I Just Wanna Stop
25 Possíveis Rivais?
Notas iniciais
Pov. do Klaus
Continuei conversando com Lexi até a mesma pegar no sono. Me permiti observa-la enquanto dormia por algum tempo e por mais clichê e ridículo que esse pensamento fosse para mim, ela realmente parecia um anjo. Ainda não conseguia acreditar que alguém como ela tinha sido capaz de me absolver de todos os meus pecados. Quando começou a amanhecer achei melhor ir embora, mas não sem antes deixar uma pequena lembrança da minha presença ali para Lexi. Tinha certeza de que ela abriria um belo sorriso ao encontrar uma das suas flores favoritas em cima do seu travesseiro.
Retornei ao casarão e não me surpreendi ao encontrar o pátio deserto. Ainda refletindo sobre os últimos acontecimentos envolvendo Lexi, segui direto para o meu quarto. Não tinha a intenção de dormir, mas pretendia tomar banho e trocar de roupa. Por mais interessante que fosse passar um tempo com Alexandra, eu não podia me esquecer das minhas obrigações como rei da cidade. Até porque, não foi fácil reassumir meu lugar de direito em New Orleans. Entretanto, minha cabeça parecia não concordar com essa ideia e me peguei pensando em Alexandra bem mais do que eu gostaria e até mesmo considerava saudável. Como sempre, eu travava uma verdadeira batalha interna. Por um lado, eu me amaldiçoava por ser tão fraco ao ponto de ceder aos encantos de uma mera humana, uma adolescente, ainda por cima. No entanto por outro lado, eu sentia um estranho contentamento em tê-la tão próxima. Por mais atípico e assustador que fosse esse sentimento, eu me sentia cada vez mais afeiçoado a ela.
Algumas horas depois, já com a luz intensa do sol iluminando o casarão, retornei ao pátio, o encontrando novamente vazio. Estava descendo a escada tranquilamente quando avistei Cami entrando. Minha primeira reação foi a surpresa. Ela sem dúvidas era a última pessoa que eu esperava ver e a julgar pela sua expressão nada boa, diga-se de passagem, imaginei que algo grave tivesse acontecido e involuntariamente meus pensamentos se voltaram para Lexi. Terminei de descer a escada no mesmo momento em que ela parou a minha frente.
— Cami? O que... – Comecei a falar, mas fui interrompido por um sonoro e forte tapa no rosto.
Senti uma certa ardência no lado atingido e permaneci estático por alguns segundos, absorvendo o ocorrido. Foi impossível não me lembrar do tapa que recebi de Lexi, algumas semanas atrás, depois de procura-la na cafeteria que ela costuma frequentar. Pelo visto, não ter o mínimo medo de me enfrentar era mais uma semelhança entre as duas.
Após recuperar-me do choque, virei novamente para encara-la. Minha confusão era nítida. Não tinha ideia do que eu havia feito para receber esse comportamento agressivo.
— Você é mesmo desprezível! Quero que fique bem longe da Lexi! – Vociferou me fazendo perceber o quanto ambas eram parecidas quando o assunto era personalidade forte.
Agora sim eu entendia o motivo de sua fúria. Lexi certamente deve ter contado a ela sobre nossa reaproximação.
— Cami... – Tentei argumentar, porém ela me impediu.
— Não me importa o que você fez ou disse para engana-la, muito menos o que você planeja. Você vai se afastar dela imediatamente! – Exigiu ainda alterada.
Me vi obrigado a me defender. Se fosse outra pessoa em seu lugar, eu com certeza já teria quebrado seu pescoço.
— Cami, eu não estou planejando nada. Eu me importo com a Lexi, assim como também me importo com você. – Assegurei sendo sincero, entretanto não consegui convencê-la.
— Claro! E as habilidades especiais dela não são nem um pouco úteis a você, não é mesmo? – Perguntou irônica. – Se você realmente se importasse com ela, você manteria distância. Que é a única coisa boa que você pode fazer por qualquer pessoa que cruze o seu caminho. – Completou me dando as costas e indo embora sem me dar chance de responder.
Fiquei completamente paralisado. O peso de suas palavras me atingiu como um soco. Nunca esperei uma reação dessas da parte dela, contudo sabia que era compreensível. Cami estava apenas tentando proteger Lexi de mim e eu de forma alguma tirava sua razão. Intencionalmente ou não, eu podia destruir a pobre garota a qualquer instante. E é justamente esse pensamento que me fez perceber o quanto eu sou egoísta. O melhor que eu poderia fazer por Alexandra era mesmo mantê-la o mais longe possível de mim.
(...)
