I Lay My Love On You
1 One-Shot
Notas iniciais
Apenas um sorriso, e a chuva se vai
Mal posso acreditar
Que há um anjo perto de mim
Alcançando meu coração
Mais um dia na escola, chuvoso como sempre. Ultimamente tem sido assim, Rio de Janeiro está virando realmente um rio. Todos reclamam da quantidade de água que cai do céu. Mas nós nada podemos fazer, é a natureza agindo.
Meus pés estavam encharcados, e meu uniforme molhado. E eu ainda teria que andar um bom caminho até minha sala. Esse é uma das desvantagens em estudar em escola grande. Andei, mesmo sem querer, até a sala. Sentia frio, meus livros, provavelmente, já estariam todos molhados dentro da mochila. Xinguei quando tive que passar por uma poça d'água. Agora sim, meus tênis estavam totalmente podres, estragados, molhados e por aí vai.
Estava quase explodindo de irritação, quando notei que alguém me olhava de dentro do prédio, com um sorriso no rosto. Ao perceber quem era, esqueci minhas roupas molhadas e o frio que me açoitava, não pude conter um sorriso. Ela me chamava com a mão, sem parar de sorrir. Hesitei em ir até lá, pois a garota estava cercada de seus amigos. Mas mesmo assim fui. Ela estava me chamando, oras!
Apenas um sorriso, e não há mais caminho de volta
Mal posso acreditar
Mas há um anjo me chamando
Alcançando meu coração
Cheguei onde ela estava. Tímida, de cabeça baixa. Sim, ela era popular. Muito popular, filha de professor. Fiquei calada até ela chamar meu nome, me fazendo olhá-la. "Deus! Ela tá linda!" foi o primeiro pensamento que passou pela minha cabeça no momento em que coloquei meus olhos nela. Seu cabelo negro estava molhado e escorria pelas costas. Seus olhos castanhos estavam mais escuros naquele dia, quase pretos. E seu sorriso, muito lindo! Muito lindo mesmo! Ela me olhava fixamente, até que perguntou em tom descontraído.
— Levou chuva também?!
— Eeer.. P-pois é. — Disse envergonhada, notando suas roupas molhadas e um pouco transparentes.
— Ninguém conseguiu ficar seco hoje. — Comentou, apenas fiz que sim com a cabeça. — Está com frio?
— Q-quê?!
— Você está tremendo, está com frio?
— P-pouquinho. — "Eu não to tremendo por estar com frio, é por sua causa!"quis gritar, porém me contive.
— Quer meu casaco? — Perguntou, confesso que congelei ao ouvir aquela pergunta.
— Qual é, Nessa! Querendo ser gentil com a punk?! — Comentou um de seus "amigos", os outros começaram a rir.
— Sim, e o que você tem a ver com isso, Alex?! — Disse Vanessa, fuzilando-o com os olhos.
— N-nada, desculpe. — Recuou o menino, engolindo em seco.
— Então... — Vanessa voltou-se a mim, parecendo muito mais gentil do que antes. — Quer o casaco?
— E-eu acho melhor não. — Disse, me afastando. — Vou pra sala, meus amigos me esperam.
— Então eu te acompanho. — Sorriu.
Não entendi o porquê de ela querer me acompanhar. Mas, mesmo assim, acabei aceitando. Os amigos dela nos olharam, estupefatos. Alguns chamaram Vanessa de volta, ela apenas os ignorou, e seguiu ao meu lado até a sala. Onde meus amigos me esperavam. No momento em que eu cruzei a porta para entrar, ela me puxou de volta. De início não entendi ao ver seu rosto ruborizado. Porém logo entendi, ao sentí-la puxar meu rosto e beijá-lo. Tentei falar algo, mas ela se separou rapidamente de mim e saiu a passos largos pelo corredor.
Eu estava perdido em um lugar solitário
Mal posso acreditar
Preso no passado
Distante, tão distante...
Estava sentada em minha mesa, o sinal já tocara, mas eu estava sem a mínima vontade de andar e ter que enfrentar chuva de novo. Desenhava no caderno sem prestar atenção, os fones de ouvido tocavam no último volume minha música preferida de Green Day, Wake Me Up When September Ends. De vez em quando cantarolava junto, sem perceber. Na melhor parte da música, alguém puxou meus fones de ouvido. Levantei os olhos preguiçosamente.
— Oi, Vitor.
— Preciso conversar com você! — Disse.
— É? — Indaguei, ele fez que sim com a cabeça. — Tá, depois.
— Depois? — Repetiu, elevando a voz. — Depois nada! Você vai conversar comigo é agora!
