I Hate Myself For Loving You
11 Hate You
Notas iniciais
[P.O.V Hayley]
Subi em cima de meu skate e segui em direção ao ponto de ônibus onde iria esperar por Helena. O dia amanheceu nublado, com uma leve cerração que cobria o asfalto e impedia que enxergasse a paisagem de concreto que formava a cidade. Morar em Wood era maravilhoso. Cheguei ao ponto de encontro e finalmente me dei por conta de minha situação: um par de All Star sujos e detonados, um jeans escuro e aquela camiseta ridícula da escola.
– Hay, olá! – ouvi uma voz doce e fina me chamando a poucos metros. Era Helena com um lindo sorriso estampado em seu rosto fino e branquinho.
– Oi, Helena! – sorri de volta. – vamos? – Fiz sinal para seguir caminho. Ela assentiu com a cabeça e subimos em nossos skates.
Durante todo o caminho fui contando para ela sobre a noite anterior, em que tive que buscar William em uma festa e ele acabou indo parar no hospital. Porém enquanto contava a história para Helena nos mais pequenos detalhes, a garota parecia se importar com outra coisa. Continuei falando mesmo assim.
Chegamos à escola normalmente. As aulas passaram tão rápido que nem consegui me concentrar nos conteúdos que foram passados – ou talvez fosse somente minha cabeça que estava em outro lugar. Quando chegou o intervalo, percebi que Helena queria ficar sozinha. A última vez que a vi ela estava sentada em um banco brigando com Paul. Os dois sumiram logo depois. Passei o meu intervalo sentada na grama, no meio do bosque ouvindo Sky Ferreira e lendo um livro qualquer.
Faltavam apenas alguns minutos para que voltássemos para a classe e nenhum sinal de Helena. Decidi caminhar pelo bosque da escola para ver se por acaso não a achava. Andei por um bom tempo até acabar me dando de cara com um muro de tijolos.
Ah, então essa floresta tem fim. Mas que bosta! Eu sempre imaginei que fosse tipo... infinito!
Que decepção, eu estudo desde pequena nesse colégio, e sempre imaginei que se eu andasse e andasse nesse bosque acabaria chegando à Nárnia ou coisa assim... Fui enganada por minha mente criativa mais uma vez.
Decidi dar meia volta e prossegui caminhando por entre aquelas arvores enormes até encontrar uma casinha. A famosa casinha do faxineiro barbudo, velho e tarado que estupra as estudantes para se sentir menos solitário. É assustador pensar que se eu chegar perto daquele lugar eu posso ser abusada, cortada em pedacinhos e enterrada em baixo de uma escola por um homem estranho que dança com vassouras. E quando eu digo “um homem estranho que dança com vassouras” eu estou falando sério. Aquele velho horrível coloca musicas altas quase todos os dias (desde o início das aulas desse ano).
Então eu me toquei de uma coisa. Helena, inocente do jeito que é, deveria ter saído andando pelo bosque da escola e acabou por ser sequestrada pelo faxineiro tarado.
Eu não tinha escolha: imagina entrar naquele lugar e me dar de cara com o Bob, O Faxineiro estuprando a minha melhor amiga de infância. Respirei fundo, contei até 3 e caminhei até lá. Parei em frente à porta e ouvi um barulho de algo caindo no chão. Isso me fez lembrar de como Helena e desastrada e vive quebrando coisas na minha casa acidentalmente. Merda, Helena deve realmente estar lá dentro.
Vi uma pá encostada na parede, ao lado da porta. Segurei-a com as duas mãos e chutei a porta com toda a minha força fazendo-a abrir com um estrondo.
– TIRE SUAS MÃOS SUJAS E ESTUPRADORAS DA MINHA AMIGA SEU MONSTRO! – pulei para dentro da sala em pose de samurai apontando a pá para as duas pessoas que estavam lá dentro. Estava esperando ver o faxineiro agarrando minha amiga ou coisa assim. Mas o que estava acontecendo era bem, BEM, BEEEEM pior.
– H-HAYLEY? – Helena virou seu rosto em minha direção. Eu quase enfartei com o que estava vendo.
Helena estava sentada no colo de Paul, e ele tinha seus braços em volta de sua cintura. Teria sido uma cena fofa, se os dois não estivessem extremamente vermelhos me encarando com os olhos arregalados.