Passei o resto da manhã inteira arquitetando um modo de pôr fim a minha curta amizade com Lexi. Eu não podia mais hipnotiza-la, uma vez que ele ingeria verbena, entretanto... Se eu fosse verdadeiramente rude com ela, talvez ela se magoasse ao ponto de nunca mais querer olhar para minha cara. Só que a ideia de me afastar dela novamente me incomodava de maneira absurda. Era por essas e outras que eu raramente dava uma de altruísta. Qual a graça de fazer coisas que não nos traz nenhum benefício? Nesse caso até me prejudicaria.
Continuei remoendo esse assunto até ser interrompido por Diego. Àquela altura eu já estava em uma das salas do segundo andar, acomodado em um dos sofás com o terceiro copo de uísque em mãos. Observei o vampiro enquanto ele se aproximava de mim com o semblante sério.
— Algum problema, Diego? – Questionei um tanto desatento notando sua hesitação em responder.
— Aquela loira bonitinha que esteve aqui ontem foi vista no Cauldron por alguns dos nossos, na companhia de uma das bruxas. – Informou.
— Como?! – Exclamei pondo-me de pé. Internamente eu torcia para que tivesse escutado errado. Recusava-me a acreditar que Alexandra tinha sido tão estúpida se arriscando desse jeito.
Diego pareceu se acuar um pouco devido a minha explosão repentina.
— Achei que gostaria de saber. – Justificou-se na defensiva.
— Quando foi isso? – Inquiri colocando o copo de uísque sobre a mesinha de centro.
— De manhã. Umas 09h00min, mais ou menos. – Falou incerto.
Estranhamente senti o sangue correr mais rápido por minhas veias. A essa altura, poderia ser tarde demais para fazer alguma coisa.
— Bom trabalho, Diego. Continue assim. E caso algum de vocês veja algo suspeito relacionado a essa garota, não hesite em vim me falar. – Ordenei saindo logo em seguida.
Pretendia ir buscar Lexi pessoalmente. Só que mesmo depois de deixar o casarão eu desejava com todas as minhas forças que eu conseguisse chegar a tempo de resgatar aquela inconsequente. Se bem que com a raiva que eu estava sentido agora, provavelmente eu seria a principal ameaça a ela quando nos encontrássemos.
Estava disposto a invadir o maldito território das bruxas se fosse preciso, mas, para meu alívio, ao chegar numa das esquinas mais famosas da cidade avistei a figura de Alexandra caminhando apressadamente em minha direção, ainda sem me ver. Após verificar que ela, aparentemente, estava inteira, me escondi e aproveitei-me de sua distração para aborda-la de surpresa. No entanto ao tê-la ali bem na minha frente, perdi qualquer vontade de afasta-la.
Mesmo tendo certeza de que ela ficaria melhor sem mim e que o certo seria nos distanciarmos, decidi não fazê-lo. Eu nunca fui de fazer a coisa certa para as pessoas ao meu redor e por mais especial que Lexi fosse, eu não começaria agora. Afinal, sou Klaus Mikaelson. E no fim das contas, o que prevalece são os meus interesses e no momento o meu principal interesse era manter essa garota por perto. O motivo? Nem eu sabia e para ser sincero não fazia questão de saber.
Depois de uma breve discussão sobre sua imprudência, ela logo abrandou a conversa. Como sempre, Lexi parecia saber exatamente o que fazer para me acalmar. Era muito fácil ser dócil com ela... Fácil até demais. Com apenas um de seus sorrisos radiantes, daqueles que seria capaz de desarmar qualquer um, inclusive a mim, me permiti ser arrastado até a cafeteria que ela costumava frequentar. Acabei nem comentando nada sobre meu desentendimento com Cami. Não queria causar mais problemas entre as duas e muito menos dar mais motivos para a loira mais velha me odiar.
Durante o caminho não pude deixar de reparar em como minha melhor amiga estava vestida. Como na maioria das vezes que nos encontrávamos, Lexi usava um short com o comprimento muito abaixo do que deveria. Já a blusa, rosa e simples, tinha uma frase muito interessante estampada nela. Não pude evitar que um sorriso malicioso surgisse em meus lábios.
— Boas meninas amam meninos maus? Por acaso comprou essa blusa em minha homenagem, sweetie? – Verbalizei meus pensamentos, recebendo um olhar confuso seguido por um sorriso encantador como resposta.
— Lamento decepciona-lo, mas... Não. Eu já a tinha bem antes de te conhecer. – Retrucou me fazendo rir.
— Quer dizer então que seu fascínio por caras maus não começou comigo? – Perguntei curioso.
Lexi me encarou por alguns segundos com uma expressão incrédula antes de me dar um fraco tapa no braço.
