I Love You!

1 One Shot - I love you!


- Droga... Eu não devia tê-lo deixado sozinho! Sou mesmo um idiota... A culpa é toda minha. Se eu não fosse tão orgulhoso, nada disso teria acontecido!

YunHo chorava silenciosamente debruçado sobre Jaejoong, deitado no leito do hospital. O menor estava desacordado há pouco mais de três horas. Um tanto ferido, mas sem gravidade. O que o estava preocupando realmente era o fato do outro ainda não ter acordado, mesmo depois de o médico ter-lhe explicado que aquilo era efeito dos remédios que lhe deram.

Já era bem tarde da noite, quase duas da madrugada. Cansado, YunHo acabou por cochilar na cadeira e acabou por sonhar com os acontecimentos daquele dia, quase numa retrospectiva perfeita.

#Flashback#

- Yunnie, acorda, amor... – Jaejoong sussurrava e espalhava beijos pelas costas nuas do namorado.

- Hmmmm... Awn, Jae... Só mais um pouquinho, vai? – YunHo respondeu com voz levemente rouca pelo sono e se mexeu um pouco na cama.

- Não, Yunnie! Você me pediu para te acordar, lembra? Já são quase dez da manhã, meu amor... 9:30, para ser exato.

- Eu estava falando desses seus beijinhos gostosos...

- Yu-Yunnie! – Jae sorriu e corou levemente, abaixando a cabeça.

YunHo sentou e o abraçou, dando-lhe um beijo estalado no rosto.

- Bom dia, Joongie... Obrigado por me acordar.

Retribuindo ao abraço, Jaejoong aninhou-se ao peito do moreno.

- Bom dia, amor. Dormiu bem?

- Ahn... Até que sim. E você, como passou a noite?

- Ao seu lado é sempre maravilhoso, Yunnie...

O moreno sorriu. Estava intensamente feliz com aquilo, mas não sabia como demonstrar ao outro. Entretanto, já havia tomado uma decisão que, assim esperava, o ajudaria a expressar seu amor de forma efetiva. Depois de um leve afago nos cabelos de Jaejoong, YunHo se levantou e foi em direção ao banheiro.

- Vou tomar um banho rápido e sair, tudo bem?

Aquilo pareceu ter chateado Jae, que se virou para olhar enquanto o outro ia até o banheiro.

- Para onde vai?

- Vou resolver umas coisas por aí... – Yun deixou a porta aberta para que Jae o escutasse e vice-versa.

- Vai pelo menos tomar café comigo?

- Desculpe, Jae... Não vai dar, eu vou acabar atrasando. – E ouviu-se o som da água caindo.

- Ah. Tudo bem, eu entendo...

Jaejoong ficou cabisbaixo na cama. Queria a companhia do amado, já que estavam de folga e era uma data especial para os dois, mas, de repente, YunHo resolve sair? Ele ficou realmente chateado com aquilo. Quando saiu do banho, o moreno foi se vestir apressadamente e nem se deu conta da tristeza do namorado. Estava com a cabeça longe, extremamente concentrado no que iria fazer. Depois de pronto, finalmente olhou Jaejoong e se aproximou.

- Algo errado, Joongie?

- Uhn? N-não, Yunnie... Está tudo bem. – Ele levantou o rosto e forçou um pequeno sorriso.

YunHo estranhou, claro. Podia ser desatento, mas não era negligente. Sentou-se ao lado de Jae e fitou os olhos escuros brilharem de forma sombria.

- Está tudo bem mesmo?

- Uhn... Sim, está tudo bem. – Jae suspirou e manteve aquele sorriso forçado, tentando parecer natural.

Se você não se lembra do nosso aniversário e vai me deixar sozinho, o que posso fazer, YunHo? Só espero que você possa se lembrar sozinho antes do fim do dia. Não queria deixar de comemorar o dia mais importante da minha vida... O dia em que finalmente ficamos juntos.

Aquela resposta não convenceu o maior, mas, preferiu deixar as coisas como estavam. Por hora.