–H-Hayley, e-e-eu... – Lena começou a tentar se explicar.
– HÁ! EU SABIA QUE TINHA ALGUMA COISA ACONTECENDO ENTRE VOCÊ E PAUL! – Comecei a gritar de emoção – EU FALEI PRO STEVEN MAS NÃAAAO, ELE TINHA QUE DISCORDAR! AGORA ELE ESTÁ ME DEVENDO OS CINQUNTA DÓLARES DA APOSTA! – Comecei a dar pulinhos de alegria.
– PERAÍ! – Disse Helena se levantando de repente do colo de Paul, que resmungou alguma coisa – Você apostou sobre mim? – Lena disse me encarando com cara de cu.
– Ai ai Leninha, não reclama porque eu bem sei que você e o Will também andaram apostando sobre mim e o Stevy! – Falei para Helena
– Ah, é verdade! – a garota falou dando de ombros.
– Ahm, desculpa interromper a conversa de vocês – disse Paul se levantando da cadeira e caminhando até o lado de Helena – Mas eu e Lena temos que, hã...
– Ir estudar pra prova de Matemática! – Disse Helena subindo um tom na voz.
– Isso mesmo! – Paul falou e pegou na mão dela – Vamos Lena – e os dois saíram dali.
Ah ta, a Helena estudando pra alguma coisa! Só se for estudar a anatomia do corpo dos bias dela, porque né...
Por falar em bias, o que exatamente foi aquilo com o Paul? Quer dizer, eu sabia que a Lena era meio pervertida, mas essa história de gostar de K-Pop deve ter afetado o cérebro dela. Além disso, até onde eu sabia Leninha detestava Paul.
Então ouvi um barulho, e percebi que ainda estava na casinha do faxineiro. Decidi sair de lá antes que ele aparecesse e decidisse fazer alguma coisa comigo.
Alguns minutos antes...
[P.O.V Helena]
Paul me puxou para dentro do bosque. Ele corria muito rápido e eu não alcançava o ritmo dele. Tropecei muitas vezes.
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – finalmente consegui puxar meu braço, mas acabei caindo de bunda no chão.
Ele não disse nada, apenas sorriu para mim e virou as costas. Começou a caminhar lentamente até atrás da casinha do faxineiro.
– Paul? – corri até ele com medo que o faxineiro barbudo aparecesse e me estuprasse, ou sei lá. – Paul, não me deixa sozinha!
– O que? Você está com medo? – ele começou a rir como um maníaco.
Apenas concordei com a cabeça enquanto vigiava o local para ver se não tinha nenhum estuprador por perto. Paul se aproximou de mim e me abraçou.
– Pronto! Agora não está mais com medo. – Beijou minha testa.
Ok, devo admitir que isso foi muito fofo e eu me derreti toda por dentro, mas preciso me concentrar. Concentra Helena, concentra!
– Me solta! – empurrei-o para longe de mim.
– Calma baixinha! Eu não vou fazer nada contigo. – Paul começou a rir de mim.
Paul se afastou mais um pouco e começou a cavar na grama. Ele parecia um cachorro fazendo isso. Não me contive e comecei a rir descaradamente da cena. De repente ele puxou uma caixinha de madeira. Paul a abriu e de dentro tirou um pequeno pacote e uma chave.
– Venha cá, Helena. – Ele pegou minha mão e me guiou até a porta da casinha. A abriu com a chave e entramos. Era tudo muito escuro lá.
– Não tem um interruptor não? – Perguntei enquanto agarrava seu braço com medo.
Paul acendeu as luzes daquele quarto. Havia uma enorme quantidade de espelhos pregados pelas quatro paredes da sala. Havia algumas vassouras, baldes, esfregões e produtos de limpeza num canto, uma cadeira no centro e um colchão velho encostado na parede. Paul fechou a porta atrás de mim e então sentou na cadeira.
– Ta bom... – olhei em volta e depois encarei Paul – por que você me trouxe pra esse lugar? E o que tem dentro desse pacotinho?
– Eu te trouxe aqui porque... Ahm... Na verdade eu não sei.
– E o pacotinho? – Cruzei os braços.
– Bem... Ahm... – Ele baixou a cabeça envergonhado e colocou uma das mãos na nuca – É co... co... co...
