I Hate You Too!

37 XXXVII- Ambos os lados agora


Notas iniciais
Mais um capítulo aqui, guys! — Primeiramente, Feliz ano novo pra geral, tenham um bom 2017, porque 2016 foi uma calamidade. Bem, explicando um pouco o título do capítulo. Um dos leitores (Bruno) me mandou essa música que ele achava que era bem Jonathan e Hassan e eu ouvi a música e eu amei e concordei demais. Tanto que desde o dia que ele me mostrou, eu escuto sempre que vou escrever IHYT (principalmente se for algo do Has e do Jonathan). A música se chama "Both Sides Now" traduzindo é o nome do capítulo. O link da música aqui, pra quem quiser ouvir e ver o que acha: https://www.youtube.com/watch?v=97EiUOofOuk — Não tenho como agradecer os reviews do capítulo passado, porque ninguém mandou review! Basicamente triste, desde o começo do capítulo 30, eu ando bem estimulado e escrevendo bastante, tem capítulo quase toda semana e bem, agora a coisa vai desanimar de novo, sem review, as coisas ficam bem difíceis pra qualquer autor. Quando eu achei que os números estavam aumentando, saindo de 2 reviews pra 3 ou 4 (eu entendo a baixa de review pelo tempão que eu passei sem atualizar), mas acho que esse argumento não vale mais, desde o final de novembro, eu já publiquei uns 5 capítulos. É isso só o que tenho pra dizer, quem não quiser não precisa deixar review, é algo opcional. — COMENTEM E RECOMENDEM.

(POV: JONATHAN)

Aquela casa sempre era triste, mas hoje o nível de tristeza parecia surreal. Meu avô não havia comido nada além de ter tomado algumas xícaras de chá. Caleb havia tentado o fazer comer, mas não foi bem sucedido. Foram apenas três dias depois… Bem, do dia que fomos a boate. Ela estava estável como sempre, até que algo estranho aconteceu com os pulmões. Eles funcionavam normal, mas haviam começado a parar e aquilo não parecia um bom sinal.

Os médicos fizeram todos os procedimentos de entubar e fazer com que a respiração dela funcionasse por aparelhos, porém menos de vinte e quatro horas de entubada, minha avó começou a apresentar problemas no coração e logo as falhas foram se tornando mais frequentes e maiores entre si, os médicos passaram a acreditar que havia acontecido algum tipo de infecção e logo depois informaram a meu avô que ela viera óbito.

A primeira coisa que ele fez foi chorar, mas logo pareceu se recompor, ele precisava se mostrar forte demais, algo que eu não entendia, se ele estava mal, não era nenhuma vergonha ele demonstrar isso. Logo depois ele foi para seu quarto. Escondido, eu o segui e fiquei atrás da porta, evitando que assim ele passasse mal e não tivesse nenhuma assistência. Ele fez uma ligação e deu pra perceber que ele falava com meu pai. Os dois se mantiveram sérios, mas meu avô percebeu que meu pai chorava, embora estivesse tentando se manter forte.

Logo os dois começaram a conversar sobre algo que eu havia completamente esquecido. A minha volta ao Brasil. Aquilo havia sido algo que estava estocado na parte mais funda do meu subconsciente. Na verdade, eu estava fugindo daquilo. Tudo que eu havia feito nos Estados Unidos eram um perfeito escape da minha realidade lá… E da realidade que eu estava batalhando por esquecer. E como eu poderia evitar isso?

Na verdade, eu não poderia. Meu pai faria de tudo para me ter de volta e a única justificativa que eu estava ali era para que minha avó pudesse me ver e ajudar na melhora e por ironia do destino, todos os meses que eu passei por aqui, ela estava em estado de coma e até a sua morte, não havia sequer me visto. O motivo da minha aparente fuga era óbvio pra mim e até vergonhoso. Hassan… Eu não sabia como ele estava. Quando falava com meu pai, eu mal conseguia perguntar, a maioria do tempo era ele quem perguntava e eu apenas respondia. Indo na corrente de pensamento que ele se portou como eu, não adiantava fingir. Ele deveria ter ficado e transado com o bartender lá, muito possivelmente os dois já deveriam estar namorando e aproveitando as tardes silenciosas e solitárias na casa.

