I Love You Like I Didnt Yesterday
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Boa leitura ;)
Se eu juntasse todas as vezes na vida em que eu já havia lido ou ouvido a palavra “casamento”, ainda não bateria o número de vezes em que pensava nela agora.
Casamento. Ele a pediu em casamento. Ele me levou para a cama para poder ter transado comigo antes de se casar com ela. Casar.
Só parei de pensar nisso quando me lembrei da palavra “burro”. Por que... por que, por que, por que eu fiz aquilo? Eu já não sabia que não devia? Como eu pude ter sido tão burro? Burro, impulsivo, sonhador, como pude achar que valia a pena, que aqueles momentos mágicos com ele valeriam qualquer coisa, que eu poderia repetir toda noite, que... Merda, Frank, foque-se na raiva! Nem para isso eu presto?!
Fui andando pelas ruas com a mesma roupa do show, cabelos em pé e uma cara de zumbi. Se alguém me reconheceu, decidiu — muito inteligentemente — não falar comigo. Eu não sabia porque estava caminhando sem parar, mas ninguém se importaria, de qualquer jeito.
Ou foi o que eu pensei. Depois de quase uma hora perambulando e resmungando sozinho, percebi um carro buzinando e encostando ao meu lado. Eu não sei o que esperava ao virar o rosto, mas com certeza não era ver Mikey no volante.
— Finalmente te achei! — ele exclamou, parecendo aliviado, e abriu a porta. — Entra.
Eu o olhei, desconfiado.
— Onde você conseguiu esse carro?
— Pedi emprestado pra uma mulher da equipe do festival. Entra.
Não me mexi.
— Não quero voltar lá — falei, já me virando para prosseguir o ignorando.
— Frank, nós temos que ir. Temos que estar na Carolina do Norte amanhã, e somos os últimos. Estamos atrasando o negócio todo.
Dei de ombros e recomecei a andar.
— Foda-se.
Mikey me seguiu com o carro.
— É sério, Fran... Eu deixei aquele ônibus no meio de uma guerra! Se não voltarmos agora, quando chegarmos lá provavelmente até o motorista vai ter fugido.
Não respondi. Ignorância é uma benção.
— ENTRA NA PORRA DO CARRO, FRANK!
Suspirei. Ele estava certo, eu não podia ferrar com todo mundo do festival. Que droga, por que eu ainda tinha que ter consciência?
— Ok, ok — bati a porta ao entrar e Mikey disparou imediatamente, procurando um retorno.
Encostei a cabeça no vidro, vendo de vez em quando o leve desespero do Way ao meu lado. A julgar pelas inúmeras vezes que ele olhou para as placas das ruas e murmurou seus nomes, ele estava tentando lembrar de instruções para voltarmos.
— Como assim você deixou o ônibus no meio de uma guerra? — perguntei.
— Depois que você saiu, aquilo virou o inferno. Eu, Ray e Bob começamos a gritar tanto com Gerard que até a porra da rainha da Inglaterra deve ter ouvido.
— Hmm — respondi, com uma leve satisfação em imaginar a cena. — Achei que você ficaria do lado dele.
— Depois do que ele fez? Nem ele mesmo está do lado dele, Fran. Se bem que, se não fosse eu, Ray teria continuado a bater...
— Continuado?
— É, ele acertou um soco no braço do Gerard. Vai ficar bem roxo.
Sorri um pouco. Tinha de lembrar de agradecer Ray. Mas, total e absolutamente contra a minha vontade, senti uma pequenina pontada de preocupação.
— E você deixou eles sozinhos lá? — perguntei e, como se para disfarçar para mim mesmo que estava preocupado com Gerard, completei: — Aliás, porque não veio o Ray me procurar?
— Deixei, só depois de fazer o Bob prometer que não deixaria Ray fazer mais nada. E se ele tivesse vindo te buscar, iria te convencer a assassinar o Gerard em dois minutos.
— Não precisaria de tanto — resmunguei, voltando a olhar pela janela.
— Eu disse que era idiotice fazer isso, quando estávamos saindo do palco ontem — Mikey continuou. — Mas ele não quis me ouvir, é claro, ele nunca me ouve. Agora olha a merda que deu. Envolveu você, o resto da banda, a Lyn-z...
