esconder já teríamos terminado há tempos — Ray resmungou, e Gerard o lançou um olhar de “cala a boca” que até eu senti.

— Ah, mas é frescura sua, Gee, admite.

— Ray — Mikey interrompeu, inteligentemente, a supor pelo olhar ainda mais fulminante de Gerard. — Vai pra casa, vai?

— Por quê? — ele observou os dois Way por um tempo, até que pareceu se dar conta de algo. — Ah. Tá, tá, eu vou. Bob, vem comigo.

— E você, Fran, vem comigo — Gerard me chamou, muito meigo, mas eu continuei de braços cruzados e com uma expressão birrenta.

— Pra onde? — perguntei.

— Meu quarto.

— Nem adianta, você não vai me distrair assim de novo — respondi, desviando o olhar.

Ouvi as risadas de Ray e Bob se distanciando, conforme eles saiam da casa, e percebi que Mikey desaparecera. Por algum tempo o procurei com o olhar, mas ele era tão aspirante a vampiro quanto o irmão; silencioso que é uma beleza.

— Eu sei — Gerard me acordou da minha busca, com um sorriso estranho no canto dos lábios. — Eu vou fazer outra coisa.

Ele se virou e saiu sem cerimônias. Continuei sentado por longos dez segundos, não aguentei e o acompanhei, xingando baixo. Mas eu não iria me permitir ser distraído, não, não iria...

Chegando lá, Gerard estava terminando de selecionar alguma música para tocar no computador.

— Senta — ele falou, apontando para a cama, mas sem olhar para mim.

Por mais que eu não quisesse ser distraído, fui esperto o bastante para fechar a porta. Nunca é bom confiar no próprio auto-controle.

A primeira música começou e Gerard se virou para mim.

— De quem é? — perguntei, lembrando-me de já tê-la ouvido algumas vezes.

— Suede.

— Você quer que eu ouça...?

— Fica quieto, Fran, tá?

Fiquei, sem entender direito, até que Gerard começou a se mexer, sem sair do lugar. Levei dois segundos para me tocar de que ele estava rebolando.

— Gee... — falei, começando a sorrir e não tendo muito sucesso em segurar a risada que se seguiu.

Ele não respondeu, só continuou me fitando. Suas mãos foram para seu quadril e ele continuou o movimento, lento, e sensual, sim, mas eu não consegui parar de rir. Estava bem perto de ter um ataque de risos, na verdade; ah, cara, eu não estava esperando aquilo, ele tinha que me perdoar!

Aos poucos, fui vencendo o choque inicial, porque ele não parou. Suas mãos passaram a viajar pelo seu corpo, e seus lábios acompanhavam a letra cantada, mas sem emitir som algum. Minhas risadas cessaram completamente quando ele desceu a mão pela barriga, seguindo o “ohh” da música. Senti um arrepio involuntário quando o refrão começou e ele puxou a gola da camiseta, revelando o ombro por um momento, depois voltando ao normal. Sem nem lembrar porque eu estava rindo ainda há pouco, observei-o avidamente enquanto ele brincava com a roupa, puxando-a de um lado para o outro, sempre mostrando um pouco de pele e depois voltando a cobri-la. Finalmente, ele tirou a camiseta e a jogou em um canto.

Fiquei paralisado nos dois minutos seguintes, vendo-o continuar a se mover bem lentamente e desabotoar a calça mais devagar ainda; ou talvez fosse minha vontade de que ele terminasse logo que o fez parecer tão lerdo. O que importa é que, antes da música terminar, ele estava só de boxer, vindo em minha direção e começando a me despir também.

Quando me dei conta, ele estava sentado sobre meu colo, distribuindo beijos e pequenas sugadas em meu pescoço. Ri baixinho em seu ouvido quando a segunda música começou a tocar.

— Penetration? — perguntei.

— Sugestivo demais?

— É, mas é uma sugestão boa.

Beijei-o uma vez e segurei sua cintura para levantá-lo. Terminei de tirar minha calça, em pé, enquanto Gerard me aguardava deitado, já sem nenhuma peça de roupa. Então o coloquei de bruços e sentei sobre suas pernas, arranhando suas costas de acordo com as notas na voz de Iggy Pop, o que o fez rir rapidamente.

Ajeitei-me e em alguns segundos eu já o estava penetrando, ouvindo nossos gemidos se misturarem no ar. Eu adorava não precisar mais ser tão delicado quanto fui na primeira vez; adorava poder me sentir pervertido, controlar todos os movimentos de Gerard, agarrar seus cabelos e puxá-los conforme eu ia para cima e para baixo.

Ouvi um barulho vindo da escrivaninha e demorei alguns segundos para perceber que era o celular do Gerard recebendo uma mensagem, mas nós dois o ignoramos. Continuei o que estava fazendo, de olhos fechados, aproveitando completamente o homem sob mim, até que, pouco depois que a música acabou, eu gemia alto e gozava dentro dele.

Recuperei-me em algum tempo, afastando-me para deixar Gerard se virar para cima. Sem falar nada, ele se esticou e abriu a gaveta da cômoda ao lado, tirando uma camisinha e a colocando. Olhei curioso para o tom avermelhado da mesma, mas fiquei quieto. Só me abaixei e, depois de brincar com beijos e lambidas ao redor de seu membro, finalmente comecei o oral. Afastei-me em um segundo e olhei para Gerard.

