Notas iniciais
Good night, sweethearts! Primeiramente gostaria de agradecer aos comentários completamente divosos e gatíssimos de vocês! Adorei muito cada um deles! *u* *u* Peço desculpas pela demora, mas é que esse capítulo foi bem complicadinho de escrever e eu acabei tendo que dividi-lo em dois, se não ficaria imenso e.e Enfim... Sem mais delongas... Boa leitura e espero que gostem!

Pov. da Lexi

Eu admirava a paisagem que passava pela janela como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Ainda estava chateada com Klaus por ter me obrigado a deixar Hayley e Elijah para trás. A essa altura eles deviam estar preocupados comigo e talvez até imaginando que o pior pudesse ter acontecido.

O silêncio dentro do carro era absoluto. Agora era Klaus quem dirigia e eu ocupava o banco do carona. Eu me recusava a olhá-lo, por isso mantinha o rosto virado para janela e os braços cruzados em um claro sinal de insatisfação. Apesar de pretender dar um gelo nele durante toda a viagem, minha curiosidade em descobrir como ele havia feito para me persuadir de forma tão... Incontestável falou mais alto.

— O que fez comigo para me forçar a mudar de ideia? – Perguntei virando-me para ele. Antes de responder, Klaus abriu um sorriso debochado. Provavelmente por eu enfim ter quebrado o silêncio.

— Aquilo se chama hipnose, sweetie. É um pequeno truque que os vampiros são capazes de fazer. – Respondeu cínico.

— E como isso funciona? Tipo, se você me mandasse pular de uma ponte, eu realmente pularia? – Retruquei curiosa.

— Exatamente isso. Rebekah tem razão. Você pega as coisas bem rápido. – Comentou com um sorriso irônico enquanto eu ainda absorvia a informação.

— Todos os vampiros podem fazer isso? – Questionei.

— Sim, mas só com humanos. Meus irmãos e eu por sermos os primeiros da nossa espécie a serem criados podemos hipnotizar qualquer pessoa, exceto pelas bruxas. Elas não podem ser compelidas. – Explicou.

— Isso quer dizer que você pode me obrigar a fazer qualquer coisa que você queira? – Inquiri impressionada. Klaus desviou os olhos da pista para mim por um instante.

— Sim. – Disse de modo sério. Arregalei os olhos em espanto. – Não se preocupe. Não pretendo fazê-la pular de uma ponte. – Acrescentou com humor, repetindo o que eu tinha dito. Ergui uma sobrancelha o encarando.

— Fico feliz em ouvir isso. Soa... Bastante reconfortante depois de descobrir que posso ser manipulada desse jeito. – Ironizei voltando a fitar a janela.

— Achei que fosse ficar sem falar comigo o caminho inteiro. – Mudou de assunto.

— A intensão era essa, na verdade ainda é. – Rebati sem me virar. Klaus soltou um risinho baixo, mas não fez nenhum comentário.

Senti algo vibrar no meu bolso e fiquei surpresa ao constatar que era meu celular. Com tudo o que havia acontecido, até esqueci que o tinha trazido. Peguei o aparelho e sorri ao ver o nome de Steve piscando na tela. Atendi a ligação no terceiro toque.

— Já com saudades? – Perguntei ainda sorrindo.

— Você não imagina o quanto. – Steve respondeu do outro lado da linha. Não consegui conter o riso. – Estou falando sério. Pensei em você a noite inteira. – Declarou.

— Eu também gostei muito de ontem. Foi a melhor noite que eu tive desde que mudei para cá. – Falei sendo sincera. Meus momentos com ele, principalmente agora, representavam para mim um porto seguro. Bem longe do sobrenatural e dos meus problemas.

— Então isso significa que haverá outras vezes? – Indagou visivelmente entusiasmado.

— Pode ter certeza que sim. – Confirmei sorrindo ainda mais.