– coca-cola em pó? Coco ralado? Cola superbonder?
– Que? – Paul me olhou estranho.
– Olha – descruzei os braços e comecei a caminhar em círculos – Eu sei que eu vivo quebrando as coisas, mas isso não é motivo pra você trazer cola superbonder pra cá.
– MEU DEUS HELENA NÃO É COLA SUPERBONDER! DESDE QUANDO VENDEM SUPERBONDER EM PÓ? — Paul levantou ligeiramente de cadeira, como se tivesse pulado. Ele estava momentaneamente furioso (?) — ISSO É COCAÍNA!
– co... co... co... COCAÍNA? WTF — o encarei com espanto. Acho que meu rosto ficou completamente branco (mas do que já é né rs) — POR QUE VOCÊ TEM UM PACOTINHO DE COCAÍNA ESCONDIDO ATRÁS DA CASINHA DO FAXINEIRO BOB?
– Eu uso como dinheiro para pagar o "aluguel" do quartinho — Paul abaixou a cabeça encarando o chão rachado de concreto.
Pera, o Paul estuprava garotinhas junto com o faxineiro?
– Mas pra que você usa esse quartinho? E como você arranja cocaína aqui em Wood? O faxineiro não é um estuprador? Ele abusa de você? Você abusa de garotinhas junto com ele?- dúvidas e mais dúvidas surgiram em minha cabeça e tive que perguntar tudo seguidamente, diretamente, "perguntaneamente"...
– Eu uso pra poder ouvir musica e desenhar em paz — ele respondeu calmamente com uma voz tão suave e "kaiística" que quase me fez derreter. — Eu arranjo cocaína com o cara de touca verde e laranja do parque Wood, aquele que fica sempre atrás de uma arvore bem curvada. — A cada resposta ele falava mais baixo — O Bob não é um estuprador. Ele é só um cara solitário e meio mal humorado que detesta crianças, mas ele nunca faria mal algum a uma. E calma Leninha, se ele encostasse um dedo em mim eu acabaria com ele em poucos segundos. — Ele finalizou suas respostas e olhou para mim com um sorriso bobo.
– Ha, Ha, Ha! Como se você fosse tão forte assim como diz! — cruzei os braços e ri sarcasticamente, exatamente como aquelas bruxas malvadas dos contos de fadas.
– Leninha, você não sabe do que eu sou capaz... — Paul curvou seu corpo para frente num sorriso... safado?... e com os braços esticados, meu puxou pela cintura para bem perto dele.
– Paul o que você pensa que está fazen... — minha fala foi interrompida pelos labios de Paul, que clandestinamente selaram os meus num beijo calmo e com gostinho de café.
Por alguns longos segundos tentei impedi-lo e por mais que minha mente tentasse me lembrar de que eu não o suportava, acabei desistindo e cedi. Eu havia gostado daquilo.
Enquanto Paul me beijava calmamente segurando meu rosto com uma de suas mãos, a outra me puxava para mais próximo dele, fazendo nossos corpos colarem. Nos afastamos um pouco para recuperar o fôlego, mas antes eu pudesse fazer alguma coisa, Paul sentou em uma cadeira e me puxou para o colo dele, retomando o beijo.
Mas esse momento fofo e estranho não durou por muito tempo, pois um anão ruivo (a.k.a Hayley) pulou para dentro do quartinho com uma pá nas mãos, gritando algo sobre mãos estupradoras. Acabei levando um baita susto e me encolhi mais no colo de Paul
Obviamente eu levaria um susto, pois (1º) eu estava beijando o cara que eu mais detesto, (2º) eu estava matando aula e (3º) eu estava na ESCOLA, e tem uma lei que proíbe casais dentro do território do colégio, apesar de ninguém respeitar essa droga.
Paul e eu não sabíamos o que fazer diante da situação, então criei uma desculpa esfarrapada para poder sair de lá rapidamente antes que Hayley nos enchesse com perguntas que me deixariam mais constrangida do que eu já estava.
Paul me agarrou minha mão e me puxou de lá, e quando me dei por conta, já havíamos passado da escola. Mas o garoto continuou andando e me puxando junto a ele.
Decidi que ficaria em silêncio, assim Paul não precisaria olhar para o meu rosto. Que estava vermelho feito um pimentão devido ao que havia acontecido.
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