I Love You Like I Didnt Yesterday
22 Capítulo 22
Notas iniciais
It's Friday, I'm in love! :D
Para quem não conhece a tradução dessa música... terão que conhecer. Ela aparece nesse capítulo e eu achei que ficaria melhor em inglês .-. Então:
http://letras.terra.com.br/the-cure/9298/traducao.html
E feliz dia das mulheres atrasado, se não fosse vocês eu não teria reviews -QQ Não, sério, parabéns. Mulheres são incríveis ;)
Espero que gostem!
Ficamos em silêncio no carro, mas não sob um clima frio e indiferente. Estávamos nervosos e inquietos. Um tentava não ser pego olhando para o outro, o que não deu muito certo. Estava na cara que estávamos com medo de chegar na casa, tanto que chegamos muito rápido.
— Já? — Gerard perguntou, meio assustado, assim que parei o carro.
Entramos e encontramos Donna imediatamente.
— Frank! Você tá bem?
— Sim — Gerard respondeu por mim. — É uma longa história. Nós vamos para o meu quarto, ok?
Pelo jeito que Donna estreitou os olhos, eu soube que Mikey andou falando com ela também. Eu me encolhi o máximo que pude ao seguir Gerard para seu quarto, e com o constrangimento, notei agora que tanto eu quanto ele estávamos com roupas largadas e cabelos despenteados, mas não liguei muito para isso.
Sorri um pouco ao entrar. Seu quarto era bem parecido com o meu, com a diferença de ter papéis em quase todo lugar, a maioria com desenhos. Notei o desenho que ele havia feito de mim pendurado no centro de um mural, e agora completado. O que eu achei que era uma jaqueta na verdade era um colete verde-musgo sobre uma camiseta de mangas compridas e amarelas. A calça era escura, com um cinto mais claro. As mesmas frases estavam acima de sua cabeça.
Fui fuçando nos papéis enquanto Gerard sentava na cama e me observava. Cheguei em uma folha escrita, riscada em algumas partes, que indicava ser uma letra de música. Sentei-me ao lado de Gerard para ler, e vi imediatamente a frase que eu escrevera no mesmo dia em que ele fizera aquele desenho.
Quando as luzes se apagarem, você me levará com você?
— Ah... — Gerard disse, mas não continuou. Senti seu nervosismo enquanto eu prosseguia a leitura, até chegar em um verso que me fez parar.
... seu sorriso de brilho labial, seus joelhos arranhados.
Olhei para ele.
— É... sobre a Lind-
— Eu sei — cortei-o.
Vi na próxima linha outra das minhas frases.
— Sinto te desapontar, Gee — falei lentamente, olhando para a folha. —, mas eu não estava pensando nela quando escrevi isso.
— Desculpe — ele disse num tom muito magoado. — Eu peguei o papel que você tinha amassado naquele dia, mas não perguntei se podia usar. Eu posso tirar essa parte. Aliás, eu posso jogar isso fora...
Afastei minha mão quando ele tentou pegar a folha.
— Não, não precisa. Está muito bom, só precisa de acompanhamento.
Ele me observou, incrédulo, e eu baixei o olhar.
— Você não teria se casado com ela sem motivo. Eu não posso fingir que não vejo isso pra sempre.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
— Mas eu... não estava pensando só nela.
Olhei para ele novamente.
— Nas partes que você fez, eu não pensava nela — ele continuou. — Escrevi isso durante a última semana do Projekt, quando a gente não se falava direito, e eu me perguntava... “Quanto tempo? Até acharmos nosso caminho na escuridão e fora de perigo”.
Coloquei o papel cuidadosamente ao meu lado, na cama. Senti algumas borboletas no estômago e quis aliviar um pouco o clima para tentar vencê-las.
— Bem, estamos fora de perigo — eu disse, sorrindo timidamente. — Não sofremos nenhum acidente de carro ou coisa parecida.
Ele riu um pouco.
— Eu vou matar aqueles três — comentou. — Eles me falaram que você estava com a Jamia e que...
— Um cara bêbado bateu no seu carro — completei. — É, me disseram que você estava com a Lindsey.
Pensamos nisso por um momento. Acho que eles fizeram de propósito. Eu não senti sequer uma pontada de tristeza por achar que o Gerard estava com a esposa. O pensamento de que ele estava correndo risco de vida lavou todo e qualquer ciúme ou mágoa que poderia estar em mim. Então... acho que isso quer dizer que eu poderia vencê-los.
O mesmo deve ter acontecido com ele, suponho. Nos encaramos quietos novamente.
