Notas iniciais
[Liandra Salvatore Stonem]: Se querem matar alguém pela demora, matem a Thay. A culpa é dela. [Oh wow Thaynara]: Trabalho, faculdade, cursos e tals. Mas aí está. o/ Obrigada mesmo pelo apoio de quem continua aqui acompanhando a gente, apesar de toda a nossa (vulgo, minha) demora para postar.

POV Drake

Sometimes the only payoff for having any faith
Is when it’s tested again and again everyday
I’m still comparing your past to my future
It might be your wound, but they’re my sutures

I am the sand, bottom half of the hourglass
(Glass, glass)
I’ll try to picture me without you but I can’t
'Cause we could be immortals, immortals ♪ ♫

(Immortals — Fall Out Boy)

Encarei o homem de terno sentado próximo a mim.

O olhar do mesmo era frio sobre mim. Mas como havia de ser diferente? Ele só era um advogado pago pelos meus pais para me livrar dos problemas.

Não há motivos para ele sentir compaixão com minha situação.

Para ele, eu era só mais um adolescente encrenqueiro e que vivia metido em problemas.

Era o garoto mimado que os pais livraram da cadeia o pagando com uma generosa quantia em dinheiro.

Apoiei minha mão entre as mãos, tentando controlar o fluxo de pensamentos incontroláveis que rodavam em minha mente.

O advogado falava com minha mãe sobre o caso, porém nada era compreensível para mim.

Na minha cabeça, tudo rodava.

Lembro claramente do barulho do carro derrapando na estrada, da luz ofuscante em meus olhos, lembro do barulho dos meus batimentos cardíacos ressoando, como se o mesmo não estivesse mais no peito, mas sim batendo em meu ouvido. A sensação era a mais desagradável possível.

Lembro que era um misto de sentimentos. Lembro da raiva, do medo, da angústia,do alívio.

Lembro da sensação do chão frio em contraste com o calor do meu corpo, quando sai do carro e arrastei-me pela estrada. Lembro da ardência em meus joelhos e nas minhas mãos, por causa do atrito dos mesmos ao cimento áspero do chão. Do sangue escorrendo pelo meu rosto, embaçando minha visão.

Lembro do calor do sangue e das lágrimas quentes descerem em minha bochecha. Do cheiro amargo que se instalava ao meu redor. Lembro de um olhar...

E em seguida eu desmaiei.

Não quero que o tempo volte, nem que as lembranças dolorosa vividas naquele dia se repitam. Só quero novas histórias, maiores e melhores.

Mas o passado voltou para condenar-me.

Eu fui um monstro.

Senti o nó instalar-se em minha garganta. Mas eu não ia chorar.

Não na frente do olhar frio do advogado e de minha mãe. E muito menos do meu pai que já voltara a sala e sentava-se ao lado da mulher.

Eu não ia dar esse gosto a eles.

Meu peito aperta, , o ar se tornou escasso, o choro entalado se torna quase impossível de ser segurado.

Mas eu não ia chorar. Não ali.

Eu não tenho com o que me preocupar. Isso vai passar.

Um dia.

Despertei com a voz do advogado direcionado a mim.

— Você terá que se apresentar em frente ao juiz novamente daqui a algumas semanas.

Claro! A desgraça daqueles dias voltava a atormentar-me.

Os pesadelos para culpar-me já não bastava.

Eu seria culpado diante de um juri agora.

~ *.* ~

~ No quarto, horas depois ~

More than just a couple times
Why do we fall in love so easy?
Even when it’s not right

Where there is desire, there is gonna be a flame
Where there is a flame, someone’s bound to get burned
But just because it burns doesn’t mean you’re gonna die
You gotta get up and try, and try, and try ♪ ♫

(Try — P!nk)

CARTTER!

Não podia ser!

Mas era só uma coincidência.

Será que aquela garota perseguia minha vida tanto assim?

Claro que era uma coincidência.

O que mais podia ser?

Era uma infeliz coincidência, nada mais do que isso.

Afinal, família Cartter existem aos montes.

Droga! Aquela menina não sai da minha cabeça.

Não estou bem, e estou longe de um dia estar.

Venho mentindo, fingindo que aquele dia não existiu, mas só venho enganando a mim mesma a cada dia que passa, venho me iludindo para quem sabe um dia, se torne uma verdade.

Mas não ia.

Me sinto atropelada por um grande trator. Minha cabeça dói.

A realidade cai sobre mim com toda a força.

Claro que a culpa é minha.

Sim, a culpa é minha, toda minha.

Sentei-me em minha cama e respirei como se não o tivesse feito a muito tempo.

Os acontecimentos do dia ainda rondavam meus pensamentos.

Angustia.

Não gosto de me sentir angustiado assim, não gosto de estar mal sem saber o motivo, todas às vezes que fiquei assim algo ruim aconteceu.

Joguei meu corpo contra o colchão fofo atrás de mim.

Eu tenho a consciência que posso ter matado alguém.

Tenho consciência que a culpa minha.

Eu queria ter ajudado. Mas eu não me lembro de mais nada.

Só de acordar dois dias depois no hospital.

O médico que me atendeu afirmou que eu tinha batido a cabeça com o impacto da batida, e que eu tinha sorte de ter acordado, pois muitos acreditavam que eu poderia ter tido um traumatismo.

Lembro de quase perguntar de quem era o rosto que eu tinha visto antes de desmaiar.

Mas minha resposta foi respondida, com a porta da sala do quarto branco sendo aberta.

A pessoa entrou com um certo receio, mas com uma acusação refletida no olhar.

Então se pronunciou.

— O que você fez? _ Era mais uma acusação do que uma pergunta.

— Eu não sei. _ Respondi, olhando para meu amigo Justin.