- Hm, certo... Então, estou indo. Prometo voltar a tempo de almoçarmos juntos. Cuide-se, hm? – Deu-lhe um selinho longo e levantou, pegando a carteira, as chaves do carro, e saiu.

Estranho Jae não ter dito nada sobre nosso aniversário, hoje... Normalmente ele já me acorda falando sobre isso... Será que fiz algo que o magoou ou... Será que ele esqueceu? Não. Não, Jaejoong não esqueceria uma data importante como esta. Hnf. Mas o que era aquele olhar? O que será que aconteceu? Bem... Seja o que for, certamente o farei sorrir de verdade, esta noite. Depois de quatro anos, era mais que hora de tomar esta decisão. Espero que fique feliz com isso, my Boo...

O moreno sorria sozinho ao finalizar tais pensamentos enquanto dirigia.

11:30 A.M

- Jae? – YunHo abriu a porta do apartamento e estranhou o silêncio presente. Passou por todos os cômodos até constatar que estava realmente vazio, e o único sinal de Jaejoong era um bilhete na porta da geladeira.

Resolvi sair um pouco, já que está um dia tão lindo.Não se importa de comer sozinho hoje, não é?Vou demorar um pouco, mas volto antes do fim da tarde.Aproveite o dia.

Beijos,Joongie.

- Que?! – Ele mal podia acreditar no que estava lendo. – O que é que ele tá pensando!? O que deu na cabeça dele, afinal!?

O moreno passou horas tentando falar com o namorado no celular, mas sempre caía na Caixa Postal. Agora era ele quem se sentia magoado.

06:30 P.M

Depois de passar o dia todo fazendo compras, Jaejoong entrou no apartamento e deparou-se com YunHo dormindo no sofá da sala com o celular em mãos e então resolveu conferir o próprio aparelho. Seu nariz franziu numa careta ao notar a enorme quantidade de ligações que o moreno havia feito.

Ele vai me matar...

Com medo de acordar o amado e tomar uma bronca, Jae pegou suas sacolas e foi indo de fininho para o quarto de YunHo – visto que o apartamento era dele, apesar de Jaejoong ficar mais ali do que no seu próprio apartamento. O moreno acabou acordando com o barulho da porta se fechando e resolveu averiguar a causa desta, deparando-se com Jae guardando os objetos que havia comprado. Encostou-se à porta e cruzou os braços, falando em tom relativamente calmo, apesar de sério.

- Aonde você foi?

- Fui passear, Yunnie. Não viu meu bilhete? Passei a tarde fazendo compras por aí. – Jae sorria.

- Sim, eu vi o bilhete. Mas, nós havíamos combinado de almoçar juntos, não lembra? Não custaria muito me ligar e dizer que queria mudar os planos. Falando nisso, por que não atendeu o celular? – Agora ele demonstrava um pouco mais sua irritação.

- Bem, é que eu... – Jae não sabia como justificar e YunHo notou isso.

- Argh... Ok, não precisa responder. Você sabe o que faz, Jaejoong. – Então virou-se para sair dali.

- Yunnie!

- O que é? – Sua voz soou um tanto grosseira, embora não fosse esta a intenção dele.

- Não... Não é nada. – Jaejoong não teve coragem de entregar o relógio que havia comprado para dar de presente ao amado. Não naquela situação. Apenas deixou-o sair dali e voltou a guardar suas novas aquisições.

08:00 P.M

- Yunnie... – Jae chamou da porta da biblioteca. – A gente pode conversar?

- Aham... Pode falar. – Yun não o olhou, estava distraído vendo imagens e vídeos dos dois, que os fãs postavam sob o nome de YunJae, na internet.

- Bem, eu só queria me desculpar por hoje à tarde... – abaixou a cabeça, mordendo o lábio inferior.

YunHo suspirou e se levantou. Deu a volta na mesa e se apoiou nela, olhando Jaejoong. Ia dizer algo, mas desistiu assim que o outro voltou a falar.

- Eu só... Não sei... Não queria ficar sozinho em casa, hoje...

- Você tem esse direito, Jae. Mas poderia ao menos ter atendido o celular, não acha?

