I Hate You, Baby
1 Pensamentos Impuros
-Emo!
-Emo é a mãe!
- Então você puxou a sua!
- A sua!
- Cala a boca, baixinho irritante.
- Quem você pensa que é, heim?
- Pierre Bouvier! — Há!Há!Há! — Imbecil!
Bufei, cruzando os braços enquanto revirava os olhos. Como ele conseguia ser tão irritante? Está certo, ele era bem maior do que eu e bem mais forte também. Mas isso não lhe dá o direito de dizer essas barbaridades sobre mim. Eu que nem chego perto de ser emo. Pra começar, ele nem sabe o que é isso, filho-da-mãe. Usar franja não quer dizer nada. E... E... Eu sempre usei All Star. E daí? Foda-se! A calçajusta? Eu gosto! Claro! The Used é emo, só lá na China, caralho!
Mostrei-lhe o dedo do meio, mantendo meu olhar furioso em Pierre, eu o odiava com todas as minhas forças. Sentia um fervor passar por mim sempre que ele me olhava e me enchia o saco com essa historia de emo.
A melhor coisa que eu poderia fazer era ignorá-lo, sair daquele lugar, fugir das piadinhas de muito mau gosto de Pierre Bouvier, ele se acha tanto!
- Emo! – gritava no fim do corredor – vai chorar é? — riu -ficou com medinho? Volta aqui não vou...- finalmente entrei no banheiro ,trancando a porta .Queria ,ansiava por matar Pierre Bouvier mas como não poderia nem em mil anos matá-lo, poderia ser a mim mesmo (atitude emo).
Posicionei-me de frente do espelho. Peguei a lapiseira que estava em meu bolso e a coloquei em meu pulso, rindo em seguida.
-Não faça isso, David! -uma mão forte apertou meu braço e me virou fazendo-me e deparar com o peito de Pierre bem perto de meu rosto. Levantei meu rosto, aos poucos, com medo de que ele me batesse, matasse ou simplesmente me chamasse de emo (essa brincadeira já havia perdido a graça a muito tempo).
- Eu não estava tentando me matar , idiota – desvencilhei-me dele, pretendendo sair – deixe-me em paz! – falei quando percebi que ele pressionava meu corpo contra a pia, abaixei a cabeça, inconformado.
- Então, o que pretendia fazer? — Pierre parecia preocupado. Sei era difícil de acreditar tentei soltar-me algumas vezes sem sucesso.
- Não é da sua conta! – gritei pisando em seu pé e saindo desesperado para qualquer outra parte daescola, deixando meu celularcair, estava tremendo, confuso. Que será que aconteceu com Pierre, por que ele esta se preocupando comigo?
Logo, bateu o sinal, aula de cálculos, que nojo! Nunca fiz nada, para mim era janela. Respirei fundo e entrei na sala. Nesta porra de sala eu sentava na frente de Pierre (como a sala estava completamente cheia e todos tinham seus grupinhos ninguém iria trocar de lugar com o excluído da sala). Pierre meolhava com um sorriso malicioso nos lábios “o que esse idiota quer? Me enlouquecer?” – pensei.
- Toma aqui, emo da mamãe! -Entregando meu celular, rindo grotescamente.
- Cala a boca, Pierre! – Tomando meu celular de sua mão.
- Vem calar. — Desafiando-me – emo da mamãe !
- Pierre, isso é segredo. – Disse tentando parecer tranqüilo.
- Acho que era um segredo, David, David, David era um segredo, não é mais.
- NaoPierrevocenaopodefazerissocomigopodepedirquaplquercoisaqueeufareiqualquercoisa!
- Humm , é mesmo? -Ele me olhava sugestivamente, me dando medo.
- É...- hesitei -sinceramente. O que quiser, — Respirei fundo.
- Quero uma carona, e.... — após uma longa pausa — o resto eu digo depois.
-Acho que era uma coisa só.
- E euacho quevou ter que contar pra alguém seu — agora nosso — segredinho.
- Foda-se!
- Só se for com você – murmurou, me olhando sugestivo novamente.
- O que? – Perguntei sobressaltado não acreditando no que ouvi.
- Nada. Então vai fazer o que eu quero? Ou vou ter que contar agora pra alguémque você é um emo da mamãe?
- Não espera aí, tudo bem eu faço o que quer.
- Bom garoto, é assim que eu gosto, emo da mamãe. — Seus olhos brilhavam de malícia.
Na aula de filosofia Pierre foi totalmente categórico. — Er ... Professor! Uma pessoa, um garoto, hum pra falara verdade um garoto de dezessete anos, pode ter um relacionamento afetivo muito forte com a mãe? — Fingindo-se interessado, ah, mas eu sabia! Ele queria me humilhar.
