I Hate You Too!

55 LV - Egoísta


Notas iniciais
Eu nem mereço mais perdão né? Desculpem, amores... — Bem, obrigadão aos cinco comentários lindos que eu recebi. Obrigado LadyYuro, Amanda, AND, Rike e Zephtx. — Lá embaixo conversamos mais.

Já era de manhã. E eu havia visto quase toda a noite passar e o dia começar a amanhecer. Consegui dormir apenas por duas horas e agora meu corpo estava exausto, minha cabeça doendo, meus olhos vermelhos e inchados. Eu deveria estar com uma cara péssima e minha cara deveria estar representando apenas o meu estado interior. Péssimo.

Felipe havia dormido no sofá cama da sala, muito possivelmente deve ter tido uma noite tão difícil quanto eu, mas não pelos mesmos motivos, aquele sofá cama era uma droga. Levantei e passei por ele na sala. Eu estava só de cueca e camiseta e com muita vergonha, mas eu já havia contado tudo da minha vida pra ele, então aquilo era o de menos. Felipe estava deitado com os cabelos soltos e espalhados, com um cobertor até a altura da cintura e com uma expressão de cansaço.

—Bom dia… -Sorri sentando numa das cadeiras altas da bancada que ficava ali perto. Duas mechas caíam sobre o rosto dele e deu pra perceber o sorriso branco dele, mesmo com a aparência cansada, Felipe era um belo garoto.

—Oi… -Falou esticando o corpo e sentando. -Dormiu bem? -Eu respondi com um aceno negativo e ele deu uma risada leve. -Estamos quites então… Apesar de que você deve tá bem pior que eu.-Sorri.

—Será que devemos competir?

—Não. -Ele se levantou e esticou o corpo ficando de ponta de pé, esticando o corpo. Ele usava um dos meus moletons e estava sem camisa. -Não é justo competir com você, irei perder… -Ri com o comentário dele. -Café?

—É… Temos que tomar, né?

—Eu faço. -Rapidamente ele elevou todas as mechas do cabelo para o topo da cabeça e amarrou com uma das mechas de baixo. Aquilo deveria ser um típico charme.

Não… Não que ele tivesse jogando charme para mim, longe disso. Eu digo no sentido de que é bem charmoso ver um homem alto, forte, lindo, de repente prender todos as mechas de dreads no topo da cabeça. Era super atraente. OK… Não era interessante que eu começasse a fantasiar sobre Felipe agora.

—Tudo bem? -Acordei do meu devaneio, com ele na minha frente, me olhando com uma cara de que não estava entendendo muita coisa.

—Sim, só pensando…

—Hm… Não vai pensar merda, hein? -Ele sorriu e eu sorri junto. Realmente, nada de pensar merda. -Você tem o que pra acompanhar o café.

—Posso fazer misto, pode ser? -Felipe acenou que sim. E logo fui atrás do pão, do queijo e do presunto. -Dia cheio, hum…

—Nem me fale, acho que vou faltar a tarde pra aparecer em casa.

—Seria justo.

Ficamos falando sobre a faculdade de Medicina e como o período estava apertado. Felipe revelou que talvez começasse a atrasar um pouco para conseguir trabalhar, o que seria uma pena, afinal ele teria que levar mais do que seis anos para concluir e seis anos já era um tempo muito longo para se graduar.

[...]

Depois de algum tempo conversando e comendo, nós nos aprontamos para ir para a Universidade. Felipe acabou usando uma das camisas de Jonathan. Uma básica preta que ficou até justo no corpo dele, afinal ele era um pouco mais forte e alto que Jonathan. Pegamos um ônibus e logo chegamos na Universidade. Fazia alguns dias que eu não falava com minha mãe e nem que ela me procurava. Poucos, talvez no máximo dois, mas aquilo era raro, geralmente nos falávamos todos os dias. Apesar de que meus últimos dias passaram de estresse pré e pós prova e todo o rolo com Iasmin e Jonathan. Que era a última coisa que eu deveria estar falando.

Ao chegar na Universidade fomos caminhando até o bloco didático da Medicina e quando estávamos nos aproximando, num dos pequenos centros de convivências encontramos Isabela tomando um copinho com café, com óculos escuros e um rabo de cavalo.

