I Love You Like I Didnt Yesterday
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Então, boa leitura! -q
Não sei como, mas a festa depois do show foi mais surpreendente do que eu poderia imaginar.
É, dessa vez eu fui para a festa. Nós nos enfiamos no ônibus e esperamos até que chegássemos no lugar, que eu nem me dei ao trabalho de ver onde era. No caminho, falávamos alto e já nos aquecíamos com algumas cervejas; não que precisássemos de aquecimento, mas que seja.
— ... E o beijo dos dois pombinhos aqui? — Ray perguntou em certo momento, passando uma mão na minha cabeça e uma na de Gerard, em pé na nossa frente e quase caindo sobre nós. Eu não era o único que já tinha bebido.
— Ah, foi tããão lindo, melhor que o outro — Mikey exclamou. Também bêbado.
— Que beijo? — Bob perguntou, perdido.
— É, também achei bem melhor que o outro — eu disse, olhando firmemente para Gerard, que era o mais sóbrio entre nós. Ele sorriu, mas não respondeu.
— Eu vi uns vinte flashes na hora — Ray continuou. — Amanhã a internet vai estar pipocando de fotos.
— Do que vocês estão falando? — pobre Bob, sem entender nada.
— Ah, essas fotos devem estar uma beleza — Mikey falou. — O beijo foi de lado, vocês devem ter ficado lindos...
— QUE BEIJO?
Bob não estava bravo, mas não devia ter começado a gritar.
— DA MINHA VÓ, BOB — Ray gritou de volta. — DO GERARD COM O FRANK, DE QUEM MAIS?
— ELES SE BEIJARAM DE NOVO?
— VOCÊ NÃO VIU?
— POR QUE VOCÊS AINDA ESTÃO GRITANDO? — Mikey os cortou, porque eu e Gerard estávamos muito ocupados rolando de rir.
Depois de um ataque de risos coletivo que durou quase um minuto, Bob disse que não tinha visto nada porque, diferente de nós, ele estava mais preocupado em tocar. Na verdade a culpa é da bateria, que precisa de muita atenção, mas quem escolheu bater em coisas para viver foi ele.
Chegamos na boate, clube ou o que seja que nos receberia e entramos gritando, como sempre, e pegando as garrafas e copos que apareciam magicamente na nossa frente. Acho que boa parte dessa bebida é entregue por fãs que pretendem nos deixar grogues o bastante para ir embora com elas (ou eles).
Ficamos um tempo rodando, conversando e fazendo qualquer idiotice que nos desse na telha, até que eu precisei ir ao banheiro. Disse aonde ia para o Ray não gritar perguntando, já que, como já foi notado, ele é um daqueles bêbados gritantes. Sem querer, olhei para Gerard ao avisar, e totalmente sem querer, deixei meu olhar um pouco malicioso. Bem, talvez não totalmente.
De qualquer jeito, nada o forçava a me seguir, mas foi o que ele fez. Depois de um tempo em que eu estava lá, no banheiro vazio, ouvi o barulho da porta se abrindo e tive certeza que era ele. Ele se aproximou devagar e parou no mictório ao lado do meu, o que, como todo homem sabe, é uma completa invasão de privacidade. Que eu adorei.
Olhei para seu rosto e comecei a falar:
— Então...
Espere. Reformulando: tentei olhar para seu rosto e tentei falar. Eu juro que tentei. Mas meu olhar era atraído para baixo automaticamente, e eu estava com álcool o bastante no sangue para não ter mais pudor nenhum.
Ele permaneceu olhando para frente, quieto, provavelmente arrependido de estar ali. Só quando realmente fechou o zíper é que eu consegui terminar a frase:
— ... Gostou do beijo hoje?
Ele deu uma risada rápida e um tanto azeda. Mas talvez fosse só impressão minha.
Então ele se virou para sair. Ah, por favor, ele veio no banheiro no exato momento em que eu vim para não fazer nada?
— Oh, tá rindo à toa agora, Gee? — falei, fazenda minhas palavras mais azedas que sua risada. — Que bonitinho. Isso é coisa de gente apaixonada.
Eu não sabia se me arrependia ou não. Ele parou por um instante e se voltou para mim de novo, com os olhos flamejando. Falou, e só faltou pingar ácido das palavras:
— Na verdade eu só estava rindo dessa sua milésima patética investida em mim.
Ai. Isso doeu. Muito.
Sorte que meu orgulho era grande o bastante para sustentar minha expressão de ser superior, porque eu poderia muito bem parecer ter acabado de levar um soco no estômago.
— Não acha que você tá muito pretensioso, não? — eu disse, olhando-o fundo nos olhos, a raiva não deixando que eles me confundissem como geralmente acontecia. — Eu só perguntei pra colocar no meu banco de dados, sabe, ter as estatísticas.