Ele parou abruptamente de falar, com certeza se arrependendo de ter tocado naquele nome. Eu pressionei o rosto contra o vidro por um momento. Ficamos em silêncio por alguns segundos, o peso da dor me esmagando de novo. Fiz realmente muita força para soltar as palavras que entalaram na minha garganta, porque era algo que eu precisava perguntar.
— Ele... Gerard, ele... realmente a ama?
Virei um pouco o rosto e vi Mikey mordendo o lábio, olhando para frente, em um óbvio conflito interno. Esperei, desejando, na verdade, que ele não respondesse.
— Sim — ele falou, finalmente. — É, ele a ama.
Voltei a recostar a cabeça e apertei os olhos. Não estava conseguindo chorar nessa última hora, por mais que achasse que precisava de alívio. Acho que meu corpo cansou. “Ah, Frank, se vira aí, não vou mais desperdiçar água por causa daquele imbecil”. É, meu corpo é mais inteligente do que eu jamais f-
— Mas não só ela — Mikey soltou, de repente, como se precisasse ter arrumado coragem para falar.
Eu voltei a encará-lo, vendo-o apertar as mãos no volante e continuar a falar, muito rápido.
— Ele me falou muitas coisas, Fran, e me fez prometer não contar pra ninguém, e eu já estou quebrando metade da promessa te contando isso. Mas eu preciso falar... — ele suspirou. — Ele te ama também.
Bufei.
— Tá bom.
Ele revirou os olhos.
— Lá vem você também. Por que você não acredita?
— Quem ama não faz o que ele fez. Não usa e joga fora.
— Ele não te jogou fora.
— Não? O que foi aquilo, então?
— Foi burrice, não maldade.
Bufei de novo.
— Achei que você não estava mais do lado dele.
— É, mas... Eu sou o irmão dele. Ele precisa de mim, mesmo que não admita. E sinceramente, eu sou o único que está tentando ver pelo lado dele.
— É o único idiota mesmo.
— Frank — ele exclamou, irritado. — Você já amou duas pessoas ao mesmo tempo?
Eu olhei para frente, pensativo. Eu ainda amava Jamia quando me apaixonei pelo Gerard, e o período antes da nossa conversa foi difícil, mas não foi exatamente o mesmo que estar apaixonado por duas pessoas. E depois eu tive a sorte da Jamia ser incrível e me entender, e do nosso amor continuar forte como amizade. Então...
— Não — respondi, derrotado.
— É horrível. Você não faz ideia. Sério, tenta imaginar o que é para ele ter que escolher entre as duas pessoas que ele mais quer. Uma delas ainda sendo seu melhor amigo.
Baixei os olhos. É, eu não tinha pensado nisso.
— O que ele fez foi egoísta, eu sei — Mikey prosseguiu. — Mas foi meio que no desespero. Ele decidiu escolher a Lindsey, mas não suportou saber que não ficaria com você pelo menos uma vez.
— Mas é isso, né? Ele escolheu a Lindsey. Ela com certeza aceitou o pedido.
Mikey assentiu.
— Então não sei porque ainda estamos falando — eu disse, voltando a me encostar no vidro. — Não importa quem ama ou deixa de amar. Ele já fez sua escolha.
Ouvi Mikey suspirar. Ele parecia querer me falar mais coisas, mas a promessa meio quebrada deve tê-lo segurado.
Em alguns minutos, chegamos no pátio onde as bandas da turnê ficavam. Só que agora o ônibus da MCR era o único. Mikey estacionou perto de uma mulher a quem ele entregou as chaves e agradeceu. O motorista do nosso ônibus estava conversando com alguém, mas parou assim que nos viu e nos acompanhou, subindo apressado.
Ray e Bob estavam sentados em um sofá e Gerard em outro.
— Ah, que bom que você achou ele — Bob exclamou, levantando-se, visivelmente aliviado. Ouvi Gerard suspirar alto.
Mikey se sentou ao lado do irmão e eu, ao lado do Ray.
— Você tá bem? — Ray perguntou, baixo, mas todos puderam ouvi-lo.
Eu encarei Gerard, que olhava para baixo.
— Ah, claro. Estou ótimo.
Minha ironia ficou quase palpável no ar. Ficamos em silêncio por algum tempo, até Ray tornar a falar:
— Não vai pedir desculpa, infeliz?
— Eu já pedi — Gerard murmurou, sem levantar o olhar.