—Olha lá… Se não é o casal 20! -Eu sabia que ela iria zoar. -Felipe saiu correndo atrás do príncipe Has e os dois vem como pombinhos apaixonados no outro dia para a Universidade. Só tá faltando as mãos dadas e uma foto.

O comentário dela poderia soar bem sarcástico e magoado, mas apenas humor. Simples e pura zoação.

—Larga de ser incoveniente, garota. -Falei me sentando e ajustando os óculos escuros. Eu não estava com olhos muito apresentáveis e ficaria de óculos escuros o máximo que eu pudesse.

—Mas eaí… -Eu já esperava o que viria em seguida.

—Nem vem com aquela pergunta ridícula de garota hétero… Não aconteceu nada.

—Eita, que mole você hein, Fê. -Ela brincou e na real, ele estava sem entrar na brincadeira o tempo inteiro.

Felipe era sério, muito sério. Às vezes, sério até demais. Ninguém não sabia muito sobre ele, nem sabe a família dele e tão pouco sobre o passado dele, ainda mais com ele sendo de outro estado. O que não era um grande problema, afinal ainda estávamos começando a faculdade e teríamos todo esse tempo de conhecimento ainda.

—E hoje temos o que de bom?

—Aula? -Respondeu Felipe.

—De bom, garoto! -Continuou. -A gente podia ir no cinema mais tarde, não sei…

—Eu passo. -Respondeu o negro.

—Eu também.

—Ei… Tá acontecendo alguma coisa que vocês não tão querendo me contar? -Isa tirou os óculos e nos olhou bem seriamente. Não era difícil perceber que nós dois estávamos estranhos mesmo. Óbvio que não pelo motivo que ela poderia estar imaginando. -Vocês saem ontem juntos e voltam hoje juntos e estão nesse silêncio mórbido, qual o problema?

—Eu briguei com o meu rolo e o Felipe acabou me ajudando. -Era o mais sincero que eu podia e queria ser nesse momento. -Aí acabou que ficou tarde, ele ficou lá por casa e viemos hoje. Eu tô com zero clima de sair.

—Hm… E porque você não me disse isso? -Poderia parecer uma cobrança, mas o tom de voz era bem mais de preocupação do que cobrança.

—Sei lá, Isa. O negócio só aconteceu e eu só consegui sair correndo, eu não tava no pique de ficar dizendo isso, ainda mais se tratando de como ocorreu.

—É isso, nós não estamos fazendo nada escondido de você. -Salientou Felipe e ela me abraçou de lado, dando um beijo no meu rosto.

—Ok… Entendo. -O abraço foi forte e… reconfortante. -Mas pode contar comigo, vocês dois… -A mão dela foi até a mão de Felipe sobre a mesa. -Nós estamos nessa droga aqui juntos!

Concordamos e logo nos encaminhamos para dentro do bloco, a hora estava se aproximando e era melhor nos apressarmos. Saquei o celular e vi que faltavam cinco minutos para o início da hora, muito embora, às vezes o professor atrasasse alguns dez minutos a sua chegada. Dei uma checada no whatsapp e fui até o contato de Jonathan.

O confronto teria que existir, eu não iria deixar aquilo barato e sinceramente, acho que eu já estava um pouco cansado de tudo aquilo. Quando foi que nós dois haviamos nos dado plenamente bem? Acho que nunca e aquilo machucava.

Fui entrando dentro da sala. Jonathan tinha visualizado o aplicativo a pouco tempo, naquele horário ele deveria estar no escritório. Escrevi um “oi”, mas não tive coragem de apertar.

Sentados ao meu lado estavam Felipe e Isabela, um em cada lado. Os dois mexendo no celular e pareciam bem interessados no seu aparelho.

—HAS!

Ouvi um grito na frente e olhei. Iasmin estava na sala. Ela falava com uma das amigas dela que fazia Medicina e havia entrado na minha turma. A morena acenou sorridente, talvez ainda numa forma de agradecimento. Sorri de volta e logo ela continuou falando com a mesma garota. Aquela era a raiva que estava faltando.

“Oi”

—Olá, turma!

Olhei para a frente e o professor estava na frente. Era uma disciplina básica: Introdução aos Estudos Médicos. Bem introdutória e apenas apresentava alguns conceitos, um início de história da Medicina e alguns teóricos importantes, além da filosofia por trás da prática.