- Hnf, como se você nunca tivesse feito algo assim... – Jaejoong soprou quase inaudível, porém não o bastante para que o comentário escapasse aos ouvidos do maior.

- Eu não atendo o celular quando estou ocupado demais para isso, Jaejoong, não quando simplesmente não estou com vontade! Eu costumo me preocupar com as pessoas que me procuram, seja pessoalmente ou por telefone, e dar atenção ao que querem dizer, mesmo que sejam bobagens.

- Eu sei... Mas, você me deixou aqui sozinho e nem ao menos disse para onde ia! O que esperava que eu fizesse, hã?

- Jae, eu avisei que ia sair e disse que voltaria logo. O que mais você queria que eu fizesse? Um relatório completo de cada passo que pretendia dar?!

-... Eu... Eu não sei! Qualquer coisa, menos me largar aqui...

- Ah, qual é? Por acaso você é alguma criancinha que não possa ficar sozinho em casa por duas horas?!

- Não é isso, YunHo! Você sabe o quanto queria ficar contigo, hoje...

- Claro, e você provou isso saindo pra bater perna à tarde inteira!

- Desculpa se eu não sou perfeito como você! Se você não gosta do meu jeito, deveria procurar alguém mais... Alguém melhor, muito melhor pra ficar com você!

YunHo estava estático olhando o namorado, naquele momento. Levou uns segundos até processar a informação e então responder, já saindo daquele lugar.

-... É. Talvez eu procure. – a voz saiu baixa, em contraste com os movimentos dele, que mais parecia um furacão atravessando o corredor até a porta.

- Y-YunHo, espera! – Jaejoong tentou ir atrás dele, mas já era tarde. Yun já havia sumido do corredor do prédio. – YunHo... – A voz saiu quase num gemido abafado pelos soluços que acompanhavam as lágrimas dolorosas que já banhavam o rosto e faziam os olhos arder.

10:20 P.M

- Droga, YunHo... Por que você não me atende?!

Jaejoong arremessou o sem-fio na parede após a vigésima chamada não atendida. Chorava compulsivamente, agora, deitado no sofá e agarrado a uma almofada. Em poucos minutos se levantou, pegou as chaves do próprio carro e saiu por Seul a procura de YunHo. A cidade estava aparentemente calma e bem menos movimentada do que ele esperava. Jae continuou tentando falar com o namorado pelo celular, mas ele não atendia a nenhuma ligação. Num instante de distração, derrubou o aparelho e se abaixou para pegá-lo. Apenas alguns segundos foram o suficiente para que Jaejoong perdesse o controle do carro ao se levantar e ver que estava na contramão, indo de encontro a outro veículo que vinha na direção oposta. Tentando desviar dele, acabou por bater com tudo num poste. Com o choque, a cabeça bateu no vidro a seu lado, e o sangue começava a escorrer pela lateral de seu rosto. Estava absolutamente inconsciente

10:50 P.M

YunHo estava dando uma volta por um Parque em Seul quando recebeu um alerta de mensagem no celular. Será que Jae tinha desistido das ligações e resolvido mandar uma mensagem? Tirou o aparelho do bolso e leu o torpedo. Não era de Jae, mas de Yoochun, e pedia que YunHo telefonasse para ele com urgência, o que ele fez imediatamente.

- Yoochun, o que aconteceu? Por que a urgência?

O líder do grupo sentiu o chão sumir quando o amigo disse que estava no hospital com Jaejoong, pois este havia sofrido um acidente. As perguntas que se seguiram eram óbvias. "O que aconteceu? Quando? Em que hospital ele está?" Sentindo o coração apertado, YunHo correu para o hospital. Ao chegar, Yoochun o interceptou e o levou para onde se encontravam os outros. Queria saber de todos os detalhes possíveis.

- Hyung! – Junsu chamou ao vê-lo. YunHo se aproximou, nitidamente ansioso.

- Cadê ele? Como ele está? O que aconteceu com ele?

- Fica calmo, YunHo... Ainda estão fazendo exames nele. – Chunnie pôs a mão no ombro do mais velho, tentando acalmá-lo, inutilmente.

