I Hate You
4 Romeu e Julieta
Notas iniciais
Peguei meu all star e fui descendo as escadas o vestindo.
- Cuidado pra não cair. — Escutei a última voz que queria.
- Eu to atrasada.
- É, e eu também. Eu que vou te dar carona. — Fui pra cozinha pegar algo pra comer no caminho e ele veio atrás de mim.
- Não pedi pra você passar aqui. — Ele arqueou uma sobrancelha, cruzou os braços e ficou olhando pra mim. — Ok, desculpa.
- Como?
- Desculpa. — Ele fez uma cara de surpreso. — Não precisa fazer essa cara. — Peguei toddynho e um barrinha. — Vamos? — Ele assentiu e entramos no carro dele. — Por que resolveu me dar carona?
- Sei lá. — Ele ligou o rádio. Tava tocando One More Night do Maroon 5. — Gosta?
- Aham.
- Vai ter show deles numa cidade aqui perto.
- To sabendo.
- Você vai? — Olhei pra ele e ele me olhou de volta.
- Não sei. Se minha mãe não ficar de graça e me dar o ingresso de outro show também…
- De quem?
- The Wanted.
- Hm. Legal também. — Fomos o resto do caminho em silencio. De carro, era uns 10 minutos da minha casa até a escola. Chegamos lá era 07h05. — Qual sua primeira aula?
- História.
- A minha também. — E olha que legal, era no último andar a sala. A gente praticamente se matou pra chegar lá a tempo.
- Vocês tão atrasados. — O professor disse quando entramos na sala. Olhei no relógio. 07h11. Dá pra entrar até 07h10.
- Um minuto, professor. — Eu disse.
- O horário pra entrar é até 07h10. Não 07h11. Podem esperar a próxima aula lá fora. — Bufei e eu e o Turner saímos dali.
- Quer comer algo?
- To sem fome. — Ele avistou uns amiguinhos dele e saiu. Eu fiquei lá mofando e quase dormindo sentada apoiando as costas em um armário. Meu celular apitou e eu levei um susto.
“Abandonou os amigos?”
Era o Caleb. Um menino que eu ficava a uns dois meses atrás.
“Calúnia isso =’[“
“Tá na sala?”
“Não. Cheguei atrasada.”
“Vai vim pra cá quando?”
“Não tenho a mínima ideia.”
- Seu namorado? — O ser falou sentando do meu lado me dando susto.
- Não.
- Ficante?
- Sabia que é feio se intrometer na vida alheia? — Ele não falou nada.
- Se eu te convidar pro show, você aceita? — Olhei pra ele. — Pensa pelo lado positivo, você vai conseguir ir no outro porque sua mãe só vai pagar um. — Arqueei uma sobrancelha.
- Tá falando sério?
- To.
- E por que você me levaria?
- Porque eu quero.
- Convincente. — Disse irônica.
- Topa ou não?
- Posso pensar? — Ele deu de ombros.
- Pode. Só não esquece que é o Maroon 5 que vai tá lá. — Ele disse querendo me convencer a ir com ele. Ok, agora eu preciso de ajuda. Resolvi ir comprar algo na cantina. Dessa vez ele não veio atrás de mim. Pedi um sanduíche natural e um suco de laranja.
- A senhorita não devia tá na sala? — A tia me que me serviu perguntou.
- Cheguei um minuto atrasada e o professor não me deixou entrar.
- Hm. — Paguei tudo e fui pra uma mesa.
- Você come, hein.
- Você me persegue, hein. — Ele pegou na minha mão e deu uma mordia no sanduíche. — Folgado. — Ele engoliu e sorriu. Dois meninos chegaram na mesa e se sentaram. O que é isso? Uma invasão?
- Você que vai com o Jason no show? — O mais alto perguntou pra mim.
- Cala a boca, Charles. — Turner disse dando um tapa na cabeça no menino.
- Sou o Cody. — O outro disse pegando na minha mão e deixando um beijo lá. Não aguentei. Tive que rir. — Você é a Jenny? — Olhei feio pro Turner.
- É Jennifer.
- Deixa de ser chata.
- Deixa de ser insistente.
- Quanto é isso? — Ele disse apontando pro sanduíche.
- 3,00 dólares.
- Compra pra mim? — Ele disse me estendendo o dinheiro. Dei risada.
- Óbvio que não.
- Eu te dei carona.
- Eu perdi a primeira aula do mesmo jeito.
- Eu te ofereci ingresso pra um show que você que ir! — Olhei pra ele. Peguei o dinheiro e fui lá comprar. Peguei o lanche e dei pro indivíduo. — Qual a tua próxima aula?
- Física.