—Eai, como foi a prova de Biologia ontem? -O professor era bem legal e bem participativo na vida dos estudantes e como nós éramos um bando de iniciantes no curso, adorávamos quando o professor nos dava um pouco mais de atenção.

“Oi Has eae?”

“Tranquilo… Te falar.”

“Diga aê”

“Tem como a gente se ver hoje?”

“A noite? Tenho aula, meu pai me mata se eu faltar.”

“A tarde? Depois que você sair do escritório, rola?”

“É… Pode ser… Mas porque a pressa?”

“É importante…”

Senti algo me cutucar na cintura e dei um sobressalto na cadeira olhando para Isa. A morena sorriu e inclinou a cabeça para a frente como se mandasse eu prestar atenção. Metade do auditório olhava pra mim e o professor me encarava. Claramente eu era a única pessoa mexendo no celular.

—Desculpe.

Pedi e logo baixei a cabeça.

“Tô na aula, mais tarde conversamos…”

“Certo… Beijos!”

Falso!

Respirei fundo e comecei a prestar atenção na aula. Isa e Felipe faziam a mesma coisa. Confrontar Jonathan seria o que eu faria a tarde. Faltar aula para conversar com ele. Boas coisas não viriam daquela conversa, por mais que eu tentasse me concentrar o dia já estava perdido. Minha cabeça só estava focada em como se sucederia a minha conversa com Jonathan.

Segui o ritmo da aula normalmente. O professor foi falando lá de alguns autores e de um relatório que deveríamos levar para a próxima semana, falando especificamente de alguns autores indicados. Felizmente o trabalho poderia ser feito em trio e eu, Felipe e Isabela já fechamos o nosso.

Resolvi almoçar ali mesmo no Restaurante Universitário com os meninos e ficamos conversando amenidades. Isabela falava sobre como era ridículo ter que ficar paquerando com algum aluno da nossa turma e não dar em nada. Felipe como sempre estava sempre calado e nunca falava muito e eu também estava na mesma. Pelo menos Isabela não reclamava de ser a pauta principal da conversa.

Ao terminar o almoço. Ainda tínhamos um intervalo até a próxima aula, de Aparelho Locomotor. Pensar que eu perderia uma aula importante bem próxima da prova para resolver um problema com Jonathan, mas era isso mesmo que iria acontecer. Felipe também não iria para a aula e Isabela era quem iria nos socorrer anotando tudo e mais um pouco.

—Vocês dois vão ficar me devendo uma sabia? -Ela comentava claramente chateada. -Ainda nem perdoei por ontem e lá vão me deixar na mão de novo.

—A gente te recompensa, Isa. -Falei e Felipe concordou. -Bem, vou indo…

—Eu te acompanho até a saída.

O caminho foi calmo até a saída. Felipe estava respeitando o meu estado atual de silêncio e muito pensamento e embora majoritariamente a minha mente apenas pensasse em Jonathan. Felipe e seus mistérios também andavam tomando conta da minha cabeça.

Eu havia aberto boa parte da minha vida para ele na noite anterior e isso poderia ser uma fragilidade negativa. Embora Felipe fosse meu amigo, eu ainda o conhecia pouco demais para sair confiando demais e minhas relações anteriores não permitiam que eu confiasse tanto assim nas pessoas. Felipe poderia ser um Yuri da vida?

Talvez, não.

Os dois eram completamente diferente. Fisicamente e mentalmente também. Além de Yuri ser podre de rico e Felipe parecer viver em luta com seu orçamento.

Tá… Comparar Felipe com Yuri era ridículo.

—Tchau Has!

Acordei dos meus pensamentos. Havíamos chegado na avenida que ligava entrada do campus a cidade. Felipe tinha que descer a rua para a sua parada e eu tinha que subir, então aquele era o nosso ponto de adeus.

—Tchau. -Pensei e virei para o negro. Puxei seu corpo para um abraço e meus braços passaram pelos seu dorso forte e seus cabelos compridos. -Obrigado por tudo…

—Imagina, amigo.

Amigo…

Felipe não era muito de dizer esse tipo de palavras, mas… Era sincero. Eu sentia que era.

Aquela era a força que eu estava precisando. Minha vida mais uma vez mudar. O incrível pêndulo com Jonathan e sem Jonathan parecia interminável. Por vezes por problemas entre nós, por vezes por aspectos externos e por vezes por erros… Nunca parecia que isso ficaria em paz em um dos polos magnéticos que ele poderia permanecer.