- Como vou me acalmar sabendo que ele está ferido, Yoochun?! – Deu um tapa na mão dele, afastando-a.

- Não adianta ficar assim, hyung... Jaejoong é forte, ele vai ficar bem. – Changmin também estava preocupado, como todos, mas sabia que, muito mais que todos os outros, YunHo era quem mais sofreria com isso.

- Eu... Eu quero vê-lo... Eu preciso vê-lo! Onde ele está?! – o olhar de Yun percorria os rostos dos companheiros de grupo, procurando uma resposta em qualquer um deles, a qual não teve.

- N-nós não sabemos, hyung... Tudo que sabemos é que ele ainda está sendo examinado.

O moreno teria invadido o hospital se não tivesse sido contido pelos amigos. Sim, ele se culpava. Nunca seria capaz de perdoar-se por aquilo, e não agüentaria se algo ainda mais grave acontecesse. Ele sequer pensava em tal possibilidade. Preferia morrer a perder Jaejoong daquela forma. Forçado a sentar e ficar quieto, amparado por Yoochun, entregou-se às lágrimas que já beiravam seus olhos há tempos, e que agora vinham com força, queimando o corpo de dentro para fora.

11:25 P.M

Um médico se aproximou do grupo e YunHo se levantou imediatamente ao notar sua presença, cheio de expectativas e preocupações.

- Tem notícias do Jaejoong, Doutor? É grave?

- Acalme-se, rapaz. O Sr. Kim Jaejoong sofreu um acidente de carro. Teve uma lesão com corte na cabeça, mas não corre risco de morte e nem outras seqüelas. Ele teve sorte de estar usando o cinto de segurança, isto evitou uma tragédia maior. Ele perdeu bastante sangue, mas isso também não o afetou muito. Ele ficará bem. Fora isso, o Sr. Kim só tem alguns arranhões por causa dos estilhaços dos vidros e uma pequena luxação no tornozelo direito. Ah! Nós tivemos de lhe dar sedativos também. Ele estava muito agitado e chamava por... "Yunnie" o tempo todo.

- É... É como ele me chama. Eu... Posso vê-lo?

- Sim, ele já foi levado para o quarto. O número é... – Foi conferir na ficha – 303. Apenas tome cuidado, por favor. Não seria bom ficar agitado como estava antes.

Ao ouvir aquilo, YunHo hesitou um pouco. Será que deveria ir lá? E se Jae acordasse e não quisesse vê-lo? A agitação poderia ser prejudicial...

Vendo que o amigo ainda estava inquieto, Yoochun se aproximou um pouco mais dele.

- Vá, hyung... Jae vai gostar de te ver quando acordar. Afinal, ele estava chamando por você, certo? E, bem... É de você que ele mais precisa, agora. Se precisar de algo, estaremos aqui.

O moreno virou-se para todos ao ouvi-lo. Estava emocionado com o apoio que recebia. Não saberia como agradecer tudo aquilo.

- O-obrigado, Chun... Mas, agora eu só preciso que Jae fique bem. Vocês podem ir para casa descansar, eu fico aqui com ele.

- Tem certeza, hyung? Não me importo de ficar também... – Junsu se ofereceu, dando um passo à frente.

- Sim, Junsu. Eu quero ficar com Jae. Por favor, vão para casa e durmam um pouco, já está tarde. Obrigado por virem aqui e por tudo que fizeram.

- Não nos agradeça por isso, Yun. E avise se precisar de algo, certo? – Chunnie se despediu e saiu com os outros dois enquanto YunHo seguia para o quarto de Jae, acompanhado pelo médico.

O moreno entrou ali a passos lentos. Ao ver o amado naquela cama de hospital, não conteve o impulso de chorar novamente, ainda que em silêncio. Felizmente Jae não precisava usar toda aquela aparelhagem hospitalar: vê-lo daquela forma seria ainda mais deprimente. A única coisa conectada a seu corpo era uma bolsa de soro e o monitor de batimentos cardíacos.

