I Love You Like I Didnt Yesterday
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Boa leitura! ;)
Voltei para Jersey ansioso, mas treinando minhas habilidades teatrais o máximo que consegui. Se Gerard realmente estava com ciúmes, eu tinha que fazê-lo acreditar que eu saíra com outra pessoa. Claro que ele falaria da Jamia, e eu teria problemas para manter o fingimento, já que ninguém além de Ray sabia o que eu e ela decidimos, mas o importante agora era fazê-lo sofrer até eu dizer chega. Eu posso ser um idiota apaixonado, mas um idiota vingativo.
Depois de nos ajeitarmos nas casas onde ficaríamos, eu, Ray e Bob fomos para a casa dos Way, a qual eu adentrei saudoso, mas com um olhar bem indiferente.
— Hey, Gerard. Saudades? — perguntei casualmente.
Ele sorriu ao me ver, um tanto cauteloso. Seus olhos faiscaram rapidamente com algum pensamento oculto antes de responder:
— Sempre, Frankie.
Eu pisquei para ele, descontraído, e fomos todos para a sala. Meu coração estava meio descontrolado no meu peito, mas desde que não parasse, acho que tudo bem.
— Então, o que você ficou fazendo de tão interessante aqui nas últimas semanas? — perguntei, jogando-me no sofá enquanto os outros também se acomodavam.
— Trabalhando, né. E você? — Gerard questionou, logo acrescentando: — Vocês todos?
Eu lancei um olhar na direção de Ray, que o retribui. Acho que logo, logo nós vamos parecer aquele tipo de amigos ninjas, cheios de segredos que ninguém nunca descobre.
— Fazendo qualquer coisa menos trabalhar — Mikey respondeu, rindo, e Bob o apoiou.
— Eu também, fiquei passeando — eu disse. — Eu e o Ray passamos um tempo com uns fãs nessa última semana, foi bem legal.
Ray sustentou minha mentira, claro, e os olhos de Gerard faiscaram novamente, mas de um modo diferente. Ele deu um sorriso estranho e falou num tom que deveria ser divertido:
— Hmm... E a Jamia sabe disso?
Previsível, não?
— Claro que sabe. Eu não escondo nada dela.
— Não? Mesmo? — ele arqueou uma sobrancelha, debochado, com certeza pensando que eu não teria falado com ela sobre nós dois.
— Mesmo — respondi, encarando-o firmemente. Seu sorriso sumiu quando ele entendeu o que isso significava.
— Ah... — ele olhou para baixo por um momento, parecendo um pouco confuso, e continuou, murmurando: — Então deve ter sido por isso que ela sabia que eu tava aqui...
— Ahn? — perguntei junto com todos os outros.
— A Jamia veio aqui um tempo atrás, e agiu de uma forma meio... estranha.
Eu congelei. Dessa vez não dava para fingir naturalidade. Meus olhos deviam estar bem arregalados.
— O que ela disse? — Ray perguntou lentamente.
— Ela quis saber o que eu estava fazendo aqui — Gerard disse, com confusão estampada em todo o seu rosto. — Sei lá, até parecia que eu era o namorado dela. Quis saber porque eu tinha deixado o Frank... e todo mundo lá e voltado sozinho. Eu só disse “porque sim”. Não sabia nem como ela descobriu isso. Mas foi você que contou, né, Fran?
Eu olhei rapidamente para Ray, que fez uma expressão de culpa. Ah, que ótimo, então ele andou falando com a Jamia? E, mais importante, ela quis tirar satisfações com Gerard porque ele não estava comigo? Cara... eu tenho (ou tinha, que seja) a melhor namorada do mundo.
— É, sim, eu contei — menti, saindo do choque.
— Mas isso é estranho — Mikey falou, passando os olhos por nós dois. Acho que ele deve ser o próximo a descobrir o que está acontecendo.
— Vou falar com ela hoje — eu disse, e quis encerrar logo o assunto. — Tá, vamos falar de coisas mais importantes agora?
Deu certo. Nós paramos de divagar e nos focamos no trabalho. Gerard trouxe vários cadernos e mostrou os desenhos que estava fazendo para sua história em quadrinhos, dando a ideia de um álbum conceitual que seguisse um estilo daquele.
— A versão sonora de uma HQ? — Bob perguntou. Ele não pareceu muito satisfeito, mas o resto de nós achou perfeito.
— Sim. Não a mesma história da The Umbrella Academy, claro, mas que tenha a mesma energia de um gibi, sabe? — Gerard explicou, animado. Sua animação com essas coisas era sempre contagiante.
Ficamos a tarde inteira conversando, fazendo planos e não chegando a lugar nenhum. Mas é claro que era sempre assim no começo. A ideia era abstrata, ainda demoraria a tomar forma.
