I Love...
6 Capítulo 6
Notas iniciais
A semana se passou rapidamente, não para um certo rapaz que não se aguentava de tanta ansiedade para o tão esperado dia de seu noivado com a mulher de sua vida.
Na mansão dos Napoleão, os preparativos para o noivado entre Ferdinando e Gina já estava a todo vapor. Amância estava na cozinha junto com sua filha Rosinha preparando um delicioso leitão a pururuca, arroz, farofa de ovo e legumes no vapor. Já Catarina auxiliada pela doce Pituca, que fazia questão em colaborar na decoração da casa para a recepção da família da futura cunhada.
Enquanto isso, Epaminondas e Ferdinando estavam no escritório do senhor conversando.
_ Quem diria Nandinho que daqui a algumas horas você estará noivo. Vossa mãe iria adorar lhe ver noivo da filha da melhor amiga dela. Você sabia que foi ela quem teve essa ideia de lhe comprometer com a Gina?
_ Sério meu pai?!
_ Sim filho. Sua mãe ajudou a dona Teresa no parto da Gina, pois a menina era difícil até pra nascer, então como melhor amiga da dona Tê sua mãe foi autorizada por mãe Benta a ajudar no parto que era difícil. Quando a menina nasceu e ela a pegou no colo, ela percebeu que a menina era forte e chorosa, e quando vossa mãe a segurou a menina se aquetou e a olhou profundamente. Nesse momento, vossa mãe me contou que naquele momento ela sentiu o que ela havia sentido o mesmo que sentiu quando havia colocado você nos braços dela pela primeira vez, ela disse também que sentiu por aquela menina o mesmo amor, um amor de mãe. Então quando ela desceu do quarto e pediu que o Pedro fosse ver a filha, ela pediu que eu ficasse e então começou a me contar tudo isso e me pediu que eu já lhe comprometesse logo com a Gina antes que alguém fizesse isso, pois essas coisas a gente combina depois de anos, mas sua mãe me fez jurar fazer isso ainda naquela noite. Não é por menos que a sua mãe sempre gostou dessa menina e a Gina também sempre foi muito apegada a sua mãe, ela vinha aqui com a mãe para brincar com você, mas passava mais tempo junto de sua mãe do que propriamente brincando com você, mas o bom foi que você sempre se deu bem com ela, eu só não entendi o porquê de você do nada de repente chegar em casa um dia e me dizer que aceitava estudar fora só para ficar longe da Gina pois havia a feito sofrer.
_ Isso não importa mais meu pai. Mas eu não sabia que minha mãe foi a responsável por me fazer hoje o homem mais feliz do mundo. Ela realmente era uma mulher muito especial e sempre soube o que era e seria bom pra mim, eu sinto tanto a falta dela, não que eu não goste da Catarina, mas minha mãe mesmo hoje depois de morta é a responsável por me proporcionar o melhor, escolhendo pra mim a melhor mulher pra passar o resto da vida comigo, eu sempre gostei muito da Gina, mas agora, sabendo que até mesmo minha mãe aprovaria nossa união eu a amo mais ainda meu pai. Muito obrigado por me dizer sobre esse desejo da minha mãe, por me fazer ter mais certeza daquilo que estou prestes a fazer.
_ Nada filho. Sua mãe iria gostar que você soubesse disso.
Ferdinando se levantou da cadeira que estava sentado e foi em direção a pai para abraça-lo. Os olhos dos dois já estavam inundados por lágrimas pelas lembranças da primeira esposa de Epaminondas, que embora amasse Catarina, sentia falta também de sua primeira esposa, que lhe dera um filho homem que tanto lhe orgulhava.
*
Na casa dos Falcão, Gina estava em alvoroço pois dona Tê e Juliana não saiam do seu pé porque querem que ela vista o belo vestido que haviam comprado para a grande noite de seu noivado.
_ Eu já disse que não vou colocar vestido nenhum, muito menos para um noivado que nem deveria estar acontecendo!
_ Você vai usar e pronto menina. Você tem que honrar a palavra do seu pai e você vai fazer isso bem bonita! Dizia dona Tê já sem paciência.
_ Mãe, deixa que eu converso com ela, você já está muito nervosa. Vai lá embaixo, faz um chazinho para a gente. Dizia Juliana tentando acalmar os ânimos.