Como eu poderia viver com isso? Viver no mesmo lugar onde um ex, muito possivelmente agora namorasse? Respirei fundo e saí de trás da porta. Outra preocupação atual era… Kyle. Embora eu não me sentisse plenamente apaixonado por ele, nós estávamos tendo algum tipo de envolvimento. Ao entrar no meu quarto saquei o telefone e era melhor eu deixar bem claro para Kyle aquilo tudo.

“Kyle… Está aí?”

Sentei-me na cama para esperar a sua resposta e Caleb veio até o quarto, ficando de soleira na porta. O moreno parecia desolado, talvez por ter se apegado aos meus avós e ver aquele final, não era muito agradável.

“Sim… Quer marcar um encontro?”

“Kyle… Eu tenho uma notícia ruim.”

—Jonathan…

—Fala, Caleb! -Falei ainda olhando pro celular.

Depois do nosso… Envolvimento sexual. Caleb me trouxe para casa no seu carro e tentou entrar, talvez quisesse transar num lugar mais confortável, porém eu neguei e ele saiu. Os poucos dias seguintes, antes de minha avó falecer, nós apenas nos cumprimentávamos para que meu avô não desconfiasse. E essa frieza em relação vinha de um sexo não desejado de minha parte.

“Wow… Algum problema?”

“Minha avó faleceu…”

—Você já soube, né?

—Soube? -Perguntei.

—Que você vai embora para o Brasil. -Acenei que sim, mas sem tirar meus olhos do celular. Eu tinha que avisar a Kyle… Kyle era mais importante. -E isso não te… Afeta?

“Droga, Jonathan… Imagino que você esteja precisando de um ombro amigo, quer sair? Quer dizer, não sei se você deve, mas se puder…”

“Isso não é o pior, Kyle.”

—Claro que afeta, Caleb…

—Porque você não pede pra ficar? Sei lá…

—Porque eu deveria ficar? -Perguntei e ele entrou no quarto. Sentou-se do meu lado na cama…

Isso não era boa coisa.

“Como assim… Isso não é o pior?”

“Bem… Eu vim para o Brasil com a meta de ficar aqui enquanto minha avó estivesse doente e eu teria que voltar se ela melhorasse ou se ela falecesse e bem… Um dos dois fatores acabou de acontecer, certo?”

—Eu não sei… Por que você gosta dos Estados Unidos? -Na verdade, eu não gostava. -Por.. Seu avô, que ficará sozinho aqui ou… Não sei… Por nós?

—Ei… Espera um pouco. Nós? -Perguntei levantando-me e Caleb continuou sentado, me olhando com cara de tacho. -Não tem nenhum nós. O que você considera nós? O fato… O fato… -Fui até a porta e a fechei e voltei para o mesmo lugar que estava. A frente de Caleb. -O fato de eu ter te fudido no banheiro da boate?

—Olha…

—Espera.

Saquei o celular ao o sentir vibrar, era Kyle.

“Jonathan… Você vai embora? Vai voltar para o seu país.”

Era só o que eu precisava, uma segunda comoção!

“Infelizmente sim, meu pai já está acertando com meu avô. Talvez não tenhamos tempo nem de nos despedir, mas… Eu posso dizer que o que nós vivemos foi importante para mim.”

—É ele, não é?

—Como assim, é ele? Você tá fazendo uma cena maior do que deve!

—CLARO! -Caleb levantou-se e ficou me encarando. -Eu gosto de você! Passei a gostar de você, nós temos tudo que um casal precisa... Um bom sexo! Você nem deve ter chegado a esse ponto com esse loiro aí!

—Você não deveria fazer essa cena toda! Kyle merece muito mais uma explicação e até uma desculpa que você, e só para clarear os seus olhos! Você e eu não temos o que um casal precisa, eu e Kyle talvez tivéssemos muito mais do que eu e você! Eu e Kyle somos cúmplices, sabemos conversar e temos uma relação que sexo não era o fator principal… Eu não tenho culpa se você é um puto que gosta de fuder nos boxes da boate!

