I Just Wanna Stop

24 Visita ao Cauldron


Notas iniciais
Good night, people! Eu sei que eu não tenho o menor direito de aparecer assim, como se não tivesse demorado séculos para postar, mas... Em minha defesa, além do meu PC ter dado pau, minha vida anda uma verdadeira loucura! É tiro, porrada e bomba pra todos os lados kkkkkkkkk Eu realmente peço bilhões de desculpas por tanta demora. Mesmo aos trancos e barrancos, eu finalmente consegui atualizar a fic. o/ Agradeço imensamente pelos comentários maravilhosos e gatíssimos do último capítulo e mais uma vez peço perdão pela demora. Espero que gostem. E sem mais delongas... Good read!

Pov. da Lexi

Depois que eu saí do casarão, fui até o Rosseau’s buscar Cami. Ainda faltava algum tempo para o expediente dela acabar, então a esperei sentada em um dos bancos que ficam em frente ao balcão. Passei boa parte da noite pensando em como lhe daria a notícia de que tinha voltado a falar com Klaus, mas acabei desistindo no último momento. Achei melhor esperar até o dia seguinte. Levei um grande susto ao entrar no meu quarto para dormir e encontrar Klaus. Apesar da surpresa, fiquei muito feliz em tê-lo ali comigo. Ele me fez contar absolutamente tudo sobre a minha vida e embora eu não achasse nada de muito interessante nela até conhecê-lo, ele prestava atenção a cada mínimo detalhe do que eu lhe dizia como se fosse a coisa mais importante do mundo.

Devo ter pego no sono em algum momento da nossa conversa. Quando eu acordei, cheguei a pensar que tudo não tinha passado de um sonho, mas no travesseiro ao meu lado havia uma linda tulipa, uma das minhas flores favoritas, vermelha. Sorri ao lembrar que tinha comentado sobre isso com Klaus na noite anterior. Depois de passarmos a madrugada praticamente inteira conversando e ainda mais agora, com esse lindo gesto dele, eu tinha plena certeza de que havia feito a escolha certa ao perdoa-lo. Me afastar de Klaus não era mais uma opção.

Depois de levantar, aproveitei que Cami ainda estava em casa e abri o jogo com ela, omitindo apenas o ocorrido no cemitério e a informação de que Klaus tinha compartilhado seu passado comigo. Como eu já esperava, ela não reagiu nada bem. Discutimos por bastante tempo até ela se acalmar. Embora não estivesse nem um pouco satisfeita com a notícia da minha reconciliação com Klaus, Cami me conhecia bem o suficiente para saber que eu não voltava atrás em minhas decisões, independentemente das consequências. Ela ficou tão chateada que nem me acompanhou no café da manhã. Apenas pegou sua bolsa e saiu batendo a porta com força. Suspirei pesadamente e me sentei à mesa sozinha. Depois de comer, comecei a cuidar da louça ainda preocupada com Cami. Eu odiava brigar com ela e por mais que entendesse sua posição, eu torcia para que ela se conformasse o quanto antes com a minha nova realidade.

Deixei a cozinha e voltei para o meu quarto para trocar de roupa. Peguei minha mochila e joguei meu celular, meu caderno de desenho e tudo mais que eu julguei necessário para a execução do meu plano. Eu havia decidido investigar o sumiço do poder da Colheita por conta própria e já sabia exatamente por onde começar minha busca. Assim que terminei de me arrumar, peguei minhas chaves e saí de casa, trançando uma estratégia imaginária, ignorando o arrepio que subiu pela minha espinha. Algo me dizia que esse maldito ritual ainda me assombraria por um bom tempo.

(...)

Cheguei ao meu destino ainda impressionada com o belo dia que fazia hoje. As ruas estavam cheias como sempre e o céu ensolarado parecia fazer um convite irresistível para nos aventurarmos pela cidade. No entanto os motivos que me traziam até aquele lugar em específico, nada tinham a ver com turismo ou diversão. Minha ida até o Cauldron era uma tentativa de solucionar um mistério que poderia causar verdadeiras catástrofes futuramente. Eu já carregava tantas tragédias e perdas nas costas devido ao meu fracasso em conseguir impedir que o pior acontecesse, que não me permitiria falhar novamente. E de qualquer forma, eu já estava envolvida nessa história até o pescoço. Então agora mesmo se eu quisesse, não dava mais para recuar.