Havia uma cadeira ao lado da cama, que YunHo puxou para mais perto desta e sentou-se, segurando a mão delicada de seu namorado.

- Me perdoa, Jae... Por favor, me perdoa por ter deixado meu orgulho me dominar. Eu não queria que tivéssemos discutido daquela forma, e eu não quero perdê-lo. Acorda, meu amor, por favor... Eu preciso de você ao meu lado!

De tanto ficar ali entre choros e carícias que talvez Jaejoong nem mesmo pudesse sentir, YunHo acabou adormecendo.

#Flashback Off#

Já estava amanhecendo quando Jaejoong abriu os olhos. YunHo debruçado sobre ele, fazendo um leve peso em seu abdômen. Olhou em volta e reconheceu ser um quarto de hospital. Aos poucos, as lembranças da noite anterior foram voltando ao pensamento: havia saído para procurar o namorado quando deixou o celular cair dentro do carro e... A batida. Sim, agora ele se lembrava de tudo. Sentia uma dor incômoda na cabeça e no pé direito, mas sentiu-se muito mais incomodado por perceber os vestígios de lágrimas no rosto de seu amado.

- Yunnie... – Sussurrou. Estava mais desperto ao notar que o outro segurava-lhe a mão, mesmo dormindo. Com a outra, passou a acariciar levemente os cabelos do maior, olhando-o com um misto de remorso e outro sentimento que ele não conseguia definir.

YunHo encolheu-se um pouco ao sentir o toque do menor, por mais sutil que este fosse. Assim, Jaejoong recolheu a mão e ficou olhando o moreno, que abria os olhos. Ainda um tanto atônito, ajeitou-se na cadeira e fitou o rosto de Jae, que o encarava. As lágrimas voltaram imediatamente aos seus olhos, mas desta vez, por alívio.

Jaejoong desviou o olhar imediatamente ao notar os de Yun marejados, aproveitando para fazê-lo soltar a mão que ainda segurava, fingindo precisar dela para ajeitar os cabelos.

- Há quanto tempo está aí? – Jae perguntou, tentando parecer frio.

- Uhn... Bastante. Desde que me disseram que já podia te ver. – a voz de Yun saiu baixa, quase um sussurro torturado.

- Hm. Não precisava se esforçar tanto.

- Jaejoong, eu... – suspirou e desistiu de argumentar – C-como está se sentindo? Sua cabeça dói muito?

- Eu estou bem, não precisa se preocupar, YunHo. Aliás, já pode ir para casa.

- Eu não vou te deixar aqui, Jae. Só vou embora quando puder levar você.

- Há! Por que se importar? Eu não vou estar sozinho aqui. Há médicos e enfermeiras o bastante para cuidar de mim.

- Jaejoong, por favor... Por favor, meu amor, não faça isso. Você não sabe o quanto lamento por tudo que aconteceu. – estendeu a mão para tocar o rosto do menor, que a afastou com um leve tapa.

- Não me importo.

- Jae... Olhe para mim, por favor. Ouça... – insistiu em tocá-lo e segurou-lhe o queixo, fazendo que o olhasse. – Eu sinto muito por tudo isso. Por tê-lo deixado sozinho, por ter sido intransigente e ter causado aquela discussão sem sentido, e principalmente por você estar aqui, nesta cama de hospital. É minha culpa... Por favor, me perdoe por isso, meu amor. Sei que não mereço, mas, mesmo assim... Por favor, me perdoe...

Jaejoong ficou confuso por um instante. Apesar de querer distância de YunHo, não queria que o amado se culpasse por tudo. Sabia que tinha sua parcela de culpa e não queria vê-lo se torturar daquela forma, especialmente pelo acidente.

Aproveitando-se da falta de reação do outro, Yun foi lentamente acariciando o rosto de Jae e aproximou-se um pouco mais, debruçando-se sobre ele na intenção de fazer seus lábios se encontrarem. Exatamente no mesmo instante, o médico que estava cuidando de Jae adentrou ao local, fazendo que YunHo recuasse imediatamente e se levantasse, afastando-se da cama.