Caleb me empurrou com força e eu acabei batendo contra a parede e ele veio até mim… Bem, se ele quer brigar, eu sei me defender, porém a surpresa foi maior, ao ver ele se jogar nos meus braços e me dar um beijo. O choque era tanto que eu não consegui corresponder. Caleb acabou fazendo tudo sozinho. O beijo, colocar a língua. Mexer com a cabeça e eu estava apenas ali… Existindo.

—Eu… Eu espero nunca mais te ver na minha vida, Jonathan Maserati! -Afirmou dando um soco no meu peito e saindo.

Não foi um soco forte, foi apenas um soco de raiva. Pelo meu descaso. Caleb era confuso, mas eu não podia negar que eu também era um poço de confusão, além de ter sido extremamente rude com ele. Kyle ainda deveria estar me esperando.

“Jonathan… Eu realmente não queria que acabasse assim! Eu estava adorando nossos passeios e nossos beijos, mas já que é assim. Eu prefiro que você não volte a falar comigo. Eu não quero me envolver com alguém que estará tão longe que eu não possa tocar, espero que você consiga compreender.”

“Eu consigo… Então… É esse o nosso adeus?”

Poucos minutos chegou uma nova mensagem.

“Sim. Adeus!”

[...]

O vôo estava marcado para a noite e nós já estávamos no aeroporto. Eu e meu avô. O vôo sairia às dez e já era quase nove. Meu avô carregava uma mala que eu levaria na mão e as outras duas eu carregava. Ele estava entristecido, porém meu pai havia comprado a passagem para imediato e meu avô não tinha como negar aquilo. Os dois basicamente resolveram tudo sem me consultar, acho que pelo aspecto de ainda me considerarem criança demais, o que era uma mentira.

Segundo ele, minha avó seria liberada do hospital na manhã seguinte e seria encaminhada para o Brasil, onde iria ser enterrada. Segundo ele, nem meu pai estava nos trâmites dessa viagem, minha tia-avó, irmã da minha avó que estava. Eu apenas estava sendo um objeto de viagem.

—Vô…

—Oi, querido. -Falou ao sentar numa das cadeiras do aeroporto.

—Porque você não vem embora comigo? Poderia ir morar lá perto da gente, o que você acha? Ficar perto do pai e longe desse lugar frio?

—Ohh Jonh… Não é tão simples assim, entende? Eu preciso continuar resolvendo algumas coisas aqui. -Ele levantou e me abraçou. -Acho melhor você ir na fila do check-in, logo terá de embarcar… Sentirei sua falta, filho. -Eu podia sentir que ele queria chorar e que estava se segurando.

Eu não deveria ir embora, não porque não queria, mas meu avô iria ficar sozinho naquele país, mas aquilo estava fugindo o meu poder de decisão. Resolvi caminhar até a fila do check-in. Seriam longas horas de voo quase doze horas, ainda bem que era a noite e talvez eu conseguisse dormir. Ou não… O nervosismo de voltar ao Brasil poderia estragar tudo. O ponto era, eu estava voltando… Seja isso bom ou ruim.

[...]

(POV: HASSAN)

Estávamos no aeroporto. Embora a tristeza fosse clara nos olhos de Paulo, ele estava realizado com a volta do filho. Havia até planejado uma recepção no aeroporto. Estávamos eu, Paulo, minha mãe, Camila e uns quatro amigos do time de futebol que Jonathan participava. Alguns eu sabia o nome, mas não conhecia nenhum a fundo, principalmente por nunca me envolver com os amigos de Jonathan.

Paulo havia pedido o dia de folga para receber o filho e foi atendido, minha mãe havia cancelado os compromissos e como ela comandava a agenda dela aquilo fora fácil de fazer e esse bando de adolescentes, como a escola estava pouco se lixando pro último período, conseguimos faltar sem qualquer problema. Jonathan deveria chegar próximo de nove da manhã e já estávamos nos aproximando de nove e vinte. Atrasos eram comuns, mas Paulo ainda estava nervoso em relação a isso.

Mamãe tentava acalmar o marido, o abraçando. Os amigos de Jonathan riam em conjunto, afinal os quatro se conheciam e pareciam íntimos, eu e Camila ficávamos juntos, já que éramos amigos. A antiga ruiva, que agora usava o cabelo castanho, estava nervosa e eu estava muito enciumado por causa disso. Ela estava o tempo todo falando em como queria saber como Jonathan estava e como ele deveria estar diferente e se perguntando se ele ainda gostava dela e todas essas coisas e eu… Queria que ela ficasse calada… Porque no fundo eu também queria saber todas essas coisas.

