Notas iniciais
[Oh Wow Thaynara]: Então poucas pessoas que lêem. Desculpem a demora. O notebook realmente não colabora, e aí fica difícil. [Liandra Salvatore Stonem]:Mas aí estamos com mais um capítulo.

POV. Molly

So smile, the worst is yet to come

We'll be lucky if we ever see the sun

Got nowhere to go

We could be here for a while

But the future is forgiven so smile

Smile ♪ ♫

(Smile – Mikky Ekko)

Era a décima vez que eu olhava pra o relógio de parede que ficava acima do quadro da sala de aula.

E não tinha se passado nem um minuto desde a última vez que olhei.

A impressão era que aquele maldito relógio implicava comigo.

Era como se aquele objeto inanimado realmente pensasse: “Poxa, a Molly quer sair logo dessa escola e perguntar urgentemente para o Justin como ele conhece o babaca do Drake. Vou demorar mais!”

Eu estava para me levantar, pegar aquele relógio e jogá-lo contra a parede, quabrando-o o máximo possível.

Mas não adiantaria. Só seria encarada como a estranha da sala, mais do que já sou, por quebrar um relógio em plena a aula sem motivo aparente.

Então apenas desviei o olhar do mesmo e fingi prestar atenção naquela aula completamente maçante.

PRIIIIIIIIIIIIIM!

E o fim do tormento chegou.

Arrumei minhas coisas com certa pressa e fugi daquele lugar claustrofóbico.

Vi o alvoroço de gente que se amontoavam nos corredores da escola em direção a saída. Os grupinhos juntavam-se rapidamente, como sempre.

Eu simplesmente passei por todos e fui em direção ao meu armário.

Guardei todos os meus livros no mesmo e o fechei.

Tornei a caminhar entre os grupos, ignorando-os, até a saída da escola pensando nas possibilidades de como Drake e Justin se conheciam.

Nada me parecia plausível.

Será que durante as viagens dos pais de Justin, Seattle já foi uma das rotas dos mesmos? Possível.

Mas isso não explicava o motivo do ódio visível que um tinha pelo outro.

Eu precisava tirar essa história a limpo.

Talvez eu estivesse sendo completamente enxerida. Com toda certeza eu estava sendo absurdamente enxerida. Mas eu não ligo nem um pouco.

Quando o assunto envolvia meu melhor amigo de infância e meu novo arqui-inimigo, eu precisava averiguar a situação.

Sem que eu esperasse, senti um braço sobre o meu ombro.

— E aí, bonequinha.

— Oi, Justin. _ Sorri, reconhecendo a voz do meu amigo.

— Cadê todos os outros? _ Perguntou.

— Não os vi... _ E um grito irreconhecível fez-se audível.

— Saudades? _ Ri da pessoa que se jogou entre nós dois, escorando-se com os braços nos ombros de cada um. Claro que era a irrefreável da Jenn.

— Com certeza. _ Disse.

E logo atrás estavam todos, juntando-se a nós três.

Samuel simulava vômitos ao observar Mih e Cameron que chegavam chamando um ao outro de nomes gays.

— Morro solteira, mas não passo por isso. _ Comentou Jenn.

— Estamos juntos, coleguinha. _ Disse Sam empurrando-a de leve.

— Larguem de ser invejosos. _ Disse Cameron.

Lucy pulou nas costas do irmão e disse, empolgada:

— Anda, cavalinho.

— Cavalinho é o teu passado. _ Respondeu, mas a segurou e continuou andando.

Ri do comentário. Tem momentos que acho que seria legal ter irmãos.

Mas, pensando bem, acho que arrumei “irmãos” postiços quando mudei para essa cidade.

Sorri com o pensamento.

— Bom gente, vou indo. Vejo vocês amanhã. _ Disse Samuel. _ Tchau, psicopatas.

— Tchau. _ Acenei junto a Jenn, que agora encontrava-se agarrada ao meu braço.

.— Não me mate, ciumento. _ Disse Sam à Cameron ao abraçar a namorada do mesmo, despedindo-se do amigo em seguida baguçando seu cabelo. _ Tchau casal ternura.

E virou-se para Justin e Lucy.

— Foi bom conhecer vocês. _ Disse um tanto acanhado. _ Vejo vocês amanhã.

— Valeu, cara. _ Disse Justin.

— Tchau, Samuel. _ Lucy despediu-se vermelha.

E saiu.

— Bom, a gente também já está indo. _ Disse Cameron, abraçando a cintura da namorada. _ Tchau, gente.

E foram saindo, mas não sem antes da Jenn zoar.

— Não se esqueçam da camisinha.

— Cala a boca. _ Disseram juntos, já de costa.

Gargalhamos.

— Vou indo também. Tenho que ir ao salão ainda hoje. _ Jenn virou-se para Lucy. _ Aliás, você me disse na sala que tava precisando ir. Vamos?

