I Love You Like I Didnt Yesterday
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Espero que gostem!
Jamia sorriu para mim.
— Eu também acho uma boa ideia vocês morarem juntos — falou, entrando animadamente na conversa.
— Quem é você? — Lyn-z perguntou, curiosa, mas um pouco ríspida.
— Namorada do Frank.
Dá para se entender a cara de surpresa que Lindsey fez.
— E você não se importa que...?
— Não. Já passei dessa fase.
Vi os punhos de Lindsey se fecharem.
— Fase? O que você quer dizer com isso?
Jamia deu de ombros, com um sorrisinho perigosamente sarcástico.
— Exatamente o que você acha. Fase, algo que passa.
Lindsey bufou.
— Se pra você tá tudo bem ter um namorado desses...
— O melhor que eu já tive, obrigada.
— É, mesmo? Interessante — Lindsey disse, as palavras bem ácidas. — O seu melhor namorado não quer você. Nunca pensou em reavaliar seus conceitos?
— Não, nunca pensei — Jamia respondeu em um tom que eu conhecia e que começou a me deixar preocupado. — Porque poderia ser pior, né? Pelo menos não preciso dizer que eu fui a idiota a quem o namorado enganou.
Lyn-z se levantou, e eu e Gerard a acompanhamos, trocando olhares assustados. Gerard tinha que entender que se ela fizesse alguma coisa a Jamia, eu não ia deixar barato; mas Jamia sabia muito bem se cuidar sozinha, e prova disso é que ela deu um passo decidido à frente, com um olhar ameaçador.
— Garotas — Donna interveio, graças ao bom Deus. —, vocês estavam concordando sobre algo agora mesmo.
— Ah, sim — Jamia exclamou, e se voltou para mim e Gerard. — É, eu acho bom que vocês morem juntos por um tempo.
— Por um tempo... — Lindsey falou. — Como você sabia que era isso que eu ia sugerir?
— Acho que pensamos igual.
As duas fizeram leves caretas de desagrado com esse pensamento.
— Alguém quer por favor explicar o que vocês querem dizer com “morar junto”? — Gerard pediu, suplicante.
— Não sei se nós três pensamos nisso pelo mesmo motivo — Donna falou. —, mas eu acho que você, Gerard, precisa aprender melhor o que é casamento. Ter se casado com a Lindsey mesmo estando em dúvida sobre o que sentia foi seu pior erro até agora.
— E vocês não entendem — disse Jamia. — o que significa estar debaixo do mesmo teto com a mesma pessoa todo santo dia.
Lyn-z não fez objeções, o que, para mim, significou que sua expressão abismada era porque Donna e Jamia estavam explicando sua ideia muito bem.
— E eu acho que vai ser uma ótima forma de vocês terem certeza do que querem — Donna continuou. — Especialmente você, Gerard.
— Mas eu tenho certeza! — ele rebateu, irritado.
— Assim como tinha no dia do casamento? — Donna perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Mas... eu...
— Qual o problema, afinal? — Lindsey falou secamente. — Vocês não querem?
Eu olhei para Gerard e não pude conter um sorriso. É claro que eu queria!
— Não é isso — ele respondeu. —, é que eu não estou entendendo porque você quer.
Lindsey sorriu um pouco, de uma forma um tanto sádica, e olhou para mim.
— Você lembra que eu estou morando aqui nos últimos dias, não lembra, Frank?
— Ah! É...
— Tinha se esquecido? — ela perguntou, ainda sorrindo.
— É que... eu não vi nada seu aqui...
— É, é porque não tem quase nada meu aqui. Tem, amor?
— Não — Gerard disse, também seco. —, mas você concordou que...
— Ah, sim, eu concordei, querido. Eu não me importo com nada do que você quer ou precisa. A questão é o quanto seu precioso Frank vai concordar com as suas exigências.
— E o quanto você vai concordar com as exigências dele — Jamia falou, mirando Gerard.
Eu olhei da Jamia, para Donna e então para Lyn-z umas três vezes antes de falar.
— Espera aí. Vocês querem que a gente vá morar junto porque acham que não vamos conseguir?
— Não, é pra provar que vão conse-
— É — Lindsey cortou Jamia. — É exatamente por isso, Frank. E eu não acho, eu sei que vocês não vão conseguir.
— E o que você espera? — Jamia perguntou, um pouco alto, voltando-se novamente para Lindsey. — Que o Gerard se arrependa e volte correndo pra você?
— Exatamente. O que não significa que eu vou aceitá-lo, claro.
— Essa é sua ideia de vingança? Patético — Jamia praticamente cuspiu a última palavra.
— Você está empurrando o Frank pra outro cara, ainda chamando ele de namorado, e eu que sou patética? Se olhe no espelho, garota.
— Parem com isso — Donna interveio de novo, calmamente, mas com um ar de autoridade indiscutível. — Gerard, Frank, vocês aceitam a proposta?
Eu tive o bom-senso de olhar para Gerard antes de responder, para ter certeza se ele aceitaria, mas minha vontade era gritar que sim e provar para aquela Lyn-z que nós nos daríamos perfeitamente bem. Já Gerard não se preocupou em confirmar coisa alguma comigo.
