I Just Wanna Stop
12 Esclarecimentos e Romance
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Acordei, poucas horas depois, ainda desnorteada. Constatei chocada que para meu azar, ou não, minha conversa com Klaus não havia sido um sonho. Remexi-me na cama a procura do meu celular e encontrei um papel dobrado próximo a meu travesseiro. Peguei o papel e automaticamente a imagem de Klaus escrevendo nele surgiu em minha cabeça. Abri o bilhete, que além de um endereço, continha uma curta mensagem escrita em uma caligrafia impecável.
Encontre-me aqui assim que acordar.
Klaus
Suspirei passando a mão pelo cabelo. Com tudo que eu tinha ouvido ontem, seria mais do que natural eu me afastar dele e convencer Cami a deixar a cidade, sumindo daqui para sempre. No entanto, eu já estava envolvida demais, sobretudo com Klaus, para largar tudo e fugir. Embora estivesse com medo das minhas recém-descobertas, não me acovardaria tão facilmente.
Depois de levantar, tomei banho e me arrumei normalmente, apesar de ainda não ter ideia do que me esperava. Ao sair do quarto, esbarrei em Cami, que depois de me fazer um interrogatório sobre ontem, o que me obrigou a fazer umas das coisas que eu mais detestava, principalmente com ela, mentir. Confirmei a história que Marcel tinha contado para ela e quando finalmente consegui desviar o rumo da conversa, fomos tomar café. Era raro fazermos a primeira refeição do dia juntas, mas como hoje ela só trabalharia no turno da noite, teria o dia livre. Esperei Cami sair para resolver seus assuntos e saí logo em seguida. Peguei meu carro, indo até o endereço que Klaus havia deixado para mim.
(...)
Desci do carro batendo a porta com um pouco de força e observei o local ao meu redor. O lugar era afastado do French Quarter e parecia fazer parte das construções históricas da cidade. Uma imensa e elegante mansão erguia-se bem a minha frente. Olhei para trás e vi uma enorme macieira carregada de frutos. Algumas maçãs estavam espalhadas pelo chão ao redor da árvore.
Sentindo um estranho pressentimento, avancei alguns passos, subindo os degraus que davam acesso a varanda. Parei diante da porta sem saber o que fazer. Dividida entre bater ou não, optei pela segunda alternativa ao perceber que a porta estava aberta. Respirando fundo e contando até três mentalmente, girei a maçaneta, me deparando com um ambiente bem iluminado e muito elegante. Ainda admirada com a decoração e a arquitetura da mansão, segui adiante e acabei chegando a uma espécie de sala de estar. Paralisei à soleira da porta, ao notar quem estava no cômodo.
Elijah encontrava-se sentado em uma poltrona de frente para onde eu estava e tinha um grosso e antigo livro no colo. Sua expressão ao me encarar, apesar de impassível, demonstrava curiosidade. Já Rebekah, que estava em pé atrás do sofá onde Klaus estava sentado, também de costas para mim, virou-se lentamente em minha direção, tendo seu movimento imitado por Klaus. Enquanto a loira mantinha um olhar curioso e confuso, Klaus abriu um enorme sorriso.
— Lexi! Finalmente! – Exclamou fechando o livro que repousava sobre seu colo, o largando ao seu lado no sofá. Permaneci onde estava sem saber o que fazer. – Vamos, aproxime-se! Eu garanto que não iremos mordê-la. – Completou em um tom malicioso.
Eu entendi sua brincadeira de duplo sentido e apesar do arrepio que percorreu meu corpo, acatei o seu pedido. Caminhei hesitante até o centro da sala, mas detive o passo ao ver o corpo de uma moça sobre a mesinha de centro. Havia um corte em seu pescoço e o sangue escorria em gotas contínuas até o tapete. Arregalei os olhos em espanto, olhando para Klaus. Como resposta, ele apenas deu de ombros, ignorando meu susto.
— Perdoe-me por isso. Eu a trouxe como uma oferta de paz. Entretanto, como pode ver, meu irmão recusou. – Disse simplesmente. Intercalei meu olhar entre ele e Elijah ainda em choque. Rebekah que até então observava tudo calada, resolveu se manifestar.
— O que ela faz aqui, Nik? – Indagou analisando-me da cabeça aos pés.
— Também gostaria de saber. – Concordei cruzando os braços, evitando olhar o corpo.
