I Love You Like I Didnt Yesterday
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Vocês vão querer me matar no meio do capítulo, mas vão me perdoar no fim. Né? Né? ._.
Espero que o rumo da fic ainda esteja agradando, porque mais coisas inesperadas estão programadas e eu estou com medo de ficar muito fora do que vocês esperam .-.
Bom, até lá, bom capítulo! xD
Mais tarde, no mesmo dia, voltamos para a casa de Gerard para pegar suas coisas. A Jamia ainda estava por lá, mas a Lindsey estava bem mais calma, então supus que elas não brigaram novamente. Antes de sairmos, Lindsey pediu para o Gerard conversar a sós com ela, e os dois ficaram no quarto por algum tempo, enquanto eu fazia companhia a Jamia e Donna na cozinha. Eu estava apreensivo, mas quando Gerard voltou, ele simplesmente me chamou para ajudar a pegar as caixas e nós levamos tudo para o carro.
— O que ela queria? — perguntei, dirigindo.
— Falar que eu não precisava fazer isso só porque ela disse.
— Hmm. Só?
— Não — ele suspirou. — Ela disse que está realmente fazendo força pra entender a minha decisão, e que ela ainda quer ser minha amiga, assim como foi desde o começo. Mas que não acha que vai conseguir me perdoar.
— Sinto muito, Gee.
— Tudo bem. A culpa foi minha de fazer todo mundo sofrer assim. Primeiro você, depois ela... E mesmo assim vocês dois ainda não me mataram. Não sei como conseguem.
— Nós te amamos — respondi calmamente, só me depois tocando que disse “nós” com a maior naturalidade.
Ele me olhou por um momento antes de falar.
— É, eu sei. Só não entendo. A Lindsey ficou puta da vida comigo, mas falou que, no fim das contas, ela ia ter que aceitar que o que me faz feliz nunca foi só ela, e ela sempre soube. Afinal, eu não parava de falar de você.
Levantei as sobrancelhas, surpreso.
— Ela disse isso?
— Disse. Sabe, ela é muito compreensiva, na verdade.
— Ahn... É?
— É, mas também é orgulhosa pra caramba. Você nunca vai vê-la com aquele jeito meigo e simpático se ela achar que vai estar demonstrando fraqueza. Ela só mostra quem é de verdade pra mim.
— Hmm.
Ficamos em silêncio durante o resto do trajeto, eu me perguntando se seria tão difícil para Lyn-z engolir seu orgulho quanto era para mim engolir meu ciúme.
Depois de arrumarmos as coisas de Gerard no meu quarto, eu tive que fechar bem a boca para não fazer comentário algum. Nossos quartos eram bem parecidos, e eu sempre achei isso legal, mas quando se junta duas bagunças dessas... Bem, tudo bem, eu iria me acostumar.
E, realmente, além do pequeno detalhe de quase não conseguirmos andar devido à quantidade de tranqueiras jogada em todo canto, os dias seguintes não mostraram problema nenhum. Estavam sendo absolutamente ótimos, para falar a verdade.
Eu e Gerard passávamos facilmente horas juntos sem nem notar, só conversando e brincando. Na maior parte do tempo continuávamos parecendo só grandes amigos, mas nas entrelinhas ficava claro que éramos algo a mais; nos beijos roubados, nas carícias excessivas, nas palavras açucaradas ou maliciosas. E a melhor parte era que agora não tínhamos nada nos segurando; o que significou pelo menos duas transas diárias.
Tudo parecia estar indo de bom à melhor. Na semana seguinte, Gerard continuou seu trabalho com a The Umbrella Academy e eu com o Leathermouth, e quando estávamos juntos, sempre fazíamos algo para o My Chem, às vezes chamando os outros para ajudar. Eu fui teimoso e mostrei a letra que Gerard escrevera sobre Lindsey para Mikey, dizendo que eu queria que déssemos atenção a ela e que ele devia convencer o irmão disso, já que Gerard se recusava.
— Como você pode querer isso, Frank? Não sente ciúme, não? — ele me perguntou quando Mikey o contou o que eu queria.
— É claro que eu sinto, mas ela também fala de mim, não fala? Além do mais, ela é boa, e eu já disse que tenho que aceitar o que você sente pela Lindsey. Afinal, ela mesma está fazendo isso, e a Jamia também conseguiu quando eu contei sobre você. Então por que não usar essa letra?
— Tá, tá, que seja, mas lembre que foi você que pediu, você que admite que gosta da música.
