I Love You Like I Didnt Yesterday
29 Capítulo 29
Notas iniciais
O lemon com as músicas pelo jeito vai acontecer mesmo, mas ainda não é nesse capítulo.
E acho justo falar que essa ideia "Jamia e Lindsey" veio, na verdade, do meu namorado. Então quem gostou, fique feliz por eu tê-lo ouvido, e quem não gostou, culpe ele, não eu -q
É, sou realmente muito justo u_u
Espero que gostem o/
A primeira coisa que fiz quando acordei no dia seguinte foi ligar para Jamia, mas ela não atendeu. Tomei isso como algo bom a princípio. Eu dormira com Gerard, já que Lyn-z só iria para um hotel hoje, então não era ruim a ideia de que Jamia talvez tivesse dormido fora também.
Mas eu não consegui falar com ela o dia inteiro, e, quando fui ajudar Gerard a levar suas coisas de volta para sua casa, descobri que a Lindsey também sumira. Mas ela pediu para Donna avisar que já encontrara um hotel e que, caso estivéssemos nos perguntando se ela estava evitando o Gerard, a resposta era sim.
— E suponho que a Jamia esteja te evitando também, né? — Donna me perguntou depois de passar o recado.
Assenti, mal-humorado. Então elas preferem nos evitar a contar o que aconteceu? Ah, isso não iria prestar.
Fui até a casa da Jamia e a encontrei lá, mas ela simplesmente falou que estava atrasada para não sei o que e saiu tão rápido que mal a vi. Mais tarde, Gerard me disse que Lindsey o estava tratando da mesma forma, e os celulares de ambas ficavam desligados o tempo todo.
Bem, não tínhamos muito o que fazer enquanto elas continuassem assim. Eu ainda teria fôlego para perseguir Jamia por muito tempo, mas, para sorte dela, outra coisa me chamou a atenção nos dias seguintes. E foi o fato de Gerard estar me escondendo algo; para piorar, com a ajuda de Ray, Bob e Mikey. Por duas vezes flagrei Gerard com um deles, ou com todos, conversando baixo e escondendo algo atrás das costas assim que me viam. Eu não lido bem com exclusão generalizada, eles já deviam saber disso.
Na terceira vez, abandonei todo o fingimento de que não havia notado nada e avancei neles, mas Bob e Ray me seguraram e Mikey conseguiu correr para o próprio quarto e esconder a coisa, seja lá o que fosse.
— O que vocês estão tramando? — perguntei, meus braços ainda sob os apertos de Bob e Ray.
— Nada que te interesse — respondeu Ray.
— Não fale assim, Ray — Bob comentou. — Claro que interessa a ele. Não interessa a nós contar pra ele, é diferente.
Dei-lhe uma cotovelada leve, que o fez me soltar, e Gerard riu, divertindo-se muito com a minha impaciência. Mikey voltou em pouco tempo, já falando.
— Frank, se era pra ficar aparecendo aqui toda hora, por que o Gerard não continuou morando com você? Pelo menos eu não teria que aguentar os dois o tempo todo.
— Porque eu não consigo aguentar ele o tempo todo, só por isso — respondi, finalmente me desvencilhando de Ray. — E você só reclama também, Mi! Eu que tenho direito de ficar bravo aqui, vocês estão escondendo alguma coisa e...
— E você não vai descobrir o que é — Gerard me cortou, sorridente.
— Você vai ver se eu não vou — resmunguei.
— Não vai, não — Gerard falou, abaixando o tom de voz, e vindo até mim. — Ah, por favor, baixinho, você não precisa saber de tudo...
— Preciso, sim.
— Claro que não — ele disse, agora quase num murmúrio, e muito próximo para que eu fingisse indiferença. — Com segredos fica mais gostoso...
— Pára de apelar, Gee — falei, não segurando completamente o sorriso ao notar seu olhar obviamente malicioso sobre minha boca.
— Pelo amor de Cristo — Ray exclamou de repente, assustando-me um pouco, já que eu tinha esquecido que ele estava bem ao meu lado. — Querem pelo menos avisar quando forem fazer isso? Porque se eu quisesse assistir pornografia gay eu tava na internet agora.
Gerard o xingou, mas eu acho que às vezes atos dizem mais do que palavras. Puxei Gerard sem aviso, apertando minha mão firmemente em sua nuca, e o beijei, quase rindo com as vozes de Ray, Bob e Mikey gemendo e dizendo em uníssono: “arrumem um quarto!”. Só uma pequena parte da minha mente me lembrou que aquilo fora um plano para me distrair, porque o resto não dava a mínima para isso.
Então o telefone do Gerard tocou, forçando-nos a separar o beijo. Ignorei o “graças a Deus” forçado do Bob e esperei que Gerard atendesse.
— Oi, Linds... Que foi? Sim, ele tá comigo, mas o que... Ah. É, sei, ele me disse... E desde quando eu controlo esse ser? Não, tudo bem, eu falo. Vou com ele também. Até já, tchau.
Eu o estudei, curioso, enquanto ele guardava o telefone.
— A Lindsey quer ver você — ele falou calmamente.