Logo avisaram que o voo do Jonathan acabara de aterrizar e Paulo começou a parecer mais nervoso do que antes. Poucos minutos e logo uma figura loira começava a aparecer caminhando para o saguão. Paulo começou a acenar, de maneira desesperada e logo a figura sorriu e acenou de volta. Era ele.

Antes que eu pudesse pensar, Camila saiu correndo e se jogou nos braços do loiro que a abraçou, porém Camila logo o beijou e Jonathan… Respondeu ao beijo dela. Pela presença do pai… Imagino que não. Por ser um cajafeste, talvez sim. Jonathan não mudaria e se eu me lembrava bem, ele havia viajado brigado comigo. Jonathan era rancoroso e por mais que eu quisesse fingir que tudo estava bem e que eu tivesse virado o mundo do avesso para ajudá-lo, ele ainda iria me irritar com o rancor sobre mim e João. Algo que sempre fora irreal.

Logo após o beijo Camila e Jonathan vieram caminhando em direção a nós. De mãos dadas. O loiro usava uma camisa de mangas compridas e branca, talvez pelo frio do avião e um jeans de lavagem escura. Jonathan parecia menos malhado, mas ainda sim permanecia com os ombros largos que ele tinha, os cabelos não estavam muito diferentes, só um pouco maiores do que quando ele foi embora e os olhos azuis… Aqueles olhos azuis!

—Filho… -Paulo abraçou o filho com força, segurando firme em seus braços, enquanto todo mundo apenas olhava aquele momento. Dava pra sentir que Paulo estava sentindo muita falta de Jonathan e mesmo que eles dois vivessem em pé de guerra, os dois se amavam. -Que bom que você voltou… Como o seu avô está? Eu insisti muito para que ele viesse para cá, mas ele disse que não pode ainda.

—Ele tá bem, pai. Oi Gabriela! -Minha mãe acenou com a cabeça e deu um aperto no ombro de Jonathan, Paulo ainda não o havia largado.

Quando finalmente Jonathan ficou livre, os amigos lhe abraçaram, todos ao mesmo tempo e com Camila no meio do braço, já que ela não largava a mão de Jonathan. E eles começaram a falar como tudo estava, como o time estava e Jonathan parecia se interessar no assunto embora estivesse com a cara de bastante cansaço.

—Meninos. -Minha mãe falou, assim como eu, uma ótima observadora, percebeu o cansaço de Jonathan. -Acho que o Jonathan conversa melhor com vocês depois. Foram muitas horas no avião e o melhor era que ele fosse para casa descansar, não acham?

A maioria não questionou ou se quer respondeu, apenas se cumprimentaram com um toque nas mãos e se despediram de Jonathan. Paulo abraçou o filho novamente e nos encaminhamos para pegar a bagagem que Jonathan.

—Gabriela. -Camila falou ao se aproximar da mamãe. -Vocês se importam de me dar uma carona. É que eu moro perto dali e seria bem mais fácil ir embora. -Sorriu e minha mãe confirmou que sim.

Mentirosa. Camila não morava tão perto de nós e uma carona até iria atrapalhar sua ida para casa, já que de lá ela deveria ter que pegar um táxi, mas quem era eu para julgar. Camila havia vivido um romance com Jonathan, um romance que havia durado até mais que o meu e que claramente afetava ela.

—Gostou dos Estados Unidos, Jonathan? -Mamãe perguntou ao lado de Jonathan, Camila se encontrava do outro lado. Eu e Paulo caminhávamos atrás. O loiro meio grisalho carregava as duas malas de Jonathan, nem havia percebido se Jonathan tinha me visto, talvez não ou talvez sim e tivesse apenas me ignorando.

—Bem legal, mas não conheci muita coisa. Ficava bastante tempo em casa, por causa do meu avô.

—Bem diferente do Jonathan brasileiro esse daí! -Paulo brincou sorrindo.

