Notas iniciais
Só leiam depois de prometerem não me matar, ok? -q
E lá vem eu com música de novo... Mas essa é clássica u_u
http://letras.terra.com.br/the-cure/9309/traducao.html
'Cause boys don't cry.
Espero que... ahn... gostem '-'

Acordei com um movimento na cama, enrolado em um lençol. Lembrei de quando o senti sendo colocado em mim, gentilmente, e do meu corpo me dizendo que não valia a pena abrir os olhos. É claro que eu o obedeci, e continuava obedecendo-o até agora, querendo mais uma vez voltar a dormir. É compreensível, já que eu estava exausto pelo show da noite anterior e pela...

Abri os olhos num susto antes de conseguir completar o pensamento. Recordei de repente o que acontecera. Estava exausto pelo show... e pela transa com Gerard.

Só agora tomei consciência das pernas entrelaçadas nas minhas. Virei o rosto e vi Gerard tentando, sem sucesso, se levantar sem me mexer muito. Aquela posição significava que ele dormira no sentido contrário a mim. Encolhi as pernas e permiti que ele sentasse.

— Ah... — ele exclamou, ficando constrangido. — Não queria te acordar.

— Tudo bem.

Ele usava sua cueca e camiseta, mas eu ainda estava sem nada. Puxei o lençol para me cobrir enquanto me sentava, de pernas cruzadas, para poder ficar de frente para ele.

Ainda estava meio atordoado pelo sono. Todas as lembranças da noite anterior estavam vindo de uma vez e deixando minha mente bagunçada. Primeiro tinha que entender onde eu estava... Ah, sim, em um ônibus, o que explicava o porque daquele quarto ser ridiculamente pequeno. As paredes que separavam todas as nossas camas eram meramente divisórias, mas bem úteis. A única desvantagem é que não tínhamos um sofá de canto legal no fundo do ônibus, já que não caberia tudo.

Eu voltei a atenção para Gerard. Seu constrangimento estava passando para mim. Ficamos nos encarando em silêncio, os rostos de ambos cada vez mais vermelhos, sem saber o que falar.

Até que eu me lembrei de algo.

— Você...

Espera. Eu queria mesmo saber a resposta para o que eu ia perguntar?

— O quê? — ele questionou, hesitante. Talvez também não quisesse saber.

Suspirei. Eu já sabia a resposta. Mas precisava perguntar.

— Você ouviu o que eu disse ontem?

Ele franziu o cenho de leve e desviou o olhar. Balançou a cabeça afirmativamente.

Eu olhei para a cama. Tinha que continuar a conversa, mas não estava arrumando coragem. Vi as mãos de Gerard remexerem nervosas a ponta de lençol que ficou do lado dele.

— Então... vamos comer? — ele disse, começando a se levantar.

— Não... Espera. Temos que conversar.

— Eu estou morto de fome — falou, ignorando-me completamente.

— Não, Gerard, nós temos...

— Cadê minha calça? Ah, aqui embaixo...

Ele queria me deixar irritado? Estava conseguindo.

— Gerard, quer parar com isso?

Ele colocou a calça, sem olhar para mim uma única vez.

— GERARD!

Ele bufou. Realmente, me senti brigando com uma criança ali.

— Você não ouviu? Nós temos que conversar...

— Não temos, não. É só você se vestir e ir comigo comer alguma coisa. Já disse que estou morto de...?

— Dá pra parar, pelo amor de Deus?

Ele finalmente me encarou. Tentou parecer bravo, mas parecia... culpado. Ah, droga. Agora, sim, ia dar merda.

— Senta — mandei, e minha voz soou firme o bastante para que ele obedecesse prontamente.

Achei minha cueca jogada no chão e me esforcei para pegá-la sem ficar muito por cima de Gerard, mas aquele lugar era minúsculo demais para isso. Coloquei-a atrapalhadamente e sentei de novo.

— Então? — perguntei.

— Então o quê? — ele rebateu com uma nota de irritação.

— Como, então o quê? — ele deu de ombros e eu revirei os olhos. — O que você tem a dizer, Gerard! Sobre ontem, sobre...

— Sobre...?

— Sobre o que eu disse — completei baixinho.

Ele olhou para baixo de novo. Suas mãos tornaram a se remexer, e eu aguardei em silêncio.

Aquilo já estava me irritando. Mais. Aquele seu movimento nervoso no lençol não me cheirava bem, e eu senti a raiva vindo devagar, sorrateira. Até que ele finalmente falou.

— Desculpe.

Desculpe... desculpe?

— O quê?

— Desculpe. Eu não... não era pra ser assim.

— Não era pra ser assim?

Não faço ideia se minha voz soou triste ou raivosa. Pela primeira vez eu estava realmente sentindo uma certa bipolaridade. Os dois sentimentos estavam começando a brigar, e ambos estavam criando um nó na minha garganta.

— Olha, vamos esquecer isso, tá? — Gerard falou, parecendo ainda mais nervoso. — Vamos só...

— Esquecer? Esquecer, Gerard?

