I Love You Like I Didnt Yesterday
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Primeiro, gostaria de agradecer a Flossie pela recomendação. AAWWW, sua linda @___@ Obrigado, obrigado, obrigado ♥
E segundo... Não, não tem mais nada, podem ler :D
— QUÊ?
Meu estômago afundou tão rápido que senti como se tivesse acabado de começar a primeira descida em uma montanha-russa.
— De carro — Bob continuou, rápido. — Ele tinha saído com a Lindsey e bateu em um cara dirigindo bêbado. Não sei ainda se a situação é grave, mas parece ser.
Por um momento esqueci de que a Lyn-z tinha aparecido na quarta-feira para passar uns dias com Gerard, como Ray me contou, mas o nome dela mal chegou à minha mente.
— O-onde ele tá? — minha mão tremia tanto quanto minha voz.
Bob me passou o endereço de um hospital e eu desliguei na cara dele. Agarrei qualquer coisa no guarda-roupa e comecei a andar me vestindo. Minha mãe saiu de seu quarto me perguntando o que aconteceu, e eu só consegui responder “Gerard” antes de disparar porta afora. Com o nervosismo, esqueci de pegar as chaves do meu carro e tive que voltar.
Uma bola do tamanho do mundo se instalou na minha garganta. Eu estava nervoso demais para chorar; meu corpo se concentrou em tentar me deixar consciente enquanto eu dirigia, provavelmente pálido como um vampiro.
Comecei a fabricar detalhes sobre o que poderia ter acontecido, e não eram detalhes bonitos. Uma palavra veio pululando na minha cabeça o tempo todo. Eu não queria pensar nela, mas foi a primeira que me veio a mente desde que desliguei o telefone: morte. Ele não podia, não, não, não podia morrer.
Era por isso! Era por isso que não dormíamos brigados. Gerard sempre teve esse certo fascínio e conhecimento da morte, desde que era pequeno, e nunca se enganou pensando que não poderia acontecer com ele, como a maioria das pessoas faz. Sendo seu amigo, eu também passei a pensar assim. Sempre tive consciência de que coisas ruins acontecem o tempo todo, com todo mundo, e que a morte estava nos rondando sem parar.
Merda, merda, merda, MERDA, por que eu não chego logo?!
Minha mente foi me torturando mais enquanto eu não chegava no hospital. E se ele não morresse, mas alguma outra coisa acontecesse? E se o resultado disso fosse pior? Claro que existia a possibilidade de não ser nada demais, mas quem disse que eu conseguia pensar assim? Minha imaginação estava produzindo coisas terríveis a cada segundo, e a noção do quanto eu o amava foi ficando mais forte. Do quanto eu precisava dele, do quanto eu estava arrependido de estar distante esse tempo todo...
Finalmente cheguei. Quase pulei do carro em movimento e procurei a entrada do lugar desesperadamente. Lá dentro, encontrei-me em uma ampla sala de espera e vi imediatamente um grupinho conhecido de pessoas. Lyn-z, é claro, falando com Mikey. Ray de costas falando com alguém que eu não conseguia enxergar, e Bob soltando uma exclamação ao me ver. Todos se viraram para mim, e eu, com passadas longas, já estava entre eles.
— O que aconte-
— FRANK!
Alguma coisa pulou em mim e por pouco não me derrubou. Senti braços me apertando em um abraço esmagador enquanto via todas as pessoas a minha frente me lançarem um olhar curioso. Por um segundo não entendi nada. Depois percebi que tinha uma pessoa me abraçando e que minha cabeça estava apoiada em seu ombro. Só então notei os cabelos que balançavam contra o meu rosto e a voz chorosa que chegava bem ao pé de meu ouvido:
— F-Frank, v-você...
Ele não conseguiu terminar e eu não me importei. Abracei-o fortemente assim que o reconheci, fechando os olhos quando senti as lágrimas descendo e sentindo seu cheiro me invadir completamente.
— Gee, Gee, Gee... — sussurrei.
O alívio de tê-lo ali comigo, em meus braços, são e salvo, foi tão arrebatador que por vários segundos não percebi que aquilo não fazia sentido, e me pareceu que ele também não. Mas então, ao mesmo tempo, nós nos afastamos, ambos com as faces molhadas, apesar de estar claro que ele estava chorando há mais tempo.
— Espera... Frank? — ele murmurou.
— Gerard? — perguntei, totalmente confuso.
Ouvimos alguém pigarrear e nos viramos. Eu e ele ainda estávamos segurando os braços um do outro, e ao virar, Gerard desceu as mãos mas não me soltou, fazendo com que ficássemos de mãos dadas.
Lyn-z parecia tão confusa quanto nós. Já Bob, Ray e Mikey estavam corados e... apavorados?