— Eu?! Por quê?
— Acho que ela não gostou muito das ideias que você deu pra Jamia.
— E vem falar isso agora? Faz dias que eu conversei com a Jam!
— É, mas acho que ela também está lá — Gerard continuou, pensativo. — E deve ter contado só agora que você a incentivou a fazer sei lá o que ela fez.
— Ah... E a Lindsey não tá feliz com isso?
— Nem um pouco.
— Hmm... Ok. Então que bom que você vai comigo.
Ele deu de ombros alegremente.
— Tenho que te proteger, né.
— Tem?
— É claro, prometi pro Ray.
Ri e dei um soco leve em seu ombro, ouvindo Ray dizer “E coitado dele se quebrar a promessa”, antes de sairmos e irmos para o carro.
— Você me protegeria mesmo? — perguntei depois de alguns minutos, observando-o dirigir.
— Calma, Fran, a Lindsey não vai fazer nada...
— Não, não dela. De qualquer coisa. Você faria isso? Se arriscaria para me proteger?
Ele me olhou, intensamente, deixando-me quase desconfortável, e ficou desse jeito o maior tempo que era possível sem capotar com o carro, até que finalmente voltou o olhar para frente e respondeu.
— Não.
É, eu sabi-
— Não? — repeti, franzindo o cenho em perplexidade.
Se as pessoas continuarem a me surpreender negativamente assim, vou supor que estou perdendo meus encantos. Como assim, “não”? Eu faria tudo por ele! Eu me arriscaria, eu...
— Se você estivesse em perigo, eu não te protegeria — ele falou, dando ênfase na última palavra como se ela fosse ofensiva para ele. — Eu não quero te cobrir ou te esconder dos perigos, das coisas ruins... Do mundo, se for pra falar a real. Quero te salvar dele. Eu te salvaria, Frankie, porque você a salvo é o que mais me importa.
E o sorriso de besta apaixonada só saiu da minha cara quando já estávamos entrando no hotel.
Chegamos no quarto onde Lyn-z estava hospedada e a encontramos sentada em uma poltrona, na frente da janela. Jamia estava de pernas cruzadas sobre a cama de casal, parecendo entediada.
— Então, Iero — Lindsey começou, sarcástica, assim que Gerard fechou a porta atrás de nós. — O que você tem a dizer em sua defesa?
— Ahn... Qual é a acusação?
— Você dizer pra essa aqui — ela apontou para Jamia com a cabeça, que a encarou impassível. — me agarrar há três dias.
— Foi o que ela fez? — perguntei, com um sorriso zombeteiro.
— Foi, sim. Pelo jeito ela te obedece como um cachorrinho.
Vi uma faísca de raiva no olhar da Jamia, mas ela se apagou rapidamente. Fitei Lindsey por alguns segundos, então me afastei e me recostei na parede, na pose mais arrogante que consegui formar, enquanto Gerard só assistia a tudo bem calado.
— Ótimo — falei. — Então detalhem o que aconteceu.
— Eu não... — Lindsey começou, mas Jamia a cortou:
— Eu fui até a casa do Gerard naquele dia, cheguei nela e a beijei. Ela perguntou o que eu estava fazendo, eu não respondi e beijei de novo. E acho que é válido falar que ela correspondeu.
— É claro — Lyn-z disse, irritada, mas corando levemente. — Eu não sabia o que estava acontecendo, eu... não tive escolha!
— Está querendo dizer que eu te forcei? — Jamia perguntou, arqueando as sobrancelhas.
— Não... quer dizer... Psicologicamente, forçou, sim!
Eu, Gerard e Jamia rimos, o que não deixou Lindsey muito confortável.
— Olha, aconteceu o seguinte — Jamia retomou a palavra, voltando-se para mim. — Nós não passamos do beijo naquele dia porque a Lindsey ficou confusa e eu entendi isso. Eu deixei que ela ficasse sozinha pra pensar, e fiquei te evitando porque sabia que se eu contasse pra você, você contaria para o Gerard e ele não a deixaria em paz.
— Você fez isso? — Lindsey perguntou, baixo, com uma expressão chocada. — Evitou o Frank por minha causa?
— É. Acho que eu não sou um cachorrinho tão obediente assim.
Nunca vi Lyn-z corar tão violentamente.
Jamia olhou para mim de novo, e eu notei que estava difícil para ela continuar agindo dessa forma fria e indiferente. Ela com certeza queria abrir seu melhor sorriso vitorioso, mas também queria segurá-lo por mais tempo.
— Então — continuou, lançando-me uma piscadela muito rápida. —, hoje eu cansei de esperar, vim aqui pra conversar, e quando contei que fiz aquilo porque você tinha me dado coragem, ela surtou.
— Mas por quê? — perguntei.
— Por quê?! — Lindsey repetiu, com raiva novamente. — Porque eu fiquei sem dormir pensando naquele maldito beijo, e descobri que tinha sido ideia sua! Ela não fez porque quis, fez porque o namoradinho veado disse que seria legal!
Ficamos em silêncio por alguns segundos, pesando as palavras que pairavam no ar. Gerard pareceu surpreso; eu não me importei com nada do que ouvi; e Jamia parecia ter escutado só até a parte do beijo.