— Mal posso esperar. – Sussurrou me causando um arrepio. – Eu tenho que desligar agora. Te ligo novamente depois que sair do Joe... E por falar nele, ainda preciso contar a novidade. – Completou rindo com a última parte.

— Tudo bem. Tenho certeza de que ele irá adorar a notícia. – Assenti.

— Nos falamos mais tarde. Não vou te mandar beijos porque prefiro entrega-los pessoalmente. – Despediu-se me fazendo balançar a cabeça em negação.

— Tchau, Steve. Tenha um bom dia. Beijos. – Disse enfatizando a última palavra somente para provoca-lo e encerrando a ligação. Fiquei algum tempo encarando o celular com um sorriso bobo.

— Então era esse o seu “grande compromisso”? – Interpelou Klaus atraindo minha atenção para ele.

— O quê? – Perguntei sem entender.

— Foi esse o compromisso tão importante que teve ontem? Um encontro romântico com um garoto chamado Steve? – Repetiu mais claramente em um tom carregado de sarcasmo.

— Você ouviu a conversa? – Foi a única coisa que eu consegui formular.

— Não pense que fiz isso por vontade própria, sweetie. Não sei se mencionei esse detalhe, mas vampiros também têm super audição. – Retorquiu ainda no mesmo tom.

O encarei sem saber o que dizer. Klaus não me olhou de volta. Ele continuou com os olhos na estrada, porém sua postura era tensa e aparentemente irritada.

— Creio que tenha sido por isso que não atendeu as minhas ligações. Imagino que estava muito ocupada. – Prosseguiu sem alterar sua expressão apertando as mãos ainda mais no volante.

— Como é? – Confrontei não gostando nem um pouco do rumo que a conversa estava tomando.

— Esqueça o que eu disse. Tenho preocupações bem mais relevantes do que a sua vida amorosa. – Retrucou grosseiro.

— Como, por exemplo, a culpa por ter mordido o próprio irmão e tê-lo largado num pântano junto com a mãe do seu filho? – Objetei em tom acusatório.

Klaus finalmente virou-se para mim. Seu semblante tão sombrio que por um momento me assustou. Ele freou o carro fazendo com o mesmo parasse de forma brusca.

— O que te faz pensar que pode falar comigo nesse tom? – Questionou de modo ameaçador.

— O fato de eu ser sua única amiga e também a única que, contrariando a tudo e a todos, confia em você. – Rebati com petulância fazendo seu semblante tornar-se ainda mais carregado.

— Você está extrapolando perigosamente os limites da minha paciência, Alexandra. – Advertiu inclinando-se em minha direção. Resisti ao impulso de me encolher.

— Você não vai me machucar. – Afirmei o enfrentando.

— Como pode ter tanta certeza disso? – Contestou chegando ainda mais perto.

— Está estampado nos seus olhos. – Respondi o encarando. Isso pareceu desarmá-lo. Klaus sustentou meu olhar e depois de algum tempo me analisando, ele se afastou.

— Você vê coisas demais, Alexandra. Talvez tivesse sido melhor deixa-la fazer companhia a Elijah e Hayley. – Resmungou sem me olhar.

— Não estamos tão longe assim. Ainda dá tempo de mudar de ideia. – Lembrei pondo a mão sobre a porta do carro, pronta para abri-la.

Ele não respondeu, apenas me fitou brevemente e ligou o carro de novo. O observei por alguns segundos, mas logo voltei a minha posição anterior, virada para janela. Pelo visto a viagem de volta para casa seria bem mais longa do que eu tinha imaginado. Eu até agora não tinha entendido direito o motivo da discussão. A única coisa que ficou clara para mim é que Klaus é uma pessoa extremamente difícil de se relacionar. Entretanto, talvez eu fosse a pessoa certa para lidar com ele.

(...)

Uma hora e meia depois, eu já avistava as primeiras construções do French Quarter e o silêncio dentro do carro estava começando a me incomodar. Embora não tivesse sido a responsável pelo nosso desentendimento e muito menos a errada da história, detestava a sensação de estar brigada com ele. E pensar que no começo eu queria ignorá-lo. Ao que parecia, a bipolaridade de Klaus era contagiosa.

