I Hate You

4 4) Almoçando com Bin Laden


Notas iniciais
Demorou um pouquinho, né?
Desculpem-me!

Mas... Aqui está o novo capítulo!

A mesa da sala de jantar era enorme. Bem comprida.

Em uma das pontas dela estava Wilson, e na outra bem afastada estava House. Os dois se fitavam em meio de um silêncio mortal, que só foi quebrado alguns minutos depois.

“Então...” Disse House. “Vai almoçar em casa?”

Wilson levantou uma sobrancelha.

“Eu não sei.” Respondeu cauteloso. “Você vai?”

House sorriu maldosamente e levantou-se. Ele foi atravessou o portal da sala e foi para a cozinha. Wilson sentiu um pouco de medo em deixar o House fora de seu campo de visão, por isso o seguiu.

Na cozinha, House estava olhando a geladeira.

“O que vai fazer?” Perguntou Wilson.

“O almoço.” Respondeu House em um tom óbvio. “A não ser que saiba fazer fotossíntese...”

“Não.” Falou Wilson. “Não estou perguntando do almoço.”

“Então não sei do que está falando.” Disse House.

“Estou falando do seu plano.” House continuou mexendo na geladeira e fingindo não entender o que Wilson falava. “O que vai fazer?”

“Relaxa, Wilson!” Disse ele. “Eu não vou te envenenar... Por enquanto.”

Wilson revirou os olhos. Nunca ia conseguir adivinhar o próximo passo de House. Até porque, ele era completamente louco e imprevisível. Sua mente era um dos enigmas da humanidade.

“Você pegou o meu carro, conseguiu 27 multas e quase fez com que eu fosse preso.” Lembrou Wilson. “Tudo bem! Eu me vinguei com uma pegadinha, e pronto. Estamos quites. Não precisa de revanche, e nem guerra! Acabou.”

House olhou para ele depois de tirar duas lasanhas da geladeira. Seu olhar dizia bem claro que ele ainda ia se divertir muito com aquilo, mas...

“Certo.” Concordou ele.

Wilson olhou para ele pasmo e sem acreditar.

“Certo?” Repetiu. “Quer dizer que você vai... Parar?”

“Sim.” Falou House sorrido. “Ora... É só uma brincadeira entre amigos, não é? Eu pego o seu carro escondido, você mexe com a minha televisão... O de sempre.”

House colocou as duas lasanhas no forno e apertou alguns botões.

“Espera... Eu não acredito nisso.” Falou Wilson desconfiado. “Você... Não vai parar, não é?”

“Por que acha isso?” Perguntou House. “Já disse... Foi só uma brincadeira amigável.”

Ele não engolia aquela. Sabia que House estava tramando alguma coisa. Podia sentir isso... O conhecia tempo o suficiente para saber como ele era.

Mesmo assim, sabia que não ia adiantar nada continuar perguntando, por isso acabou desistindo.

“Perfeito...” Murmurou ele. “Então acho que... Vou almoçar em casa.”

“Que bom.” Respondeu House.

“Mas não vou comer lasanha.” Apressou-se em dizer.

“Como quiser.” Respondeu ele.

Wilson foi até a geladeira para ver o que poderia comer. Enquanto isso House o observava.

“Se eu fosse você... Não escolheria nada daí.” Disse ele.

Wilson parou. Ele lançou seu olhar na direção de House, e depois de volta para a geladeira desconfiado.

“O que você...?! O que foi que...?!” Ele tentava escolher a melhor pergunta, mas não conseguia. “Não disse que ia parar?!”

“Por isso estou te avisando.” Respondeu inocentemente.

“O que fez com a comida?!” Perguntou Wilson.

“Você quer mesmo saber?” Perguntou House com um sorriso malicioso.

“Quer saber de uma coisa? Você é doente.” Disse Wilson. “Eu vou pedir comida chinesa pelo telefone.”

“Boa idéia!” Concordou House, aumentando a sua voz a medida que Wilson saía da cozinha. “Use um aparelho eletrônico de comunicação dessa casa controlada por um painel de alta tecnologia para pedir um almoço!”

House esperou alguns minutos e viu Wilson aparecer novamente na cozinha.

“O que? O telefone vai explodir agora?” Perguntou Wilson.

“Nunca se sabe...” Disse Hosue.

“Você programou o telefone?!” Perguntou.