— E se eu disser que não? — Continuava a falar calmamente.
— Problema seu! — Exclamou. — Quero saber por que você terminou comigo!
— Por que eu quis...
— Por que você quis?! — Gritou, ficando vermelho. — Eu te amo, e você termina comigo porque quis?
— É. — Disse, indiferente.
— Eu não aceito isso, Carla!
— Então trate de aceitar. — Disse Vanessa que acabara de entrar na sala.
— Sai daqui. — Disse Vitor, abaixando a voz. Pois é, ele conhece a Vanessa e sabe que ela é a garota mais popular do colégio.
— Não. — Retrucou, pondo-se ao meu lado e passando o braço pela minha cintura. — Por que deixaria você gritar com a minha namorada?
— N-namorada? — Indagou, surpreso.
— É. — Sorriu pra mim e repetiu. — Namorada.
— E-eu não mereço isso... — Sussurrou Vitor, me encarando. — Isso é verdade?
— É sim. — Disse, me recuperando do choque de a Vanessa ter dito que era minha namorada. Derrotado, Vitor se retirou da sala, sem falar mais nada.
Eu confio o meu amor em você
É tudo que eu quero fazer
Toda vez que respiro
Me sinto completamente novo
Voce abriu meu coração
E me mostrou todo o seu amor, e confie
Como eu confio meu amor em você
Saímos da sala, Vanessa insistia em segurar minha mão, mesmo depois de eu ter dito que o Vitor não voltaria. Algumas pessoas passavam e ficavam olhando para nós, provavelmente estranhando nossa proximidade, já que nós nunca andávamos juntas, muito menos nos falávamos. Algumas pessoas comentavam, outras olhavam, e poucas se aproximavam para perguntar algo, mas logo desistiam e se afastavam. Percebi que Vitor nos observava de longe, com uma feição triste. Naquele instante senti pena dele, não sei porquê, mas senti.
— Vem cá. — Chamou Vanessa, me puxando pela mão até o banheiro.
— Que foi? — Perguntei, logo que todas as garotas saíram do banheiro. É, bastou a Vanessa entrar no banheiro, para todas as outras se retirarem.
— Você ficou chateada por eu ter dito que sou sua namorada? — Perguntou, finalmente soltando minha mão.
— Eer... — Pensei em dizer que não. Que até tinha gostado que ela se autodenominasse minha namorada. — Eu só queria saber por que você disse isso.
— Para falar a verdade, nem sei por que eu disse isso. — Respondeu, corando um pouco. — Mas me diz aí, você ficou chateada? Espero que não.
— Não... — Finalmente disse. — Até que achei interessante.
— É?! — Sorriu. — Interessante?
— Uhum... — Falei, sentindo o rosto quente e desviando meus olhos dos dela.
— Aah que fofo. — Disse soltando um riso.
— Aahn.. Tá certo. — Corei mais ainda, envergonhada. — Mas era só isso que você queria falar?
— Não. — Disse tomando um ar mais sério.
Eu nunca pensei que o amor pudesse ser tão bom
Como uma vez na vida
Você mudou o meu mundo
— Então o que você queria?
— Bem, não sei se você tem ouvido os boatos... — Começou a falar, com os olhos fixos no chão. — Mas as pessoas tem dito que eu estou apaixonada por você.
— !!! — Não estava acreditando, ela apaixonada por mim?! Tudo bem que eram só boatos, mas se a própria estava me dizendo isso... — E-e porque estão dizendo isso?
— Por que, sabe, eu tenho sido legal com você ultimamente.
— I-isso n-não tem nada a ver...
— Tem sim.
— C-como? — Gaguejei, surpresa.
— Eu.. — Tomou fôlego e completou. — Eu, realmente, estou apaixonada por você!
— Q-quê?! — Exclamei, sem acreditar. Sentia meu coração pular dentro do meu peito. — V-você t-tá de b-brincadeira, não é?!
— Não. — Respondeu, vermelha igual a um tomate. — Eu estou apaixonada por você, é verdade.
— N-não s-sei o que d-dizer.. — Gaguejei, surpresa demais para fazer ou falar algo.
— É simples, não diz nada. — Falou, aproximando-se. Senti seu hálito no meu rosto, e como que instântaneamente fechei meus olhos. Um arrepio se espalhou por mim, ao sentí-la tocar meus lábios com os dela. Praticamente um selinho, e ela se afastou. — Desculpa...
— Shh. — E puxei-a novamente para perto de mim. Colando nossos lábios num beijo intenso.
Eu sei que ficarei bem agora
Porque dessa vez é real
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