— E eu gosto. Não que eu não gostasse se tivesse uma que fosse só pra mim... — acrescentei baixo, e Gerard me observou com um sorrisinho no canto da boca, mas não falou mais nada.
Em mais uns dois dias, eu e Gerard tivemos que ir para a casa dele de novo. Donna ligou, exasperada, e disse que nós tínhamos que dar um jeito nas nossas mulheres. Não precisamos que ela falasse mais nada para saber o que aconteceu.
— Você acha que eu ia ficar quieta com ela xingando você sem mais nem menos? — Jamia exclamou, irritada, quando eu a puxei para um canto e Gerard puxou Lindsey para outro.
Jamia estava com um lábio cortado e Lyn-z com marcas fortes de arranhões no rosto e nos braços, ambas furiosas, mal notando a mim e Gerard ou Donna parada no meio da sala com um olhar reprovador.
— É claro que ela vai me xingar, Jamia, eu roubei o marido dela! Você não xingou o Gerard milhares de vezes? — eu disse rapidamente, preocupado, procurando para ver se havia mais algum ferimento nela e vendo Gerard fazer o mesmo com Lindsey do outro lado do cômodo.
— Ah, dane-se, ela tava me irritando. Eu teria batido nela de qualquer jeito. Não dá pra ver ainda, mas aquela carinha linda dela vai ficar roxa amanhã.
— Ai, Jesus... O que você estava fazendo aqui, afinal? — perguntei, franzindo o cenho.
— Eu disse que ia ficar de olho nela, não disse? E eu tenho o direito de visitar a Donna quando eu quiser.
— Ah, Jamia...
Acho que Gerard devia estar falando basicamente as mesmas coisas para Lyn-z, e tentando, como eu, impedir que as duas pudessem se encarar.
— Realmente... — Donna falou, olhando de uma para outra, parecendo muito aborrecida. — Eu já passei do tempo de cuidar de crianças. Gerard e Frank, elas são sua responsabilidade.
Como se já não tivéssemos percebido.
— Quer fazer o favor de não vir mais aqui? — perguntei a Jamia.
— Não.
Suspirei.
— Tá, então quer parar de brigar com a Lindsey?
Ela bufou.
— Jamia, é sério. Fazendo isso, você deixa o Gerard magoado, e ver ele triste me deixa triste também.
— Chantagem emocional é golpe baixo, sabe? — ela resmungou. — Ok, eu paro. Desde que ela cuide da própria língua quando eu estiver por perto!
Ela terminou falando alto, e isso teria sido um problema se Gerard não impedisse Lindsey de avançar para ela de novo.
Depois de recomendar uma porção de coisas para as duas, que segurassem a raiva, que não fossem tão impulsivas etc., eu e Gerard fomos para a minha casa enquanto Jamia ia para a dela.
Tudo bem, alguns inconvenientes estavam acontecendo por nossa causa, mas poderíamos superar isso. O que importava era que eu e Gerard estávamos nos dando muito bem morando juntos.
———
Até a segunda semana.
Eu já tinha entendido que morar com uma pessoa é diferente de fazer uma turnê com ela. Primeiro porque todas as nossas manias irritantes, minhas e de Gerard, estavam dez vezes mais insuportáveis agora que éramos obrigados a aguenta-las o tempo todo. Como, por exemplo, a junção da minha incapacidade de ficar quieto quando estou entediado e a concentração exagerada de Gerard quando ele está desenhando.
— Gee, eu tô falando com você!
— E eu tô ocupado, Frank! Não tá vendo?
— Você não pode só olhar pra cima um pouquinho e me responder, não?
— Ah, Deus. O que você quer?
Eu sorri idiotamente.
— Perguntei o que você tá desenhando.
— Ah, Fran, vai se foder.
Esse era o tipo de coisa que sempre aconteceu entre nós. Mas agora acontecia toda hora, e isso tira o humor da situação. Do mesmo jeito, não estava mais engraçado para Gerard as minhas infantilidades constantes, que frequentemente o atrapalhavam no que ele estivesse fazendo. Também não era mais com um tom de brincadeira que eu reclamava do seu gigantesco sentimento de posse, que o fez ir colocando minhas coisas cada vez mais escondidas no quarto, até que eu mal lembrasse que também morava ali.
Não brigávamos seriamente por causa dessas coisas, mas as pequenas discussões eram cansativas, e atrapalhavam todo o resto. Ainda conseguíamos conversar, brincar, nos beijar e o que mais quiséssemos quando estávamos de bom humor, mas era meio difícil encontrar os dois de bom humor ao mesmo tempo. Em consequência, passávamos mais tempo trabalhando do que aproveitando o fato de estarmos juntos, e o sexo diminuiu de quantidade, apesar de não ter esfriado.