— Em primeiro lugar, creio que deva apresenta-las de maneira apropriada. Lexi, esta é minha favorita e única irmã, Rebekah. E, Rebekah, esta é minha mais nova amiga, Lexi. – Apontou nos dirigindo mais um dos seus sorrisos zombeteiros.
— Acho que se esqueceu de mencionar que ela também é a única amiga que você tem. – Retrucou Rebekah sorrindo irônica para o irmão. Klaus retribuiu com um sorriso forçado.
— Se puderem parar com as infantilidades, eu gostaria de descobrir qual o propósito da presença de Lexi aqui. – Interveio Elijah, fechando o livro que tinha em mãos, olhando de mim para Klaus.
— A resposta é muito simples, meu caro irmão. A jovem Alexandra possui algumas habilidades especiais formidáveis e que nos serão muito úteis. – Explicou Klaus fazendo seus irmãos me encararem. Franzi o cenho em sua direção.
— Habilidades especiais? – Repetiu Elijah intrigado.
— Do que está falando, Nik? Ela é humana. – Interpelou Rebekah.
Nesse momento, uma mulher muito bonita, na casa dos vinte anos, entrou na sala. Ela estava com roupa de dormir e parecia ter acabado de acordar, a julgar pelo estado meio desgrenhado do seu cabelo castanho. Seus olhos verdes percorreram a sala até pararem em mim.
— Eu ouvi vozes... Quem é ela? – Perguntou encarando-me diretamente.
— Hayley! Agora nossa pequena reunião familiar está completa! Essa é Lexi e como eu estava dizendo aos meus irmãos, ela será uma grande aliada para alcançarmos nossos objetivos. – Respondeu Klaus.
— O quê?! – Exclamei horrorizada. O arrependimento por ter ido ali, atingindo-me como uma bofetada.
— Não se preocupe, Lexi. Sente-se aqui e explicarei a você tudo o que está acontecendo. – Garantiu Klaus indicando o espaço vago no sofá que ele ocupava.
Com o coração e a cabeça a mil, o obedeci sentando o mais distante possível dele. Hayley, que assim como os demais observava a tudo com desconfiança, sentou-se na poltrona ao lado de Elijah enquanto Rebekah permaneceu de pé.
— É melhor que essa conversa seja breve. Estão manchando um tapete de duzentos anos. – Comentou a loira se dirigindo aos irmãos enquanto mirava a mancha de sangue no chão.
Segui seu olhar e senti meu estômago se remexer inquieto. Talvez ser sempre corajosa fosse mesmo burrice. Talvez eu devesse ter fugido enquanto ainda podia.
(...)
Depois de ouvir tudo que Klaus tinha a dizer, o meu primeiro impulso foi correr até a saída e ir para o mais longe possível. No entanto, minha segunda reação foi questionar em que diabos eu havia metido. Se arrependimento matasse, eu provavelmente já teria me juntado ao corpo inerte da moça, que agora jazia em algum lugar fora do alcance dos meus olhos graças a Rebekah, que tinha feito o favor de se livrar do cadáver. E a terceira reação foi me beliscar discretamente para me certificar que tudo aquilo infelizmente não era um pesadelo.
— Okay... Vamos ver se eu entendi tudo. A Hayley está grávida de você e as bruxas acham que a filha de vocês é tipo o bebê de Rosemary. Além disso, você quer recuperar o comando da cidade que agora pertence a Marcel e seus vampiros. Ou seja, New Orleans está à beira de uma guerra entre vampiros, bruxas e Originais. Esqueci alguma coisa? – Pronunciei sem consegui camuflar a nota de ironia e receio em minha voz.
Os olhos de todos estavam em mim. Enquanto Klaus me encarava com um sorriso de canto, Elijah analisava-me com o semblante sério e Hayley parecia indiferente. Já Rebekah aparentava divertimento.
— Gostei dela. Além de ter senso de humor, pega as coisas bem rápido. – Comentou sorrindo para mim. Mesmo sem querer, acabei sorrindo de volta. Eu sabia que vindo dela, aquele era um tipo de elogio.
— Você resumiu tudo muito bem, sweetie. – Aprovou Klaus.
— Só não entendi ainda como eu posso ajudar nisso. Como vocês estão cansados de saber, eu sou humana. Não faço feitiços, nem sou invencível e muito menos imortal. – Lembrei.