“Eu...” Disse House olhando para o teto pensativo. “... Não lembro.”

“House!” Exclamou Wilson.

“Sabe qual é a melhor arma dos terroristas?” Perguntou House sorridente.

“Ahm, não sei. Um painel de controle digital? Uma lasanha de forno?” Chutou Wilson.

“O terror.” Sorriu House. “Não é o que eles fazem e sim o que podem fazer. Eles controlam as pessoas com o terror. Fazem com que elas saiam para levar o cachorro para passear perto do World Trade Center e tremam nas bases. E isso é delicioso. Ver as pessoas tentando imaginar qual seria o próximo passo deles... Com medo até de respirar, ou de pegar um telefone para pedir comida chinesa.”

“Ah meu Deus.” Exclamou Wilson. “Você trabalhou com o Bin Laden!”

House continuou sorrindo. Ele tinha em mentes muitos planos, mas por enquanto a sua maior diversão era ver a reação do Wilson.

“Escuta...” Falou Wilson. “Sabe o que deixa os terroristas frustrados? Quando as pessoas não têm medo. Quando elas levam o cachorro para passear perto do World Trade Center e aproveitam para tomar um café.”

Wison virou-se e começou a andar em direção á sala, mas antes parou e olhou mais uma vez para House.

“Se acha que eu estou com medo, achou errado.” Disse Wilson.

“Claro que não.” Riu House. “O termo certo no caso seria aterrorizado.”

Ele saiu da cozinha deixando House sozinho. Ele pegou as lasanhas do forno. Estavam com um cheiro delicioso. As levou para a sala de jantar.

Logo depois Wilson apareceu.

“O que foi?” Perguntou House. “Medo de o seu carro explodir?”

“Não.” Disse Wilson. “Medo de o nosso amigo Tim me prender por ainda não pago as suas multas...”

Wilson sentou-se em uma das cadeiras.

“Posso comer uma lasanha?” Pediu Wilson.

“Claro.” Sorriu House.

Ele pegou uma e a estendeu para Wilson, mas ele não a pegou. Puxou a que House não tinha escolhido e colocou no prato.

“Deve ser mais segura.” Falou ele.

“Como achar.” Disse House.

Estava prestes a dar uma garfada na lasanha, quando notou que Wilson o observava atentamente.

“Olha... Eu sei que você é muito guloso, mas essa lasanha é minha.” Brincou House.

“Então coma a sua lasanha.” Disse. “Não quero atrapalhar.”

House comeu a primeira garfada, e Wilson também.

“Por que quis me ver comer se não está com medo?” Perguntou.

“Por nada... Só queria me certificar de que não estava envenenada.” Respondeu.

“Ainda pode estar.” Disse House. “Vai ver eu comi o veneno junto com você.”

“Duvido muito.”

“Por quê?” Quis saber ele.

“Por que se você morresse também, não poderia me ver sofrer.”

“Eu posso ter um antídoto. Só para mim.” Insistiu House.

“E agora estamos onde? Em um filme do James Bond?” Riu Wilson.

House terminou de comer e levantou-se.

“Nos veremos em breve, James Wilson.” Brincou ele.

“Até porque moramos na mesma casa.” Murmurou Wilson.

Você lava a louça!” Exclamou House da cozinha.

“Eu não...! Droga...” Disse Wilson levantando-se para lavar a louça.

Depois de lavar tudo, ele foi até a sala. Nenhum sinal do House. Tudo bem... Wilson estava tenso, pensando em qual seria o próximo passo daquele gênio do mal, mas não poderia deixar isso transparecer. De jeito nenhum. Até porque era exatamente isso que ele queria.

Ainda tentando imaginar o plano daquele gênio do mal, sentou-se no sofá para ver TV. Assim que a ligou, notou que tinha centenas de canais que nunca havia visto antes. Como não tinha nada para fazer mesmo começou a procurar algum programa bom.

Quando estava no canal 31 parou um pouco. Estava passando um programa sobre psicopatas.

Poucas pessoas sabem que os psicopatas aparentam ser com pessoas comuns. Eles trabalham, limpam a casa, cuidam do jardim, vão para festas... Mas há uma diferença.” Falava apresentador do documentário.

“Só pode ser brincadeira.” Riu Wilson.

“Você deve pensar: ‘Ah, isso é brincadeira! Meu amigo nunca seria um psicopata...’, mas... Será?!” Continuou o apresentador.