- Claro que tem Pierre, esse garoto ainda não rompeu o Édipo. Esse comportamento é completamente normal.
Fim da aula, graças a Deus! Tenho que confessar que estava com medo do que Pierre pudesse fazer comigo, ele sabia ser misterioso e como conseguia me irritar!
Eu queria muito ir para casa e fugir do “fodão”, antes que ele aprontasse coisas terrivelmente estranhas comigo, até porque o que ele quisdizer com aquele “Só se for com você”? Provavelmente ele me obrigaria a levá-lo até sua casa, para depois ter a maliciosa idéia de me estuprar ali mesmo. Arrepiei-me só de pensar na possibilidade, claro, adorei a idéia!
- Acorda, David! Daveeeeeeeeeeeeeee! Davee? Ei... — Finalmente voltei à realidade, percebendo o quão perto Pierre estava de mim, olhando atentamente — Vamos?
-Hã? — Voltei ao inferno da dúvida. O que Pierre irá fazer comigo? — Ah, vamos!
Fomos para meu carro, ao abrir a porta do passageiro deparei-me com o olhar afetuoso de Pierre, este estava mesmo estranho, pois sempre usava um olhar de desprezo ao se dirigir a mim.
-Entra aí — disse a ele desdenhoso, fazendo-o despertar de seu transe. Entrou e depositou a bolsa no banco de trás.
Já tínhamos saído dos terrenos da escola, então Pierre colocou a mão no encosto de meu banco e começou a alisar os cabelos de minha nuca. Estava muito bom, mesmo assim lancei-lhe um olhar furtivo, ele sorriu natural e inocente, arrepiei-me dos pés a cabeça.
- Pára, Píer! Não tem a menor graça!
- Parar com o que? — Disse sorrindo angelicalmente.
- Com isso, não sou seu brinquedo.
- Sei disso – intensificando a carícia, chegando seu rosto perto de meu pescoço, ouvia e sentia sua respiração carregada de desejo.
- Não, pára Pierre Bouvier, sai! – Lançou-me um olhar decepcionado mas felizmente respeitou minha vontade. Chegamos à sua casa, queria ficar sozinho – tátudo bemnão queria mais tinha que manter as aparências – Pierre voltoua investir quando estacionei o carro. Ele acariciava meu rosto com as costas de sua mão, semifecheimeus olhos e percebi que Píer sorria, entregando seu desejo por mim. Eu também o queria. Sabia que seria por um dia, mas queria senti-lo, no instante seguinte ele me tomou em seus braços,beijando-me com brandura, senti que ele estava com medo de que eu falasse para toda a escola que ele me queria, ou seja ele era GAY, não o faria mas ele não sabia, há, há, há.
- Vamos subir até meu quarto? – Perguntou, pegando em minha mão.
- Porque você quer fazer isso? – Tirando minha mão da sua.
- Não sei – hesitou – mas você é lindo, adoro sua voz principalmente quando fica bravo – acho que ele falou a coisa certa! Calma David vamos com calma. Ele me beijou novamente, policiei-me para que ele não percebesse que eu sorria. – Então vamos subir?
- Claro... — hesitei — que não!
- Por que? – Beijou meu pescoço fazendo-me estremecer.
- Por nada, por quevocêestá tentando me deixar confuso?
- Não estou tentando te deixar confuso,porque eu também estou confuso, e você é o culpado.
- Ah, não sou, não. – Retruquei indignado.
- É sim, pode crer que é- sorriu cauteloso, com um olhar realmente confuso.
Ele só podia estar brincando comigo, para ver minhareação, tirar com minha cara, ou até me usar e jogar fora como iríamos fazer com a camisinha – UGH! –Tentei afastar esses pensamentos, voltando a me concentrar em Píer. Ok, ele era lindo, adoraria passar a tarde com ele, mas não seria tão fácil assim me seduzir.
- Onde você quer chegar? – Indaguei, analisando sua expressão.
- Ao meu quarto? – Respondeu inconvicto.
- Ok! – suspirei.
Pierre sorriu, de um modo diferente, afetuoso. Pegou em minha mão e começou a andar em direção à escadaria.
- Er.... — apertei sua mão para que ele me olhasse – espera! Tenho uma condição.
- E qual seria? – Indagou perplexo.
- Que você... – respirei fundo criando coragem – que você pare de me chamar de emo.
- O que você quiser , emo da mamãe .
- Tudo bem já que você não aceita minha condição vou embora, tchau. – Dei às costas logo ouvi passos em minha direção, comecei asuar frio e avancei minimamente a minha perna direita em direção à portaachando que Pierre estava longe, de repente tudo mudou ele passou os braços ao meu redore me virou “Droga! Droga!”. Ele não me deixaria ir embora tão fácil, não deu tempo nem para pedir que me soltasse.