— Err... Precisamos falar uma coisa com vocês — Bob começou, vermelho como eu nunca o vi, e depois se dirigiu aos outros dois. — Eu falo com a Lindsey, tá?
Bob se afastou com Lyn-z, que procurou o olhar de Gerard para entender o que estava acontecendo, mas ele só deu de ombros, mostrando que também não sabia.
Ray e Mikey se aproximaram devagar, como se estivessem com medo de pisar em uma mina terrestre.
— Vamos lá fora? — Mikey perguntou, tímido.
— Não, pode explicar que merda é essa agora mesmo — eu falei, analisando perigosamente os dois a minha frente. Senti Gerard apertar minha mão.
— Bom... — Ray começou. — Nós contamos uma pequena mentira.
— Duas pequenas mentiras, na verdade — Mikey completou.
Eu olhei para Gerard e nós dois entendemos na mesma hora.
— VOCÊS O QUÊ? — gritamos juntos.
Eles se encolheram e todas as pessoas na sala nos olharam feio. Eu suspirei, irritado, e puxei Gerard para sairmos dali. Ray e Mikey nos seguiram com cabeças baixas.
Na calçada, nós nos viramos para eles de novo. E não, minha mão ainda não soltara a de Gerard.
— Vamos só explicar logo o que aconteceu — Mikey disse rapidamente. — Eu, Ray e Bob decidimos armar um... quer dizer, dois acidentes falsos. Bob ficou treinando nos últimos dois dias pra soar convincente quando ligasse pra vocês dois.
— Vocês são idiotas?! — Gerard quase gritou de novo. — Têm ideia do que fez a gente passar?
— Temos — Ray falou. — Por isso mesmo. Só assim pra vocês pararem com essa besteira de fingir que não estão nem aí com nada e admitirem que precisam um do outro.
Eu e Gerard fechamos as bocas, que já estavam preparadas para gritar mais. Nos entreolhamos e começamos a corar. Soltamos nossas mãos rapidamente.
— Eu sei que deve ter sido horrível. Desculpa, sério — Mikey disse. — Mas vocês vão nos agradecer um dia.
Eu ainda estava puto com aqueles três, mas não tinha como não pensar na vantagem do plano. Tá, eu quase morri no caminho para o hospital, e pelo jeito Gerard também, mas será que depois disso nós conseguiríamos continuar distantes?
Lyn-z e Bob saíram nesse momento, os dois com sorrisos carinhosos.
— Bob contou o que aconteceu — ela falou, olhando para mim e para seu... argh. Marido. — Foi mal Ger, mas achei ótimo. Te ouvir tentando reclamar do Frank o tempo todo e não conseguindo já estava ficando irritante. Ah, oi, Frank!
— Oi — respondi com um sorriso amarelo.
— Agora vocês vão fazer as pazes? — ela perguntou, animada. Se ela soubesse...
Olhei para Gerard de novo, nenhum de nós sabendo o que dizer. E aí? Ficaríamos bem? Se sim, como? Amigos de novo, ou não superaríamos os nossos sentimentos?
Espera aí. “Nossos” sentimentos. Eu pensei nisso. Quer dizer que eu acreditava... Mas como não acreditar, depois daquilo? É, ele me amava. O quanto, eu não sei. Talvez não tanto quanto amava a mulher a nossa frente. Mas se ele sentiu o mesmo que eu, o mesmo medo devastador de me perder para sempre, então é porque me amava, de um jeito ou de outro. E não podíamos simplesmente desperdiçar e esquecer o que estava em nossos corações assim... Não é?
— Por que vocês não vão conversar em algum lugar? — Bob sugeriu. Ray e Mikey lançaram olhares desaprovadores de dúvida sobre ele, mas ficaram quietos. — Tipo sua casa, Ger.
Mais uma olhada para Gerard, sem resposta.
— É, vão sim — Lindsey falou. — Não sei o que aconteceu, mas eu arrumo outro lugar pra ficar enquanto vocês conversam. Resolvam seus problemas logo, levem o tempo que precisarem. Não tem como ficar pior, né?
Eu ri baixinho. Ah, se ela soubesse...
Por fim, eu e Gerard assentimos. Ray ofereceu sua casa para Lindsey passar o resto da noite, e ela aceitou ir para lá no carro de Gerard. E eu iria com ele para sua casa, para... conversarmos. E resolvermos nossas diferenças. Jamia nunca teria me deixado sozinho em uma casa com qualquer um que não fosse ela. Essa Lyn-z é estranha... mas eu até pensei que poderia gostar dela depois disso.
Então eu entrei no carro, Gerard ao meu lado, e dei partida. Meu coração estúpido estava louco em meu peito. Não lhe dei atenção, preocupado em imaginar o que mais aquela madrugada de sexta me traria de surpresas.
Notas finais
Espero que tenham gostado xD
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