— Por que não pergunta pra Jamia, então?
Isso foi golpe baixo. Ele não sabia o que eu tinha decidido com Jamia, então imaginava que eu me sentiria horrivelmente culpado se fosse lembrado dela. Eu fiquei furioso, o que me deu mais prazer ao ver a cara de tacho dele com minha falta de reação.
— Porque ela já disse — eu falei, simplesmente. Dei um pequeno passo para frente, ameaçador, o que o fez olhar para baixo. — Eu queria saber de você, Gee, só isso. Por que tanto medo de uma simples pergunta?
De repente, seu olhar voltou para cima, e pareceu meio selvagem.
— Frank, dá pra, por favor, parar de me provocar?
Eu sorri, de leve, mas triunfante.
— Provocar? Eu só quis saber como foi...
Acho que qualquer coisa que eu tivesse falado naquela hora teria causado o mesmo resultado. Ele me empurrou para a parede atrás de mim, bem ao lado de um espelho, e aproximou nossos corpos, com uma mão em minha cintura e outra em meu ombro.
— Foi assim — falou, e me beijou tão rápida e violentamente que não me deu tempo de respirar.
Eu o cerquei com meus braços e aproveitei, com todas as forças, sua fúria e adrenalina, maiores do que estavam no palco. Parecia que continuávamos a brigar, só que com nossas línguas no lugar das palavras.
Se eu estava pensando em alguma coisa, o pensamento desapareceu assim que notei que ele estava mais animado do que eu imaginava. Senti seu membro completamente rígido contra a minha barriga quando o puxei para mais perto, e estremeci de prazer. Infelizmente, isso o fez parar o beijo, já que teve de ficar totalmente ereto — maldita, maldita diferença de altura —, mas o deu espaço para gemer, o que ele não conseguiu controlar.
Eu fechei os olhos, mas os abri em dois segundos. Gerard tirara as mãos de mim e dera um passo para trás.
— Merda — ele murmurou, e tentou se virar.
Vou sempre amar essa parte: tentou.
Eu o puxei tão rápido que mal vi o que fazia, e nos girei mais rápido ainda, o que me deixou meio tonto. Joguei-o onde eu estava alguns segundos antes e me aproximei.
— Não — falei duramente. — Quem decide quando acaba agora sou eu.
Grudei-me nele novamente, prensando seus pulsos com força contra a parede e deixando-o de braços abertos, mas não me preocupei em beijá-lo. Queria sentir outra coisa, outro pedaço tentador do seu corpo, e fiz questão de que ele me sentisse também.
Comecei a me mexer para cima e para baixo, usando nossos corpos para estimular nossos membros e aproveitando o movimento para beijar seu pescoço. Fiquei na ponta dos pés duas vezes, para lhe dar um selinho rápido, ouvindo seus suspiros e sua voz lenta, falando meu nome e uma outra palavra que eu ignorei.
— Frank... Pára...
É claro que eu não parei. Ele empurrou os braços para frente, tentando sair, mas tão fracamente que nem posso chamar aquilo de esforço. Continuei prendendo seu corpo com o meu e aumentando a intensidade do movimento, fazendo seus suspiros se transformarem em gemidos baixos e suas palavras ficarem mais altas.
— Fran.. É sério... Pára.
Logo ele começou a aplicar mais força nos braços, me mandando parar com um pouco mais de vontade, até que eu realmente tive de me afastar.
Nós ficamos ali, olhando um para o outro, ofegantes, sem saber o que dizer. Aos poucos ele foi começando a ficar nervoso, e eu, sorridente.
— Droga, Frank — ele falou, por fim, e me empurrou um pouco para sair. Quase correu para fora do banheiro e eu o segui, devagar, sentindo que estava pisando em nuvens.
Vi Gerard pegando uma blusa que ele deixara jogada em um canto e começando a caminhar para a saída.
— Ei, Ger, onde você vai? — Bob gritou. — A gente acabou de começar.
Gerard fez um gesto qualquer para ele e desapareceu. Eu estava andando tão lentamente que só então cheguei onde os outros estavam.
— O que deu nele? — Bob perguntou, e se virou para ver minha cara de bobo alegre. — E o que deu em você?
Eu dei de ombros, sem largar o sorriso.
— O Frank tá bêbado — Mikey falou, como se fosse a resposta óbvia. — E meu irmão é assim mesmo, veneno de festas.*
Ray me observou pensativo. Deve ter visto que nós dois saímos do mesmo lugar. Eu teria que falar com ele logo, logo. Até lá, as nuvens ainda me cercam.
É, Frank, você apaixonado fica besta. E feliz.
Notas finais
Espero que tenham gostado :)
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