I Love You Like I Didnt Yesterday
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Escrevi esse capítulo bem rápido, não estava arrumando tempo pra escrever até agora há pouco... Vou reclamar sobre isso nas notas finais -q Espero que tenha ficado bom '-'
E quero agradecer a Bones pela terceira recomendação! Vocês não têm noção de como fico feliz com elas, apesar de achar um exagero falar que a fic tenha ficado tão boa quanto vocês dizem. E a sua recomendação, Bones, me botou um sorriso gigantesco no rosto, além de realmente melhorar meu dia! Muito obrigado, viu? Mesmo. ;)
Ok, boa leitura!
O estado de felicidade em que eu estava foi minguando na próxima hora; não porque alguma coisa ruim tivesse acontecido, mas porque o nervosismo de Gerard estava sugando qualquer outra energia no ambiente. Mikey já estava irritado, mas eu não estava nem um pouco a fim de ficar com raiva de Gerard agora, muito menos por ele estar prestes a tornar oficial que estávamos juntos. Bem, quer dizer... era o que eu estava supondo que ele faria. Mas quando perguntei o que ele falaria para a Lindsey, ele começou a ser tomado de tal pânico que eu mudei de assunto e deixei para lá.
Só que eu já estava ficando nervoso também. E se ele mudasse de ideia quando ela chegasse? Realmente, ele mal estava arrumando coragem para não sair correndo, como seria quando Lindsey aparecesse?
Fiquei pensando nisso, sentado no sofá, enquanto ele andava de um lado para o outro resmungando consigo mesmo.
— Gerard... — falei, baixo. Ele se virou como se eu tivesse gritado seu nome.
— Quê?
— Tem certeza que quer fazer isso?
Mikey, sentado no sofá do outro lado, me lançou um olhar totalmente incrédulo. É, eu era mesmo idiota por estar perguntando isso, dando a chance de Gerard responder “não” e fugir. Mas, para minha surpresa, ele sorriu.
— Você é mesmo um filho da mãe, Iero.
Mikey transferiu o olhar para ele e eu fiz o mesmo, sem entender.
— Se eu não tivesse certeza — Gerard continuou. —, só o fato de você estar perguntando isso já me faria ter.
— Por quê?
— Porque você está conseguindo se preocupar mais comigo do que com você, mesmo depois de tudo o que eu fiz.
Eu sorri um pouquinho. Certo, certo, era o que eu estava fazendo, mas ele não sabia que eu já havia sentido raiva de mim mesmo inúmeras vezes por me preocupar assim...
— Mesmo não querendo — ele respondeu meus pensamentos. — Você não consegue evitar. E eu sei como é, porque faço a mesma coisa. Você é o único que faz isso comigo. Então, é, tenho certeza.
Ele se aproximou e sentou ao meu lado.
— Eu preciso de você, baixinho.
Suspirei alto, mergulhando naqueles olhos verde-mel que sempre me atordoaram.
— Querem parar com isso antes que eu vire diabético de vez? — Mikey me trouxe para a realidade.
Eu e Gerard reviramos os olhos e começávamos a dar uma risadinha quando Donna apareceu, um pouco arrumada, dizendo que iria sair. Não perguntou nada, o que fez Mikey e Gerard trocarem olhares suspeitos. Da porta da entrada, a ouvimos falando com alguém, e eu e Gerard ficamos imediatamente tensos, mas logo Bob apareceu na sala.
— Ah, você — eu e Gerard falamos juntos, suspirando de alívio.
— Eles já chegaram? — Bob perguntou, ansioso.
— Não, ainda não — Mikey respondeu.
Ele sorriu.
— Que bom que eu cheguei a tempo. Mikey me disse que vocês estavam bem, e o Ray avisou que vai trazer a Lindsey, né?
Eu o fuzilei com o olhar, mas ele não se importou. Parecia genuinamente feliz em poder presenciar o estrago que aconteceria dali a pouco.
— Chegou a tempo pra quê? — Gerard disse. — Você não vai ver nada, não.
Ele deu de ombros, ainda sorrindo, e se jogou no sofá.
— Então, já sabe o que vai falar pra ela?
