Notas iniciais
Se no primeiro capitulo acharem o nome: Laruel, desculpem, e que a principio o nome da protagonista era esse, mas agora e Miranda.

O Sonho

Miranda Mantovani percebeu que acreditar nas historinhas de fadas e princesas não passa de um desejo de viver em mundo ilusório, um mundo sem dor, sem perdas e sem brócolis. Mas ela encarou uma dura verdade, a vida real não é um conto de fadas, e essa não é uma história sobre seguir em frente sem descobrir o que aconteceu atrás.

∞

Miranda não era do tipo que gostava de mergulhar em água fria, mas naquela hora não hesitava nem por um segundo. Seus longos cabelos castanho-escuros ficavam mais claros quando o sol batia neles, o que lembrou a ela que não tinha passado protetor solar, mas deixou pra lá. Estava com seus pais em uma cachoeira na floresta perto da cidade. Seu pai, Jonathan, lhe contara que e sua esposa, Isabel, mãe de Miranda, costumavam ir pra lá. Miranda não gostava de cachoeiras, nem de sair de casa, que era onde queria estar, lendo um livro ou passando trotes nos vizinhos. Adorava quando Piper e ela tramavam terríveis brincadeiras, uma vez fizeram uma bomba de fumaça no aniversário do primo de Miranda, Mike. Eram tão novos, tinham por volta de cinco anos.

Embora gostasse mais de ler do que de nadar, só de estar com os pais era o suficiente para aquela tarde ser perfeita, sentia muita falta deles, a dor de perdê-los a consumia algumas vezes. Quando ouvia músicas das bandas que sua mãe e ela gostavam, quando sentia o cheiro do perfume dela, quando precisava de alguém para encorajá-la, quando precisava de carinho, até o natal se tornara uma data odiada porque eles não estavam lá, ela não tinha sua família, apenas seus tios.

Enquanto nadava perto da queda da cachoeira viu o que parecia ser uma caverna escondida atrás da água que caia. Não dava para saber dali, nadou até a queda e emergiu...

You shout it out, but I can't hear a word you say
I'm talking loud, not saying much
I'm criticized, but all your bullets ricochet
You shoot me down, but I get up

I'm bulletproof, nothing to lose
Fire away, fire away
Ricochet, you take your aim
Fire away, fire away
You shoot me down, but I
...

(Titanium: Sia feat. David Guetta)

Miranda desligou seu despertador, pelo menos a acordava com música. Já eram 06h10min da manhã, e finalmente, para a alegria dela era sexta-feira. Ela se levantou dura e sonolenta. Estava lendo noite passada e perdeu a hora. Quando deve ter dormido? Uma? Duas da manhã? Não tinha certeza, e nem queria saber. Miranda lia tanto a noite porque era uma das únicas formas dela não chorar até a manhã seguinte.

Todas as noites sua mãe ia até seu quarto, sussurrava em seu ouvido e dava um beijo em sua testa chamando-a de amorzinho e filhinha. Quando seu pai não estava fora da cidade também lhe dava boa noite, e a chamava de campeã. Nada no mundo poderia substituir aquele carinho, nem mesmo Os heróis do olimpo, sua saga de livros favorita. O sonho estava tão bom, seus pais estavam de volta, era tudo o que queria, tudo o que pedia em todos os aniversários, natais e eventos, embora soubesse que era impossível reviver mortos.

Assim que voltou do banheiro arrumou sua cama e vestiu o uniforme, blusa branca com a logomarca do colégio, uma rosa. Procurou um pouco sua calça jeans e achou de baixo da cama. Seu quarto era lindo em formato retangular, havia uma janela que cobria toda a parte de cima da parede maior, encostada na janela estava uma cama de solteiro (tio Ryan não queria uma cama de casal para não correr o risco de Miranda levar um cara pra cama em sua casa), havia uma cabeceira do lado direito, na parede menor do lado esquerdo tinha uma mesa de madeira com gavetas, em cima da mesa tinha estantes cheias de livros e diários, na mesa tinha um notebook e alguns cadernos, perto da mesa havia uma cadeira, de frente para a cama se encontrava uma TV colada na parede, na outra parede ficava a porta e o guarda-roupa. Quando ficou pronta desceu as escadas e foi à cozinha onde encontrou Ryan, seu tio, a esposa dele Jules, e Mike, filho de ambos de 19 anos cursando direito na faculdade mais famosa de Summerdale, cidade onde moram.

O café foi o de sempre, torradas, suco, frutas, as mesmas conversas sobre trabalho, escola... Miranda já estava ficando cheia da rotina. Com seus pais todos os dias eram diferentes, mas lá...

Mike deu carona a Miranda que fez cara feia o caminho inteiro. Ao chegarem a escola Piper bateu no vidro e chamou Miranda.

-Já vou.

Piper era uma garota doce, mas sabia se defender numa briga, tinha cabelos castanho-claros e olhos verdes. Vestia o uniforme e uma jaqueta jeans.

-Oi Piper, está linda hoje. – falou Mike.

-Não devia estar na faculdade?

-É 27 de novembro, já entrei de férias.

-Queria que essa escola adotasse o mesmo calendário da sua faculdade. – Miranda dando um beijo na bochecha de Mike. – obrigada.

Miranda saiu do carro.

-Ei! Piper, espera!

Piper deu meia volta com cara de entediada.