Logo chegamos no carro. Paulo guardou a bagagem no porta-malas e entrou no carro no assento do motorista, minha mãe foi na cadeira ao lado e no banco de trás estávamos eu, Camila no meio e Jonathan na outra janela. A garota não largava a mão de Jonathan e vez por outra ela encostava no ombro dele. O caminho até em casa foi calmo e sem tantos diálogos, diferente do que eu esperava. Paulo e minha mãe não estavam tão interessados no que acontecia no banco de trás e Jonathan permanecia a maior parte do tempo calado e fingindo desinteresse sobre Camila, não sei se fingindo, mas parecia fingimento.

—Filho… Bem-vindo de volta em casa! -Paulo falou ao estacionar o carro na rua. Ele deveria estar muito apressado e depois deixaria o carro na garagem. Voltaríamos a rotina de três carros em casa. Jonathan, minha mãe e Paulo.

Mais uma vez Paulo foi carregar as malas do filho, enquanto minha mãe abria a entrada para entrarmos. Camila entrou conosco e eu só poderia ficar calmo, embora continuasse com ciúmes.

—Pedimos pra diarista limpar seu quarto, Jonathan, está tudo organizado e bem-vindo de volta.

—Obrigado, Gabriela.

Agradeceu sentando-se no sofá da sala e Camila sentou ao seu lado. Eu não ia mais ter que lidar com aquilo, optei por entrar no meu quarto e deixar que Paulo e mamãe fizessem a recepção a Jonathan, eu não era obrigado a ter que ficar vendo aquele tipo de cena.

Entrei no meu quarto e me joguei na cama. Eu não iria chorar por ver Jonathan dando trela para Camila, eu nem sabia se eles se gostavam ainda e pouco interessa. Se Jonathan nunca confirmou que tinha seguido em frente, aquilo estava me confirmando. Os últimos tinham sido detestáveis. Eu havia tentado contato com João, mas ele não me atendera e eu resolvi parar de insistir. Havia faltado escola para evitar Yuri. Ele não deixaria aquilo barato e se João, que minimamente era alguém que ele tinha sentimentos, ficou naquele estado de agressão, eu não poderia esperar por menos.

Saquei o telefone e comecei a zapear pelo meu facebook. Não teria nada de bom naquele lugar, mas pelo menos eu não ia me concentrar naquela merda de vida. Enquanto eu mexia no celular a porta foi batida. Com certeza, poderia ser minha mãe querendo perguntar porque eu não falei com o Jonathan.

—Pode entrar! -Avisei sem olhar para a porta.

—Oi Has.

Parei. E me sentei rapidamente. Jonathan havia entrado no meu quarto e estava parado na porta. Olhando para mim e eu estava ali, semi-deitado na minha cama. Me sentei direito rapidamente e o loiro entrou, fechando a porta.

—Que… Que você faz aqui? Cadê a Camila?

—Eu disse para ela que eu ia dormir e ela foi embora. Você não falou comigo no aeroporto e nem quando chegamos em casa…

—Você estava recebendo atenção suficiente, pra que mais?

—Bom ponto!

Jonathan pegou a cadeira de estudo que tinha no meu quarto e sentou-se, eu permaneci sentado na cama o olhando. Era óbvio que o clima entre nós estaria daquele jeito. Meio frio e sem tanta empolgação assim.

—O que você fez por aqui… Esse tempo todo? -O loiro perguntou virando o rosto. Ele não parecia estar a vontade e eu não o culpava. Eu também não estava.

—Fiquei utilizando da minha vida normal, sem muitas mudanças, só me acostumei a ir para escola andando, já que seu carro ficou na garagem. -Ele riu e eu sorri. Aquele sorriso. -Mas no geral foi só isso.

—E João?

—Porque você insiste nisso, hã? Eu e João não tivemos nada… Aliás, ele apenas me ajudou em uma coisa.

—Uma coisa… -Jonathan me olhou.