— Claro que aceitamos a proposta! — ele falou, e pelo seu tom, a frase daria totalmente certo se ele tivesse falado “desafio”.
— Ótimo — Donna continuou. — Lindsey, você vai voltar para L.A.?
— E perder a visão de camarote desses dois? — Lindsey respondeu, meio irritada e meio divertida. — Não, vou ficar aqui mesmo, só preciso arrumar um lugar...
— Posso dar um jeito nisso — Donna falou, sorrindo também. — Frank, sua mãe se importaria se Gerard fosse passar, sei lá, um mês lá?
— Acho que não — respondi.
— Então está resolvido. Gerard, você vai pra casa do Frank e a Lindsey pode ficar no seu quarto.
— QUÊ? — Gerard extravasou, mas se controlou logo. Ele sabia que reclamar por alguém estar usando seu quarto o faria parecer ter treze anos. — Ok, que seja.
— Obrigada, Donna — Lindsey agradeceu, parecendo agora estar usufruindo uma grande felicidade vingativa.
Alguns segundos de um desconfortável silêncio se passaram até eu decidir quebrá-lo.
— Ah... então... acho que eu vou pra casa, falar com a minha mãe.
— Vou com você — Gerard disse, muito rápido, deixando bem claro que adorou a desculpa para sair dali.
— Então tá, né... — Jamia falou. — Quando Donna foi me buscar, achei que daria tempo de participar da conversa, mas já que já está tudo resolvido...
— Mãe! — Gerard exclamou de repente. — É mesmo, como você sai pra trazer a Jamia assim? Aliás, como você sabia que eu ia conversar com a Lindsey?
— Você acha que eu sou besta, Ger? Eu sei de tudo que acontece nessa casa.
Ela me lançou um olhar rápido e penetrante que me fez corar. Será que aquele isolamento acústico estava funcionando direito mesmo? Droga.
— É, vamos embora — murmurei, caminhando para a saída.
Nesse momento a porta da cozinha se abriu e Ray foi empurrado para a sala.
— Err... nós, ahn, nós vamos embora — ele deu um sorriso amarelo, e olhou para a cozinha. — Vem logo, seus idiotas!
Mikey e Bob saíram envergonhados, e eu consegui ouvir Ray falar baixo:
— Você me paga, Mikey.
— Eu vou ficar pra ver meus novos aposentos — Lindsey falou, com um toque de sarcasmo.
— Eu acho que também vou ficar mais um pouco — disse Jamia, encarando Lindsey com óbvia raiva contida. — Se Donna não se importar, claro.
— Nem um pouco. Vou preparar alguma coisa pra vocês... — Donna respondeu, e olhou para os três desembestados que acabaram de aparecer. — Supondo que minha cozinha esteja inteira.
Os três deram risadas sem-graça e se precipitaram para sair logo. Quando passei ao lado de Jamia, ela chegou mais perto.
— Não se preocupa, Fran, vou ficar de olho nessa aí. Ela não vai te atrapalhar com o Gerard.
Eu não sabia se isso era uma coisa boa ou não, então só sorri e praticamente corri para fora.
— O que. Foi. Isso?! — Ray perguntou assim que chegamos na calçada.
— E eu vou saber? — Gerard respondeu, parecendo um pouco perturbado. — Tenho cara de entender o que essas mulheres querem?
Ele percebeu tarde demais o que falara, só quando Bob, Mikey, Ray e eu começamos a rir.
— Não, Gee, realmente — disse Bob, no meio das risadas. — Você não tem cara de saber nada sobre mulheres. Fica com o Frankito mesmo que é mais seguro.
Gerard o empurrou antes de ir comigo para meu carro. No caminho para minha casa, passamos metade do tempo discutindo o que deu naquelas três para darem aquela sugestão e a outra metade imaginando como seria esse mês que viria, ambos nos recusando a acreditar na besteira da Lindsey de achar que não conseguiríamos. Nós já passamos a maior parte do tempo juntos, trabalhando; o que teria de tão diferente agora, além de podermos dormir juntos também? Eu não consegui ver nada de ruim no plano. Lindsey se arrependeria de ter feito isso antes mesmo que os papéis do divórcio dela e de Gerard ficassem prontos.
Quando chegamos em casa e nos acomodamos na sala para contar a história toda para minha mãe, ela escutou em silêncio e com uma expressão indecifrável, só falando quando terminamos.
— Sim, você pode ficar aqui, Gerard.
Sorrimos agradecidos para ela, e já nos levantávamos quando ela continuou, sem olhar para nenhum de nós:
— Mas se eu ouvir o Frank chorando antes de dormir mais uma vez por sua causa, a Lindsey vai ser o menor dos seus problemas. Entendeu?
Gerard engoliu em seco e assentiu, puxando-me para irmos logo para o quarto. Estávamos bem perto da escada quando ouvimos a voz de Linda novamente.
— E você, filho, faz um favor? Não fique tão convencido de que vai dar tudo certo. No fim a Lyn-z pode acabar provando que sabe mais do que vocês pensam.
Olhei para Gerard e, dessa vez, fui eu quem engoliu em seco.
Notas finais
Eu falei na semana passada que não ia ter mais drama e que ia acabar nessa semana, né? Pois bem, vocês estão agora conhecendo a mente imprevisível de uma drama queen, beijos. -q
;)
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