Segui em frente, repassando o que eu tinha planejado em minha cabeça e observando com extremo cuidado o ambiente a minha volta. À primeira vista, o Cauldron parecia um lugar como outro qualquer, entretanto para alguém com os conhecimentos que eu possuía, era possível sentir uma aura diferente ali. Também não era para menos. Se o French Quarter era o bairro dos vampiros, o Cauldron era o bairro das bruxas. E nas atuais circunstâncias aqui era um péssimo local para se estar. Continuei andando, na esperança de esbarrar em Sophie. Ela era a única bruxa que eu conhecia e que assim como eu, tinha um grande interesse em descobrir porquê o ritual da Colheita não havia funcionado como deveria. Talvez fosse mais fácil procura-la diretamente no Rosseau’s, mas não era todo dia que ela aparecia por lá e eu também não queria arriscar envolver Cami de alguma forma nisso. Sendo assim, tudo o que me restava era torcer para encontra-la. Mas depois de um bom tempo caminhando, eu tinha a plena certeza de que não fazia mais a menor ideia de onde estava.

— Você parece perdida. Por acaso precisa de um guia? – Disse uma voz vagamente familiar atrás de mim.

Virei-me para a pessoa e fiquei totalmente surpresa ao encontrar a mesma mulher que havia me atendido na primeira vez que eu estive aqui em busca de alguma coisa com verbena para proteger Steve.

— Na verdade... Sim. Não sei se você se lembra de mim, mas já nos conhecemos. Você me ven-, quer dizer, me deu esse colar e uma pulseira na loja da sua amiga. – Falei na esperança de que ela me reconhecesse. – Seu nome é Sabine, não é? – Emendei querendo ter certeza de que estava certa.

— Sim. E o seu é Lexi. Também me lembro de você. – Afirmou sorrindo simpática.

Sorri de volta, mas logo a mesma sensação estranha que eu havia sentindo na primeira vez que nos vimos me atingiu com força. Dei um passo para trás involuntariamente. Havia algo em Sabine que deixava meu sexto sentido em alerta.

— Será que você poderia me ajudar? É que já faz algum tempo que eu me mudei para New Orleans, mas nunca tinha explorado essa parte da cidade. Estava procurando uma pessoa, mas acabei me perdendo. – Expliquei resolvendo ignorar meu mau pressentimento, pelo menos por enquanto.

— Claro! Hoje é o seu dia de sorte. Eu sou uma das melhores guias turísticas dessa cidade, pelo menos é o que dizem. Posso te levar por um tour completo, se você quiser. – Ofereceu ainda sorrindo. Levei apenas alguns segundos para responder.

— Eu aceito. – Disse antes que pudesse pensar mais sobre o assunto. Essa provavelmente seria a melhor chance que eu teria de conseguir algum sucesso hoje.

— Então, vamos. Enquanto te mostro os pontos mais interessantes dessa parte da cidade, vou te contar um pouco sobre as histórias, reais ou não, que cercam esse lugar. – Anunciou começando a andar.

Ignorei mais uma vez o arrepio que percorreu meu corpo e obriguei-me a segui-la. Apesar dos pesares, Sabine aparentava ser uma pessoa legal e, racionalmente, eu não tinha nenhum motivo para temê-la. Talvez nos tornássemos até amigas... Quem sabe.

Algumas horas mais tarde, eu já tinha chegado à conclusão de que apesar da sensação estranha que Sabine causava em mim, ela era mesmo uma companhia agradável. Meu “passeio” pelo Cauldron se tornou menos assustador e mais fácil estando com ela. Fiquei encantada boa parte do percurso. As histórias que ela me contava eram simplesmente fascinantes e tinha certeza de que a grande maioria delas era verdadeira. Porém a última parada do tour, em frente ao cemitério, me fez estremecer da cabeça aos pés. Eu tinha péssimas recordações daquele lugar. A começar pela morte de Davina e terminando com o ataque de alguns dias atrás. Mas para meu alívio, Sabine pareceu perceber meu desconforto em estar ali e deu a nossa excursão por encerrada, nos levando para um restaurante. Durante o caminho, ela me encheu de perguntas sobre mim.

— Então aquela pulseira era para o seu namorado? – Questionou dando continuidade a nossa conversa enquanto esperávamos a garçonete retornar com nossos pedidos.

Demorei um pouco para responder. Desde que havíamos entrado no restaurante, Sabine só havia interrompido seu interrogatório para escolher seu prato. Ao que parecia, ela era uma pessoa extremamente curiosa.

— Sim. – Respondi sem dar maiores detalhes.

— Mas e quanto ao Original de terno? – Indagou me pegando completamente de surpresa.

— O quê?! Como você sabe...? – Inquiri ainda em choque.