— Verdade. Vou aproveitar a deixa. _ Disse descendo das costas de Justin. _ Vejo vocês depois.

— Me liga, se quiser que eu a busque._ Justin disse com o tom protetor de irmão mais velho.

— Pode deixar. _ Deu um beijo na bochecha dele. _ Tchau Molly, foi bom te reencontrar depois de tanto tempo.

Ela tinha um sorriso sincero.

— Também foi ótimo te reencontrar. _ Disse um pouco envergonhada.

Fui surpreendida pelo repentino abraço da morena.

Retribui e sorri me afastando lentamente.

— Tchau para as duas.

— Tchau. _ Disseram as duas afastando-se.

Já distante de nós, Jenn virou-se para nós e olhou de mim para Justin, que estava distraído mexendo em algo na sua mochila, e piscou em seguida em minha direção.

E foram-se.

Não entendi o motivo, mas senti meu rosto esquentar.

E então ficamos apenas eu e Justin.

— Quer carona? _ Ofereceu Justin.

— Não precisa. _ Disse, apoiando meu skate no chão. _ Minha casa é aqui perto.

— Tem certeza? _ Senti certo desânimo na voz dele ao ouvir minha resposta.

— Tenho sim. _ Disse acanhada. _ Mas podemos marcar para irmos depois ao cinema para por a conversa em dia.

Ele animou-se.

— Claro. _ Disse bem mais animado. _ Podemos marcar.

Sorri ao observar o mesmo sorriso que ele tinha quando criança estampado em seu rosto.

— Okay então. _ Acompanhei seu sorriso.

— Me passa seu número para marcarmos depois. _ Disse ele._ Pode ser?

— Hurum. _ Concordei passando meu celular para que ele salvasse seu número nele e devolvendo-o.

Ele passou o dele para mim em seguida, onde salvei o meu número.

— Aliás, posso perguntar uma coisa? _ Disse devolvendo o celular do mesmo.

— Pode sim.

— Como conhece Drake? _ Joguei a pergunta de uma vez.

— Ah! _ Claramente o peguei de surpresa com a pergunta. _ De uns anos atrás. Já morei perto da casa dele, e o conheci na época... Enfim, longa história. Depois te conto, pode ser?

Seu desconforto era claro. Eu tinha vontade de perguntar mais. Queria saber se eles eram amigos ou o porquê da raiva entre eles. Mas não queria forçar a barra.

— Pode ser. _ Falei contra a vontade. _ Bom, vou indo...

— Espera... _ Sua voz era cautelosa. _ Só me promete uma coisa.

— O que? _ Disse assustada.

— Fica longe do Drake. _ A voz de Justin era nublada por certo medo e alguma coisa que não consegui distinguir. _ Ele pode te surpreender com suas reações, ás vezes.

Como se eu já não soubesse. Ele já tinha me mostrado faces que eu não esperava dele em pouco tempo. E me machucado muito, inclusive. Mas não ia comentar isso com Justin. Só queria esquecer.

— Ah... _ Eu ia responder ele, quando fui interrompida.

— Molly.

Olhei em direção a voz.

Drake estava logo atrás de mim, com um olhar de pura raiva em direção a Justin.

— O que você está querendo agora? _ Drake praticamente gritou em direção à Justin. _ Que história está inventando para Molly?

— Não estou inventando história nenhuma. _ Disse ele. _ Quer que eu conte algo?

— Você é um imbecil. _ Ele cerrava a mão e tinha um olhar ameaçador.

— Ah, claro! _ Disse Justin já um pouco alterado. _ Até foi eu quem fiz a burrada de...

— VOCÊ NÃO SABE DE NADA! _ Interrompeu já totalmente alterado.

Eles pareciam não perceber mais que eu estava entre eles.

— CHEGA! _ Gritei. _ Dá para alguém me explicar o que está acontecendo aqui?

Eles se encararam e Drake deu um passo para frente. Justin segurou em minha cintura, de forma protetora.

— Eu só vim perguntar se podemos terminar a porcaria do trabalho logo. _ Disse Drake olhando para a mão que se encontrava em minha cintura com certo rancor e raiva.

— Ah... _ Nem lembrava mais do trabalho de inglês. _ Claro.

— Na sua casa ou na minha?

— Na minha. _ Disse rapidamente.

— Okay. _ Disse.

Um silêncio constrangedor formou-se no local.

— Bom, vou indo. _ Disse soltando meu skate no chão e arrumando melhor minha mochila nas costas.

— Tchau, bonequinha. _ Justin despediu-se com um beijo no meu rosto.

— Tchau. _ Sorri para ele e vir-me-ei para Drake, tornando a ficar séria. _ Te vejo mais tarde.

Ele tinha uma expressão estranha no rosto. Parecia... Ciúmes.

