I Know That I Left You All Alone
4 Um segredo?
Notas iniciais
POV's Heredia
– Bom dia. — Pablo cumprimentou aos alunos e todos se sentaram nas cadeiras vagas — Hoje vamos trabalhar um exercício diferente. Primeiro, iremos dividir quem fará o quê. Tomás, o solo. Leon e Lara, o dueto. Violetta, Maxi, Ludmila, Fran, Cami, Maxi e Marco, a música em grupo. — todos assentiram, menos Violetta.
– Isso não é justo, Pablo! — disse — Porque Leon tem que fazer o dueto com a Lara? Você sabe o que aconteceu no ano passado, e...
– "E" nada, Violetta. O professor aqui sou eu ou você? — wow, essa doeu no fundo da alma. Violetta olhou para os próprios pés enquanto respirava fundo.
– Pablo, o tema pode ser livre? — acabei perguntando.
– Pode, pode ser livre.
– Ok. — sorri.
Xx
Bati na porta do quarto, e logo Lara a abriu.
– Tomás! Vai embora, eu tô trabalhando no exercício do Pablo.
– Quero ajudar minha melhor amiga. — empurrei-a para o lado e adentrei o quarto.
– Educação mandou lembranças. — rolou os olhos e fechou a porta — Você pensou que Ludmila e Nathalia poderiam estar aqui?
– O que tem?
– Não mereço. — rolou os olhos novamente. Que mania.
– Essa é a música que você vai cantar com o Leon? — me joguei na cama em que Lara dormia e apanhei uma das folhas que estava sobre o cobertor, lendo um dos versos em seguida: — "Toma todo lo que quieras pero vete ya, que mis lágrimas jamás te voy a dar"? Isso é uma música de amor?
– Não, seu idiota. Não é essa. — arrancou o papel das minhas mãos, nervosa — É essa. — entregou-me outra folha. Li um pouco e em seguida me virei para Lara, que estava sentada ao meu lado.
– Vocês não deveriam escrever isso juntos?
– Não necessariamente, ué. — deu de ombros — Eu vou escrever uma parte, ele vai escrever outra, e ai só no refrão vamos nos juntar. Acho que assim não dá tanto problema com a Violetonta.
– "Violetonta"? — gargalhei — De onde você tirou isso?
– É o jeito que a Ludmila usa pra se referir à Violetta, e eu já tô começando a gostar desse apelido.
– Vocês são umas idiotas. — dei uma última risada — Tem um violão aí? — perguntei.
– Tem. — se levantou, e segundos depois de revirar um guarda-roupa, tirou de lá um violão parecido com o meu — É da Ludmila. — me entregou e voltou a se sentar ao meu lado.
– Vocês tão bem amigas, hein? — comecei a dedilhar alguns acordes enquanto afinava o violão.
– Vocês quem?
– Você, Ludmila e Nathalia.
– Elas são legais. — encolheu os ombros e eu a olhei com as sobrancelhas levantadas — Mesmo com o gênio difícil da Ludmila, elas são legais. — completou a frase e eu sorri.
– Que bom que está começando a se enturmar. Depois de quase três meses no colégio.
– Eu não me dou muito bem com as pessoas, prefiro as motos.
– Motoqueira. — ri, e então comecei a tocar os acordes que estavam anotados na folha. Mesmo não sabendo tocar violão, Lara organizava as cifras muito bem, e isso era bom. — Começa a cantar na hora certa, ok? Eu não sei como é, e tal...
– Eu já entendi, Tomás. — riu e eu continuei com os acordes, até que a voz de Lara soou no quarto, e ela começou a cantar:
La sonrisa que me diste hoy
No me la roba ningun ladrón
El destino tenia escrito que crusariamos caminos
Y cuando duermo me despierto en otra realidad
Continuei tocando, mas ela já não cantava mais. Me dei conta que não havia mais letra, e o que viria em seguida ou era a parte de Leon, ou o refrão.
– Ficou bom. — disse.
– Sério? — franziu o cenho e apanhou a partitura — Acho que tá faltando alguma coisa. Eu segui as dicas que o Leon me deu, mas sei lá, não tá bom o suficiente.
– Lara. — a cortei e ela mexeu a cabeça, afirmando que estava prestando atenção no que eu dizia mesmo que olhasse para a folha que tinha em mãos — Tá perfeito.
– Quê? — franziu o cenho e me olhou — Eu acho que entendi errado, desculpa. Você disse que tá perfeito?
– Vai se ferrar. — larguei o violão no canto da cama e um sorriso começou a brotar em seus lábios. Um sorriso vitorioso.
– Eu nem posso acreditar que você, Tomás Heredia, tenha dito que algo que eu, Lara Baccarini, fiz ficou perfeito.
- Você é a pior, Baccarini. A pior. — ri enquanto lhe dava um pedala na cabeça – Preciso ir, ainda não compus nada pro exercício. — caminhei até a porta
- Nos vemos no jantar, então?
Xx
– Fran, você viu a Lara? — perguntei, fazendo com que Francesca parasse de caminhar.
– Não vi não.
– E a Violetta?
– Ela tava na sala de dança esperando alguém, e eu acho que era o Leon. — sorriu.
– Ah, obrigada. Eu vou atrás da Lara. — sorri forçadamente e sai do refeitório, direcionando-me ao prédio principal. Subi até o terceiro andar e então sai pelas salas de dança, à procura de uma que continha alguém dentro. Assim que me preparei para empurrar a porta da última sala, ouvi vozes, e então, detive a mim mesmo. Aproximei o ouvido da porta, e pude reconhecer a voz de Violetta.
– Você tem que jurar que não vai contar nada pra ele! Nem pra ele, e nem pra ninguém.
– Eu já disse que não vou, caramba. — Lara bufou. Espera, Lara? Sim, era a voz de Lara. O que fazia sozinha com Violetta?
– É, mas eu não sei se posso confiar em você. E se ele descobrir? E o meu sonho? Como explica?
– Sonhos são coisas inconscientes e inúteis, Violetta. Eles não se realizam. Você está parecendo uma criança de seis anos, sabia?
– Esse é o meu maior segredo, Baccarini. Não sei como me sentiria se Tomás, Leon, Fran ou qualquer pessoa descobrisse. É sério. Eu estou confiando em você.
– Segredo? — sussurrei, e sem querer, deixei que minha cabeça pendesse para o lado e se chocasse contra a parede. Grunhi de dor.
– Você ouviu isso? — Violetta perguntou — Veio dali! — pude ouvir passos apressados na direção da porta. Sai correndo. Não pagaria para ver o que duas mulheres com um segredo descobrissem que eu sabia que esse segredo existia.
Teria que perguntar a Lara. Eu era seu melhor amigo, ela precisava confiar em mim.
Sai do prédio principal e adentrei correndo o refeitório, logo sentando-me na mesa em que estavam Maxi, Cami e Broduey.
– Que foi, cara? — perguntou.
– Nada. — dei de ombros e bebi um copo de água que estava sobre a mesa.
– Ei, isso era meu! — Camila protestou.
– Desculpa. — sorri torto.
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