—Acho que está na hora de você saber tudo que eu fiz esse tempo todo que você estava longe…

Tomando como base que minha vida andava de mal a pior, Contar a Jonathan as descobertas que tive, não fariam mal nenhum, eu acho. Suspirei e contei do começo. Falei que eu e João tínhamos desenvolvido um plano de aproximação, envolvimento e descoberta com Yuri. Que isso havia se arrastado, quase que durante toda a viagem dele, pois precisávamos ter uma base bem consolidada com Yuri para que as coisas começassem a surgir. Contei que Yuri e João ficavam e que eu e ele nunca ficamos. Jonathan quis me interromper, muito possivelmente para estragar dizendo que eu me envolvia com João, mas não o deixei falar nada. Continuei falando que João e Yuri começaram a se sentir atraídos um pelo outro e que João roubou o telefone de Yuri, me deixando livre para descobrir tudo o que precisava com ajuda de Vinícius, embora eu não contei a Jonathan que quem ajudou foi Vinícius, disse que havia sido apenas um amigo, para evitar novos conflitos.

Com o telefone em nossa posse, havia conseguido todas as informações sobre o possível cadáver, que já sabíamos não existir, desde quando eu e João tentamos desenterrar e não havia nada para ser desenterrado. Apenas constatamos que o cadáver, que não existia, era Bruno um aliado de Yuri que morava numa cidade vizinha e com quem Yuri mantinha contato com frequência. E terminei falando que eu havia contado tudo a Yuri, num acesso de raiva, e que ele e Bruno pegaram João e o agrediram.

As expressões do loiro iam de choque a espanto. Boa parte da história o loiro ouvia calado e em alguns pontos fazia pequenas perguntas e no final Jonathan apenas levantou-se e se encaminhou para a saída.

—Ei… É isso, você escuta tudo que eu tenho a dizer… E vai embora?

—Você queria que eu fizesse o que? Você basicamente tá me contando só merda e acha que eu vou ficar em paz com isso?

—Merda? Você tem noção de que eu fiz isso por você?

—Por mim? -Jonathan encostou na porta, onde ela permanecia fechada. Não estávamos gritando um com o outro, nossos pais estavam em casa. Se estivéssemos sozinhos, talvez estivéssemos gritando. -Eu não pedi para você fazer nada disso!

—Como se você precisasse pedir ajuda para alguém, não é Jonathan super herói?

—Eu nunca me dei esse título, você que me chamou assim, não?

—Você tá exagerando sobre algo que eu fiz sem seu consentimento, mas foi algo que eu fiz por querer!

—Você é um doente! -O loiro parou ao ouvir a palavra que disse. -Sim, você é um obcecado por algo que não te compete e agora está caindo tudo em cima de você, porque você é um inconsequente que não aguenta viver sem se meter em coisas que não tem haver com você!

—Se você acha que eu sou tudo isso mesmo, porque ainda está no meu quarto?

Com certeza, aquilo atingiu o loiro, tanto que ele só fez sair batendo a porta, sem um novo xingamento de volta. E eu…

Eu odiava! Eu odeio Jonathan!

[...]

(POV: JOÃO)

Os ferimentos estavam melhores. Eu havia ligado para o advogado e amigo do meu pai que acabou mandando um médico por conta própria. O médico pediu que tirasse alguns raio-x e percebeu que não havia nada quebrado. Passou alguns anti-inflamatórios e disse que eu ficaria bem logo.

Uns três dias depois eu tinha um ensaio de cueca e Marco havia gritado muito com as manchas roxas que eu tinha em todo o corpo e rosto. Felizmente, ele havia pedido para o maquiador resolver aquilo e disse que nas fotos conseguiria arrumar com programas de edição, claro que depois de uma grande briga para que eu não me metesse em confusão novamente.

O pior não era a briga, ou as dores que estavam melhorando, era o sentimento de ter perdido ele. Yuri. Já fazia três dias que ele havia ido com Bruno na minha casa e eu sabia que ainda era arriscado ir atrás dele, mas eu não conseguiria viver com esse sentimento.

Depois do ensaio com Marco e de todas as brigas que havia dito, ainda era por volta de onze da manhã e se eu fosse rápido conseguiria encontrar Yuri saindo da escola. Era isso que eu faria.

Ao sair do ensaio, subi na moto e acelerei para a escola onde Yuri estudava, o ideal era que eu não encontrasse com Hassan. Estava evitando qualquer contato com ele, seria mais saudável para nós dois.