Ele olhou para mim. Estava em um misto muito grande de emoções para eu conseguir decifrar sua expressão.

— Foi tão rápido, Fran, e-eu... eu não estava pensando direito, eu...

— Não estava pensando direito? — minha voz ficou mais alta e ele fechou os olhos. — Gerard, você tá ouvindo o que você está dizendo?

Ele simplesmente ficou quieto e voltou a fitar o lençol.

— Você quer que eu esqueça?

— Não pode ser tão difícil — ele murmurou, provavelmente mais para ele mesmo do que para mim.

Eu o observei, incrédulo.

— Não acredito que você está dizendo isso. Que você está fazendo isso.

— Não pode ser tão difícil — ele repetiu, dessa vez me encarando. — É só deixar pra lá, deixar como uma lembrança...

— NÃO DÁ PRA DEIXAR PRA LÁ!

Pronto. Chegou. A raiva de verdade finalmente chegou, e explodia em meu peito. Estava claro que ela estava começando a chegar para Gerard também, e o resultado da junção de duas pessoas com raiva pura nunca é bom.

— Fala baixo — ele sibilou.

Eu me levantei, não sei porque. Acho que ficar parado estava tornando as coisas piores.

— Por quê? Tá com medo do que, Gerard, que alguém nos escute? Porque eu NÃO DOU A MÍNIMA...

— CALA A BOCA!

As lágrimas rolavam desenfreadas pelo meu rosto, mas eu só tive consciência delas quando comecei a soluçar.

— C-como... você pode? Seu filho da puta, como? — perguntei, encarando aquele rosto que tentava ficar insensível e não conseguia. Ele tentava manter seus olhos frios e duros, mas só suas palavras o obedeceram.

— Pare com isso! Garotos não choram, Frankie.

Não, ele não fez isso. Usar uma música de uma das minhas bandas favoritas para me atacar? Eu não sei como não voei para o pescoço dele naquele exato momento.

— Garotos não prestam — falei, duramente, com uma careta de ódio. — Você não presta. Você foi um idiota, um egoísta...

— Pára com isso... — ele disse, perdendo a postura e finalmente deixando a tristeza e a culpa dominá-lo.

— Você não tem direito de me pedir pra parar! Você não tem direito de nada! VOCÊ ME USOU!

Ele fez uma expressão de choro, e eu vi seus olhos brilhando.

— E você não tem direito disso, também! — esbravejei. — ENGOLE ESSA MERDA DESSE CHORO!

Ele realmente engoliu em seco, mas isso não impediu suas lágrimas de descerem.

Fiquei encarando-o em silêncio, esperando minha respiração voltar ao normal. Se eu fizesse mais alguma coisa, seria socá-lo. Ficamos quietos por um tempo curto que, claro, pareceu uma eternidade.

— Desculpa — ele disse de novo. — Desculpa, Fran, desculpa. Eu precisava fazer isso... eu não podia... não sem ter feito...

— Você não está fazendo sentido.

— Eu precisava fazer isso — repetiu. — Precisava de ontem a noite!

— Por quê? Você não parece precisar de mim agora.

Ele estremeceu.

— Você não entende...

— Tenta.

— Não, você não entende, eu precisava daquilo ontem, precisava de você...

— Por quê? Por que ontem?

Ele soluçou.

— Precisava...

— POR QUE, GERARD?

— Porque eu pedi a Lindsey em casamento!

Silêncio.

Suas palavras ficaram ressoando nas paredes e em meus ouvidos pelos segundos mais longos da minha vida. A única coisa que quebrava a quietude era os soluços ocasionais de Gerard. Já eu, eu não chorava. O choque era muito grande.

Passaram-se vários minutos. Minha mente ficou vazia na maior parte do tempo. A ficha simplesmente não estava caindo.

Então eu comecei a me vestir. Gerard se levantou, meio confuso, sem saber o que fazer. Ele estava em frente a porta. Quando terminei, parei e o encarei.

— O único amigo que me faz chorar — eu disse, baixo, quase num murmúrio. Estiquei o braço e o empurrei com força para o lado, fazendo-o quase cair na cama. Com a mão ainda sobre seu peito, completei: — Queria poder realmente ser seu ataque cardíaco.

Abri a porta e saí para o corredor apertado. Mais para a frente do ônibus, onde estavam os sofás, Mikey, Bob e Ray estavam sentados. Olharam para mim quando apareci, com expressões pavorosas e tensas. Eles com certeza ouviram até os suspiros da minha sutil conversa.

— Frank... — Ray começou.

— Agora não.

Saí do ônibus para um sol de meio-dia. Não me importei que ele estivesse ardendo em minha pele. Não me importei que tivesse que voltar para o ônibus para seguir viagem, ou que o pátio onde eu andava estava lotado de gente e eu estava com uma aparência horrível, ou que deixara meus amigos preocupados.

Continuei andando, não me importando com porcaria nenhuma.

Notas finais
VOCÊS PROMETERAM! *se esconde*
Tá, podem comentar, eu aguento. *-*
Ah, e obrigado aos vinte leitores que acompanham! =D