— Você é inacreditável! – Exclamou balançando a cabeça em negação. – O único bad boy que eu conheci até hoje foi você. O temido e invencível Híbrido Original. – Emendou com certo deboche a última parte.
Encerrei o assunto, dando-me por satisfeito. Era realmente importante que ela sempre tivesse em mente com quem estava lidando. Mesmo que ela não levasse tão a sério quanto deveria esse fato. Porém todo o meu bom humor foi embora quando chegamos a cafeteria. Eu tinha plena consciência de que pessoas Lexi queria me apresentar.
Assim que entramos, meu olhar cruzou-se com o tal Steve. Pela sua cara, ele também não estava nem um pouco feliz em me ver. Quanto a Lexi, se ela notou nossa troca de olhares, resolveu ignorar, pois apenas soprou um beijo para o garoto, que atendia um casal, e seguiu me puxando pela manga da minha jaqueta até o balcão. Lá logo reconheci o mesmo senhor que eu tinha hipnotizado na primeira e única vez que estive ali. Ele que havia me informado o sabor da torta preferida de Lexi.
— Joe! Eu realmente devo estar com muita sorte. Essa é a segunda vez que nos vemos essa semana. – Alexandra o cumprimentou.
— A sorte é minha! Tê-la por aqui deixa o ambiente muito mais agradável. Sem falar que sua presença aumenta consideravelmente a animação de certo funcionário... Se é que me entende. – Brincou o homem arrancando uma risada dela.
Aparentemente Joe ainda não tinha me percebido ali. De qualquer forma, ele já havia perdido pontos comigo por se mostrar a favor do envolvimento de Lexi com o pirralho.
— Claro... Claro. Ah... Antes que eu me esqueça, esse aqui é o Klaus. Ele é um grande amigo meu. – Disse Lexi finalmente me apresentando. Joe voltou sua atenção para mim e logo assumiu uma expressão pensativa.
— Nós já nos conhecemos? – Perguntou confuso.
Achei melhor mentir. Não queria que Lexi se relembrasse o episódio lastimável da única vez em que estivemos aqui juntos.
— Creio que não. Talvez já tenhamos nos esbarrado por aí ou algo do gênero. – Me apressei em responder. O homem pareceu refletir por um momento, mas depois deu de ombros.
— Você tem razão. New Orleans é muito movimentada. De todo jeito, se você é amigo da Lexi já pode se considerar meu amigo também. Seja bem vindo. Vou deixar a Lexi fazer as honras porque ela já é de casa. – Pronunciou simpaticamente.
Lancei lhe um meio sorriso como resposta e acompanhei Alexandra até uma das mesas próximas a vitrine. Nos acomodamos e eu me vi apreciando o lugar.
— Eu venho tanto aqui que essa mesa já é praticamente minha. – Comentou enquanto colocava sua mochila na cadeira ao seu lado. Eu tinha optado por sentar de frente para ela.
— Não me surpreende que goste tanto daqui. É realmente um local calmo e agradável. – Opinei recebendo um dos seus lindos sorrisos.
Não demorou muito e Steve veio nos fazer companhia. Como diz o ditado: Tudo que é bom, dura pouco. O observei ocupar a única cadeira vaga na mesa, que infelizmente também era ao lado de Lexi.
— Oi. – Sussurrou no ouvido dela, dando um demorado e barulhento beijo em sua bochecha.
— Oi. – Lexi murmurou de volta grudando-se nele sorridente, logo voltando sua atenção para mim. – Lembra-se do Klaus? – Perguntou ainda sorrindo.
Steve virou-se lentamente em minha direção expressando em seus olhos o espelho exato do que eu sentia por ele: Aversão pura e simples.
— Lembro. Inclusive, achei que estivessem brigados. – Respondeu pondo um braço ao redor dos ombros de Alexandra, a puxando para mais perto. Mais um pouco e ela estaria no colo dele.
— Estávamos, mas nossa conexão é forte demais para ficarmos afastados por muito tempo. – Me pronunciei com cinismo não perdendo a chance de provoca-lo.
— Posso imaginar. – Disse Steve forçando um sorriso.
— Somos melhores amigos, as brigas fazem parte. Mas o que realmente importa é que estamos aqui agora e vocês dois finalmente vão poder ter uma conversa decente. – Interferiu Lexi.
Fiz a minha melhor cara de deboche para o garoto, deixando bem explicita a minha vontade de dialogar com ele. E Steve não só entendeu a mensagem, como também parecia tão disposto quanto eu a “estreitar” nossa relação.
— Infelizmente não vai dar. Meu intervalo acabou. – Informou ele voltando sua atenção totalmente para Lexi, brincando com a pena do enfeite que ela usava no cabelo.