Não era que não conseguíssemos morar juntos... Mas era muito melhor que não morássemos. Só que não queríamos admitir isso e ver a expressão triunfante no rosto de Lindsey, e esse foi o nosso real erro. Tínhamos que ter simplesmente admitido que ela estava certa e continuar nosso namoro com cada um em sua casa; mas não, os dois imbecis decidiram ir prolongando, até que as discussões começassem a ficar piores e uma briga acabasse acontecendo.
Eu só fiquei furioso de verdade em um dia, depois de três semanas da mudança de Gerard, em que o peguei falando no telefone com alguém, muito animado, rindo alegremente.
— Certo, certo — ele falou quando me viu. — Eu vou desligar agora, o Fran chegou. Beijo, tchau.
Ele se aproximou para me cumprimentar, mas um súbito acesso de ciúme se apoderou de mim e eu desviei o rosto.
— Quem era? — perguntei, bravo, já sabendo a resposta.
— A Lindsey, por quê?
— Ah, é claro, com quem mais você estaria tão feliz assim, né?
Ele franziu o cenho, confuso.
— Qual o problema? Você continua falando com a Jamia.
— É diferente.
— Por quê?
— Porque ela não armou um plano pra nos separar, só por isso. E quer nos ver juntos de verdade.
— Ah, mas a Linds já passou disso, ela não tá realmente torcendo pra que a gente se separe...
— Ah, não? — eu ri sarcasticamente. — Você às vezes é tão ingênuo, Gerard.
Aí eu o ofendi.
— Eu sou ingênuo? Olha, eu conheço a Lindsey melhor do que qualquer um que esteja envolvido nessa merda toda, e eu sei dizer quando ela está falando a verdade.
— Já que é assim, porque você não volta pra ela de uma vez? — falei, mais alto, começando a explodir de raiva. — Já que vocês se conhecem tão bem, se completam tão bem, já que ela é seu raio de sol e tudo o mais!
Ele balançou a cabeça, parecendo meio incrédulo.
— Você é um idiota, Frank.
— Me xingar não vai melhorar a situação, Gee.
— Mas você é — ele respondeu, irritado. — Você não tá entendendo? Eu não quero voltar pra ela, e não vou. Mas ela é importante pra mim, sempre será, e se você não puder aceitar que ela seja minha amiga, aí teremos um problema. Porque aí eu vou poder exigir que você não fale mais com a Jamia também. Como você se sentiria com isso?
Cada palavra que ele falou foi um jatinho de água fria que apagou minha raiva, e agora eu me sentia realmente um idiota pelo ataque de ciúme repentino. Abaixei o olhar e suspirei.
— Desculpa, Gee. É que não tá fácil. Eu estou vendo que a Lindsey estava certa, nós não estamos bem morando juntos, e eu não consigo esquecer que ela esperava que você voltasse correndo pra ela...
— Isso não vai acontecer, Frank — ele falou, aproximando-se, a voz firme. — Eu sei que não é fácil confiar em mim, mas você precisa. Entenda de uma vez por todas que eu não posso ficar sem você, seu chato.
Eu ri um pouco, levantando o olhar para encontrar Gerard tão próximo que sua respiração quase batia em meu rosto.
— Mas... você já escolheu ela uma vez... — falei, hesitante.
— Foi só porque eu não sabia que te perderia daquele jeito. Fui burro, achei que poderia ter os dois. Mas eu só precisei perceber que tinha que escolher pra escolher você. Ou você não percebeu que eu estou aqui, e não com ela?
Eu sorri, novamente olhando para baixo.
— Isso não é justo... — murmurei.
— O que não é justo?
— Você, falando essas coisas, não me deixando nem ficar bravo por muito tempo.
Ele riu e levantou meu queixo com a mão.
— O que eu posso fazer pra recompensar essa tremenda injustiça?
Será que ele sabia como seus lábios estavam irresistíveis nessa última frase? É, acho que sim, supondo que ele sabia que eu o beijaria e o arrastaria para a cama.
Não dissemos nada, mas sabíamos que já estava na hora de encarar a realidade. Por isso, ambos soubemos que aquela seria a última noite de Gerard naquela casa, e isso, de alguma forma, fez com que aquela transa ficasse memoravelmente deliciosa.
O problema agora seria contar para todo mundo.
Notas finais
Espero que tenham gostado!
:*
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