I Hate You
6 6) House, o senhor bondoso
Notas iniciais
Tudo bem... Eu entendo que vocês queiram me matar. Mas... Esperem até o fim da fic, certo?
Espero que gostem desse capítulo.
House passou mancando pelo corredor com um sorriso leve no rosto. Tinha finalmente acabado mais um dia de trabalho, mas não era por isso que estava feliz. Era por ter conseguido evitar a Cuddy, mais um caso ridículo, e as horas na clínica.
A única coisa que faltava era pegar o elevador e ir embora. Ele apertou o botão e esperou.
“Livre... Finalmente.” Pensava ele.
Quando as portas do elevador se abriram, entretanto, ele teve uma surpresa. Cuddy estava lá dentro, e assim que o viu abriu um sorriso enorme.
“Eu não acredito que você fez isso.” Disse ela.
Se fosse um dia normal ele pensaria que aquilo era sarcasmo, ou raiva retorcida em um sorriso, mas Cuddy parecia realmente feliz.
“É... Que bom.” House estreitou os olhos, desconfiado, e entrou no elevador. O que será que ela queria dizer com aquilo?!
“Sério. Eu nem estou acreditando nisso.” Insistiu ela sorrindo para ele. As portas do elevador se fecharam. Se House não tivesse seu problema na perna, ele sairia mancando pelas escadas. Cuddy feliz com ele era algo extremamente raro. “Eu só quero te dizer que o que você fez foi algo muito gentil.”
Gentil?! Ela estava falando com a pessoa certa mesmo? House não estava entendendo nada.
“Ah, claro. Eu sou gentil com as pessoas o tempo todo.” Disse em sarcasmo. “Já fiz tantos atos gentis, mas... De qual deles estamos falando mesmo?”
Cuddy olhou para ele sem entender. Agora ela que estava confusa.
Ela pegou uma pasta e a abriu. De dentro tirou um pedaço de papel e começou a ler. House franziu o cenho enquanto ela lia.
“James Wilson, eu me ponho à total disposição do programa de tratamento e pesquisa contra o câncer infantil durante um mês. Informo que poderei cumprir horas extras e trabalhar aos sábados também. Dr. Gregory House.” Leu Cuddy fazendo o queixo de House cair.
“Sábados? Ah, com certeza.” Falou em sarcasmo. “Eu prefiro deixar de sair com algumas garotas fáceis, á ficar no hospital cuidando de criançinhas moribundas.”
“Mas... Você não escreveu isso?” Perguntou Cuddy. “Ah... Estava bom demais para ser verdade.”
“Você realmente achou que eu tinha escrito isso?! Foi o Wilson. Está tentando me dar o troco por ter o feito molhar as calças de tanto medo.” Falou House revirando os olhos. “Até parece que eu vou ficar aqui para ajudar nesse programa estú...”
“Acho uma ótima idéia.” Interrompeu ela sorrindo. Ela sabia que aquilo ia infernizar o House, e achou que seria divertido. “Wilson pensou bem. Você vai ficar e ajudar no programa por um mês começando amanhã.”
“Olá! Era uma pegadinha!” Falou House olhando-a. “É para fazer as pessoas rirem ou ficarem irritadas, mas não para que elas levem á sério!”
“Mas eu levei.” Sorriu Cuddy. Ela entregou uma fixa para ele. Deviam ter umas cem folhas dentro. “Isso vai servir de lição para você. Não implique com o Wilson. Peça desculpas para ele e acabe com seja lá que tipo de guerrinha seja essa.”
“Até parece que eu vou fazer isso.” Discordou House.
“Então se divirta lendo historinhas para as crianças com câncer.” Rebateu Cuddy triunfante. As portas do elevador se abriram antes dele poder protestar. Ela foi embora ainda sorrindo, deixando o House com cara de idiota dentro do elevador.
“James Wilson, você é um homem morto.” Murmurou ele.
House saiu do elevador antes das portas se fecharem, e foi para a sua nova casa. Chegando lá ele estacionou a moto na garagem e entrou.