- Vai ter que me aguentar mais uma aula. — Revirei os olhos.
E eu realmente tive que aguentar essa criatura mais uma aula. Mas não completamente. Eu tinha essa aula com o Tyler também, então sentei do lado dele.
- Fiquei sabendo que veio com o Turner pra escola. — Ele disse.
- To fazendo um trabalho com ele e ele foi lá em casa ontem. Aí hoje de manhã ele apareceu do nada lá.
- Não precisa explicar nada pra mim. — Ele disse rindo e eu dei de ombros rindo também. — Vocês são amigos agora? — Fiz uma careta.
- Nem. Como eu disse, a gente só tá fazendo um trabalho junto. Mas… ele não larga do meu pé.
- Pelo visto ele te deixa em paz quando você tá comigo. — Ele disse olhando pro lado e eu olhei também. Turner tava com os amiguinhos dele e agarrado numa loira. Hm.
- Melhor assim. — O professor passou um exercício lá e começamos a fazer.
- Vai tá em casa no final de semana? — Tyler perguntou e eu olhei pra ele.
- Provavelmente.
- Tá afim de sair? — Esse é o melhor jeito dele me convidar pra alguma coisa?
- Pra onde?
- Sei lá. Mas ahn… não vou falar pra você. — Arqueei uma sobrancelha.
- Quando?
- Você faz muitas perguntas. — Eu ri.
- Mania.
- Pode ser no sábado.
- As 20h00?
- Ok. — O sinal bateu e ele sorriu pra mim saindo da sala em seguida.
- Que horas tu vai lá pra casa? — Jason brotou do meu lado falando e meu deu um susto.
- Você não disse as duas?
- Ah é. Eu tinha esquecido. Eu passo pra te pegar lá.
- Suave. — Não falei mais nada e ele também não. Fui até o meu armário e guardei os livros que já tinha usado. Peguei o livro de inglês.
- Não é matemática sua próxima aula? — Bati a cabeça na porta do armário e o livro caiu.
- Ai assombração! E não. É inglês.
- Hm. Vou pra minha então. Te encontro no intervalo.
- Isso é perseguição sabia?
- Relaxa, baixinha. — Ele disse rindo e saiu. Revirei os olhos e peguei o livro do chão indo pra sala em seguida.
A aula tava mega chata. E pra piorar, o professor pediu pra cada aluno recitar uma parte em voz alta do livro que ele deixou na mesa de cada um. E olha que sorte, o meu livro é Romeu e Julieta. Pois é. Não gosto de Romeu e Julieta. Acho chato e meloso demais. Que Shakespeare me perdoe.
- Isso é realmente necessário? — Perguntei pro professor.
- Se eu pedi…
- É que todo mundo aqui já sabe ler.
- Tá querendo montar as aulas por mim, senhorita Porter? — Revirei os olhos.
- Montaria melhor que você. — Resmunguei. Mas como tenho a sorte do tamanho do mundo, ele ouviu.
- Detenção depois da aula.
- Mas…
- Sem “mas”. E pode ler a parte do livro. — Abri a o livro em uma página qualquer.
- “Vem, gentil noite! Vem, noite amorosa de escuras sobrancelhas! Restitui-me o meu Romeu, e quando, mais adiante, ele vier a morrer, em pedacinhos o corta, como estrelas bem pequenas, e ele a face do céu fará tão bela que apaixonado o mundo vai mostrar-se da morte, sem que o sol esplendoroso continue a cultuar. Comprei a casa de um amor, sem estar na posse dela; vendida embora me ache, possuída não fui ainda. Tão tedioso e lento é este dia, tal como a noite em véspera de alguma grande festa para criança impaciente que tenha roupa nova, mas não possa vesti-la.” Hm. — Li e fechei o livro olhando com cara de tédio pro professor.
- Muito bem. Pode começar a fazer um texto sobre o que você entendeu. — Ele tá testando minha paciência? Comecei a fazer o troço. O sinal bateu e ele olhou pra mim parecendo que tava sorrindo vitorioso. Coloquei meu nome e, antes de sair da sala, joguei a folha e o livro na mesa dele. Guardei meu livro no armário e fui pro intervalo.
- Tá estressada? — Amanda perguntou quando eu me sentei.
- Eu peguei detenção por nada!
- Na aula de quem? — Lucas perguntou.
- Inglês. Só porque ele não sabe dar aula! — Disse abrindo a lata de refrigerante com raiva.
- É bom se acostumar com ele. — Comecei a comer. E eu ainda tinha que avisar pro Turner chegar um pouco mais tarde. Olhei em volta no refeitório e ele não tava lá. Depois eu aviso.
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