A noite chegou rápido e todos foram se dispersando. Mikey foi sair com a Alicia — quando não estávamos em turnê, eles não se desgrudavam —, Bob e Ray foram fazer sei lá o que eu fiquei mais um pouco com Gerard.
— Não vai embora? — ele perguntou.
— Daqui a pouco. A não ser que você esteja me expulsando.
Ele balançou a cabeça negativamente, sorrindo. Então se levantou e voltou com duas xícaras de café, sem perguntar se eu queria, só me entregando. Ficamos lá, conversando sobre coisas fúteis por algum tempo, até um momento de silêncio se instalar.
— Sabe... — ele disse, olhando para a xícara vazia em sua mão. — Achei que você fosse me procurar.
— Você não disse que não queria ser encontrado?
Ele suspirou.
— É, eu disse. Mas sei lá, achei que você iria ficar me irritando e dizendo que tínhamos que conversar... Sobre o que aconteceu.
Eu arqueei uma sobrancelha e fiquei em silêncio por tempo o bastante para ele olhar para mim.
— Se eu tivesse dito isso você falaria que não aconteceu nada.
Ele sorriu de leve.
— Talvez — respondeu. —, mas agora você nunca vai saber.
Eu tombei a cabeça um pouco para o lado e lancei-lhe um olhar bravo, ao que ele riu. Filho da mãe, tentando jogar meu plano contra mim.
Ele se levantou, levou as xícaras e, ao voltar, pegou a caneta e o caderno que estavam sobre a mesa de centro e se pôs a desenhar. Eu fiquei quieto, observando-o, vendo sua concentração. Não é necessário dizer que ele ficava lindo assim, já que ele ficava lindo de qualquer jeito.
Meu olhar devia está-lo queimando, já que ele levantou os olhos para mim umas tantas vezes, mas eu não me importei. Muitos minutos se passaram, até que eu peguei outro caderno e caneta que estavam lá jogados e comecei a rabiscar algumas palavras que me vinham a cabeça. Escrevi coisas como trechos de algumas músicas, tanto nossas quanto de outras bandas, e inventei algumas coisas. Eu olhava para Gerard de vez em quando, sem prestar realmente muita atenção no que escrevia, apesar de terem saído algumas frases que dariam bons versos.
Quando as luzes se apagarem, você pode me levar com você?
Era uma pergunta que eu queria ter feito a ele naquele momento, mas que só o papel conheceu.
Se você ficar, eu posso esperar a noite toda, ou até meu coração explodir. Mas...Por quanto tempo?*
Eu encarei as palavras, sentindo um nó na garganta com o que elas significavam para mim, e logo engoli o choro. Por estranho que pareça, nesse momento eu me esqueci de que Gerard estava ali. Isso é, até sua mão aparecer do nada e arrancar o caderno da minha frente.
— O qu-
— O que tá te deixando tão emocionado, Frankie? — ele perguntou, passando os olhos por sobre a folha.
Eu me levantei num pulo e tentei agarrar o caderno, sem sucesso. Ele deu uma risada infantil, bem gostosa, enquanto corria para longe de mim. Então eu parei e sorri assustadoramente. Mirei o local no sofá onde ele deixara seu caderno de desenhos e, num movimento rápido, peguei-o antes que Gerard pudesse me impedir.
— Ah, não... Devolve, Fran, eu não terminei — ele choramingou.
— Devolve você primeiro — ameacei, decidido.
— Mas você tá na minha casa! E esse caderno é meu!
Eu ri e estendi a mão livre, esperando que ele me entregasse o caderno.
— Você primeiro — ele disse.
Eu o olhei desconfiado, mas estiquei o braço lentamente em sua direção. Como não sou besta, o fiz com o desenho virado para cima, e pude dar uma olhada.
Era um esboço, sem tantos detalhes — ele realmente não tinha terminado — de um homem de cabelos escuros, um pouco compridos, vestindo uma jaqueta e uma calça interessantes, ainda sem cores. Não entendi porque Gerard não queria que eu visse, até que percebi... que o homem era bem parecido comigo.
Logo acima de sua cabeça estavam escritas algumas palavras. Gerard se precipitou para arrancar o caderno das minhas mãos, mas eu consegui ler o que estava lá.
Eu sou o único amigo que te faz chorar,
Você é um ataque cardíaco com cabelos tingidos de preto**
— Você leu, né? — Gerard falou, ao ver meu pequeno sorriso de satisfação. — Filho da...
Eu pulei para frente e peguei o caderno que ele segurava. Continuamos com a pequena corrida, dessa vez ele sendo o perseguidor. Caí no sofá do outro lado da mesinha e arranquei a folha onde eu escrevera enquanto Gerard caía sobre mim.