Permanecemos em silêncio até ele estacionar o carro em frente a minha casa. Não me preocupei em ser flagrada por Cami, pois devido ao horário ela certamente já estaria no trabalho. Fiquei algum tempo parada sem saber o que fazer. Não queria discutir com ele novamente, então achei melhor reiniciar a conversa de forma mais branda.

— Obrigada pela carona. E me desculpe por mais cedo. Eu imagino o quanto você deve estar chateado com tudo que aconteceu. Mas o que eu quero que saiba é que eu estou aqui para quando precisar. – Falei. Apesar de não ter se virado para mim, eu sabia que Klaus me ouvia atentamente. – Tenho certeza de que você e Elijah farão as pazes. Ele errou ao desconfiar de você, mas tenho certeza que ele irá se retratar. E quanto a Rebekah... Ela deve ter tido os motivos dela para ir embora, porém sei que ela voltaria se você precisasse dela ou até mesmo se a chamasse. – Completei sabendo que era isso que realmente o aborrecia.

— Você tem uma visão tão otimista de tudo, Alexandra. Minhas desavenças com meus irmãos são bem mais antigas do que essa cidade. – Respondeu finalmente me olhando. – Eles sempre fazem isso. Me abandonam, me traem... Tudo o que eu quero é recuperar o nosso lar, mas Elijah e Rebekah preferem me dar às costas e até mesmo se juntarem aos meus inimigos a ficar ao meu lado. – Acrescentou.

Nesse momento, ele me pareceu tão triste e sozinho que eu senti a necessidade de confortá-lo. Aproximei minha mão da sua, mas antes que pudesse tocá-la, Klaus afastou sua mão de mim como se eu estivesse prestes a lhe dar um choque. O fitei sem entender sua reação. Ele me encarou de volta, aparentemente aturdido, e foi então que eu me lembrei dos meus “dons”.

— Desculpe... Eu não... – Tentei me justificar querendo deixar claro que não tive a intenção de ver o seu passado.

— Tenho que cuidar de alguns assuntos agora. – Interrompeu-me ele. – Eu te ligo, caso eu precise de você. – Informou de forma fria.

— Tudo bem. – Assenti ainda confusa saindo do carro.

Klaus deu partida no mesmo, indo embora. O observei sumir na rua e suspirei me dando por vencida. Tudo nele era tão complicado que por mais que eu quisesse ajudar, não sabia como. Talvez um pouco de carinho e confiança fosse tudo o que ele precisava.

(...)

Depois de tomar um demorado banho e dar um jeito nas minhas botas, para que Cami não desconfiasse de nada quando chegasse, joguei-me em minha cama para tentar descansar pelo menos fisicamente. Eu estava preocupada com Hayley e Elijah sozinhos naquele lugar, ainda mais no atual estado dos dois, ela grávida e ele ferido. Também estava preocupada com Rebekah. Será que ela estava bem, onde quer que esteja? E ainda tinha Klaus. Ele era o que mais perturbava meus pensamentos.

Diante dos acontecimentos de hoje não sabia mais o que pensar dele e muito menos o que eu sentia com relação a tudo isso. Medo, pena, afeição, insegurança, apreensão... Todos esses sentimentos sugando-me em um redemoinho perturbador e sufocante.

Após horas me remexendo inquieta de um lado para outro, finalmente consegui pegar no sono. Não foi um sono tranquilo, muito pelo contrário. Tive vários pesadelos e pior de tudo foi que não consegui me lembrar deles quando acordei. Dormi por tanto tempo que já tinha anoitecido quando eu levantei. Morrendo de fome e com uma insuportável dor de cabeça, peguei meu celular e fui para a cozinha preparar algo para comer.