— Mas você possui algo que ninguém mais tem. O passado das pessoas, Alexandra, sobretudo de seres como nós pode ser a nossa maior fraqueza. Você tem o poder de ver todos os nossos pecados, nossos segredos e tudo o que já fizemos ou passamos. E essa é uma arma muito poderosa. – Contrapôs Klaus.
Por mais que eu não quisesse, fui obrigada a concordar com ele. Na maioria das vezes as pessoas escondiam no passado seus maiores e piores erros e eu, involuntariamente, podia ter acesso a tudo com apenas um toque.
— Não funciona do jeito que está pensando. – Rebati. Não queria me deixar convencer por ele.
— Então nos conte como funciona. – Sugeriu Elijah. Ele agora me encarava com toda a atenção do mundo.
Suspirei me dando por vencida.
— Para ver o passado das pessoas, eu preciso entrar em contato com a pele. Por exemplo, se eu quisesse ver algo sobre você teria que tocar seu rosto ou então segurar sua mão, já se fosse com Heyley bastava tocar no braço dela. – Esclareci uma vez que ele usava um elegante terno enquanto Hayley vestia um conjunto de baby doll de alças.
Agora todos me encaravam como se eu fosse uma espécie de animal perigoso do qual eles tivessem que manter distância.
— É realmente impressionante. – Disse Elijah por fim.
— Como já está tudo esclarecido, acho que agora podemos começar a cuidar do que interessa. – Falou Klaus depois de um tempo, quebrando o silêncio perturbador.
— Você está certo, Niklaus. Temos que desligar a vida de Hayley da de Sophie o quanto antes e eu já sei como iremos fazer isso. – Prosseguiu Elijah.
— Sophie? Sophie Deveraux? – Indaguei curiosa ao reconhecer esse nome.
— Sim. Por acaso a conhece? – Dessa vez foi Hayley quem perguntou.
— Conheço. Ela cozinha no bar em que Cami trabalha. Se não me engano, acho que a família dela é proprietária do Rosseau’s. Ela é...? – Não consegui concluí a frase. Quantos outros seres sobrenaturais eu conhecia sem saber?
— Ela é uma bruxa. E inclusive é uma das responsáveis por termos voltado à cidade. – Respondeu Klaus.
— Como pretende desligar a Hayley dela, Elijah? – Questionou Rebekah, retomando o assunto anterior.
— Através de Davina. Em troca da minha liberdade prometi dar algumas páginas do livro de feitiços da nossa mãe para ajuda-la a controlar sua magia. Pensei em começar com um feitiço de desligamento. – Informou o moreno. – Sophie nos trouxe para cá sob falsas alegações. Não queria só que derrubássemos Marcel e seus servos. Ela quer recuperar Davina. Então ela uniu a própria causa a nossa com magia, ameaças e meias verdades. Bom, não mais. A partir de agora, nosso acordo com Sophie Deveraux é nulo e sem efeito. – Arrematou. Fiquei em silêncio. Afinal não havia muito a ser dito. Elijah levantou-se.
— Rebekah, você fica aqui tomando conta da Hayley. – Ordenou.
— Desde quando eu virei a Super Nanny? – Contestou a loira. Elijah a ignorou.
— Niklaus, você vem comigo. Quero cinco minutos com Davina. Precisa garantir que não me interrompam. – Completou. – E quanto a você... – Apontou para mim.
— Já estou de saída. – Apressei-me em dizer. – Tenho um compromisso essa noite e preciso de tempo para me arrumar. – Emendei lembrando-me subitamente do meu encontro com Steve. Klaus me olhou de um jeito estranho, porém não fez nenhum comentário.
— Muito bem, então. Creio que não precise de carona. – Observou Elijah.
— Não. Estou com meu carro. – Afirmei levantando. – Apesar das circunstâncias, foi um prazer conhece-las. – Me dirigi a Rebekah e Hayley. Ambas sorriram para mim.
— Veremos por quanto tempo achará isso, honey. Se bem que depois de conhecer Klaus, poucas experiências podem ser tão desagradáveis. – Alfinetou Rebekah. Não respondi. Apenas sorri de volta para elas e deixei a sala na companhia de Klaus e Elijah. Quando chegamos à frente da casa, virei-me para os dois.
— Espero que tenham sorte com a missão de vocês. E, por favor, não machuquem a Sophie. Eu não a conheço muito bem, mas ela me parece ser uma boa pessoa. – Pedi.