Que ideia é essa? Nada a ver.

— Te vejo depois. _ Disse, saindo apressado em direção ao seu carro.

Justin olhou rapidamente na direção do mesmo, mas também entrou no seu carro, dando um aceno em minha direção.

Sai dali rapidamente, dando impulso ao skate.

Perguntas rodeavam a minha mente.

Mas eu saberia de tudo.

De um jeito ou de outro.

~ *.* ~

~ Tarde na casa de Molly ~

Tell me what you want to hear

Something that'll like those ears

Sick of all the insincere

So I'm gonna give all my secrets away

This time

Don't need another perfect line

Don't care if critics never jump in line

I'm gonna give all my secrets away ♪ ♫

(Secrets – OneRepublic)

A casa estava vazia.

Já tinha tirado a roupa do colégio e colocado um vestido confortável. Um vestido de mangas longas por conta do frio, da cor preta, estampado com um panda. Andava descalça pela casa.

Eu tinha terminado de comer e de lavar a louça e fui para a sala assistir algo.

Acabou que não achei nada de interessante na TV e deixei em um canal aleatório.

O silêncio da sala me acalentava. Eu estava a ponto de dormir.

Mas com um sobressalto, o som da campainha da casa me despertou.

PLIN PLIN!

Levantei-me sem vontade e fui atender a porta.

Do outro lado da porta se encontrava Drake Mason, com sua postura imponente de sempre.

A jaqueta de couro sobre a camiseta cinza e a calça jeans lhe dava o ar rebelde.

Ele me olhou da cabeça aos pés e depois, como se estivesse envergonhado, abaixou o olhar para o seu all star.

— Acabamos logo com isso. _ Fui um tanto quanto rude. _ Entre.

Ele entrou em silêncio.

— No seu quarto? _ Perguntou.

— Como? _ O que?

— O trabalho. _ Ah, claro.

— Sim. _ Eu queria terminar logo aquilo.

Ele subiu até o meu quarto em minha frente, onde tínhamos começado dias atrás. Sentou distraído no canto da minha cama, enquanto eu pegava o notebook na cômoda.

De costas para ele, respirei fundo, tentando me acalmar. E ao me virar novamente para ele, vi que ele estava tenso.

Sentei a um braço de distância do mesmo e entrei em um site de busca. Busquei por “acidentes de trânsitos” no mesmo.

Entreguei-o em um site aleatório e pedi para ele ir copiando as partes mais importantes enquanto me levantava para buscar folhas nas gavetas da cômoda.

— Molly. _ Chamou.

— O que? _ Disse ainda de costas para o mesmo, distraída com a caça as folhas.

— Me desculpa. _ O que? Fique ereta rapidamente com a surpresa.

— Como? _ Virei para ele. Vi vergonha estampado em seu rosto.

— Sei que fui idiota... _ Começou.

— Jura? _ Fui irônica. _ Nada que eu já não saiba.

— Dá para me escutar? _ Disse, um pouco irritado, levantando-se e indo até mim. Ele, agora, se encontrava cara a cara comigo. _ Você precisa me escutar.

— Eu não quero... _ Fui interrompida pelo toque do meu celular, que até então não tinha reparado que estava sendo apertado pelas minhas mãos.

Tinha chegado uma mensagem.

Eu abri, distraída.

~ Mensagem ~

De: Justin

Hey, bonequinha. Essa semana vai lançar um filme legal. O que acha?

~ Fim da mensagem ~

Sorri, involuntariamente.

E depois me lembrei da presença de Drake, ao ouvir um pequeno e brusco som sair de sua boca.

Ele olhava amensagem por sobre mim.

— Hum... Viraram amigos tão rápido, não é?

—Você não sabe de nada. _ Disse, irritada.

— Claro que não sei, não é? _ Disse ele. _ Até por que ele é o anjo que veio de algum lugar para te proteger do malvado Drake.

Sua voz exalava ironia.

Ele chegou ainda mais perto de mim, praticamente prensando-me entre ele e a cômoda.

— Você... _ Comecei.

Mas fui interrompida com certa brutalidade, quando as mãos de Drake enrolaram-se em meus cabelos, próximo a minha nuca, prensando-me ainda mais, enquanto seus lábios encostam-se nos meus.

O tão familiar sabor de menta que vinha de sua boca fez-se presente. Lábios macios, apesar de tudo.

Eu estava a ponto de ceder e beijá-lo de volta. Mas, em um momento raro de consciência, o empurrei.

— Você acha que eu sou alguma puta? _ Disse alterada, me afastando dele.

Ele não podia fazer aquilo.

Eu não podia deixar.

Eu não quero me machucar.

Não mais.

Notas finais
[Liandra Salvatore Stonem]: Alguém? [Oh Wow Thaynara]: Apareçam!