_ Tá certo. Mas se quando chegar a hora de irmos para a casa dos Napoleão e essa menina não estiver bem bonita, eu sou capaz de levar ela do jeitinho que ela estiver, e ainda vai chegar mais descabelada pois irei arrastando ela pelos cabelos.
_ Você não tem corajem de fazer isso! Disse Gina provocando a mãe.
_ Chega vocês duas!! Grita Juliana. _ Mãe, vá logo fazer esse chá!
_ Tá. Mas você Gina, já está avisada. Disse dona Tê antes de se retirar.
_ Pronto Gina, vamos conversar.
_ Ah não Juliana, não venha me encher igual a nossa mãe.
_ Mas eu não falei nada, só pedi para conversarmos.
_ Mas eu já sei o que você quer e eu já digo que a resposta é nãoo. Eu já estou fazendo muito em aceitar em me casar com esse sem vergonha.
_ Você quer me escutar?
_ Está bem, fala logo e depois me deixa em paz.
_ Obrigada. Gina, lembra que você me contou que o pai te obrigou a casar com o Nando?
_ Sim. Mas o que isso tem a ver, que eu saiba eu aceitei a me casar com esse infeliz.
_ Claro. Mas o que eu quero te fazer entender é que não precisava que o nosso pai lhe obrigasse a nada, pois eu sei que você iria aceitar por livre e espontânea vontade.
_ Você só pode ter ficado maluca em achar isso!
_ Vou te provar que o que digo é verdade. Lembra-se de quando nós éramos crianças? E que você não via a hora em que nossa mãe nos chamasse para irmos à casa dos Napoleão?
_ E o que isso tem a ver com esse bendito noivado?
_ Vou chegar lá, espere. Você ficava toda feliz, pulava e tudo mais. Aí nós chegávamos lá e nossa mãe nos deixava brincando com o Nando, aí você dava um jeito de sair e me deixar brincando sozinha junto com o Nando e o Zelão, mas o fato é que você nos deixava sozinhos para ficar no pé da tia Ana, a primeira esposa do Governador Epaminondas.
Gina não aguentou, percebeu uma lágrima escorrer por seu rosto em lembrar-se da mãe de Ferdinando que sempre lhe tratou como uma filha.
_ Eu sei que você sempre gostou muito dela. Mas você se lembra de quem ela é mãe?
Gina nada respondeu, pois estava escutando cada palavra da irmã que a deixava cada vez mais emocionada ao lembrar-se da senhora na qual era bastante apegada.
_ Pois se você não sabe, ela é a mãe do Nando e acho que ela ficaria muito feliz em lhe ver noiva dele hoje e acho também que ela faria questão em lhe ver a mulher mais linda daquela sala de jantar em que estaremos.
Gina finalmente conseguiu pronunciar-se, depois de enxugar suas lágrimas, declarou:
_ Eu adorava a tia Ana, ela me tratava tão bem.
_ Então Gina, faça ela feliz, coloque esse vestido, deixe que eu te penteie e faça uma bela maquiagem para que você vá a seu noivado com o filho dela o Ferdinando?
_ Mas como eu vou fazê-la feliz, se ela está morta?
_ O negócio é o seguinte, imagina que a tia Ana estivesse viva e que ela estivesse toda feliz em unir o filho dela com você, alguém que ela sempre gostou. Imagina ela te vendo chegar à casa dela toda bonita, elegante com esse vestido vermelho longo, com pequenos detalhes no busto, com uma maquiagem simples, mas perfeita em sua simplicidade, imagine a felicidade dela.
_ Eu gostava demais dela, mas hoje eu não gosto nem um pouco do filho dele, e eu já falei para o nosso pai que não deixarei que ele encoste sequer um dedo em mim.
_ Gina, eu só quero que você reflita e pense naquela pessoa que sempre te deu carinho e amor e que hoje não está mais aqui para lhe dizer o que sente, mas acho que ela gostaria em lhe ver junto ao filho dela, nem que seja só junto, sem nada a mais, nem que seja só amigos. Você já pensou que vocês podem se casar apenas para a sociedade? Que são você quem devem decidir sobre o casamento? Você pode colaborar, vai evitar que o pai e a mãe lhe recriminem por algo de ruim que você fale ou faça contra o Nando, daí depois do casamento é com vocês, ninguém poderá se intrometer. Eu agora quero apenas que você pense na felicidade que a tia Ana sentiria se você chegasse na casa dela toda bonita para ficar noiva do filho dela.