As luzes estavam acesas. Wilson estava assistindo TV inocentemente. No seu colo estava um pote grande de pipocas, que ele eventualmente pegava e levava á boca.
“Você.” House apontou sua bengala para ele.
“Eu.” Concordou Wilson sem ligar muito.
“Acha que pode me obrigar a ajudar no programa de oncologia?” Perguntou House. “Agora a Cuddy vai me obrigar á trabalhar nos sábados por causa de uma suposta carta que eu escrevi para você.”
“Puxa... Que chato hein?” Falou Wilson tentando segurar o riso.
“Chato vai ser quando você acordar careca.” Rebateu House. “A propósito... Você está comendo o seco de pipocas que estava no armário de cima?”
Wilson parou de comer a pipoca, e olhou para o House com medo. Ele estreitou os olhos, e o oncologista fez isso também.
“O... O que você fez com...?” Wilson tinha medo de saber.
“Nada.” Respondeu House, mas ele não confiava naquela resposta.
“Escuta. Vamos por um fim nisso, certo? Peça desculpas por ter roubado o meu carro, e eu esqueço todo o resto.” Falou Wilson. “Além do mais... Desse jeito você não vai precisar trabalhar aos sábados.”
House notou uma coisa.
“Você fez um acordo com a Cuddy. Ela estava contra mim também, não é?” Perguntou House fingindo que sua bengala era uma arma, e que ele estava pronto para atirar. “Traidora...”
“Talvez.” Wilson encolheu os ombros. “Eu só expliquei a situação. Ela é que escolheu de que lado ficar.”
“Eu vou fingir que acredito nisso.” Disse House. “Essa guerra ainda não acabou.”
“Não precisa ser assim.” Falou Wilson. “Só peça desculpas.”
House estava pronto para falar algo do tipo “Kiss my ass” quando se tocou que podia fazer algo bem melhor. Ele tentou agir como um ator.
“Certo... Quer saber? Irritar você não vale trabalhar aos sábados durante um mês. Então...” Wilson arregalou os olhos e prestou atenção ao resto. “Sinto muito pelas multas de trânsito. Eu devia ter pedido o carro emprestado para você. Roubá-lo foi um erro.”
Houve um momento de silêncio mortal. Se Wilson estivesse comendo pipoca ainda ele teria se engasgado de tanta emoção. House tinha pedido desculpas! Ele nunca achou que algo daquele tipo fosse acontecer.
“É sério?” Perguntou por fim com uma voz falhada. “Você... Está me pedindo desculpas mesmo?”
“É. Eu sou um cretino, e tenho que admitir isso.” Assentiu House com um sorriso triste no rosto. “Eu realmente sinto muito.”
Wilson não sabia se chorava de emoção, se se jogava no chão rindo ou se fazia os dois ao mesmo tempo. Aquilo era realmente chocante.
“Nossa... Eu nem sei o que dizer.” Sorriu Wilson.
“Diga... Que estou desculpado.” Falou House andando até ele e estendendo a mão. Wilson hesitou. “Qual é, Wilson? Vamos por um fim nessa guerra. Paz e amor é que está com tudo, seu quadrado.”
Wilson riu. House imitou um hippie e ele acabou se convencendo. Wilson apertou a mão dele e sorriu.
“Certo. Está tudo bem, eu acho.” Ele estava um pouco incerto ainda, mas não queria desperdiçar uma oportunidade daquelas. “Só não faça de novo.”
“Se quiser eu posso até te ajudar a pagar as multas.” Disse House.
“Mesmo? Faria isso?” Ele estava bobo com a situação.
“Claro. Somos amigos.” Concordou House.
Eles soltaram as mãos e sentaram-se no sofá. House teve uma idéia.
“Ei... Podíamos comemorar isso, não é?” Sugeriu com um sorriso.
“É mesmo. Ahm... Podemos ir a um bar ou...” Wilson estava pensando em mais algum lugar, quando House o interrompeu.
“Vamos fazer o seguinte.” Disse House. “Podemos ir ao mercado e comprar massa para pizza. Eu sei fazer um molho muito bom. Nós compramos queijo, presunto e azeitonas... E assistimos caminhões monstros comendo pizza.”