— Como sempre, sweetie, você se deixando levar pelas aparências... – Disse Klaus aproximando-se de mim. – Não conte a ninguém nada do que viu e ouviu aqui e muito menos sobre esse endereço. – Ditou olhando dentro dos meus olhos. Assenti. – Agora vá e aproveite o restante do dia. – Finalizou.
O obedeci. Despedi-me dele e Elijah e caminhei até o meu carro, entrando no mesmo e indo embora dali.
(...)
Fechei a porta atrás de mim, sendo surpreendida pela figura de Cami no sofá. Não imaginei que a encontraria em casa. Depois da minha visita a Klaus, a única coisa em que eu pensava era no conforto e na segurança do meu quarto.
— Hey! – A cumprimentei jogando minhas chaves sobre a mesinha de centro. Ao olhar para o móvel, foi impossível não me lembrar do corpo da desconhecida estirado na sala de estar da casa dos Originais.
— Hey! Por onde esteve? Achei que fosse passar o dia em casa. – Respondeu Cami alheia ao meu estado de espírito.
— Eu estava... Fui dar uma volta por aí. E você? – Me esquivei mudando o foco da conversa. Não poderia envolvê-la de modo algum nos meus recentes problemas.
— Fui visitar o túmulo do Sean. – Falou depois de um tempo.
— Por que não me disse? Eu teria ido com você. – A repreendi sentando ao seu lado. Eu sabia perfeitamente o quanto esse assunto era delicado para ela.
— Não tem importância. – Afirmou com um sorriso triste. – Sabe quem está de volta? – Indagou em seguida, mudando de assunto.
— Quem? – Perguntei sem fazer a menor ideia de quem pudesse ser.
— O padre Kieran. – Revelou mais animada.
— Sério?! Quando foi que ele chegou? – Procurei saber curiosa. Até onde eu me lembrava, ele tinha deixado a cidade logo após a nossa chegada e a igreja pela qual ele era responsável continuava fechada até hoje.
— Acho que há poucos dias. Ele não veio me procurar, então creio que estivesse me evitando. – Contou. – Mas não quero falar sobre isso, quero falar sobre você. Tenho te achado meio estranha ultimamente. Por acaso está me escondendo algo, Lexi? – Inquiriu.
Engoli em seco. Era em momentos como esse que eu detestava os conhecimentos psicológicos de Cami. Era praticamente impossível esconder alguma coisa dela.
— Estou. Eu... Eu tenho um encontro com o Steve essa noite. – Declarei com um sorriso falso no rosto. Embora não fosse essa a razão das minhas preocupações, não chegava a ser uma mentira. Eu apenas estava omitindo parte da verdade.
— Jura?! Por que não me contou isso antes? Estou tão feliz por você! Já sabe que roupa vai usar? Eu sei que parece que ainda é cedo, mas é melhor começar a se arrumar. O tempo parece voar nessas ocasiões... – Tagarelou levantando do sofá e me puxando junto.
Revirei os olhos, mas acabei sorrindo. Talvez não fosse tão errado assim mentir para proteger as pessoas que amamos.
(...)
Embora tivesse negligenciado meu encontro com Steve durante a maior parte do dia, uma vez que meus pensamentos sempre me levavam para o mundo sobrenatural, enquanto eu me arrumava, o nervosismo pelo o que estava prestes a fazer começava a dar sinais de vida. Eu era esperta o suficiente para saber que diferentemente das outras vezes que saímos, esse encontro tinha um interesse a mais do que amizade. E eu não fazia a mínima ideia de como me sentia com relação a isso.
Saí dos meus devaneios ao perceber que Steve me encarava. Depois de um agradável e divertido jantar em um charmoso e conhecido restaurante, resolvemos dar um passeio pela cidade.
— O que foi? – Indaguei sorrindo ao notar seu embaraço por ter sido pego.
— Nada. É só que... Você está muito linda hoje. – Disse parecendo ainda mais envergonhado.
— Obrigada. Você também está ainda mais gato essa noite. – Brinquei o fazendo rir.
Voltamos a andar em silêncio. A brisa agradável da noite e o som do jazz que animava a cidade, deixando um clima ameno entre nós. Paramos em uma praça e eu puxei a mão de Steve para que se sentasse em um dos bancos. Depois que ele o fez, continuei de pé em sua frente.
— O que quer fazer agora? – Perguntou analisando-me da cabeça aos pés.