Ao chegar no endereço, estacionei minha moto na rua atrás da entrada e me apressei ao máximo para chegar na entrada antes que todo mundo saísse, embora Yuri sempre fosse dos últimos. Olhei nos carros próximos do estacionamento e lá estava o carro preto dos pais de Yuri. Fui até lá, eu não poderia ser burro.

—Olá, Sr. José! -José era o motorista de Yuri e diferente do loiro, eu tinha certa intimidade com o homem.

—Oi,João. O que foi isso? -Perguntou sobre as manchas arroxeadas e eu apenas disse que havia sido uma luta de boxe.

—Sabe, Sr. José. Eu vou alugar o Yuri um pouco quando ele sair, o senhor pode esperar entende? Tô avisando porque ele tá meio irritado comigo e vai querer fugir sem conversamos.

—Uh… Sei não, João. O patrão pode ficar chateado e… Eu gosto do emprego. -Patrão era exigência de Yuri para com os funcionários que trabalhavam com ele diretamente. Um mimo de um garoto mimado.

—Relaxa, tá tranquilo, não vai cair pra você. -Avisei e fui até próximo a entrada da escola de Yuri. Era melhor resolver aquilo. A maioria dos alunos já estavam saindo.

Meu coração quase começou a sair pela boca com a proximidade que eu ia ficar de Yuri. Aquilo poderia ser maravilhoso ou completo desastre. Logo avistei o loiro saindo da escola, me apressei o mais rápido que pude o segurei pelo braço, antes que ele pudesse falar alguma coisa o arrastei para a parede mais próxima e fiquei o segurando entre o meu corpo e a parede.

—Ei… -Reclamei.

—Me escuta! -O interrompi. Se eu deixasse ele iria falar horrores e eu não conseguiria fazer. -Eu sei que o que eu fiz foi escroto, mas… Eu gosto de você e você gosta de mim! Você pode me martirizar o quanto quiser, eu não ligo. Eu só quero ficar contigo!

—Saí daqui, seu bartender ridículo!

—Eu não sou mais bartender!

—Porque eu te ajudei numa carreira melhor! Você tem sorte de eu ser alguém muito bom e não vou destruir sua carreira de modelo, apenas porque você tem talento.

—Não… -Encostei meu corpo sobre o dele e ele arrepiou, eu percebi. -Você não vai destruir porque você gosta de mim. -Passei minha mão pelo braço de Yuri e ele tremeu com meu toque. -Eu sei disso.

—Você se acha muito né! -Yuri espalmou as duas mãos no meu peitoral e empurrou. Não conseguiu fazer eu cair ou ficar muito longe, mas me descolou do seu corpo. -Você não tem medo de morrer, não? Bruno é capaz de te matar! Se eu disser que você veio atrás de mim de novo, ele ficaria doido, talvez fosse até na sua casa de novo e te encher de porrada!

—Você faria isso?

—O que?

—Você diria a ele que eu vim atrás de você, que disse que eu te quero? -Ele baixou o olhar.

Yuri titubeou, não respondeu e fingiu que aquilo não aconteceu, óbvio que eu sabia que ele gostava de mim, mas aquilo provava o quanto. Afinal Bruno era o rolo dele de antes de mim e se ele não me entregaria a Bruno, é porque não queria que eu sofresse, pelo menos não mais. Aquilo era minha chance.

Segurei os dois braços do loiro colado a parede e o beijei. Entrei com minha língua direto na boca dele, que não pareceu rejeitar aquele ato. O loiro permanecia com a cabeça encostada na parede enquanto eu tomava conta daquela situação, o beijo.

Porém logo, ele tentou virar o rosto, e eu parei o beijo. Yuri puxou os dois braços e me empurrou, dessa vez com mais força, me fazendo dar três passos para trás e ele começou a sair, mas eu o segurei!

—Ei para onde você vai?

—Me solta, seu idiota! Eu vou embora! -O loiro puxou o braço e saiu. Bom… Seria aquilo.

Notas finais
O capítulo saiu com um tamanho e com um conteúdo que me agradou muito e é só isso que eu vou deixar como notas finais. Obrigado por quem leu e por quem se importa com esse pequeno mundinho que eu inventei lá em 2012. Beijo. — COMENTEM E RECOMENDEM!