— Era pra estarmos conversando — ele falou baixinho e eu ri, sem-graça.
— O que temos pra falar?
Ele pareceu repentinamente abatido.
— Você, nada. Eu que... eu que tenho que pedir desculpas, por...
— Você já pediu.
— Mas você me perdoou?
Não respondi e desviei o olhar.
— Que pergunta — ele exclamou, balançando a cabeça. — É claro que não. Eu não mereço.
Não, não merece. Minha boca até se abriu para falar isso, mas eu não estava ali para brigar ou fazer acusações. Se começássemos com isso, todo o pânico que sentimos no caminho para aquele hospital terá sido em vão.
— Merece — eu disse, lentamente. — Merece se estiver realmente arrependido.
Ele me olhou com espanto, uma onda de esperança o atingindo. Seus olhos brilharam.
— Sério? Ah, Frank, eu estou arrependido, sim. Eu não devia ter feito aquilo, não devia ter acabado com a nossa amizade só porque eu não sabia o que eu queria, desculpe...
— Calma — o cortei, rindo, mas logo falando em um tom mais contido. — Eu não vou te perdoar assim. Isso vai vir com o tempo. O que você fez... foi péssimo. E eu ainda tenho que me recuperar daquilo, porque...
Respirei fundo e ele me aguardou.
— Porque o que eu sentia não mudou — admiti, olhando para o chão, sentindo algo crescer em meu peito... coragem? — E eu fico lembrando daquela noite toda hora, e...
Levantei-me, não sei para quê. Eu senti as palavras vindo e não quis ficar perto de Gerard enquanto falava, como se não quisesse que ele fosse atingido pela avalanche que viria.
— E isso não muda nada, você se casou com ela do mesmo jeito, e eu ainda te amo, apesar de você ter sido um imprestável — comecei a andar para lá e para cá, chegando perto da porta e voltando, sem olhar para ele. —, e eu não sei o que fazer com esse sentimento, porque você continua apaixonado por ela, mas eu acho que por mim também, e por isso eu tenho vontade de tentar de novo, mas tenho medo, e isso não é justo, eu não devia estar em dúvida, já devia ter desistido há tempos, mas você me deixa confuso, e eu fiquei pensando nisso em todos esses dias sem parar, e essa está sendo a pior semana da minha vida!
Terminei falando mais alto do que pretendia. Parei de frente para ele e fechei os olhos. De onde isso tudo veio? Não, que droga! Não era para eu ter feito isso. Cadê aqueles muros de orgulho que estavam me protegendo até agora?
Senti meu rosto esquentar. Quando achei que conseguiria vencer a vergonha por ter declarado tudo assim, abri os olhos e o vi sentado ali na cama, com a boca meio aberta e os olhos penetrantes sobre mim.
O silêncio estava tão pesado que eu quase o sentia me sufocando. Eu queria que Gerard falasse alguma coisa, qualquer coisa! Eu estava dividido entre a vontade de o sacudir para obrigá-lo a falar ou sair correndo daquela casa e me enfiar em um buraco.
Quando eu estava quase tomando minha decisão — que teria sido a segunda opção — ele sorriu um pouco. Abriu a boca e sua voz saiu suave e baixa, mas clara.
— I don’t care if Monday’s blue...
Ele se levantou devagar, sem tirar os olhos de mim.
— Tuesday’s grey and Wednesday too...
Ele se aproximou. Eu senti meu coração palpitar — novidade — e minha respiração falhar rapidamente. O que ele estava fazendo? Por que... por que ele estava chegando mais perto, ainda com aquele sorriso desgraçadamente lindo? E por que eu não estava me mexendo?
— Thursday, I don’t care about you...
Ele finalmente me alcançou e colocou a cabeça sobre meu ombro esquerdo. E eu ainda não me mexi. Corra, Frankie, corra!
— It’s Friday... — senti sua mão afastando meu cabelo para que ele pudesse encostar a boca em minha orelha, obviamente me causando um arrepio.
Eu continuava estacado, apesar de ouvir gritos da minha mente. Cadê os muros, meu Deus? Por que eu não saía de lá? Por que eu não gritava, xingava, empurrava e...
Ah, cara. “Foda-se” não é o meu lema? Depois eu me virava com o que viesse. Naquela hora, naquele momento, eu precisava só de uma coisa para aceitá-lo de volta, ao menos por enquanto, uma coisa bem simples: que ele terminasse a frase.
— ... I’m in love.
Notas finais
Postei hoje só pra ter a teatralidade de ser em uma sexta xD
Agora, alguém aí quer mais limonada? -q
Beijos!
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