“É uma boa idéia.” Concordou Wilson. Ele se levantou e foi pegar as chaves do carro. “Vamos. Eu dirijo.”
“Combinado.” Sorriu House.
“Espera... Não podemos ir.” Disse ele lembrando-se de algo importante.
“Por que não?” Quis saber House.
“Porque se a polícia nos parar vão ver as multas do carro... E se cairmos nas mãos daquele policial de antes, nós estamos fritos.” Falou ele lembrando de como aquele cara tinha ficado com raiva deles.
“Ah... O que ele pode fazer?” Zombou House.
“Nos dar um tiro. Só isso.” Falou Wilson como se aquilo não fosse nada. “É... Quem liga, né?”
“Ele não vai fazer nada. Esses policiais idiotas nunca vão nos parar.” Retrucou House. “Vamos logo.”
Wilson hesitou. Ele não tinha certeza se ir seria a melhor idéia. Parte dele ainda desconfiava de House, mas a outra parte estava morrendo de fome. House conseguia fazer um molho perfeito. Era um gênio na culinária assim como na medicina, e Wilson não queria perder a oportunidade de comer uma pizza feita por ele.
“Ok. Nós vamos.” Resolveu ele. “Mas não vamos demorar!”
“Vai ser rapidinho.” Disse House levantando e pegando sua bengala. Ele foi até a porta da sala e os dois saíram.
Wilson entrou no carro, e House ficou no lado do passageiro.
Eles andaram o tempo todo no limite de velocidade para não causarem problemas. House deixou seu amigo mudar as músicas do rádio sem nem mesmo reclamar, o que o deixou surpreso. Não esperava que House estivesse sendo sincero, mas... Parecia que sim.
Ou pelo menos... Era o que ele estava pensando.
Quando Wilson entrou no estacionamento do supermercado, parou o carro em uma vaga perto da porta.
“Pronto.” Falou ele. “Chegamos sem problemas.”
“Eu te disse.” Falou House. “Os policiais dão mais atenção aos bêbados que aos malandros que não pagam as multas.”
“Eu não sou um... Malandro que não paga as multas!” Protestou Wilson.
“Era brincadeira. Não precisava se ofender.” Falou House. “Vai indo na frente comprar que eu já vou.”
“O que vai fazer?” Quis saber Wilson. Talvez cortar os freios do carro, pensou uma parte dele, mas logo abandonou a idéia.
“Vou ao banheiro.” Respondeu House.
“Certo... Eu vou comprando as coisas. Encontro você lá dentro.” Falou Wilson colocando seu casaco marrom e saindo do carro.
House saiu também, mas ficou parado observando seu amigo entrar no supermercado. Assim que o oncologista passou pelas portas e se misturou no meio das outras pessoas que pegavam os carrinhos na entrada, House sorriu malignamente.
“Ah, Wilson... Você não tem idéia do que é maldade.” Riu ele consigo mesmo. Um homem moreno e alto passou por ele. Estava vestindo uma camisa preta, e uma calça jeans. Qualquer um poderia confundi-lo com um segurança, e House adorou essa idéia. “Ei você!”
O homem parou de andar e olhou para ele.
“Que foi?” Perguntou com uma voz grossa.
“Quer ganhar vinte dólares?” Perguntou House sorrindo.
O homem arqueou uma sobrancelha, mas logo depois assentiu.
“Você viu aquele cara de casaco marrom que acabou de entrar na loja?” Perguntou House.
“Sim. O que tem ele?” Perguntou o homem chegando mais perto dele.
“Bem... Eu quero que você faça o seguinte.”
House começou a falar para ele o que queria que o homem fizesse, e ele assentiu pegando a nota de vinte da mão de House.
“Isso vai ser divertido...” Riu House mentalmente, enquanto observava o homem passar pelas portas do supermercado e guardar a nota no bolso.
Notas finais
E que plano será que o House tem dessa vez?
Muahahahahaha!
Aguardem no próximo capítulo!
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