— Está brincando? Os Mikaelson são muito famosos entre as bruxas da cidade. Geralmente eles são os monstros das histórias que ouvimos quando crianças. – Contou dando um sorriso descontraído. Senti outro arrepio percorrer meu corpo.

— Como você adivinhou que eu já sabia a verdade sobre isso? – Questionei realmente curiosa.

— Além do fato de você ter aparecido procurando por verbena, você e o Elijah pareceram bastante próximos. – Respondeu inclinando-se sobre a mesa. Levei um minuto inteiro para absorver o que ela tinha dito.

— Eu e ele somos apenas amigos. – Afirmei de imediato, me sentindo envergonhada com o comentário dela.

— Se você diz... – Sabine deu de ombros no momento exato em que a garçonete retornou com os nossos pedidos.

Ela me lançou um sorriso, mas eu não consegui retribuir. Algo me dizia que existia algum motivo por trás desse súbito interesse dela no meu envolvimento com Elijah. Só me restava descobrir qual. Comemos em silêncio até eu resolver entrar no assunto que havia me levado até ali.

— Sabine, por acaso você conhece Sophie Devarux? – Perguntei enquanto degustava minha sobremesa e Sabine me observava de maneira desconcertante. Ela estava atenta a cada movimento meu.

— Sim. Ela é minha amiga. De onde você a conhece? – Retrucou intrigada.

— Do Rosseau’s. – Falei sem querer dar maiores explicações. – Mas já faz algum tempo que eu não a vejo. Você tem notícias dela? – Emendei na esperança de conseguir uma resposta positiva.

— Sophie está passando por um momento difícil. Não temos conversado muito ultimamente, mas se quiser posso avisá-la que está procurando por ela quando a encontrar. – Ofereceu prestativa.

— Obrigada. Me ajudaria muito se fizesse isso. – Agradeci.

— Não há de quê. Você é uma boa garota, Lexi. Será um prazer poder ajuda-la. – Garantiu Sabine com um grande sorriso. Porém ao invés de me confortar, suas palavras me trouxeram uma péssima sensação.

Por mais que não houvesse nenhuma razão lógica, lá no fundo, eu sentia que Sabine não é de confiança. Desviei meu olhar dela e voltei a me concentrar no meu mousse de chocolate. Talvez... Só talvez, eu estivesse ficando paranóica.

(...)

Após me despedir de Sabine, segui a passos rápidos pelas ruas do Cauldron. Pretendia sair dali o quanto antes. Não me sentia segura andando sozinha no território de pessoas que poucos dias atrás haviam tentado me matar. Sem falar que minha missão tinha sido um verdadeiro fracasso. Não consegui uma única pista sequer sobre o poder da Colheita e de quebra ainda arranjei uma preocupação a mais. Por alguma razão, Sabine não saía da minha cabeça. Mesmo sem nenhum motivo aparente, eu sempre ficava com um pé atrás em relação a ela. Por mais legal que Sabine fosse, eu sentia uma... Ambiguidade em suas ações. Era como se houvesse algo oculto em cada palavra dita por ela.

Interrompi meus pensamentos ao me dar conta de que já estava em frente à famosa esquina da Toulouse e da Bourbon Street. Sorri aliviada e dobrei a direita, optando por ir pela Bourbon. Entrei em um dos inúmeros becos da região e antes que eu pudesse chegar na metade do caminho, Klaus surgiu a minha frente, me fazendo gritar e quase derrubar minha mochila no chão.

— Será que dá para você parar de aparecer assim?! – Exclamei com uma mão sobre o peito sentindo meus batimentos totalmente acelerados. Essa mania dele ainda acabaria me matando de susto.

Klaus não respondeu e foi então que eu reparei de verdade nele. Sua expressão transparecia seriedade e sua postura estava tensa. Estranhei seu comportamento. Ele estava completamente diferente de ontem.

— Aconteceu alguma coisa? – Perguntei preocupada chegando mais perto.

Ele permaneceu me analisando em silêncio por alguns minutos antes de responder.

— Tirando sua visita às bruxas? – Questionou num tom austero.

Arregalei os olhos e recuei alguns passos, surpresa. Tanto pela pergunta quanto por seu tom de voz.

— Como soube? – Consegui dizer ainda chocada.

— Esqueceu-se que está diante do rei dessa cidade? Tenho olhos e ouvidos por toda parte. – Retrucou presunçoso.

— Você estava me espionando? – Indaguei erguendo uma sobrancelha. Klaus ficou calado e desviou os olhos dos meus por um momento.