Enquanto tirava os ingredientes para fazer uma lasanha da geladeira, eu ouvi meu celular tocar. Não precisei nem conferir para saber que era Steve. Com um sorriso, e aproveitando que ainda estava sozinha em casa, coloquei a chamada no viva-voz conversando com ele enquanto cozinhava.

Algumas horas depois, Cami chegou. Eu já tinha me despedido de Steve há algum tempo e a lasanha já estava pronta. Depois de jantarmos juntas e conversarmos um pouco, Cami foi dormir e eu fiquei na sala assistindo Bater ou Correr em Londres, um dos meus filmes preferidos de Jackie Chan. Não estava com um pingo de sono.

O filme já estava no fim quando meu celular tocou pela terceira vez naquele dia. Diferentemente das outras vezes, não era o nome de Steve que piscava na tela. Era o de Klaus. Atendi no segundo toque, sofrendo por antecipação com medo do que poderia ter acontecido.

— Klaus? Aconteceu alguma coisa? – Apressei-me em saber. Ele não respondeu de imediato.

— Eu só liguei para te dizer que Rebekah voltou. – Respondeu fazendo-me soltar um suspiro de alívio e abrir um imenso sorriso. – Achei que gostaria de saber. – Completou depois de um tempo. Alarguei ainda mais meu sorriso.

— Obrigada por me avisar. Eu realmente fiquei muito feliz com a notícia... Principalmente por você. – Disse sincera. A resposta do outro lado demorou um pouco a vim.

— Eu tenho que desligar agora. Nos vemos amanhã. Talvez. – Despediu-se reservado como sempre.

— Até amanhã. Tenha uma boa noite. – Desejei.

— Boa noite, Lexi. – Pronunciou antes de desligar usando meu apelido pela primeira vez no dia.

Voltei a me deitar no sofá com um sorriso de satisfação no rosto. Ao que parecia, minha estranha amizade com Klaus estava progredindo.

xXXx

No dia seguinte, acordei na sala. Havia passado a noite inteira assistindo e quando finalmente consegui pegar no sono novamente, tive um pesadelo horrível. Só que dessa vez, para o meu azar, ou não, eu me lembrava perfeitamente do sonho. Para variar, Klaus estava nele. Só que não como vilão, mas sim como vítima. Estávamos no casarão de Marcel e eu observava horrorizada enquanto dezenas de vampiros o agrediam. Levantei-me em um pulo com o coração prestes a sair pela boca. Um pressentimento horrível tomando conta de mim.

— Lexi! Você dormiu no sofá? – Perguntou-me Cami vindo do seu quarto, olhando ao redor.

— É... Acabei pegando no sono. – Respondi tentando disfarçar meu nervosismo.

— Está tudo bem? – Voltou a perguntar parecendo intrigada.

— Eu tive um pesadelo. – Confessei sem conseguir ocultar meu medo.

— Com o que você sonhou? – Questionou Cami igualmente assustada. A encarei sem saber o que dizer. Não podia lhe contar a verdade. Não sem coloca-la em perigo.

— Com... Os monstros do filme de terror que assisti ontem. – Menti da forma mais convincente que consegui.

— Tem certeza? Você me pareceu realmente assustada. – Insistiu Cami.

— Bobagem a minha. Inventei de assistir Atividade Paranormal e acabei ficando impressionada. Desculpe se a preocupei. – Prossegui com a minha mentira.

— Está tudo bem. Quantas vezes vou ter que repetir para você não assistir esse tipo de filme? Principalmente sozinha e à noite? Desde criança você sempre teve medo desse tipo de coisa. – Lembrou enquanto ia para a cozinha.

— Você está certa. No entanto, eu acho que já está mais do que na hora de superar isso. – Afirmei mais para mim mesma do que para ela, me referindo não só aos filmes como também a vida real.

— Mudando de assunto... Como vão as coisas entre você e Steve? Vocês ainda não se falaram depois do encontro? – Indagou ainda no outro cômodo.