_ Está bem Juliana, eu aceito que você me arrume bem bonita, mas isso é pela tia Ana e é apenas por ela que eu irei fazer isso, fique você sabendo.
_ Obaa!! Tudo bem minha irmã, que bom que você aceitou! Não irá se arrepender.
*
A noite enfim chegou e a família Falcão já estava toda arrumada, mas faltava para Pedro e Teresa saberem se Gina havia aceitado se deixar arrumar para noivado. Foi então que Juliana do final da escada anuncia a aparição da irmã.
_ Família! E com um enorme prazer que eu vos apresento a senhorita Regina Falcão, futura Napoleão!
Os pais para o final da escada para ver o resultado. Porém Gina ao ouvir o final da frase da irmã, ficou com raiva e decidiu descer de uma vez a escada.
_ Ah, vamos parar com essa palhaçada e vamos logo para esse jantar!
_ Minha filha, você está linda! Exclamou Pedro Falcão.
_ É mesmo pai. Nossa está mesmo muito linda!
_ Vocês, por favor, parem de perturbação e vamos logo! Disse Gina já na porta de casa.
_ É mesmo meus pais, é melhor não contrariar muito, vai que ela decide desistir. Disse Juliana concordando com a irmã.
_ Minha filha, como você conseguiu esse milagre? Perguntava dona Tê.
_ Ah mãe, ela sempre me escuta.
_ As duas mexiriqueiras podem se apreçar fazendo favor, porque quero acabar logo com tudo isso. Dizia já entediada.
Então a família Falcão rumou à mansão dos Napoleão.
*
Enquanto isso, a família de Ferdinando já estava a espera da noiva e de toda a sua família para que dessem início do jantar de noivado.
_ Eu estou bem meu pai?
_ Claro meu filho, você já é lindo como seu pai.
_ Sei... Cadê os Falcão que não chegam lago?
_ Eles já devem estar chegando, fique calmo.
_ Isso mesmo Ferdinando, escute seu pai, pra que dessa pressa toda?
_ É porque eu quero que chegue logo a hora em que darei o primeiro passo para fazer da Gina a mulher da minha vida.
TOC TOC
_ Olha, deve ser eles! Amância abra logo essa porta!
_ Já estou indo patrão!
Quando Amância abriu a porta, os donos da casa só puderam ver Juliana, dona Tê e Pedro Falcão. Ferdinando podia jurar que seu coração havia parado no momento em que não viu Gina à sua porta, não queria saber escutar sobre uma possível desistência. Mas no momento em que Pedro deu o primeiro passo para entrar na mansão ele pode perceber o aquele cabelo avermelhado que tanto amava atrás do patriarca da família de cabeça abaixada. E nesse momento, sentiu que seu coração voltara a bater com tanta força que acreditaria que morreria de ataque cardíaco de tanto que o coração pulava em peito ao vê-la.
Todos àquela sala ficaram de boca aberta ao ver como Gina estava bela em sua simplicidade.
Pedro chegou perto de Epaminondas e lhe estendeu a mão para cumprimenta-lo, mas o dono da casa estava impressionado com a nora que nem percebeu o cumprimento.
_ Amigo Epaminondas! Chamava Pedro.
_ Ah... oi amigo Pedro. Entre e fique a vontade. Disse Epaminondas cumprimentando Pedro com um aperto de mão.
Juliana e dona Tê também entraram na mansão contentes. Juliana ao entrar na sala percebeu m rapaz forte atrás da porta de entrada, este que a encarava atentamente com um olhar de carinho e ela de imediato desviou o olhar do rapaz, mas durante todo o jantar continuaria a encará-lo como se já o conhecesse.
Por fim, foi a vez de Gina entrar à mansão e decidiu permanecer com a cabeça baixa para mostrar todo seu forçado desagrado em toda a situação, mas também não queria olhar para o certo em que estava comprometida, para evitar que fizesse algo que achasse que não deveria. Mas tudo isso foi em vão quando Ferdinando se aproximou, pegou em sua mão e a levou em direção sua boca para beijá-la em comprimento. Gina sentiu uma corrente elétrica estremecer todo seu corpo durante os poucos segundos em que Ferdinando permaneceu com sua mão próxima a sua boca. Ferdinando percebeu a reação que causou nela no momento em que ela puxou a mão rapidamente, e quando a olhou nos olhos pode perceber também as bochechas rubras, quase iguais ao cabelo. Ferdinando então deu um singelo sorriso para a amada. Os dois se encaravam, Gina tentavam permanecer durona e Ferdinando apenas admirava a futura esposa de cima a baixo, porém sua madrasta o interrompera ao comunicar.