É novamente o papo nerd chegando.

Chacoalhei minha cabeça e entrei no ônibus. Seriam apenas umas três paradas, mas eu não estava no pique de andar. Coloquei meus fones tentando fazer minha cabeça não entrar em um perfeito colapso, onde eu poderia um pouco de música e me concentrar em melodias e letras.

Quando cheguei em casa. Apenas levei minha bolsa até o quarto e me sentei no sofá. Jonathan não demoraria. Saquei o celular e já tinha uma mensagem dele avisando que estava saindo do escritório e eu que já havia chegado em casa.

Imagino que ele viria de uma vez.

Sentei-me no sofá e levei meus pés até a mesa de centro. Continuei com os fones no ouvido e logo fechei os olhos me concentrando naquela música. “Bleeding Love”

Não era bem o que eu deveria estar ouvindo naquele momento, mas eu não estava me segurando. Músicas tristes tem algum tipo de chama nesses momentos, não é mesmo?

Logo o porteiro ligou avisando que Jonathan estava na portaria e eu autorizei a sua subida. Fui até o banheiro e lavei o rosto e me encarei. A última coisa que eu queria era que Jonathan nota-se que eu estava destruído, porém sem ter dormido e com os olhos avermelhados e inchados como eu estava, eu jamais conseguiria não transparecer uma imagem de estar péssimo.

A campainha tocou e eu segui até a porta. Deixando o celular sobre o sofá e logo abri.

Jonathan estava lá. De pé com a bolsa transpassada no corpo. A camisa social branca de botões e a calça jeans justa nas pernas. Os cabelos penteados para trás e os olhos vibrantes. Jonathan era de longe um dos homens mais lindos que eu já tinha visto na vida… O que não facilitava muito o meu diálogo.

—Olá. -Ele falou animado e logo me abraçou, embora eu não tenha passado meus braços pelo seu corpo. E eu queria… Queria muito fazer isso. -Frio… Isso é raro!

—A gente tem que conversar, Jonathan…

—Não estou gostando nada desse tom… -Repreendeu me soltando e me olhando. -Tudo bem? Seus olhos…

—Virei a noite estudando, tinha prova hoje de manhã. -Virei entrando dentro de casa.

—Vai me convidar a entrar? Ou vamos ter a nossa conversa aqui mesmo, na soleira da porta? -Claramente ele já estava ficando irritado e aquilo poderia dificultar muito mais as coisas.

—Entra… -Falei sentando no sofá e ele acompanhou. -Senta aí.

O loiro jogou a bolsa no sofá que eu estava e sentou na poltrona que ficava ao lado. Assim conseguiríamos nos olhar nos olhos.

O olhar dele já não era o mesmo de quando chegou. Os olhos estavam mais fechados e a raiva já era perceptível.

—Eu queria conversar contigo… Acho que aconteceram coisas definitivas pra nós dois. Se lembra do seu aniversário? -Jonathan confirmou que sim. -Eu soube que você foi para a calourada da Medicina depois que saiu daqui.

—Não é como se isso fosse um crime…

—E que ficou com uma menina lá. Uma veterana da Medicina que veio até mim para pegar o seu número e eu entreguei…

—O quê? Você passou meu número pra ela?

—Não vamos mudar de assunto agora, Jonathan? Não é como se vocês dois não tivessem ficado na festa e só não deu tempo você passar o número pra ela.

—Então isso vai se resumir a uma crise de ciúmes suas? -Ele sentou-se encostado no apoio da poltrona e cruzou a perna. -É isso que você quer transformar isso? O nosso fica descompromissado?

—Fica descompromissado? Não é como se nós tivessemos acertado isso.

—Nem como se nós tivéssemos acertado que estávamos namorando sério pelo fim da vida. Você quer realmente fazer disso uma grande coisa?

—E você disso uma simples folha que cai da árvore e vai ser varrida pro lixo?

—E daí que eu fiquei com algumas pessoas enquanto ficava com você, nós acertamos fidelidade? É fidelidade que você quer? Eu posso te dar fidelidade.

—Não é fidelidade que eu quero…

—Então o que tu quer porra? -O loiro levantou e foi até a cozinha pegando um pouco de água.

Aquilo era bom. Os ânimos já estavam animados. Fui até a porta da varanda e a abri totalmente. Um pouco de vento ali dentro poderia melhor um pouco de acordo como as coisas iriam se encaminhar.