Ah, para quê? Gerard levantou e recomeçou a andar de um lado para o outro e resmungar.
— Que foi? — Bob perguntou, com uma cara inocente. — Não é simples? É só dizer que você e o Frank vão se casar, ter doze filhos e serem felizes pra sempre.
— E onde ela fica nesse lindo conto de fadas? — Gerard perguntou, irritado.
— Hmm... — Bob parou por um momento, pensativo. — Ela pode ser a fada-madrinha ou a bruxa má, depende de como você vai se sair hoje.
Eu ri, mas me calei com um olhar de Gerard.
Mais alguns minutos de torturante e silenciosa agonia se passaram antes que tornássemos a ouvir algum barulho da porta. Mikey foi até lá e, dessa vez, voltou com Ray e Lyn-z.
— Oi, pessoal — ela cumprimentou, parecendo surpresa ao encontrar todos nós.
Ray olhou de mim para Gerard e entendeu rapidamente o que aconteceria. Ele arregalou um pouco os olhos e se manteve afastado enquanto Lindsey caminhava para Gerard. Desviei o olhar quando ela o cumprimentou com um selinho.
Gerard compensou um pouco a pontada de ciúme que eu senti por sentar ao meu lado. Lindsey estranhou, arqueando uma sobrancelha. Nossa cara com certeza denunciava que algo estava errado.
— O que tá acontecendo? — perguntou, olhando de mim para ele e então para os outros.
Bob se levantou e foi de costas para junto de Ray e Mikey, tropeçando no caminho.
— Err... — ele começou, mas Gerard o cortou:
— Precisamos conversar, Linds.
Ela se voltou para nós novamente e nos avaliou de cima a baixo. Eu fiz um gesto para que os outros saíssem e eles se embolaram ao correr para a cozinha, fechando a porta com tanta rapidez e vontade que só faltava gritarem “Vai logo, vamos estar ouvindo aqui atrás”. Idiotas.
Lyn-z continuou a nos encarar por segundos intermináveis, parecendo que conseguiria ver nossa alma se olhasse mais um pouquinho. Finalmente, sentou-se no sofá mais próximo.
— Conversar sobre o quê, exatamente, Gerard?
— Sobre... ahn... sobre...
— Sobre mim — falei, esperando que isso o ajudasse. Vi que ele ficou aliviado por não ter de responder, mas tenso de novo assim que percebeu o que eu disse.
— Sobre você — Lindsey falou lentamente, não perguntando, mas afirmando, os olhos faiscando em minha direção.
— É — Gerard prosseguiu. — Sobre o Frank. Nós nos entendemos depois que voltamos do hospital e...
— Gerard — ela o cortou — Só me diz uma coisa antes. Era ele?
Eu franzi o cenho, sem entender a pergunta. Olhei para Gerard e o vi encolhido e envergonhado enquanto assentia.
— É, era ele.
Lyn-z olhou para mim, mas, não sei porque motivo, não parecia mais irritada.
— Eu sabia que era você. Era óbvio que era você, mas eu tinha de fingir que não...
— Era eu o quê? — perguntei, ainda confuso.
— Vocês não conversaram sobre isso? — ela questionou, e continuou quando eu neguei com a cabeça: — Quando eu e Gerard nos conhecemos, ele falou que estava sentindo coisas por alguém e que não sabia o que fazer, mas nunca quis falar quem era.
Ela suspirou, um tanto exasperada.
— Sério? — eu disse, controlando-me muito para não sorrir. Então eu tinha sido o primeiro assunto entre os dois?
— É — Gerard falou, baixinho. —Foi bem no nosso primeiro encontro.
Lyn-z bufou, mas, estranhamente, sorriu de leve.
— Eu achei que já tinha perdido todas as chances com você — ela falou, olhando para Gerard. — Dois minutos de conversa e eu já estava despejando todos os meus problemas na sua cabeça.
— Mas isso não foi ruim — ele respondeu, observando-a carinhosamente. — Foi por isso que eu senti que podia confiar em você e contar os meus problemas.
— É — ela riu rapidamente. — Você estava mal mesmo. Você não sabia o que fazer, eu me senti péssima por te deixar voltar naquele dia.