— Você está fugindo do assunto. – Rebateu impaciente voltando a me olhar. – O que foi fazer no Cauldron? – Inquiriu sério.

Levei um minuto inteiro para responder. Pensei em mentir, mas me lembrei do acordo que havíamos feito. Sem segredos ou mentiras.

— Eu... Fui investigar sobre a Colheita. Achei que pudesse descobrir alguma coisa... Por conta própria. – Contei sem encará-lo, mexendo distraidamente em minha pulseira.

Escutei um suspiro e ergui o rosto fitando Klaus, que tinha suavizado um pouco sua expressão.

— Lexi, por melhores que sejam as suas intenções quero que mantenha distância das bruxas. Nenhuma delas é confiável. Já se esqueceu do episódio no cemitério? – Indagou mais brando.

— Claro que não! Mas nem todas as bruxas não são de confiança. Talvez Sophie... – Comecei, no entanto ele me interrompeu.

— Sophie sabe tanto quanto nós, e ela não está nem um pouco empenhada em fazer nada a respeito desse assunto. – Informou se aproximando. – Admiro sua obstinação, entretanto acho que já está na hora de você esquecer isso. – Completou voltando a postura rígida.

— Eu não posso. Devo isso a Davina. – Afirmei sentindo o familiar aperto no peito que me assolava sempre que pensava nela.

– Você não deve nada a ninguém. Você nem deveria estar envolvida nisso! – Contestou exasperado.

— Mas eu estou! E agora é tarde demais para voltar atrás. – Retorqui no mesmo tom que ele.

Klaus limitou-se a me encarar. Nos avaliamos em silêncio por um bom tempo antes que ele voltasse a se manifestar.

— Você tem razão. É tarde mais. – Disse me lançando um olhar indecifrável.

Continuei a fita-lo. Parecia haver algo de errado com ele... Como se ele estivesse me escondendo alguma coisa. Sem querer continuar a discutir, achei melhor mudar de assunto. Eu simplesmente odiava me desentender com ele. Era mais forte do que eu.

— Obrigada pela flor. Foi muito gentil. – Agradeci torcendo para que ele esquecesse as bruxas. E pelo visto, dessa vez, eu o tinha pegado de surpresa.

— Eu imaginei que você fosse gostar. Não queria que pensasse que tudo não passou de um sonho. – Respondeu num tom ameno me fazendo sorrir. Era exatamente o que eu teria pensado.

— Por que foi embora antes de eu acordar? – Perguntei enquanto seguíamos lado a lado para fora do beco.

— Achei melhor não correr o risco de ser pego por Cami. – Explicou. Assenti em compreensão, lembrando-me de que precisava lhe contar sobre o ocorrido de mais cedo.

— Sobre isso... Cami já sabe que voltamos a nos falar. E como eu já esperava, ela não reagiu nada bem. Ela quer que eu me afaste de você. – Confessei.

— Ela tem razão. – Concordou e eu virei o rosto para encará-lo. – Essa seria a decisão mais sensata que você poderia tomar. – Emendou sem me olhar. O analisei por alguns instantes antes de rebater.

— Provavelmente. Porém... Como eu já lhe disse, é tarde de mais. E talvez ainda não tenha ficado claro para você, mas quando eu decido uma coisa, eu vou até o fim. Independente das consequências. – Garanti com convicção.

— Eu sei disso, sweetie. Somos exatamente iguais nesse ponto. – Afirmou olhando em meus olhos e abrindo um lindo sorriso de covinhas em seguida.

Não pude deixar de sorrir. Adorava vê-lo desse jeito. De certa forma, me sentia especial por ser a única a ter conversas assim com ele.

— Certo. Agora... O que você acha de me acompanhar até a cafeteria do Joe? Quero te apresentar umas pessoas. – Convidei o vendo fazer uma careta.

— E eu tenho opção de recusa? – Questionou irônico.

— Não. – Neguei simplesmente enlaçando meu braço no seu, o deixando estático por alguns segundos. O guiei para o nosso destino com imenso sorriso no rosto.

A forte ligação que parecia existir entre nós dois era uma verdadeira incógnita e a cada momento que passávamos juntos, eu ficava mais feliz em tentar desvendá-la.


Notas finais
Mais uma vez, mil desculpas pela demora! PS: Fiquem de olhos bem abertos com a Sabine... E sobre Klexi... Só digo uma coisa: Nem tudo serão só flores entre eles... E então? O que acharam? Comentem! Estou morrendo de saudades! XOXOXOXOXOXO