—Eu preparei todo um momento pra nós dois no teu aniversário que foi devastado pela tua vontade de sair com teus amigos.

—E que crime eu cometi fazendo isso, Hassan? Desculpa se eu destruí todos os teus planos que não me consultaram em nenhum momento se eu poderia realizar!

—Jonathan… -Respirei o fundo. -Você é rei em alterar o assunto. Não sobre isso que estamos falando.

—Tu tá putinho… -A ironia… Eu sabia que ela viria. -Puto porque eu não faço tudo do jeito que o príncipe quer que seja feito! Desculpa, mas eu não sou um príncipe pra realizar os teus desejos!

—Sabe porque eu tô puto! -Levantei. -Porque você tá sendo moleque... Porque você não pode assumir um namoro comigo... Porque você tem vergonha de mim!

—Tu só pode estar doente… -Ele riu. -Eu nunca assumi um relacionamento, eu não vou fazer isso agora por um capricho teu! Você que tá sendo infantil.

—Nunca assumiu um namoro? E a Camila?

—Quer um namoro como o meu e o dela. Que consistia em sexo, zero amizade e muitas traições, porque se for essa a merda que tu quer, eu te dou!

—Olha aqui! -Me aproximei dele de pé, enquanto ele permanecia sentado. -Eu não vou ser o teu urso de pelúcia velho que você usa pra dormir toda noite, mas que não pode sair do quarto porque os brinquedos novos são os apresentáveis na rua. Eu não vou ser a tua puta…

Jonathan segurou minha mão com força e se levantou.

—Não bote palavras na minha boca.

—Me solta…

—Você que está se pondo nesse complexo de inferioridade, eu estou muito bem com tudo que nós estamos vivendo e se você não tá satisfeito com o que eu posso te dar, eu não posso fazer nada mais do que deixar você seguir!

Ele soltou o meu pulso e iria pegar a bolsa e se encaminhou para a saída.

—Boa sorte com a Iasmin...

Jonathan parou de costas pra mim. A mochila já estava no seu ombro e ele pareceu suspirar.

—Tu tá sendo egoísta…

—Fidelidade é egoísmo pra ti? Relacionamento sério não pode existir. Você é muito gostoso pra ser só de uma pessoa?

—Não é disso que eu tô falando. -Jonathan virou passando a mão no rosto. -Viver a vida num apartamento sozinho é ótimo, né? Se livrar de todos os problemas que aquela casa carrega é muito saudável pra sua faculdadezinha de Medicina, né? -O loiro se aproximou de novo. — Tu não tem noção de como a merda tá instaurada naquela casa! De como tudo está desmoronando. Do sacrifício que a tua mãe tá tendo em manter a tua vidinha de ouro aqui, enquanto meu pai tem que manter a casa com três pessoas, com uma mulher grávida, comprando tudo para o enxoval do bebê. Gabriela tá pegando mais casos do que pode na situação dela pra não deixar nada faltar para o príncipe e quem tu acha que vai te manter quando ela tiver tido o nosso irmão? Isso mesmo, o homem que você odeia. -Me sentei ao ouvir aquilo… -Sabe o que é pior do que tudo isso? Pensar que eu gosto de você e que você não passa de um universitário deslumbrado e realizado com o sonho de vida que está vivendo que esquece todo o problema que existe ao redor. -Meus olhos começaram a lacrimejar com tudo aquilo. O loiro também lacrimejava, mas seguia firme de pé e limpando as lágrimas que saíam dos seus olhos. -Eu tenho vergonha de pensar que uma pessoa vai nascer e realmente vai ter o nosso sangue e vai ser nosso irmão… Você tá sendo deplorável, Hassan!

E assim ele saiu do apartamento e eu segui ali… Chocado.

Notas finais
Pois é né? Acho que nossos meninos tiveram muitas coisas a dizer um para o outro... — O que vocês acham que devem suceder agora. Eu tô com umas ideias mais nada tá me parecendo bom o bastante, quero ouvir de vocês leitores, me digam como suceder na minha própria fic! kkkkkkkk — O próximo capítulo saí essa semana ainda. Tô agilizando a fic agora porque tô de férias e quero acabar ela, por que afinal são 5 fucking anos já. Beijos amores, de verdade... Espero que tenham gostado e comentem please...