— As coisas entre nós estão ótimas. Conversei com ele duas vezes ontem. – Contei indo para o meu quarto. Troquei meu pijama por uma roupa qualquer e depois de escovar os dentes, fui para a cozinha, me juntando a Cami.

— Ah... Sabe do que eu lembrei agora? E aquele homem dos seus sonhos? Klaus, não é? Nunca mais você me falou nada sobre ele e nem chegou a me contar como foi o encontro de vocês durante o Festival de Música. – Disse servindo-se de uma xícara de café. Nesse momento, quase derrubei o copo de suco que segurava.

— Acredita que eu nem me lembrava mais desse assunto? Não tenho nem o que falar. Nunca mais o vi. E aquele dia no Festival... Conversamos brevemente e depois ele sumiu. – Menti. Mesmo contra minha vontade, estava ficando cada vez melhor nisso.

Cami deu de ombros, concentrando-se em seu café. Suspirei aliviada. Estava cada vez mais difícil manter meu envolvimento com Klaus em segredo.

— Como vão as coisas entre você e Marcel? – Perguntei depois de um tempo em silêncio. Esse assunto muito me interessava, afinal Marcel era um vampiro e eu não queria ver Cami em perigo, envolvida com o sobrenatural.

— As coisas estão estranhas. Não temos nos falado ultimamente. Ele meio que sumiu. – Respondeu desanimada. Não pude deixar de me sentir aliviada ao ouvir isso.

— Eu sinto muito, Cami. Mas talvez seja melhor assim. – Falei tomando um gole do suco.

— Achei que tivesse gostado dele. – Disse ela em tom desconfiado.

— Eu gostei. – Afirmei. – É só que às vezes... As coisas acontecem como tem que acontecer e o melhor que podemos fazer é deixar para lá. – Completei fazendo com que ela me encarasse.

— Você falou igual ao meu tio K. agora. – Comentou sorrindo, mas logo ficou séria. – Você está diferente, Lexi. Mais madura... Tem certeza de que não há nada que queira me contar? – Procurou saber.

— Tenho. Faço dezoito ainda esse ano, Cami. Está mais do que na hora de amadurecer. – Assegurei. – E por falar no padre Kieran, preciso ir visita-lo. Não o vi desde que voltou a cidade. – Desconversei pegando uma torrada.

— Ah, sim! Vá mesmo. Tenho certeza de que ele irá adorar. E quanto ao seu aniversário, já pode começar a ir pensando em como quer comemorá-lo. Se quiser posso falar com Sophie e alugar o Rosseau’s para fazermos uma festa. – Disse empolgada. Foi impossível não senti um arrepio ao ouvir o nome de Sophie.

— Pode ser. Ainda temos bastante tempo até lá. – Finalizei o assunto voltando minha atenção à comida na mesa.

Não queria pensar no meu aniversário agora. Até porque, com tudo que estava acontecendo ultimamente, eu nem sabia se estaria viva até lá.

(...)

Saí algumas horas depois de Cami sem ter um lugar específico em mente. Ainda estava preocupada com Elijah e Hayley e o pior, com um péssimo pressentimento com relação à Klaus. Para meu alívio, não demorei a ter notícias dele. Meu mais novo companheiro de aventuras não demorou a ligar, solicitando minha presença nas docas. Depois de atravessar a cidade e me perder em meio aos armazéns, finalmente cheguei ao meu destino. Fiquei surpresa ao constatar que Klaus não estava sozinho.

— Josh? – Estranhei, entrando no armazém.

— Lexi? – Respondeu tão surpreso quanto eu.

— Vejo que ainda se recordam um do outro. – Intrometeu-se Klaus atraindo minha atenção para ele.

— Por que me chamou até aqui? – Perguntei. – Ah... E oi! É muito bom revê-lo. – Me dirigi a Josh novamente.

— Igualmente. – Disse ele aparentemente nervoso enquanto Klaus nos observava com as sobrancelhas erguidas.

