I Love You Like I Didnt Yesterday
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Boa leitura :)
Eu definitivamente sou bipolar.
Continuei como um idiota sorridente na festa por algum tempo, e a bebida devia estar ajudando nisso. Eu até liguei para Jamia para contar o que acontecera — e algo me diz que soei como uma garota falando do primeiro beijo —, sem nem notar na hora como sua voz ficou triste com isso. Triste, mas firme, incentivando-me a continuar tentando. Ainda não falamos o nome do Gerard.
Mas, depois, comecei a ficar irritado. Porra, ele tinha que ter agido daquele jeito? Tinha que bancar o difícil, me magoar e ainda fugir?
Depois de uma hora e mais alguns drinques, fui embora, decidido a falar com Gerard nem que eu tivesse que amordaçá-lo para isso... E amarrá-lo... Até que não é uma ideia ruim... FOCO, FRANK.
Bem, como é o corpo quem dita as regras, não fiz o que tinha planejado. Não o achei em seu quarto no hotel em que estávamos e capotei de sono assim que cheguei no meu. A suposição que ele fizera sobre me achar desmaiado no chão provou não ser tão impossível assim.
Acordei no meio da tarde do dia seguinte, com uma dor de cabeça infernal, como era de se esperar. Eu ainda queria achar Gerard e quase só me restou irritação pelo o que ele fizera; se antes eu estava pisando em nuvens, agora eram agulhas.
Fui procurar por ele e não o encontrei em lugar nenhum no hotel inteiro. Bem, na verdade só procurei no quarto e no corredor. Como não estava com paciência para fazer uma busca completa, decidi ir pelo caminho mais fácil: perguntar.
Bob? Ele não ia acordar. Mikey? Ele nunca sabe onde o irmão está.
Ray.
Escancarei a porta e, para minha surpresa, encontrei-o acordado. Ou quase.
— E aí, Frank — falou, misturando as palavras com um bocejo. — Bom dia.
— Cadê o Gerard?
Ele arqueou uma sobrancelha. Estava sentado na cama, enrolado nos lençóis e com a televisão ligada na outra parede.
— É, ele falou que você faria isso.
— Então você sabe onde ele está?
— Eu não disse isso.
Coloquei uma mão na maçaneta da porta e comecei a dedilhá-la repetidamente.
— Ray, eu não estou com um bom humor hoje. Fala logo.
— É, tô vendo. Bons modos, nem se fala, né?
Algo em meu olhar assassino o fez entender que o negócio era sério, já que ele fechou a boca num instante.
— Ok, desculpa. Ele me ligou quando eu ainda estava na festa, avisando que não ia estar aqui hoje.
— Essa parte eu notei, Toro. Quero sabe onde ele está.
— Calma, Iero — ele me cortou, num tom irônico. Esse cara não tem noção de perigo. — Ele disse que você o procuraria e que ele não queria ser encontrado.
— Eu não tô nem aí se ele quer ou não. Onde ele está?
Enfim, a expressão sarcástica do Ray caiu.
— Eu não sei, Frank. Ele só disse que estava saindo... — ele parou e me observou cautelosamente, como se me analisando. — Ahn... Sabe, nós não precisamos nos encontrar até o começo da turnê do Projekt Revolution.
Eu assenti devagar, esperando para ver onde ele queria chegar. Ele estava finalmente com o devido medo das minhas reações.
— E... bom... O Gerard fechou a conta dele aqui.
— O QUÊ? — gritei, fazendo-o dar um pulo na cama.
— É, ele também disse que você ficaria puto — falou, baixo.
— COMO ASSIM... — parei, fechei os olhos e respirei fundo algumas vezes. — Como assim ele fechou a conta? Do nada, ele foi embora?
— É.
— E ele pretende ficar desaparecido até o começo da turnê? Que só começa daqui um mês e meio?
Ray assentiu, calado.
— É isso, vou atrás dele.
Eu já começava a me virar para sair quando Ray me chamou.
— E você vai aonde? — eu suspirei e voltei a encará-lo. — Eu juro que se soubesse onde ele está eu te diria. Mas até onde nós sabemos ele pode estar em qualquer lugar. Pode estar num voo pra Jersey agora mesmo, ou pra Austrália, sei lá.
Eu olhei para o chão e permaneci assim por um tempo. Gerard estava fugindo de mim. Eu sabia muito bem como passaria por esse mês sem vê-lo, e não seria nada bom. Estava com uma raiva desgraçada, mas não importa o quanto eu negasse, eu sabia que não era dela que estavam vindo as lágrimas.