-O que?

-Eu soube que abriu um restaurante novo, dizem que a comida é muito boa, quer ir hoje à noite... comigo?

-Desculpe, mas não vai dar, Miranda e eu faremos um trabalho de geografia hoje à noite.

-Talvez amanhã...

Mas Piper já tinha corrido pra longe com Miranda.

-Não tem nenhum restaurante novo, né?

-Acho que por restaurante ele quis dizer cama, e comida boa, você.

-Imagino, ele deve ter usado essa cantada muitas vezes. Acha que porque funciona com safadas vai funcionar comigo.

-Tá aí porque ele gosta de você Piper, você é um desafio para os garotos.

-Eu sei, uma garota difícil e bonita não é fácil de achar. Há quanto tempo ele dá em cima de mim?

-Quando que eu os apresentei?

-Ano passado.

-Desde o ano passado. Pelo menos dessa vez não precisou inventar uma desculpa para não encontrá-lo. Que horas marcamos mesmo?

-Seis da tarde na minha casa.

-Não era para ser na minha casa?

-Era.

-E o que aconteceu?

-Seu irmão entrou de férias.

Miranda abriu um pequeno sorriso. Já perdera a conta de quantas vezes Mike levou o fora de Piper. Entendia o motivo de ele ter se interessado nela, era linda, inteligente e divertida, não tinha como não gostar de Piper.

Quando o sinal da aula tocou, elas se sentaram em seus lugares na sala. O primeiro horário era de filosofia, ou como Piper costuma falar; 50 minutos para fazer dever de casa de outras matérias. Como o próximo horário era prova de química Miranda revisou a matéria, não precisou de muito esforço, era uma das melhores alunas da sala, e química era sua matéria favorita. Antes do segundo sinal tocar os alunos já tinham organizado a sala, ninguém gostava de perder mais tempo do que os estagiários perdiam antes da prova, demoravam meia hora pra fazer a chamada e quando acabavam era uma lerdeza para distribuir as provas.

Enquanto Miranda terminava, gostava de observar o resto da sala quebrando a cabeça para resolver uma “simples” questão. Quando seus olhos se encontraram com os de Jason ficou totalmente distraída, ele era loiro, tinha olhos castanhos e não era ruim de se olhar. Miranda deixou a lapiseira cair e quase não percebeu o sinal bater. A professora passou recolhendo as provas e pegou a de Miranda. O que ninguém percebeu era o que Jason Difaveli fez, a melhor aluna de química sentada ao seu lado, suas provassem nome... boa oportunidade para trocá-las e tirar o dez que precisava.

Quando a última aula começou já era 12:15, ninguém tinha ideia de como aguentavam esperar até 1:05 pra sair da escola. Era mais fácil quando não tinha sétimo horário, depois que resolveram colocar essa droga na vida de Miranda a maioria dos alunos fugiam no sexto horário, e para manter os alunos na classe o diretor decidiu deixar as matérias mais difíceis no primeiro e no último horário, assim ninguém chegava atrasado nem fugia. Felizmente na sexta feira eles aliviaram um pouco e deixaram sociologia por último, por isso metade dos alunos de sua sala já tinham fugido. Com certeza não era pra casa por causa dos pais que não são nada burros... a maioria. Alguns iam pra praça ao lado da escola, outros pra sorveteria e os “avançados” pro motel.

Miranda esperava encontrar a professora Marta, mas um homem entrou na sala e escreveu seu nome no quadro: André. Ele tinha pele escura como chocolate amargo e olhos negros penetrantes, dava pra perceber que passava um bom tempo na academia por causa da blusa branca justa.

-Boa tarde, a professora Marta não pôde vim então ela me pediu para substituí-la...

-Por que ela não veio? – perguntou Emmanuel.

André pensou um pouco antes de responder:

-Razões pessoais.

Jason levantou uma sobrancelha e fez uma cara de sínico... se bem que a cara dele já é ridícula normalmente mesmo. Jason acabou atraindo olhares... sim é por causa da cara, mas não pelo motivo que você está pensando, até André o encarou, mas logo voltou a aula.

-Bem, ela me contou que na última aula vocês estavam vendo o indivíduo numa sociedade e instituição. Há vários grupos diferentes sobre esse assunto, vamos começar pelos mais importantes: a escola, a religião e a família...

Quando André disse a palavra “família” foi como se o coração de Miranda tivesse pulado pra fora do peito. Geralmente os professores evitavam tocar nesse assunto, sempre que citavam algo a respeito os alunos curtiam com a cara de Miranda. A família dela não era a mais amada da cidade, nem do estado, boatos diziam que alguns Mantovani arruinaram as vidas de certas pessoas para lucro próprio.

O diretor e os professores decidiram que era melhor evitar o máximo possível falar nisso depois que jogaram sangue falso em Miranda e disseram que a ela que era para ajudá-la a se tornar mais verdadeira porque o sangue dela era mais falso que aquele.

André era um substituto, não tinha como saber, mas normalmente eles avisavam aos substitutos, que na maioria das vezes nem dava aula, só entregava uma folha de exercícios sobre a matéria. Miranda podia não saber o motivo disso, mas sabia que era melhor correr o mais rápido possível para bem longe antes que jogassem outro litro de sangue falso nela, mas isso foi há um ano, os jovens mais velhos tem outras ideias em mente...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.