Nossos olhos estavam conectados minha respiração falhada denunciava o desespero, Pierre passava suas mãos vagarosamente pormeu corpo, parando em meus ombros, seus olhos intercalavam o caminho de meus olhos e minha boca. Eu estava começando a gostar disso, talvez por isso ainda não tinha o mandado à merda e fugido dali.
- Como você quiser... – sussurrou perto, mas tão perto de meus lábios que meu corpo se arrepiou completamente, tentei me safar desviando os meus olhos dos dele. ”Seria tarde para fugir?” – Davee você prefere assim? — Ele fazia um carinho gostoso em meu rosto quase me obrigando a beijá-lo.
Pierre foi chegando cada vez mais perto. Corpos colados e ele gargalhou, acho que de satisfação. Decidi que não nadaria contra a corrente e se ele tentasse me beijar não resistiria.
No mesmo instante suas mãos envolveram minha cintura e me puxou em sua direção. Corpos colados. Pude perceber até um sorriso de satisfação do garoto que me abraçava e acabei decidindo que não falaria mais nada.
Ele voltou a me olhar daquele jeito, encostando aos poucos meu corpo contra a parede. Eu não conseguia pensar em mais nada, a não ser em beijá-lo. E foi isso que aconteceu. As mãos de Pierre apoiaram uma de cada lado de meu corpo – caso eu fugisse ou tentasse, melhor dizendo – e não tivemos mais rodeios. Nossos lábios estavam colados, nada mais que isso. Passei a mão por seu pescoço e a outra em sua cintura. Pierre deixou meu lábio livre e aproveitei para beijar seu maravilhoso pescoço. Percebi um volume em minha barriga e conclui que era sua ereção. Com um impulso, Pierre me levantou, sem deixar de pressionar meu corpo contra a parede. O beijo ganhava intensidade a cada instante, enquanto eu brincava com seu cabelo, puxando algumas vezes para baixo. A mão de Pierre apoiou em meu quadril. Involuntariamente, enlacei as pernas em sua cintura, puxando o corpo a minha frente para ter um contato maior.
Eu não pensava mais em uma boa desculpa de sair dali, não fazia idéia do que estava acontecendo. Eu estava literalmente nas nuvens. Pierre corria suas mãos por baixo da minha camisa com cautela. Ele conseguia me arrepiar como nunca ninguém conseguiu, claro, não tive ninguém além dele.
Nossas mãos passavam pelo corpo, descobrindo alguns pontos fracos. Pierre começou a me carregar em seu colo até outro lugar da casa. Não sabia onde seria e não estava preocupado em abrir os olhos, estava confiando em Pierre.
Algum tempo depois ele me deitava sobre um sofá sem deixar de me beijar, passou a acariciar minha cintura enquanto entrelaçava nossas pernas. Ficamos no amasso por mais um bom tempo, outras vezes sorrindo entre os beijos. Realmente, Pierre não estava ultrapassando o limite. Eu mesmo não imaginava esse lado dele.
Eu brincava com os dedos em seu peito, afundava algumas vezes a cabeça no sofá, deixando espaço livre para os beijos em meu pescoço. Logo Pierre voltava a me encarar enquanto tirava algumas mechas de meus olhos. Nossas pernas roçavam entre elas de forma provocante, mas por incrível que pareça, não passava disso.
- E então? – sussurrou contra minha orelha, mordendo algumas vezes. – Foi bom para você? – acariciou minha nuca enquanto sorria para mim, ao ouvir a indagação de Pierre.
Eu estava decidido há brincar um pouco com ele.
- Não. – no mesmo instante, Pierre voltou a me olhar, desfazendo o sorriso que estava em seu rosto. Mordi meu lábio inferior, suspirando. – Foi bem mais do que isso. – Ele beijou meu pescoço e eu sorri para ele. Percebi que o “fodão” era uma criança insegura e que estava comendo na minha mão.
- Você quer beber alguma coisa, Dave? – levantando do sofá.
- Quero um copo d’água.
- Tudo bem, eu vou buscar sua água, meu amor.
Não acredito que fiquei com Pierre Bouvier, sempre achei que ele fosse heterossexual, sempre contava vantagens das garotas que tinha “pegado”. Estranho... Será que ele é bi? Ou será que ele se apaixonou por mim?
- Amor, você quer gelada ou natural? – acordei de meus pensamentos. Realmente... Pierre estava estranho, que isso? Me chamar de amor? Onde ele está com a cabeça?
[...]
Continua ^^\'
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