I Just Love You
6 Premio
Notas iniciais
O carrinho começou a andar, estava devagar por enquanto. Hinamori estava olhando para o lado vendo a paisagem. O carrinho parou na subida, todo mundo estava conversando. Uma menina do ultimo carrinho começou a gritar.
-Tio! Me tira daqui! Eu quero sair! Tio! Tio!
Eu e Hinamori ficamos olhando ela gritar e começamos a rir. A montanha russa voltou a andar, estávamos em uma descida e de acordo com um folheto que recebemos no inicio da fila ela estava a pelo menos 364 quilômetros por hora. A menina gritava cada vez mais, eu e Hinamori continuávamos a rir. Fizemos uma curva e passamos por um túnel. Depois de mais alguns metros chegamos na saída. Entregaram-nos uma foto nossa que foi tirada na descida, Hinamori saiu com os olhos fechados e eu com os olhos abertos, nós estávamos rindo.
-Quer ficar com ela? – Perguntei.
-Tudo bem.
Ela pegou e colocou na bolsa. Fomos caminhando até chegarmos em um banco.
-Para onde vamos agora?
-Não sei, por que você não escolhe dessa vez Shiro-chan?
-Eu não. Escolhe você.
-Tá que tal... A roda gigante?
Olhei para ela com uma das sombrancelhas arqueadas.
-Você falou para mim escolher. E eu não quero ouvir mais gritos por um tempo.
-Tá, tudo bem.
Caminhamos até a fila, estava um pouco maior que a da montanha russa. Ficamos uns cinco minutos esperando.
Entramos e nos sentamos. Ela começou a subir, minha cabeça voltou a doer. Fechei os olhos e encostei a cabeça no vidro. Senti algo na minha mão, abri os olhos e Hinamori estava segurando minha mão e me olhando preocupada.
-A cabeça voltou a doer?
-Não, tá tudo bem...
Ela apertou um pouco mais a minha mão. Agora ela tinha um olhar triste, olhava para baixo. Sentei-me no banco que ficava dentro da pequena cabine do brinquedo, continuei segurando a mão dela. Puxei-a para o banco também, ela se sentou e continuou olhando para baixo.
-Hinamori...
-Shiro-chan... Por que você mente para mim?
-O que?
-Você mente para mim sobre não estar sentindo dor.
-Sim, eu sinto dor, mas ao ouvir sua voz e ver sua face, minha dor some.
Ficamos em silencio, ainda estávamos de mãos dadas, a roda gigante parou, estávamos no alto, a vista era linda. Olhei para Hinamori com o canto do olho, ela estava olhando para nossas mãos, tentei soltá-las mas ela me impediu. Olhei para ela.
-Shiro-chan, você é meu melhor amigo, e eu não quero que você minta para mim, se estiver doendo ainda agente pode ir para casa.
-Não. Se eu for para casa não vai adiantar nada, meus pais não estão.
-Tá.
Ela ainda estava com um olhar triste.
-O que foi?
-Agora que eu lembrei que vou levar uma bronca dos meus pais por ter sido suspensa.
-Então vamos fazer assim, quando agente sair daqui eu consigo um daqueles bichinhos de pelúcia que ficam naquelas barracas de jogos, isso faria você se sentir melhor?
-Sim!
-Então tá.
Saímos do brinquedo e fomos direto para uma das barracas, eu tinha que derrubar todas as latas, em alguns lugares eles prendiam as latas que ficavam na base para não conseguirem o premio máximo. Mas eu estava disposto a conseguir aquilo para a Hinamori.
Chegando lá o homem olhou para mim.
-Vai tentar? Ou vai amarelar?
-Não sou você para amarelar tão rápido.
Ele me fuzilou com o olhar, mas eu não estava afim de aturar brincadeiras desse tipo.
Ele me deu três bolinhas, atirei a primeira, sem sucesso, a segunda melhorou um pouco, era agora ou nunca, eu não queria errar para ter que aturar aquele cara, respirei fundo e joguei, acertei, vi as latas despencando, todas de uma vez, fiquei olhado para as latas, o homem olhou para mim como se não acreditasse, ele pegou o urso e entregou ele para mim. Entreguei-o para Hinamori que começou a sorrir, olhei no relógio e já eram quatro horas, estava escurecendo, era um pouco cedo para isso.
-É melhor agente voltar para casa, aquela praça fica cheia daqueles caras iguais aos que vimos hoje.
-É.
Fomos caminhando de volta para casa com calma, ao passarmos em frente a praça vimos que aqueles caras estavam lá ainda, mas dessa vez eles não viram agente. Continuamos a andar, de vez em quando eu olhava para trás para ver se eles não estavam atrás de nós.
-Como acha que foi nas provas? – Pergunto.
-A mesma coisa de sempre, acho que vou tirar de 8,5 pra cima, e você?
-Ah, não sei.
-Fala serio, você tira notas de 9 a 10.
-Grande coisa, posso tirar as melhores notas, mas vou continuar sendo o esquisitão que fica sozinho ouvindo musica com um livro na mão.
-Esquisitão? Você não é esquisito, só é bem quieto. Você tem que se soltar um pouco.
-Não, prefiro continuar com poucos amigos, porque eu sei que neles eu posso confiar.
-É, acho que você tem razão. – Fala ela rindo.
-E outra, eu não sou muito simpático, não sou como você, você é a pessoa mais simpática que eu conheço, todos gostam de você, sempre esta rodeada de pessoas novas e eu sempre sozinho num canto qualquer.
Ela segurou uma das minhas mãos com a mão livre e olhou para mim.
-Só porque você não tem muitos amigos não quer dizer que você não seja simpático. Todos são diferentes, cada um tem um estilo próprio, e você é simpático, do seu jeito, e não deixe ninguém mudar isso ok?
Comecei a sorrir.
-Obrigado.
Continuamos a andar, nossas mãos ainda estavam dadas, e é claro que eu não iria soltar por livre espontânea vontade, a não ser que ela soltasse. Para minha surpresa ela continuou segurando minha mão.
-Quanto tempo falta para o baile? Não sei que dia é hoje. – Fala ela olhando para mim.
-Faltam três se não me engano, por que? Esta fazendo um plano para começar a fingir uma doença para não ir comigo?
-Claro que não Shiro-chan! Eu quero muito ir ao baile com você!
-Sério? – Falo arqueando as sombrancelhas.
-Sim. – Fala ela agarrando meu braço.
Sorrio um pouco corado.
Quando chegamos em frente de nossas casas ela olha para mim. O carro dos pais dela não estava na garagem ainda.
-Você vai explicar para meus pais?
-Sim.
-Você pode esperar em casa se quiser. – Diz ela apontando para a porta da casa dela.
-Tá, pode ser.
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