O sorriso arrogante que eu até então exibia logo se desfez. Eu simplesmente odiava a intimidade que ele demonstrava ter com ela.
— Já? – Perguntou Alexandra fazendo um biquinho que eu teria considerado extremamente adorável se não tivesse sido direcionado aquele moleque.
— Sim. – Falou aproximando-se ainda mais dela, a beijando de forma demorada, ignorando totalmente minha presença.
Por mais perturbadora que fosse a cena, não consegui desviar o olhar. Inúmeras formas diferentes de mata-lo e tira-lo do meu caminho se passavam em minha cabeça. Cada uma mais violenta e dolorosa do que a outra. O que eu sentia ao ver os dois juntos era semelhante ao que eu sentia em relação à Rebekah e seus patéticos envolvimentos amorosos. Aquele garoto não era bom o suficiente para Alexandra e jamais seria.
Quando os pombinhos finalmente se separaram, Lexi estava envergonhada. Já Steve parecia bastante feliz consigo mesmo, uma vez que, na cabeça dele, tinha cumprido com sucesso sua missão de marcar território. E esse pensamento fez um sorriso perverso surgir em meu rosto. Mal sabia ele que eu era o macho alfa.
— Não se esqueça do nosso jantar sexta à noite. – Lembrou afastando-se um pouco. Mais uma vez senti vontade de me livrar dele o quanto antes. – Foi um prazer revê-lo, Klaus. – Emendou estendendo uma mão pra mim já de pé.
— Igualmente. – Retruquei levantando e apertando sua mão com mais força do que deveria, aproveitando para olhá-lo de cima.
Naquele momento ficou mais do que claro que ele seria um verdadeiro empecilho entre mim e Lexi. Só que no que dependesse de mim, não por muito tempo. Ele não a merecia e eu como seu melhor amigo tinha carta branca para protegê-la. Até de si mesma.
(...)
Depois que Steve voltou a exercer seu papel de garçom, enfim pude desfrutar do ambiente e ter a atenção de Lexi exclusivamente para mim. Não demorei de convencê-la a ir embora. Eu precisava voltar ao casarão para uma reunião com Marcel e Elijah sobre a atual situação das bruxas na cidade e não queria deixar Lexi no mesmo lugar que Steve. Não quando podia mantê-la comigo. A acompanhei até em casa e me despedi, recebendo um abraço bem apertado dela. Jamais admitiria, mas adorava a sensação de tê-la tão próxima.
Quando cheguei ao casarão, Elijah era o único a vista no pátio. Caminhei até ele com um sorriso no rosto. Esse era um dos efeitos que Alexandra causava em mim. Observei meu irmão que como sempre ostentava uma postura séria e me encarava com uma expressão especulativa.
— Por onde esteve? – Questionou tirando as mãos dos bolsos da calça.
— Por aí na companhia de Lexi. – Respondi retirando minha jaqueta. Elijah me analisou em silêncio.
— Não acha que está se envolvendo demais com essa garota? – Voltou a perguntar. Meu sorriso sumiu imediatamente.
— O que eu acho, irmão, é que minha relação com Alexandra não é da sua conta. – Retruquei curto e grosso. A preocupação dele com Lexi me irritava profundamente.
— Lexi não é mais um dos seus peões de jogo, Niklaus. Ela é uma boa garota e quero que saiba que eu me sentirei pessoalmente ofendido caso você faça algo que venha a prejudica-la. – Afirmou me fazendo encará-lo.
— Como é que é? Isso por acaso é uma ameaça? Até onde eu sei você mal a conhece. Eu já disse isso hoje, mas vou repetir. Minhas intenções com ela são as melhores possíveis e mesmo se não fossem você não teria nada a ver com isso. – Rebati avançando nele, parando a poucos centímetros de distância.
— Entenda como quiser. Meu recado está dado. E o fato de tê-la conhecido primeiro não lhe dá nenhum direito sobre ela. Fico feliz que estejam se dando tão bem, entretanto isso não muda minha posição. Lembre-se de que terá um problema comigo se prejudica-la. – Encerrou a discussão, sustentando o olhar inflamado que recebia de mim. – Marcel já está nos esperando lá em cima. – Completou antes de se afastar. O deixei subir a escada me controlando para não ataca-lo.
Sua mania de se meter em meus assuntos era algo que definitivamente me tirava do sério. E como se não bastasse, esse repentino zelo que ele adquiriu por Alexandra me corroía por dentro. Uma coisa era disputar Lexi com um garoto qualquer e outra bem diferente era ter Elijah no páreo. Mas independentemente do rival, derrota era uma palavra que não existia no meu vocabulário. Não deixaria ninguém se interpor entre mim e Lexi.

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