Amassei o papel com a mão que ficara apoiada sobre as costas do sofá e a joguei para longe. Gerard observou esse gesto, com o rosto bem próximo do meu, antes de virá-lo para murmurar:
— Idiota.
Ele sorriu e eu também. E ele não saiu de onde estava. Ficou com seus olhos grudados nos meus por alguns segundos, até que os desceu, devagar, indo em direção a minha boca.
Eu ri de leve, nervoso.
— Que foi? — perguntei.
Ele suspirou pesadamente e fechou os olhos. Continuou assim por mais alguns segundos enquanto eu sentia minha respiração acelerar. Sem resposta, eu aproximei minha boca da dele, timidamente, xingando-me em pensamento. Não era para fazer ele sofrer, Frank?
Mas eu não consigo fazer isso, não de propósito, não de verdade. Ele estava perto de mim novamente, e só isso importava. Fechei os olhos, sentindo meus lábios tocarem os dele, mas só por um breve momento; ele se afastou.
Abri os olhos novamente, desapontado. Ele se ajeitou no sofá e ficou sentado ao meu lado.
— Eu não teria falado que não aconteceu nada — ele disse, sério. — Aconteceu.
Eu fiquei em silêncio, sem saber que expressão fazer ou o que falar.
— Acho que... nós estamos sentindo algo — ele continuou. — Um pelo o outro, sabe, algo estranho.
Eu assenti devagar, meu coração acelerando, ainda calado.
— Eu fiquei com medo de que fossem coisas diferentes, por isso fui embora.
— Coisas diferentes? — perguntei, confuso. — Como assim?
— Eu pensei que você poderia... err — ele pareceu encabulado. — Pensei que você poderia estar se apaixonando por mim... Se apaixonando de verdade.
Eu fiquei chocado, mas não pelo motivo que ele pensara; não porque essa fosse uma ideia absurda, mas porque ele não achava que fosse verdadeira.
— E o que você estava sentindo, então? — questionei duramente. — Naquele dia, no banheiro, o que foi aquilo?
— Bom, foi sexual, né? Depois daquele beijo, no seu quarto, acho que... Comecei a me sentir atraído por você. Acho que você também.
Eu olhei para baixo, sentindo meu estômago se revirar. Sexual.
— É, eu também — falei. — Mas você achou que eu estava me apaixonando?
— É, achei... E por isso me afastei, para te dar tempo para ficar sozinho... Para me dar tempo de ficar sozinho — ele falava em um tom triste, e eu não sabia se olhava para mim. — Porque isso é perigoso, essa atração.
— Perigoso? — falei com desdém. — Desde quando se apaixonar é perigoso?
Ele ficou quieto por um tempo, e quando sua voz me alcançou, veio em um murmúrio extremamente baixo:
— Desde quando é pelo seu melhor amigo.
Eu fechei as mãos na borda do sofá e apertei os olhos, impedindo as lágrimas. Para alguém que estava rindo há alguns minutos, essa dor era mesmo surpreendente. Aquilo, o que ele estava fazendo, era uma negação, não era? Uma negação do que nós poderíamos ter, do que poderíamos ser.
— Então vamos deixar claro uma coisa — eu disse, com a voz um pouco embargada. — O que você sente é só sexual?
Ele hesitou, e por muito tempo, devo acrescentar, mas sua resposta doeu do mesmo jeito.
— É, só sexual. E... e você?
Eu suspirei e me levantei de repente, assustando-o. Acho que gosto de assustar as pessoas.
— Você é meu melhor amigo, Gee — falei, olhando-o nos olhos. — E você é sexy pra caralho.
Fui até o outro sofá, peguei minha blusa e caminhei para a saída.
— O que isso quer dizer? — ouvi a voz de Gerard atrás de mim.
Eu não mentira. Ele era sexy para caralho. E era meu melhor amigo. Não importava o quanto eu me aproximasse de Ray ou o quanto Jamia me conhecesse, esse posto era de Gerard. Não há muita explicação; é simplesmente ele, sempre foi e sempre será. Lembrei das frases sobre seu desenho... O único amigo que me fazia chorar.
— Tire suas próprias conclusões — respondi, sem olhar para ele. — Até amanhã.
As lágrimas vieram assim que fechei a porta de sua casa. Fui até o meu carro com a visão borrada, torcendo para que eu não batesse antes de chegar na casa da Jamia.
Notas finais
** Trecho de "Save Yourself (I'll Hold Them Back)" porque SÉRIO, essa música é muito Frerard e ninguém vai me convencer do contrário u_u -q
Reeeeviews? *-*
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