I Love You Like I Didnt Yesterday
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Boa leitura, espero que gostem :)
Apesar de não ter muita certeza sobre o resultado, decidi seguir o conselho do Ray.
Fiquei uma hora sentado na frente do computador, tentando escrever um e-mail para o filho da puta desaparecido. Não estava feliz com nenhuma das tentativas.
“Oi.
Não precisava ter fugido desse jeito, mas tudo bem. A gente se vê no Projekt.
F.”
Ah, estava muito distante, muito frio... Tinha que ser assim? Que tal colocar “beijos”, ou “vou sentir sua falta”... Ou, “VOLTA, SEU DESGRAÇADO”?
Não tive escolha. Ray entrou no meu quarto nesse momento e parou atrás de mim.
— Você ainda tá escrevendo esse negócio? — falou, colocando a mão sobre o mouse e clicando em “enviar”. — Pronto, problema resolvido.
— RAY! Eu não tinha aca-
— Tinha sim. E cala a boca.
Eu o fuzilei com o olhar, mas deixei para lá. Eu teria feito a mesma coisa se a situação fosse inversa, porque eu sabia que estava sendo insuportável.
— Olha, o Mikey tá esperando a Alicia chegar e o Bob tá esperando a Kath — Ray falou, virando a minha cadeira para eu poder observá-lo. — E eu não sou louco de te deixar sozinho agora. Então trate de arrumar coisas pra nós fazermos.
— Ok. Obrigado.
É isso, se o Gerard queria ficar longe, que ficasse, mas eu não iria mofar em um quarto de hotel por mais de um mês por causa disso. Estávamos em um país diferente e eu tinha que aproveitar as férias; apesar de que teria que voltar para os EUA em pouco tempo, já que trabalho é o que não falta. E o mais certo a fazer era aproveitarmos esse período para trabalhar em algo sobre o próximo álbum, mas tínhamos de esperar a birra do Gerard passar.
Os dias foram se arrastando e eu fui levando Ray para todo lugar que eu encontrasse nos guias de turistas. Vez ou outra saíamos com Mikey e Alicia, mas eu não estava em condições de ver ninguém namorando. Todo dia eu esperava receber alguma coisa — qualquer coisa — de Gerard, mas... nada. Nem no primeiro dia, nem no segundo, terceiro, quinto, oitavo.
Por mais que eu estivesse me distraindo, o inevitável estava acontecendo. Mikey, Bob e qualquer um que não soubesse o que eu estava sentindo começaram a me perguntar porque eu estava tão melancólico, porque parecia tão deprimido. Ray fazia de tudo para me animar, mas nada mais estava funcionando.
Até o décimo sexto dia. Quando meu celular tocou.
Eu fiquei estático por um momento. Então agarrei o telefone e voei para o quarto do Ray.
— É ele! O que eu faço? — eu perguntei, correndo para dentro e apontando o celular para a cara dele. Se eu não parecesse tão desesperado, tenho certeza que ele teria rido.
— É mesmo? Ahn, não faz nada.
— COMO NÃO FAZ NADA, RAY? TÁ TOCANDO...
— Calma — ele parecia assustado, mas eu não estava ligando. Meus olhos estavam fixos no aparelho em minha mão. — Se você atender desse jeito não vai valer nada essas duas semanas.
Eu o fitei, os olhos arregalados. Não acreditava que eu ia fazer isso. Estava na minha mão, a voz de Gerard estava bem ali — e eu ia deixá-la passar.
Por Deus, o que aconteceu comigo? Eu já passei mais tempo do que isso longe daquele homem. Tudo bem, eu não o amava, mas ainda assim, eu sobrevivi, não foi? Ele era exatamente a mesma pessoa antes e agora. Por que agora eu sentia tanta falta de sua presença? De simplesmente olhar para ele? Isso não está certo, não é saudável.
Só que... foda-se. Eu tenho cara de me importar com o que é certo?
Quando eu decidi atender a porcaria do telefone, ele parou de tocar. Eu olhei dele para Ray umas dez vezes.
— Toro... Se ele não ligar de novo... Eu vou agarrar o seu lindo cabelo... E te enforcar com ele.
Com isso, Ray começou a torcer para que Gerard ligasse tanto quanto eu. Mas não precisamos ansiar por muito tempo; lá estava a foto de Gerard no visor novamente.
— Ok, então você atenda e finja que está bem — Ray começou. — E vai precisar fingir muito bem.
— Tá, mas o que eu falo?
— Só responde. Aja naturalmente e vai dar tudo certo. Respira, Frank. Jesus...
Ignorei sua exasperação, concentrei-me e atendi a chamada — internacional.
— Oi, Gee! — alto demais. Ray fez um gesto para que eu ficasse menos animado e então colou a orelha no aparelho na minha mão, para ouvir a conversa também.
— Oi, Frank — a voz dele parecia hesitante. Será que estava pensando em ligar há muito tempo? — Como você tá?
— Bem, bem... Aqui é muito legal. E você?
— Também... — ele riu rapidamente. — Aqui também é legal.
— Hmm — mordi o lábio inferior. Deveria perguntar?
— Não quer saber onde eu estou?
Ele me conhecia, não é?
— Se você quiser falar...
— Estou em casa.
Fechei os olhos e apertei o celular. Mais um pouco e eu o quebraria. Quer dizer que esse tempo todo ele estava em casa? Era só eu ter ido até lá?
— Ah — falei, só para dizer alguma coisa.
— ... Você não tá bravo comigo, está?
É CLARO QUE ESTOU, SEU...
— Não, por que estaria? — eu disse, e Ray se afastou para me dar um jóinha.
— Não sei... Só achei que, talvez... Deixa pra lá. Recebi seu e-mail, desculpa não ter respondido, acabei esquecendo.
— Tudo bem. Não tinha muito o que responder.
Ficamos em silêncio por alguns segundos desconfortáveis.
— Então... Quer vir pra cá? — ele perguntou. — Já falei com o Mikey, nós precisamos conversar sobre...
— O álbum novo, é, eu sei — falei, tentando não soar preocupado. Se o Mikey tivesse falado que eu andava deprimido, tudo aquilo teria sido em vão. — Eu vou ver, programei umas coisas aqui...
— Que coisas? — ele quase me cortou. Eu sorri, vendo isso como um ciúmes repentino. Ray se afastou de novo e murmurou “tá vendo?”.
— Coisas... Conheci algumas pessoas interessantes e marquei de sair com uma delas.
Gerard ficou quieto e Ray bateu palmas silenciosas. Aquilo estava indo melhor do que eu esperava.
— Ok — Gerard falou, hesitante novamente, mas com um ligeiro tom irritadiço na voz. — Quando você puder vir, então, vem na minha casa, temos coisas pra fazer.
— Pode deixar — respondi e ele desligou na mesma hora.
Eu afastei o celular e fiquei sorrindo, olhando para Ray.
— Você acha que ele ficou bravo? — perguntei.
— Com certeza — Ray respondeu, sem saber se era isso mesmo o que eu queria.
— ÓTIMO — gritei, o que o assustou. — Vou enrolar mais uns dois dias aqui, depois vamos embora. Pode ser?
— Claro, o que você quiser. Acho que você vai saber lidar bem com ele.
Eu sorri maldosamente.
— Ah, vou. Vou saber perfeitamente.
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