Wilson lançou um olhar sutil e discreto para as escadas. House estava no segundo andar, provavelmente em seu quarto.

“Não... Ele não é um psicopata, ele... Só tem um cérebro diabólico.” Murmurou pensando alto.

“... Muitos filmes de terror mostram isso com clareza.” Continuou. “Hannibal, o Coringa... Todos eles são psicopatas. Agem de forma calculista e fria...”

“Calculista e fria... Nossa...” Murmurou.

Ele lançou novamente um olhar discreto para as escadas, só que dessa vez quase teve um ataque cardíaco quando viu que House estava em pé lá.

“Ah!” Gritou ele assustado.

“O que?” Perguntou House do topo da escada.

“Nada... Ahm, nada não.” Disse trocando o canal da TV rapidamente.

House estreitou os olhos.

“O que estava vendo?” Perguntou.

“Ah... Um programa... Documentário... Ahm... Sobre cinema.” Falou desajeitadamente.

Wilson ainda se recuperava do susto. Voltou a sua atenção novamente para a TV, tentando ignorar o House enquanto este descia as escadas devagar.

“Já viu o canal 56?” Perguntou House.

“Não.” Respondeu Wilson.

“Devia ver. É impressionante.”

“Que tipo de canal é?” Perguntou Wilson pouco interessado.

“Filmes pornôs.” Respondeu House.

“Deu comercial eu você resolveu me incomodar?” Perguntou Wilson.

“Basicamente.” Disse House. “Mas... Ainda acho que devia ver o canal.”

“Não.” Respondeu.

“Por que não?” Perguntou House.

“Por que estou vendo outra coisa.”

House olhou para a TV.

“Está vendo um documentário sobre baleias?” Perguntou.

“Sim, estou.” Disse Wilson. “E é muito interessante.”

“Tão interessante quanto conversar com mudos.” Comentou House.

“Se não gosta, volta par ao seu quarto.” Disse ele.

“Não até você colocar no canal.” Insistiu House.

“House...!” Wilson parou para bocejar. “... Ai... Tá bom. Se eu colocar no canal, você volta para o seu quarto e me deixa em paz?”

“Te deixo com toda a paz e sossego do mundo.” Sorriu House.

Wilson revirou os olhos. Aquilo já estava esgotando ele. Se sentia mais cansado do que nunca. Ele pegou o controle e apertou os botões. Colocou no tal canal 56.

Estava esperando ver algum tipo de Strip Chase, mas para a sua grande surpresa não tinha nada disso lá.

“O que...?” Perguntou soltando outro bocejo.

House sorriu descendo as escadas, enquanto Wilson assistia uma orquestra tocar. Eles tocavam uma música clássica suave e calma. Tão, tão, mas tão... Suave...

“Eu... Coloquei no canal errado?” Perguntou Wilson.

“Você fez tudo certinho.” Respondeu House.

Ele foi até a janela e a porta de vidro que tinha no fim da sala de estar, próximo ao Wilson e fechou as cortinas. A sala ficou mais escura.

“O que está fazendo?” Perguntou Wilson.

House não respondeu. Apenas ficou observando Wilson enquanto bocejava outra vez. Em seu rosto surgia seu típico sorriso de: “Eu sempre tenho um plano”.

Wilson tentou se levantar, mas quando se apoiou no sofá a sua mão enfraqueceu e ele caiu deitado.

Ele nunca havia notado o quão confortável o sofá era. Deitado lá soltou mais um bocejo. Olhou para House. Seus olhos quase se fechando sozinhos.

“O que... Você fez?” Perguntou sonolento.

“Você devia ter pegado a lasanha que eu te ofereci.” Comentou House. “Mas relaxe. Não vai morrer.”

“Um... Sonífero?” Perguntou Wilson com certa dificuldade. “Colocou isso... Na comida?”

“É. Foram só um pouco. Ou... Espera.” House parou para pensar e depois continuou. “Ah... Eu não me lembro.”

“Hou...!” Wilson estava pronto para gritar com ele, mas acabou bocejando.

Ele acabou caindo no sono em poucos segundos. House sorriu novamente, foi até ele, guardou o controle da TV, e subiu as escadas.

“Boa noite Wilson...” Murmurou ele ainda sorrindo. “Hora do plano A.”

Notas finais
Então... O que será que House vai fazer?

Essa guerra está longe de acabar...

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