I Knew You Were Trouble
3 Like a couple?
Notas iniciais
Então nós nos vimos, não pelo computador como habitual, mas sim ao vivo. Foi um dos melhores dias da minha vida. Enquanto minha maior preocupação era me machucar com seus piercings pontudos, o que eu mais desejava era colar sua boca na minha. Estávamos em nossa praça, a que nos vimos pela primeira vez, um parque muito conhecido por qualquer porto alegrense que se preze, Parque Farroupilha ou Praça da Redenção, como preferir, mas para mim, era nossa praça.
Quando meu desejo foi finalmente saciado o mundo sumiu, éramos nós dois e mais ninguém, nunca provei um beijo mais maravilhoso, foi tudo que eu sempre sonhei, tudo que eu sempre precisei. Dois amantes diferentes, unidos por um único motivo, algo mais forte que as diferenças, ele era a noite, eu o dia, ele era o preto, eu era uma explosão de cores, ele era pé no chão e eu, como já é de se imaginar, cabeça nas nuvens, a ponto de me deixar levar por qualquer sentimento. Era um beijo infinito.
Fomos com mais dois amigos até o Teatro São Pedro para vermos uma peça de comédia, caminhamos da Redenção até lá, passamos por lugares conhecidos como turísticos na cidade. Um exemplo, para mim o melhor lugar da cidade, o Viaduto da Borges, o sol estava a se por, as luzes da cidade começavam a se acender, precisei parar ali acima daquela estrutura antiga e observar a tudo com meus olhos atentos a cada detalhe, desde os postes de iluminação antigos, até as pichações no local, algumas com o símbolo do anarquismo que me fizeram rir ao pensar no garoto ao meu lado, exclamei: “esse lugar é maravilhoso!”. Thiago sorriu e me abraçou por trás, ficamos ali, olhando para cidade em silencio, ninguém precisava falar nada, era reconfortante.
Nossos amigos me tiraram de meus pensamentos: “vamos casal, não podemos nos atrasar”. Rindo continuamos nosso caminho, eu e ele de mãos dadas, eu estava segura, nada poderia me deter, nada poderia me machucar. O que não imaginava era que quem me machucaria era o jovem de cabelos escuros como uma noite sem estrelas segurava minha mão naquele exato momento. Antes de entrarmos ficamos na Praça da Matriz, localizada em frente ao teatro, mesmo que fosse precipitado, meu coração disparou ao ouvir pela primeira vez ele me chamar do modo que chamaria pelos próximos dois meses e quatro dias, ele me chamará de "amor".
No teatro foi maravilhoso, era um show de improviso e um dos atores perguntou quem era solteiro na plateia, já ia levantar a mão, mas naquele momento ele puxou-a para baixo bufando, gesto que me fez rir de canto fazendo-o sorrir também.
O primeiro mês foi maravilhoso, nós saíamos sempre que possível, ele me acalmava em função de uma prova muito importante que eu precisaria fazer, falávamos sobre o futuro, até sobre nosso sonho em comum de ter muitos filhos, falávamos das estrelas, da liberdade do ser humano, da beleza das coisas simples e até mesmo da morte. Era bom falar sobre aquilo com alguém que não julgasse minha forma de pensar, acho que ele sentia o mesmo.
Nosso maior problema era conseguir se falar, eu passava quase o dia todo na escola, e ele estudava a noite, voltando tarde para casa, quase na hora que eu entregava-me aos mais doces sonhos. Fomos levando a relação, claro que eu gostaria de oficializar, gostaria que se tornasse algo a mais, como um namoro, mas acredito que não era o desejo dele.
O dia da minha tão esperada prova chegou, eu iria para casa de uma amiga logo após o termino e depois iria ocorrer uma festa do pijama com nosso grupo de amigas dos eventos, parece infantil, mas não era, te garanto. Eu sabia que ele iria me esperar na casa de Mariana, minha amiga, mesmo que fosse para ser uma surpresa.
Havia ido bem na prova, pelo que pensava(sim, passei). Fui para casa tomar um banho e arrumar minhas coisas para ir para festa mais tarde junto com a Mari e logo fui para casa da mesma.
Ele estava lá, foi incrível, não podia pedir por tarde melhor do que aquela, tirando é claro a do nosso primeiro beijo infinito. Foi a primeira vez que tive um beijo mais aprofundado e urgente por assim dizer, eu senti desejos que nunca pude imaginar, queria compartilhar aquilo com ele, mas ainda era cedo e ele respeitava muito isso.
Thiago tinha de ir a uma festa na mesma noite, nós o acompanhamos até a parada, para que pegasse o ônibus, aonde ele me beijou e sorriu para mim, depois que o namorado de Mariana, que apareceu um pouco antes do nosso momento mais íntimo, foi embora e assim fomos para festa do pijama, com certeza seria memorável, só não imaginávamos que seria do jeito que foi.
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