— Você ficou sem dormir? — perguntou, arregalando um pouco os olhos e perdendo completamente a postura orgulhosa.
— Eu... ahn... sim — Lindsey admitiu, olhando para baixo por um momento, mas logo voltando ao normal. — Mas foi por besteira, né? Afinal você só fez o que o Frank pediu, foi a mesma coisa de ele e o Gerard terem ido morar juntos só porque eu desafiei, sem nenhuma intenção verdadeira de...
— Eu só disse pra ela fazer algo antes que se arrependesse — falei, antes que Lindsey continuasse com o discurso infinitamente.
— Você — ela exclamou, mas parou, claramente mudando a frase no meio. — Você... só disse isso?
Balancei a cabeça afirmativamente.
— Eu não falei pra ela te agarrar. Isso foi por vontade dela.
Lyn-z ficou me olhando com uma cara de tacho tão genuína que eu quase soltei uma gargalhada, mas consegui me controlar. Então ela se voltou para Jamia.
— Você podia ter me falado isso.
— Você surtou — Jamia respondeu, em um tom inocente demais. — Achei que seria mais legal deixar você chamar os dois aqui...
— E passar vergonha na frente deles?
— É, tipo isso.
— Você é insuportável.
— Obrigada!
Elas se encararam, e eu e Gerard percebemos que estávamos, aos poucos, sendo esquecidos.
— Por que você me beijou? — Lindsey perguntou, séria.
— Porque eu quis.
— E por que você quis?
Jamia deu de ombros, olhou para baixo e mexeu com um dedo na ponta de sua camiseta.
— Não sei. Eu só quis. Precisa mesmo de um motivo?
Ficaram quietas, Lyn-z a observando e ela ainda brincando com o dedo. Eu estava tentando arrumar um jeito de sair sem parecer estar fugindo, e acho que Gerard também. Mas antes de conseguirmos, Lindsey se levantou em um pulo e se encaminhou para a cama.
— Não, não precisa — respondeu, e, segurando firmemente o queixo de Jamia para cima, beijou-a de um modo quase violento, mas que foi muito bem correspondido.
Eu e Gerard saímos praticamente correndo do quarto quando Lyn-z começou a se sentar na cama, sem se afastar de Jamia, sabendo que elas não iriam querer que continuássemos ali assistindo. Não que fosse realmente um problema para nós... ou para mim, ao menos.
— É estranho ver a Lindsey com outra pessoa — Gerard comentou, no elevador. — Mas estou feliz por ela. De verdade.
— Eu sei como é. Mas Gee... — virei-me para ele e lancei o olhar mais ameaçador que consegui naquela posição, o que não é tão fácil quando se lembra que eu tinha que olhar para cima para ver seus olhos. — Se ela pensar em fazer com a Jamia o que você fez comigo...
— Não se preocupe — ele respondeu, em um tom ligeiramente magoado. — Se ela fizer isso, eu vou ser o primeiro a ficar do lado da Jam.
— Ok... Obrigado.
Fomos até a minha casa conversando animadamente sobre o que acontecera, imaginando como as duas se dariam namorando. Eu não quis nem tentar vislumbrar uma cena em que elas morassem juntas. Iriam se matar no primeiro dia.
Acabamos, com isso, lembrando de falar sobre aquela ideia estranha de cada um morar com uma pessoa diferente, e Gerard a achou tão incabível quanto eu. Mas nenhum de nós negou que poderia dar certo se soubéssemos vencer nossos ciúmes. E, para falar a verdade, vencer ciúme é algo que todo mundo deveria fazer. Ele não é nem um pouco saudável e sabíamos disso.
Depois de comer algo que Linda nos serviu — e ela estava aparentemente muito feliz por estarmos bem mesmo depois que Gerard saíra de casa —, fomos para o meu quarto, meu lindo quarto, só meu.
— Sabe, eu ainda não esqueci que você está me escondendo alguma coisa — falei, sentando-me na cama e tirando os tênis. Gerard ligou o computador e me ignorou. — Ouviu, amor?
— O quê? — perguntou sonsamente, sem me olhar.
— Você ouviu, sim. Eu quero saber o que você e os três mongos lá estão escondendo de mim.
— Eu acabei de ter uma ideia, Frankie — ele disse subitamente, como se estivéssemos em silêncio esse tempo todo. — Que tal procurar mais uma daquelas... como é?, fanfics que você viu há uns meses atrás?
— Pra quê? — questionei, amaldiçoando minha curiosidade por deixar que ele me distraísse.
— Pra ter ideias novas.
Ele me lançou um olhar devorador, e eu não consegui conter um sorriso.
— Como assim?
— Podemos ler... e fazer.
É mesmo um filho da mãe... E um safado, esperto, lindo e que me convence a qualquer coisa quando me olha desse jeito.
Gerard achou uma história que tivesse um quarto como cenário e, em pouco tempo, o computador já estava abandonado enquanto nós nos empenhávamos em reproduzir a cena. E eu, claro, já nem lembrava do que estávamos falando alguns minutos antes.
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