— Fran, você... Você tá chorando?
Eu não estava me importando em esconder qualquer coisa do Ray. Levantei o olhar e vi seu rosto preocupado.
— Ele disse que isso aconteceria também?
Não deveria ter aberto a boca. No fim da frase minha voz já estava falhando, e quando eu percebi, Ray já me abraçava, tentando me acalmar, murmurando “merda” sem parar por não saber direito o que fazer em uma situação dessas.
Ele me guiou para um sofá que estava ali perto e esperou até que eu me recuperasse. No momento em que parei de chorar e antes que eu pudesse explodir de raiva de novo, ele falou:
— Você tá melhor? Ótimo. Então pode começar a contar o que diabos está acontecendo com vocês dois.
— Nada — falei. Ele me olhou com uma cara de “você vai realmente responder isso?”, e eu comecei a rir. — Quer dizer, com ele não tá acontecendo nada. Comigo as coisas estão... Complicadas.
— Isso é óbvio.
— Tá tão na cara assim?
— Está mais do que na cara. Eu não sei como o Bob e o Mikey insistem que é impressão minha.
— Peraí, vocês ficam conversando sobre isso?
— Claro, né. Fofoca nunca é demais — ele disse e eu ri rapidamente. — Então, vai falar quando?
Eu mordi o lábio, apreensivo. Não sabia se estava pronto para isso, declarar o meu amor com palavras. É bem assustador. Mas Ray é meu amigo, e, caramba, ele consegue fazer você se sentir confortável. É o tipo de pessoa com quem você simplesmente se abre; sem medos, sem preocupações. Então eu desatei a falar, contando o que senti depois daquele primeiro beijo, do segundo, do terceiro... E finalmente contando o que acontecera na noite anterior.
Quando prestei atenção, vi que Ray me encarava perplexo, com a boca meio aberta.
— Que foi? — perguntei.
— Cara... Você tá mesmo apaixonado.
Eu sorri, tímido.
— É, acho que sim. Mas não fala pra ninguém. Ninguém precisa saber.
— Claro, claro... — ele ainda parecia chocado. — Eu achei que vocês estavam se pegando, mas não que fosse isso tudo.
— Achou, é? — eu ri. — Bem, mas só é isso tudo pra mim. Tanto que ele decidiu sumir depois de ontem.
Ray me observou por um segundo e, sem mais nem menos, me deu um tapa na testa.
— EI!
— Você é idiota, Frank? Ele foi embora exatamente porque também está sentindo algo por você!
Eu esfreguei a mão na cabeça e formulei um xingamento pelo tapa, mas meus olhos brilharam com sua fala.
— Você acha?
— Só eu que já assisti filmes românticos nessa joça? É óbvio que é isso.
Eu alarguei o sorriso, mas só por um momento.
— Mas mesmo assim, como eu vou falar com ele se ele não está aqui?
— Você não vai — ele falou, dando de ombros.
Eu fiquei quieto, esperando que ele disesse o que estava pensando.
— Você vai fingir que não está nem aí — ele disse. — Só mande um e-mail, sei lá, mas não o procure depois disso. Não ligue, não vá atrás, nada.
— Ahn.. nada?
— Nada. É assim nos filmes, aprenda com eles.
Eu suspirei.
— Vou tentar.
Virei-me para ele e o abracei repentinamente, bem forte, com a cara enfiada em seu cabelo.
— Valeu, Ray. Te amo, cara — eu disse, cuspindo fios entre as palavras.
— Tá, mas não se empolga, eu não vou te beijar nem no palco nem fora dele.
Eu ri e me levantei.
— Ok — falei, encaminhando-me para a porta, mas me virei antes de sair. — Nesses filmes, esse negócio de ignorar funciona? Eles terminam bem?
— Aham. Eles sempre terminam casados e com uma penca de filhos, numa casinha meiga cheia de flores. Isso é, quando um dos dois não morre.
Eu rolei os olhos.
— E você gostaria disso, Ray? De nos ver juntos?
— Ver o sorriso que estava na sua cara ontem? Claro. Vou poder te zoar pra sempre.
— É sério.
Ele sorriu, e me pareceu bem sincero.
— Claro que quero, imbecil. Quero que vocês sejam felizes. E nunca mais quero te ver chorando de novo. É tenebroso.
Eu ri alto e o xinguei de alguma coisa antes de sair, pensando em como eu também nunca mais queria chorar. Mas alguma coisa, lá no fundo, sussurrou para mim: “Ainda não acabou, Frank. A vida não é perfeita. E seus olhos ainda sabem produzir lágrimas.”
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