- Bom dia, cavalheiros. Sr. Kim, como está se sentindo? – o médico sorriu cordialmente olhando de Yun para Jae e esperando uma resposta dele.

- Estou... Bem melhor, Doutor, obrigado.

- Ah... Fico feliz em ouvir isso. Como está sua cabeça?

- Dói um pouco, mas nada demais. Na verdade... Só dói se tocar.

O médico aproximou-se e YunHo lhe deu passagem, afastando-se mais enquanto Jae era examinado novamente. Ansioso, o moreno acompanhava cada movimento com o olhar, suspirando aliviado, mais uma vez, quando o médico anunciou o diagnóstico.

- Pelo quadro que apresenta, não vejo mais motivo para mantê-lo aqui, Sr. Kim. Não há nada errado com sua cabeça e seu tornozelo está bem também. Apenas mantenha-o imobilizado e logo estará totalmente recuperado. Se sentir muitas dores, pode tomar um analgésico. Não precisa de nada além disso. Qualquer coisa, volte ao hospital, certo?

Jae assentiu e abaixou a cabeça, evitando olhar Yun ainda.

- O senhor quer que mande chamar um taxi ou já tem carona para casa, Sr. Kim?

- Ah, eu gostaria—

- Eu vou levá-lo. – YunHo interrompeu. – Obrigado, Doutor, mas estou de carro. Eu mesmo vou levá-lo para casa.

- Certo. Tomem cuidado na estrada e, cuide-se, Sr. Kim. – o médico sorriu, simpático, e saiu, ao que Jae desviou sua atenção para o moreno, agora diante de si.

- Não precisa me levar, YunHo. Eu posso ir sozinho para o meu apartamento. Só preciso que chamem um taxi.

- E quem disse que vou te levar ao seu apartamento?

- Não? E vai me levar para onde?! YunHo, eu quero ir para casa!

- Não vou te deixar sozinho no seu apartamento, Jae. Como você vai se virar lá se mal pode andar? Ouviu o médico dizer que tem de ficar com o pé imobilizado. E... Eu gosto de ter um namorado vivo, sabe?

-... Pensei que você queria procurar outra companhia. – Jae sussurrou, voltando a abaixar a cabeça na tentativa de esconder seus olhos marejados.

Yun sentiu seu coração apertar ao ouvir aquelas palavras e lembrar-se na íntegra da discussão que antecedera o acidente de Jae. Sentiu-se ainda mais culpado por aquilo ainda estar afetando-o daquela forma. Assim, sentou-se na beira da cama e levou a mão ao rosto do amado, acariciando delicadamente.

- Eu não poderia fazer isso. Depois de quatro anos juntos, acha que seria fácil substituí-lo, Joongie? Me desculpe... Eu sei que disse aquilo, mas... Só fiquei com raiva, talvez chocado por você ter sugerido que eu fizesse tal coisa. A verdade é que seria impossível, meu amor. Eu o amo muito mais do que imagina. Mais até do que eu mesmo compreendo. Não há no mundo nem uma única pessoa capaz de se igualar a você, ou mais, capaz de me fazer esquecê-lo. Jae, a mínima possibilidade de te perder me faz enlouquecer, literalmente. Eu não posso, e não quero, ficar sem você. Eu te amo, Jaejoong.

Mais uma vez o silêncio pairou no ambiente. Jae ficou absolutamente sem reação, hipnotizado e dominado pela sinceridade evidente nas palavras do outro. Não havia como duvidar do que ele dizia, usando aquele tom de voz baixo e firme que expunha por completo seus sentimentos. Sem interrupções desta vez, YunHo selou os lábios do amado gentilmente, não se demorando muito nisto.

- Agora, vamos... Você precisa se trocar antes de irmos.

- Sim, mas... Minhas roupas... Devem estar sujas de sangue, no mínimo...

- Eu sei, meu amor. Não se preocupe, Chunnie deixou algumas roupas para você. Mesmo depois de eu mandá-los para casa, ele voltou aqui apenas para deixar a mochila.