_ O jantar já está servido!
Todos foram para a mesa de jantar preparada e arrumada, então todos se organizaram de forma que deixasse Ferdinando ao lado da amada. Então o próprio deu início ao noivado.
_ Bom, antes de tudo gostaria de falar a vocês presentes nessa noite tão para mim em especial, pois hoje ficarei noivo da mulher que amei desde sempre. Dizia Ferdinando já com lágrimas nos olhos, encarando cada um dos presentes naquela mesa, então ele virou-se a sua amada, a olhou nos olhos e então retirou a caixinha em que estavam as alianças de noivado. _ Gina, entrego a você o símbolo mais perfeito do amor que sinto por você, e quero que cada vez que você olhar para esses detalhes num azul brilhante que eu mandei colocar em nossas alianças ao lado dos detalhes em vermelho já existentes na alianças, quero que lembre que esses olhos azuis brilhantes que te olham não conseguem ficar longe desses cabelos avermelhados que incendeiam meu coração cada vez que a vejo. Por isso Gina, eu lhe coloco esta aliança que expressa perfeitamente o amor que sinto por você e que eu sei que você também sente por mim. Dizia Ferdinando não segurando as lágrimas, chegou perto de sua agora oficialmente, noiva, lhe dando um singelo beijo na bochecha avermelhada. Gina novamente não controlou suas reações e sentiu seu corpo todo se arrepiar com o carinho do noivo.
Ferdinando lhe entregou a aliança que ela lhe daria, ela apenas a colocou a aliança no dedo de Ferdinando sem dizer uma só palavra.
Ferdinando entendia o desconforto da noiva, então resolveu fazer o brinde.
_ Um brinde a nossa união e ao nosso amor.
Todos, inclusive Gina que levantou sua taça timidamente, brindaram ao brinde feito por Ferdinando. E o jantar ocorreu tranquilamente.
Ao fim da noite, depois de algumas conversas sobre política dos patriarcas, das risadas escandalosas das madames depois de algum trocadilho dos senhores e das trocas de olhares tanto dos agora noivos Gina e Ferdinando, quanto também de Juliana e do segurança que também já não disfarçava seus olhares para ela, que já desconfiada perguntou disfarçadamente ao cunhado de quem se tratava o segurança e fora surpreendida ao saber que se tratava do antigo amigo de infância.
Enfim, era chegada a hora da despedida, esta que ocorreu sem grandes emoções, pois Ferdinando já havia ficar bastante envergonhada e na despedida apenas a cumprimentou da mesma forma de sua chegada, desta maneira na qual ela já estava preparada.
Juliana que antes decidiu também se despedir do amigo que estava a trabalho.
_ Até mais vez Zelão.
Neste momento Zelão não acreditava no que estava ouvindo, achou que fosse um sonho, tanto que não conseguiu nem responder a despedida e ali ele ficou pensando em seu amor proibido.
Ferdinando também passou seu final de noite com um sorriso de orelha a orelha de tanta felicidade.
*
Durante a volta para casa Gina olhava aquela aliança e se lembrava das palavras pronunciadas pelo noivo, e de repente fora interrompida de seus pensamentos pela irmã que a observava olhando atentamente para a aliança símbolo do seu amor em segredo por Ferdinando, pois deveria resistir firmemente em sua palavra, porque era uma mulher de palavra.
_ Gina, eu sabia que você iria gostar quando estivesse com essa aliança.
_ E quem te disse que eu gostei dela?!
_ Ninguém, eu estou vendo.
_ Pois você deve é estar com tanto sono que até já esta imaginando coisas.
_ Tá bom, tá bom, não está mais aqui quem falou.
_ Acho bom.
E assim, a família chegou a sua casa e foram logo para seus quartos descansar depois desse longo dia.
Gina admirava sua aliança em silêncio, de costas para a irmã quando pegou no sono depois de ficar longos minutos olhando sua aliança e lembrando de tudo que havia acontecido no jantar de noivado.
Fale com o autor