— Não sei. Acho que ficar aqui observando as estrelas me parece bom. – Respondi olhando para o céu, que ao contrário dos meus pensamentos, estava límpido e repleto de pontos brilhantes.
— Você quem sabe. Já me dou por satisfeito só de ter sua companhia. – Declarou me fazendo encará-lo.
Seu belo rosto transparecia uma emoção que eu nunca tinha visto antes. Senti uma sensação boa se apossar de mim.
— Não seja bobo, Steve. Se sua intenção é derreter meu coração, saiba que está quase conseguindo. – Afirmei sentando ao seu lado e ganhando um sorriso como resposta.
— Fico feliz em ouvir isso. Desde que a vi passando pela porta do Joe, esse se tornou o meu objetivo de vida. – Revelou. Acabei rindo.
— Creio que não tenha sido uma jornada tão longa assim, afinal poucos meses depois cá estamos nós. – Comentei ainda sorrindo. Essa era uma das coisas que eu gostava nele. Quando estávamos juntos, tudo parecia ficar mais leve e fácil.
— Realmente. – Concordou também sorrindo. – Porém você não parecia gostar muito de mim no começo. – Observou me fazendo rir novamente.
— Digamos que era apenas autopreservação feminina. Como eu iria saber que não jogava seu charme irresistível para todas? – Retruquei arqueando uma sobrancelha. Prendi o riso ao vê-lo passar a mão pelo cabelo, claramente embaraçado.
— Tudo bem... Você me pegou. Mas eu juro que depois que eu te conheci, guardei todo meu charme somente para você. – Assegurou.
— Ah... Eu tenho certeza que sim. – Ironizei recebendo um fraco cutucão dele.
— Estou falando sério. Não sabe o quanto eu esperei por esse momento. – Retorquiu assumindo um tom diferente. Virei-me para olhá-lo e senti meu coração acelerar ao encontra-lo tão perto.
— Não duvido de você. – Disse também mais séria. Meus olhos alternando-se entre seu olhar e sua boca.
— Isso é muito bom. – Sussurrou antes de terminar a distância entre nós, juntando nossos lábios. Não tive outra reação além de corresponder.
O beijo calmo e delicado logo se tornou mais intenso. Passei uma das mãos por seu pescoço, entrelaçando meus dedos em seu cabelo. Como resposta, Steve enlaçou minha cintura, me trazendo para mais perto.
Por um momento me esqueci de todos os meus problemas. Sonhos, pesadelos, dons, vampiros, bruxas, lobisomens, Originais... Tudo isso indo parar em um canto bem remoto da minha mente enquanto me dava conta de eu gostava mais de Steve do que imaginava.
O senti apertar levemente minha cintura, me fazendo acordar. Coloquei minha mão livre sobre a sua, aproximando ainda mais nossos corpos. Quando o ar se fez necessário, interrompemos o beijo, mas sem nos afastar um centímetro sequer.
— E agora? Como nós ficamos? – Perguntou Steve com a respiração tão descompassada quanto a minha.
— Exatamente assim. – Afirmei indicando sua mão em minha cintura. Não esperei ele responder, apenas o beijei novamente, sendo prontamente correspondida.
Não queria pensar em compromisso e nem em nada que fosse complicado. Queria apenas aproveitar a sensação de me descobrir apaixonada e, principalmente, de saber que esse sentimento novo e inesperado é recíproco.
(...)
Cheguei casa radiante. Depois de me livrar do interrogatório de Cami sobre como tinha sido minha noite, segui para o quarto, deixando minha bolsa sobre a escrivaninha e me jogando sobre a cama.
Tirei as sandálias e quando peguei meu celular, o qual eu tinha deixado em casa, vi várias ligações perdidas de Klaus. Toda minha alegria anterior deu lugar à péssima sensação de que havia acontecido algo muito grave. Antes que eu pudesse retornar as ligações, o celular vibrou em minhas mãos e eu não hesitei em atendê-lo no primeiro toque. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, uma voz grave e carregada de sotaque soou do outro lado da linha.
— Onde você estava? – Indagou Klaus aparentemente nervoso.
— Eu... Saí e deixei o celular em casa. Aconteceu alguma coisa? – Respondi ignorando sua impaciência.
— A Hayley sumiu. – Disse sem rodeios fazendo meu coração falhar uma batida.
— O quê?! – Exclamei em choque, ainda absorvendo a notícia.
Pelo visto a minha noite não teria o final feliz que eu havia imaginado.
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