YunHo sorriu discretamente, acompanhado por Jaejoong.

- Yoochun... Tenho de agradecê-lo por isso.

- Sim. E eu, muito mais. Mas, agora vamos... – disse já pegando as coisas dentro da mochila deixada por Yoochun, preparando-as para Jae vestir.

:: ★ ::

Yun lançou um rápido olhar a Jae antes de sair do carro, na garagem de seu prédio. Deu a volta e abriu a porta do carona, abaixando-se junto ao banco, de costas para ele.

- Vamos, Joongie, suba.

- Q-que?! Eu não vou subir nas suas costas, YunHo! – cruzou os braços e fez um bico, inflando as bochechas. Yun suspirou e virou-se para olhá-lo, achando graça naquilo, mas sem demonstrar na expressão séria.

- Posso te carregar como uma princesa, se preferir. Estou dando a opção de vir nas minhas costas, Jae. Mas se você não quiser...

- Prefiro andar, obrigado.

- Pode me dizer como, Sr. Kim Jaejoong? Você dispensou as muletas, lembra? E está proibido de pôr este pé no chão até que esteja recuperado. Então, vai caminhar num pé só até o apartamento?

- E-eu...! Argh! – Jae bufou e se ajeitou para que Yun o pegasse, ficando como uma mochila nas costas do maior, que sorriu vitorioso.

Nenhuma palavra foi dita em todo o trajeto até o apartamento no vigésimo primeiro andar. Yun carregou o namorado facilmente até o quarto, depositando-o na cama como uma carga delicada. Tratou de ajeitar cuidadosamente um travesseiro sob o pé direito dele, e atrás de suas costas, apoiando-o confortavelmente, e então sentou-se ao lado dele, olhando-o.

- Está bem assim, Jae?

- Sim, obrigado...

- Precisa de algo mais, meu amor? – Yun sorria docemente, pegando uma das mãos de Jaejoong e levando-a aos lábios, depositando um beijo sutil ali.

O menor então fitou o rosto do moreno, atendo-se a cada detalhe. YunHo parecia cansado, provavelmente por ter dormido mal. Aliás, esta era uma suposição óbvia, dado o fato de como o havia visto dormir: debruçado sobre ele na cama e absolutamente desconfortável naquela maldita cadeira do hospital. Reparou nas marcas arroxeadas ao redor dos olhos. Olheiras discretas marcando a região. Mordeu o lábio inferior antes de respondê-lo.

- Você não dormiu nada, né, Yunnie...? Eu estou bem, aqui. Por favor, descanse um pouco...

- Ah, não se preocupe... Eu devo ter cochilado um pouco no hospital, não estou com sono. – Yun sorriu doce, fechando os olhos ao ter o rosto tocado e acariciado por Jae.

- Mesmo assim. Você parece cansado... Tome um banho e descanse um pouco, por favor. Eu não vou fugir enquanto você estiver no banheiro, prometo. – Jae riu baixo, acompanhado do moreno.

- Claro, como se você pudesse fugir, não é?

- Não duvide da minha capacidade, YunHo! – O menor mostrou a língua, ainda rindo. – Só, por favor... Não demore muito.

- Tudo bem... Serei rápido, prometo. – Yun selou os lábios do namorado e se afastou, pegando umas roupas no closet antes de entrar no banheiro.

:: ★ ::

- Demorei, meu amor? – o moreno perguntou ao sentar-se ao lado de seu amado, exalando aquele cheiro gostoso de banho recém-tomado.

- Hm, não... Eu acabei me distraindo aqui, pensando um pouco.

Jae sorriu e fez um leve bico, pedindo um beijo ao namorado, que não demorou em atendê-lo e beijou-o docemente. Ambos sentiam falta daquele contato, ansiavam um pelo outro como quem estava distante há semanas. Em meio a uma gostosa troca de carícias, ambos adormeceram e acabaram passando o dia inteiro na cama, em sono profundo.

Por estar relativamente mais descansado, Jaejoong foi o primeiro a acordar. Assim, ficou velando o sono do amado por alguns minutos, até que este despertasse também, sorrindo e aninhando o menor em seu peito, cuidando que ele não se movesse demais por causa do tornozelo machucado.