— Pede de novo! Você vai ter que passar o resto da sua vida pedindo desculpas antes de eu pensar em te deixar em paz.
Gerard não respondeu e eu sussurrei para Ray deixar para lá, mas ele me ignorou.
— Eu tô falando com você, Gerard.
— Não acha que ele já ouviu o bastante? — Mikey perguntou.
— Ele está infinitamente longe de ter ouvido o bastante, Michael.
— Então termina depois. Poderíamos usar um pouco de silêncio agora.
— Então você fica quieto e manda seu irmão pedir desculpas de novo.
Gerard fez um gesto de exasperação, levantando a cabeça, e pareceu que iria fazer o que Ray pedia, mas Mikey foi mais rápido:
— Já deu, Ray. Ele já entendeu, pode parar.
— Eu paro quando eu quiser. Você devia estar concordando comigo.
— Eu concordo com você quando você não está exagerado.
— Você acha que isso é exagero? Por favor, Mikey.
— É, sim, então cala a boca e vamos fazer alguma coisa...
— Não me mande calar a boca, seu inútil.
— Inútil o caralho, seu...
E por aí foi. Eu mal ouvi os dois discutindo — sinceramente pareciam um casal brigando — e me concentrei em Gerard, que me encarava de volta. Nós dois estávamos com uma expressão quase neutra, apesar de nossos olhares estarem pesadíssimos. Bob estava em pé nos observando, um pouco mais atrás, pasmo com o que estava acontecendo.
— Não quero saber se ele é seu irmão, você devia ter princípios!
— E quem é você pra falar disso? Você já foi direto pra cima dele, sem nem dar a chance de ele falar...
— Eu já tinha ouvido o bastante através do Frank, obrigado.
— Isso não quer dizer que...
— CALEM A BOCA!
Wow. Quem diria que Bob conseguiria gritar tão alto assim. Pela balançada que o ônibus deu, acho que o motorista se assustou.
— Vocês dois, fiquem quietos — ele falou, mirando Mikey e Ray, e depois eu e Gerard. — E vocês dois, parem de se matar com olhares. Eu vou fazer uma afirmação e uma pergunta, e eu quero que vocês prestem atenção e respondam sinceramente.
Ray e Mikey pareceram achar que ele estava louco, mas permaneceram em silêncio e o deixaram voltar a falar.
— O que aconteceu com o Gerard e o Frank está afetando a banda. Gigantescamente. E pode significar o fim dela.
Acho que, para ser honesto, eu só pensei nisso agora, mas Bob não me deu tempo de absorver o choque.
— Então respondam do fundo dos seus corações: o quanto a My Chemical Romance significa pra vocês?
Um silêncio pesado caiu sobre nós. Passei os olhos por todos eles, e me pareceu que só haviam pensado nisso agora, também. Todos tinham a testa franzida e os olhares um tanto desolados. O fim da banda era algo que nunca passava pelas nossas cabeças. Era a nossa vida e nosso prazer de viver. Tínhamos uma legião de fãs que nos creditavam o salvamento de suas vidas, e a satisfação de poder fazer isso através da música sempre foi um combustível para nós. E o tanque ainda estava absurdamente cheio para que nós pudéssemos, simplesmente, parar.
— Tudo — eu e Gerard falamos baixo, e ele me deixou completar sozinho: — Significa tudo.
Os outros balançaram as cabeças, concordando.
— Então — Bob disse, sorrindo de repente. —, já sabem o que fazer. Engulam o orgulho, a raiva, a desconfiança, tudo isso, e soltem só no palco. Certo? Estamos entendidos?
Assentimos em silêncio. Bob sorriu mais, ligou a televisão que ficava mais a frente e se sentou como se nada tivesse acontecido. Logo nós todos nos dispersamos, indo para nossos quartos ou pegando algo da pequena geladeira ao lado do sofá.
Bob tinha razão. Tínhamos que pelo menos tentar vencer nossos desentendimentos, ou as consequências fariam a situação ficar ainda pior. E eu não aguentaria se mais isso acontecesse.
Mas, soltar a raiva no palco... Por que eu acho que isso não vai dar muito certo?
Notas finais
Mas também, já estou quase no vigésimo capítulo xD
Comentem, por favor? :) Tive um bloqueio tenso quando fiquei sem reviews por dois dias >_>
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