— Vamos ao que interessa. Antes de você chegar, Lexi, eu estava planejando uma visita a Marcel. Segundo Josh, o que eu procuro está em posse dele e nada mais justo do que eu ir atrás daquilo que me pertence. – Informou. Olhei dele para Josh.

— Como assim? Você também é vampiro? – Indaguei sem entender. Ele assentiu com a cabeça.

— Klaus me pediu para achar uma adaga que pertence a ele e eu a achei, só que ela está com Marcel. – Explicou Josh. – Marcel está em alerta vermelho. Está cercado por um exército. Você está muito ferrado. – Concluiu olhando para Klaus.

— Adaga? – Voltei a perguntar também olhando para o loiro.

— É um objeto de família... Mas isso não vem ao caso agora. Prossiga, Joshua. – Desconversou. O encarei desconfiada. A sensação de que ele estava me escondendo algo me invadindo.

— Eu ouvi Marcel discutindo com Diego. Parece que está esvaziando a área para um encontro. É onde ele estará. – Contou Josh.

Intercalei meu olhar entre ele e Klaus. Não estava gostando nem um pouco do jeito deles. Ambos pareciam mentir.

— Quando eu controlar New Orleans, você vai ter um anel permanente para luz do dia. Por serviços feitos ao seu verdadeiro rei. – Afirmou Klaus.

— Legal. – Comemorou Josh depois de um tempo, sem parecer muito animado.

— Mas se ousar me trair... – Recomeçou Klaus aproximando-se dele. – Vou me certificar que passe o resto da sua vida eterna em agonia intensa. Desejando por uma morte misericordiosa. – Ameaçou fazendo-me encará-lo espantada. Josh também pareceu se amedrontar.

Klaus sorriu para ele como se não tivesse dito nada de mais e tocou o ombro de Josh antes de sair.

— Hey! Onde você vai? E por quê me fez vir até aqui? – Inquiri chamando sua atenção.

— Irei até Marcel. E eu a chamei aqui porque suas habilidades poderiam me ser úteis, no entanto, como já deve ter percebido, não será necessário. – Respondeu cínico dando-me as costas.

— Como é que é? Espere aí! – Gritei o vendo sumir do meu campo de visão. Estava prestes a segui-lo, porém Josh me impediu.

— Se eu fosse você não iria atrás dele. – Aconselhou.

— Por que não? – Perguntei sentindo meu mau pressentimento anterior voltar com força total.

— Porque ele está indo para uma armadilha. – Contou Josh me fazendo encará-lo com os olhos arregalados.

— O quê?! – Exclamei horrorizada.

— Marcel e a irmã dele, Rebekah, estão armando uma emboscada para ele. – Explicou me deixando ainda mais nervosa.

— Não pode estar falando sério! Rebekah? Tem certeza? Ela não faria algo assim... E Marcel... Não. Por favor, me diga que não está falando sério. – Me desesperei, lembrando-me automaticamente do meu pesadelo.

— Eu estou. Não devia ter te contado isso, mas é que você me parece uma boa pessoa e eu não queria que acabasse no meio disso sem querer. – Afirmou.

— Obrigada pela consideração. Eu também simpatizo muito com você, porém... Não posso ficar aqui parada. Klaus está em perigo e eu preciso ajuda-lo. – Disse pronta para ir, entretanto sendo mais uma vez impedida por Josh.

— Por que se importa tanto com ele? Klaus é mau. – Indagou segurando meu braço.

— Porque ele é meu amigo. E é isso que amigos fazem. – Respondi soltando-me dele e deixando o armazém.

Tirei o celular do bolso e disquei o número de Klaus rezando para que ele atendesse. Após inúmeras tentativas fracassadas de falar com ele, tomei a única decisão que me cabia no momento. Ir até o casarão de Marcel e impedir que mais um dos meus pesadelos se tornasse realidade.

Notas finais
Então? O que acharam? Comentem! Beijos!