- Quanto tempo você pretendia me ver dormir, Joongie?

- Hmm... Não sei. Talvez o bastante para você acordar e me fazer essa pergunta.

Ambos riram enquanto Yun se espreguiçava e logo voltava a envolver o menor em seus braços fortes, acariciando-lhe dos cabelos ao rosto, sutilmente.

- Não sei o que há de tão interessante em me ver dormir.

- Bem, você fica com uma expressão calma enquanto dorme, Yunnie. Fica tão... Sereno. Tão lindo... Não que não seja lindo acordado. – Jae riu, fazendo YunHo corar levemente.

Sem ter uma resposta para o menor, Yun apenas levou seus lábios de encontro aos dele, beijando-o com doçura e intensidade ao mesmo tempo, deixando que seu corpo o sentisse por inteiro ali, em vez de ser um contato apenas superficial. Jae correspondeu da mesma forma, entregando-se àquele momento inteiramente. Mesmo sendo apenas um beijo, era um momento íntimo e único onde ambos eram um do outro, independente do que estivesse acontecendo à sua volta.

Ao fim do beijo, Jaejoong lembrou-se das aquisições do dia anterior.

- Yunnie... Abre a gaveta... – apontou uma cômoda ao lado da cama.

O maior sorriu e foi até o local indicado, colocando os dedos na primeira gaveta.

- Essa?

- Não. Duas abaixo.

- Ok. E agora?

- Me dá esse pacote maior, por favor.

YunHo pegou o pacote, e levou-o ao namorado.

- Aqui. – Fez menção de entregar, mas Jae interrompeu.

- Para você. Parabéns, atrasado.

Yun sorriu e olhou o pacote, abrindo-o lentamente. De lá, retirou uma caixa com o símbolo Rolex, e dentro brilhava um exemplar de Platina. O maior retirou-o, delicadamente, e o testou. "Encaixou" perfeitamente em seu pulso, como se tivesse sido feito sob medida.

- Obrigado, meu amor. É lindo, mas... Meu Deus, Joongie. Como conseguiu este? Ouvi dizer que era edição limitada, nem sequer fabricaram muitos deste modelo!

- Não acha que vou te contar, não é? – Jaejoong deu uma piscadinha, sorrindo como uma criança que havia aprontado. – Sei o quanto você o queria, o resto não importa. Fico feliz que tenha gostado, meu Yunnie.

- Impossível não gostar, meu amor. Obrigado, mesmo... – Um selinho e um sorriso sucederam o presente recebido. – Mas, hm... O seu presente...

- Não acredito que você esqueceu, de novo. – Jae emburrou um pouco.

- Não fale do que não sabe, querido. Eu só preciso de um pouco de coragem...

- Coragem? Coragem para que, YunHo?

YunHo riu da curiosidade estampada no rosto do amado, que deu-lhe alguns tapas no braço e ombro, brincando.

- Ah, Yunnie! Por favor, me diga!

- Calma, Jae... Um minuto, por favor. Eu não funciono sob pressão, você sabe. – ainda ria, mas estava visivelmente nervoso, agora. Até um pouco trêmulo. Claro que Jae notaria isso.

- Yun...? Você está... Tremendo? Amor, está tudo bem? – o menor segurou-lhe as mãos, ao que o moreno assentiu e mordeu o próprio lábio inferior, respirando profundamente.

- Eu estou bem, Jae, não se preocupe. Só... Me dê um minuto, hm?

O maior levantou-se novamente e foi ao closet, demorando-se alguns minutos. Ao voltar, ajudou Jae a sentar-se confortavelmente na cama e fitou-lhe os olhos em silêncio por longos instantes. Inspirando o máximo de oxigênio possível, tirou do bolso do moletom uma caixinha de veludo vermelha e revelou dentro dela um par de alianças douradas, quebrando o silêncio ao pronunciar as palavras que Jaejoong esperou anos para ouvir:

Kim Jaejoong.
Quer se casar comigo?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!