— É, eu estava mal. Estava precisando de uma amizade de fora, não alguém que estivesse confinado comigo em um ônibus e vendo tudo o que acontecia. Você foi exatamente o que eu precisava, Linds.
Eles trocaram sorrisos e eu me senti um completo imbecil, ali, olhando para os dois e quase sufocando com a exclusão repentina.
O que eu estava esperando? Eu sabia que ele ainda a amava. Não duvidei disso em nenhum momento, e sempre soube que a relação dos dois era impenetrável, secreta... romântica. Mas era muito estranho saber que foram as dúvidas que Gerard sentia em relação a mim que o aproximaram de Lindsey. Geralmente eu gosto de ironias, mas... porra.
Acordei dos meus pensamentos quando Lindsey voltou a me encarar, com uma expressão de pena.
— Sinto muito.
Eu fiquei quieto por um momento, sem entender. Antes de me convencer de que ela era louca, porém, percebi que ela não estava compreendendo o que estava acontecendo.
— Ahn... pelo quê? — perguntei, cauteloso.
— Por ter afastado vocês. Sei que você também se apaixonou pelo Gerard, mesmo que ele não tenha me contado — ela lançou um rápido olhar de censura ao dito cujo antes de voltar a atenção para mim. — E é claro que foi por isso que vocês brigaram. Imaginei que você tinha se declarado e ele não aceitou, já que já estava comigo. Foi isso?
— Hmm, quase — respondi, tímido.
— Mas agora vocês estão bem, certo? Ah, e o que é que decidiram, que precisam falar comigo?
— Então — Gerard disse, voltando a se encolher. — O que nós decidimos... Bom, é que...
Ele respirou fundo, e Lyn-z voltou à posição de desconfiança. Seja lá o que for que ela pensou que aconteceria, não incluía um Gerard tão nervoso.
— Olha, antes, eu tenho que falar algumas coisas — Gerard falou, rápido, aproveitando a súbita coragem. Virou-se para mim com um olhar de desculpas, e então continuou: — Eu disse que você foi exatamente o que eu precisava, Lindsey, e era verdade. Frank era meu melhor amigo, e eu não tinha certeza do que eu sentia, muito menos do que ele sentia. O Ray, Mikey e o Bob estavam muito próximos pra eu me sentir bem falando com eles, e eu estava desesperado pra desabafar. Eu estava ficando louco, de verdade. E você apareceu, e foi um verdadeiro raio de sol pra mim.
Lindsey continuava observando Gerard desconfiada, mas interessada. Acho que eu não devia estar muito diferente.
— A gente se completou tão bem, conseguíamos conversar sobre tudo. Eu não me sentia tão sufocado quando estava com você, podia falar o que eu quisesse e você me entenderia... Você estava virando o meu novo Frank — ele parou por um momento, olhando de esguelha para mim. — E exatamente como aconteceu com ele, eu me apaixonei por você.
Eu e Lindsey permanecemos quietos enquanto Gerard escolhia as palavras cuidadosamente.
— Só que você não é o Frank. Pra falar a verdade, é até mais fácil conviver com você do que com ele — ele sorriu um pouco para mim, quase imperceptivelmente. — E você é mais parecida comigo do que qualquer pessoa. Não foi difícil me apaixonar por você.
— Mas...? — Lindsey incitou, baixo, e Gerard suspirou.
— Mas não foi tão fácil assim esquecer esse ser aqui do meu lado. Eu fiquei tentando conciliar meu namoro com você e meus sentimentos por ele, mas era impossível ver que ele estava sofrendo e continuar bem, assim como era impossível estar com você e continuar mal, entende? Eu comecei a ficar louco de novo. E então... então eu fiz uma besteira.
Lindsey estreitou os olhos, aguardando, e Gerard mostrou um pouco de medo.
— Eu provoquei ele — continuou, agora fitando a mesinha de centro. — Disse que ele poderia fazer o que quisesse, que eu iria aceitar, e depois.... eu... eu o levei pro meu quarto.
Lindsey arregalou os olhos e abriu a boca, mas Gerard foi mais rápido:
— Mas não foi essa a besteira que eu fiz.
