Notas iniciais
(Peço-lhes que deixem sua opinião, crítica ou elogio. São todos bem vindos.
"Inanimado em meio a escuridão, tomado pelo ódio e solidão, apenas vejo o tempo passar, perdendo a esperança que tinha de um dia mudar. Olho a minha volta e vejo, o quão meu egoísmo me trouxe diante do medo. Penso no passado, o que fiz de errado? Apenas vivi, sem me importar com o que vi, senti meus pulsos cortarem-se, não era um desejo, apenas o ódio, dominando meu peito. Matei minha alma, finalmente a estrangulei, senti algo sufocando-me, era apenas eu, sim, eu mesmo matando meu nome..."

Um suspiro, não me segurei, por uma fracção de segundos fechei-me os olhos, minhas pálpebras pareciam pesadas, mas o tal russo logo cuidou de me despertar. Ouvi algo, bastante parecido com um disparo, o som de fundo era ecoado com gargalhadas. Quando reabri meus olhos o vi, percebi um homem, com cabelos cinzas que chegavam até sua cintura, pele clara, e uma capa preta que o cobria de corpo inteiro bem a minha frente, logo me assustei, mas de certa forma me veio um alivio que não soube explicar, o russo teria atirado no tal, ou o mesmo simplesmente adentrou a frente da bala para me salvar? Como pude me distrair de tal forma?Retomei minha posição, e com uma certa tremedeira nas mãos fui elevando a mão direita rente ao meu revólver, quando de repente escutei uma voz suave, mas bastante aterrorizante cogitar, de forma calma e pacífica.

- Pretende atirar em mim...Phoenix?

Arqueei as sobrancelhas, como sabia meu nome? Pelo jeito tudo que o russo me dissera era verdade, isso me deixou ainda mais paralisado, apenas me manti parado esperando o que iria acontecer. Quando de repente outra voz fora ouvida, seria a tal voz carregada do russo que me chamara de longe.

- Seu idiota, por quê não atirastes? Ridículo...ainda pretendo cumprir com o que vim fazer, lhe matar, não pense que outro terá esse gostinho.

Engoli a seco como já teria feito uma sequência de vezes nesse curto período de tempo, o homem de cabelos acizentados ofuscava minha visão se mantendo em minha frente, apenas continuei a ouvi-lo.

- Sugiro que não o mate mortal, digamos...que, os boatos se provaram falsos da boca do Sr. Carmell, tal lenda é extremamente patética.

O russo soltara a mesma gargalhada de segundos atrás e em meio a mesma eu me sentia aliviado novamente pelas palavras do demônio a minha frente.

- Acha que acredito em contos de fadas?Acha que eu realmente acreditaria que esse lixo irá salvar o planeta, ou até mesmo matar algum demônio ou os próprios humanos? Não seja tolo, ele não passa de lixo, apenas o quero morto para conseguir minha recompensa, tenho planos para tal dinheiro.

O tal demônio o retrucou enquanto me mantinha parado de pernas bambas, como iria obter o que queria de tal forma? Meus olhos se mantinham estáticos, apenas torcia para que mais um imprevisto acontecesse.

- Errado! Ele com certeza irá "mudar" o destino do universo de forma drástica. E seguindo os caprichos de meu lorde eu não pretendo deixar que o mate. Aliás, não o matará nem que traga mil legiões junto a ti.

Suas palavras soavam de forma convicta, naquele momento minhas pernas pararam de tremer por um instante, e apenas refleti sobre o que estava acontecendo. Eu não poderia estar em tal situação, nunca fui considerado deveras importante e, de repente de forma monstruosa agora teria me tornado alguém crucial para o futuro do universo? Improvável, surreal, difícil de se acreditar. Eram as palavras que martelavam e atormentavam minha mente, sempre tive o desejo de grandeza, mas nunca almejei realmente alcança-lo. De repente meus pensamentos eram interrompidos novamente por outro disparo, percebi gotas de sangue serem lançadas contra aquele solo agora putrificado. Me espantei com a reação, o tal sangue começou a corroer a madeira, até não mais existir, não pude deixar de notar a expressão do russo que também se espantou apesar de tentar não demonstrar. O demônio deu uma gargalhada, doce e sútil, poderia se comparar aos famosos lordes ingleses. Realmente parecia alguém de muita classe.

— Não seja idiota, já disse, não o matará nem que tragam mil legiões, mas não posso ficar a protege-lo, pretendo me retirar como ser ocupado que sou. Trago uma mensagem de Carmell, sendo que o senhor é um dos melhores Hunter's da atualidade e que se encontra mais próximo do garoto. Seu desejo é que o proteja, e caso não o faça ou tente algo contra o mesmo, eu virei em sua busca o quanto antes. Não veja isso como uma ameaça, é uma mera troca de favores, após concluir tal objetivo terá suas recompensas tão desejadas. Me chamo Karael, e sou um subordinado direto de Carmell. Quando necessitar, estarei presente, é apenas isso que tenho a lhe dizer, passar bem russo, passar bem Phoenix, seu pai manda lembranças. Vi uma fumaça encobrir minha visão, e o tal ser misterioso desaparecer, ficando apenas eu, diante da presença assustadora do revólver do russo, ele me encarara como se quisesse me torturar, esquartejar, e comer os pedaços dando os ossos aos cachorros. Me senti totalmente desconfortável com tal situação, mas ao mesmo tempo sabia que ele não teria loucura o suficiente para me matar. Logo o vi abaixando a arma e a guardando novamente.

— Droga...terei de proteger um inútil, bem é o que temos para hoje, já desconfiava que estava a me meter em uma confusão grande, mas não que viraria babá.

Ele se virou, ignorando-me de instante, e logo abriu a porta do tal bar, que era tomado pela escuridão de fora. - Vamos Phoenix, é assim que te chamam, né? Bebê...

Me irritei de momento, parecia possuir tamanha intimidade comigo sem nem ao menos me conhecer, era tomado por uma confiança pacífica e uma calmaria gigantesca. Isso me assustava, mas sem dizer uma palavra, apenas o segui para fora do bar. Talvez aquilo realmente fosse verdade, e meu destino fosse mil vezes mais obscuro do que teria imaginado...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.