— Morango? — perguntei, lambendo os lábios.

— Gostou?

Sorri e voltei ao trabalho.

Passei alguns minutos assim, estimulando-o com a boca e uma das mãos enquanto ele retribuía as puxadas que eu havia dado em seu cabelo, forçando minha cabeça para cima e para baixo. Pressionei seu membro com mais força quando seus gemidos ficaram mais urgentes, e aumentei a velocidade sem que ele precisasse pedir. Eu já sabia exatamente o que fazer.

— Fran.. eu vou...

Mas ele nunca chegava a realmente terminar o aviso. Quando o senti chegando ao seu ápice, afastei um pouco a cabeça e o lambi demoradamente, fazendo-o se arrepiar em meio ao processo.

Olhei para ele por alguns segundos e então, inesperadamente, nós dois começamos a rir. Não como se achássemos graça de algo, mas uma risada suave, alegre, sem nenhum motivo se não a mais simples e pura vontade de rir.

Joguei-me sobre ele e descansei a cabeça em seu ombro.

— E aí, é gostoso? — ele perguntou.

— Aham. Gosto de morango. Mas... — virei-me para ele e passei um dedo sobre seu lábio inferior, brincando com ele por um momento. — Gosto do seu sabor também.

Ele me deu um selinho e empurrou minha cabeça de volta para seu ombro, para poder começar a sessão de carícias que sempre acabava em nós dois dormindo até o dia seguinte. E eu estava realmente quase em um sonho quando me lembrei.

— Seu celular, Gee, você recebeu uma mensagem.

— Ah, é.

Ele suspirou e se levantou, indo até a escrivaninha e pegando o telefone.

— É do Mikey — falou. — “Quando você e a princesa acabarem aí, vem pra sala, a Lindsey e a Jamia estão aqui”.

— Já? — exclamei. — O show é só na quarta...

Bocejei e comecei a me vestir, com Gerard me acompanhando.

— Era tão óbvio assim que íamos transar, que o Mikey nem quis vir avisar pessoalmente? — perguntei, achando isso divertido.

— Acho que os caras supõem que estamos transando toda vez que nos trancamos em um quarto.

— E estamos.

— Então tinha que ser óbvio, né?

Mostrei a língua para ele e logo nós nos encaminhávamos para a sala.

Chegando lá, encontramos Mikey, Lindsey e Jamia conversando animadamente sobre qualquer coisa que as duas fizeram durante a viagem. Calaram-se assim que nos viram.

— Oi! — cumprimentei, com um sorriso enorme no rosto. Se duvidavam do que eu e Gerard estávamos fazendo, minha expressão tirou a dúvida. — Por que não avisaram que chegariam mais cedo? Teríamos ido buscar vocês.

— Não tem problema — Jamia respondeu.

— Tá tudo bem, né? — Gerard perguntou, sentando-se comigo. — Vocês não se separaram, certo?

— Eu disse que ele ia perguntar isso — Lindsey falou para Jamia, logo voltando a atenção para Gerard. — Não, ainda estamos bem. Na verdade, viemos aqui para falar sobre isso.

Eu e Gerard nos entreolhamos, meio confusos.

— Sobre vocês duas? — perguntei.

— É — Jamia respondeu. — É que... Nós estamos realmente bem... Não damos certo morando juntas, mas fora isso, nessas últimas semanas nos aproximamos até mais do que eu achei que iríamos.

— E percebemos que nossa situação está ficando séria — Lyn-z falou. — Assim como a de vocês. E... acho que vocês não perceberam isso ainda.

— Claro que percebemos! — Gerard disse, quase parecendo ofendido. — O que você acha que estamos fazendo?

— Vocês estão juntos — Lindsey continuou. — Mas já pararam pra pensar no futuro? Que vocês provavelmente vão querer continuar juntos?

— Claro que já — eu disse. — E não precisa desse “provavelmente” aí.

— É, eu sei, então... — Lyn-z começou, olhando para Jamia por um momento antes de prosseguir. — Mas já pensaram em todos os lados da questão? Eu sei que é fácil de esquecer, porque vivemos no meio de pessoas inteligentes e tudo, mas nós ainda somos dois casais gays.

Eu e Gerard ficamos quietos, esperando para ver aonde ela queria chegar.

— E tem certas coisas que nos são restritas... — Jamia disse, hesitante.

— Somos fortes — falei, firme. — Podemos vencer a homofobia, e...

— Não, não é isso — Jamia me cortou. — É outra coisa... Uma coisa da qual somos meio que, ahn... impedidos.

— O quê?

Ela e Lindsey se olharam de novo, parecendo não arrumar coragem para falar. Até que uma voz feminina nos assustou, vinda da escada:

— Filhos, garotos — disse Donna. — Elas estão falando de filhos.


Notas finais
Pensei nessa cena do strip do Gerard depois de ver esse video:
http://www.youtube.com/watch?v=L4ofg0B-afo (0:55, o Frank quase tem um ataque xD)
Comentem, please ♥
Beijos!