Lindsey fechou a boca de novo e franziu a testa.
— Não? — ela perguntou, tão confusa quanto eu.
— Não — ele respondeu, ainda com os olhos na mesinha. — Foi ter te pedido em casamento no mesmo dia.
Mesmo dia? Foi no mesmo dia?
— O QUÊ?
Gerard estava quase curvado de tanto se encolher no sofá, e eu não podia culpá-lo. Lyn-z estava ficando rapidamente vermelha, os olhos começando a marejar em uma mistura de raiva, choque e tristeza.
— VOCÊ TRANSOU COM ELE NO MESMO DIA QUE ME PEDIU EM CASAMENTO?
— E foi por isso que nós brigamos — Gerard falou, muito baixo. —, porque eu quis continuar com você.
— Ah, muito obrigada! — ela baixou um pouco o tom de voz, mas ainda estava praticamente gritando. — O que aconteceu, ele não era tão bom de cama quanto você esperava?
— Ei! — reclamei, e me arrependi logo depois, pois ela se voltou contra mim.
— Que foi, se sentiu ofendido? Ah, cara, e pensar que eu fiquei com dó de você! Enquanto eu ficava que nem uma idiota pulando de alegria pelo Gee ter feito o pedido, você que fodia ele!
O contrário, na verdade... Mas ela não precisava saber disso.
— Eu não acredito que você me traiu com ele, Gerard. Nós nos apaixonamos por causa dele, porra!
— Eu sei — Gerard falou, e sua voz falha me fez perceber que ele estava chorando. — Sinto muito, sinto mesmo.
— Você sente muito! — ela balançou a cabeça, sua mão apertando tanto o braço do sofá que quase o despedaçava. — VOCÊ ME TRAIU!
Gerard finalmente olhou para ela, e pareceu decidido. Algo em seu olhar assustou a nós dois.
— Você tem todo o direito de ficar com raiva — falou rapidamente. —, então eu vou contar tudo de uma vez. Eu não te traí só aquela vez. Hoje eu fiz de novo. E decidi que não quero parar. Não consigo. Por mais que eu te ame, Linds, eu simplesmente não consigo. Eu também amo o Frank e vou ficar com ele.
O mundo parou para nós três. Para Gerard porque ele não pareceu acreditar que aquilo estava realmente acontecendo; para Lindsey porque sua vida estava desabando diante de seus olhos; e para mim porque senti uma felicidade tão absurda com as palavras de Gerard que todo o resto perdeu o foco, como se, por um momento, eu não estivesse sentado em um sofá, em uma sala, em uma casa, em um planeta... como se não existisse mais nada. Durou uma fração de segundo, mas significou tudo.
Para melhorar — ou piorar — Gerard buscou minha mão e a apertou, não escondendo o ato de Lindsey. Ele ainda chorava, silenciosamente, mas com a cabeça erguida. Eu sabia que aquilo estava doendo para ele, mas sabia também que eu não o estava forçando a nada. A escolha era dele, e ele não estava hesitando em aceitá-la.
Lyn-z também chorava, mas não parecia se dar conta disso. Ficou olhando de mim para Gerard por muito tempo. E quando falou, nos fez ficar de boca aberta.
— Vocês vão morar juntos.
Não era uma pergunta. Isso estava claro. Ouvimos uma exclamação alta da cozinha e um xingamento logo em seguida, que foram completamente ignorados.
— Quê? — perguntei.
— Vocês vão morar juntos — ela repetiu com mais ênfase, seu olhar meio assustador.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
— Quê? — Gerard perguntou de novo.
— Vocês ouviram.
— Eu acho uma ótima ideia.
Nós três nos sobressaltamos com a voz de Donna vinda da passagem para a entrada da casa. Estávamos tão absortos na conversa que não a notamos chegar. E, para aprimorar a onda de surpresas do dia, quem aparece por trás dela?
— Jamia?
Notas finais
Tá, parei. Podem ignorar isso e dizer o que acharam do capítulo, tá? xD O próximo não vai demorar nada, eu me recuso a demorar com ele u_u (espero -q)
Beijos.
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