~ *.* ~

POV Justin

And then I looked up at the sun
And I could see
Oh the way that gravity pulls
On you and me
And then I looked up at the sky
And saw the sun
And the way that gravity pushes
On everyone
On everyone ♪ ♫

(Gravity — Coldplay)

Quem diria que encontraria meu ex-melhor amigo depois de tanto tempo.

Eu sentia muita falta da nossa antiga amizade, não posso mentir.

E diria ainda que eu tenho culpa do nosso afastamento.

Mas desde aquele dia, o laço da nossa amizade foi afrouxando, e eu não fiz nada para impedir isso.

Até que esse laço desatou-se totalmente.

Eu poderia ter tentado evitar isso.

Mas eu não consegui.

E não consegui explicar o motivo a ele.

~ Flashback ON ~

Meu pai acabava de sair do meu quarto.

Larguei-me na cama.

Não acredito!

Pensava que ia ficar pelo menos alguns anos nessa cidade.

Mas não!

Meu pai acabara de me falar que íamos nos mudar no dia seguinte.

Explicou-me que íamos para o Oriente Médio por alguns meses. Creio que por conta dos conflitos que estão tendo na região.

Ótimo!

Outra cidade, outra casa, outra vida.

Ser filho de pais militares tem muitos lados bons, mas devo confessar que esse lance de mudanças é um porre.

Ainda mais quando já tenho amizades na cidade.

Eu vou ter que falar com o Drake sobre isso.

Ele é um ótimo amigo. Em pouco tempo de convivência aqui em Ballard, posso falar que ele era um amigo de verdade.

Os pais dele tinham uma casa de férias aqui na cidade. Então, eles iam passar uns meses aqui.

Eu realmente não imaginava que seria eu a me despedir antes.

Talvez Drake e eu possamos fazer alguma viagem juntos mais para frente. Talvez ele aceite.

Conversarei com ele mais tarde.

Liguei o aparelho de som que ficava ao lado da cama.

Relaxei um pouco a cabeça, deitado, olhando para o teto apenas vendo o tempo passar.

Estava a ponto de cochilar, quando senti o aparelho celular tocar.

Me atrapalhei um pouco para o tirar do bolso, ainda lento por conta do sono.

Olhei o visor, e atendi em seguida.

— Fala, Drake.

— Justin? _ Disse uma voz infantil e chorosa.

Sentei-me rapidamente.

Era Shelby, a irmã do Drake.

Eu a tinha conhecido um tempo depois que tornei-me amigo do Drake, por ter ido diversas vezes na casa do mesmo para jogarmos vídeo-game.

A menina era linda e muito fofa, porém extremamente tímida.

Então, para ela ter ligado-me assim, devia ter acontecido algo.

Sentia-me agoniado.

Ela ligou do celular do Drake.

Será que aconteceu algo?

— Shelby?

— Justin... Me ajuda. _ Seu choro era audível pelo celular. Eu ouvia seus soluços claramente.

— Aconteceu algo, pequena? _ Indaguei.

— Vai buscar ele, por favor. _ Sua voz falhava, dificultando minha compreensão em suas palavras.

— Se acalma, Shel. _ Tentei ajudar. _ Respira fundo e me fala o que aconteceu.

— Por favor. _ Repetiu.

Levantei-me e busquei a chave do carro que eu tinha jogado em cima da escrivaninha.

— Estou indo para sua casa, tá bom? _ Minha voz já estava levemente alterada.

— NÃO! _ Gritou. _ Busca ele, por favor.

— O que aconteceu, Shelby?

— O Drew... Ele brigou com o papai e saiu de carro. _ Sua voz era desesperada. _ Eu estou com medo.

— Não sei... _ Chorou. _ Eu só ouvi o barulho dos gritos e de coisas caindo e quebrando.

Abri a porta da minha casa e desci os degraus da escada apressadamente.

— Você sabe onde ele foi?

— Não! Ajuda ele, Justin... _ Sua voz falhava ainda mais.

— Vou atras dele._ Falei, já na porta de casa. _ Fique perto do celular, que eu te ligo qualquer coisa, tá bom pequena?

— Tá bom... _ Fungou.

Desliguei e guardei o celular.

Entrei no carro, e o liguei apressadamente.

Minha cabeça formulava lugares que ele poderia está.

Fui desde as ruas próximo da casa dele até lugares mais afastados.

Nem sinal de Drake.

Já sentia-me frustrado.

Já estava andando praticamente sem rumo praticamente a horas.

Olhei para o céu. Estava escuro, já.

Cadê você, Drake?

Quando eu já estava a ponto de sair do carro e o procurar a base de gritos, vi uma cena que apertou meu coração.

Dois carros capotados a minha frente.

E um deles era familiar, o que tornou o aperto em meu peito ainda mais intenso.

A Mercedes C-Class Coupé preta que Drake tinha estava com a frente totalmente destruída.

Parei o carro de qualquer jeito, desliguei-o, e desci apressado.

A situação era deplorável.

Destroços em todos os lados.

Peguei meu celular, rapidamente e liguei para a emergência.

— Emergência. _ Anunciou a voz do outro lado da linha.

— Alô. Queria pedir ambulâncias com urgência. _ Tentei manter a calma. _. Ocorreu um acidente, envolvendo dois carros.

— Poderia passar-me o local do acidente, por favor.

Usando todo o auto-controle que adquiri durante anos em situações de risco, passei o local onde estava para a atendente, que informou que já estariam a caminho.

Respirei fundo, e andei para perto dos destroços.

Se não fosse pela minha convivência com militares, com certeza já encontraria-me em desespero.

Tropecei em algo, e olhei para ver o que seria, deparando-me com latas.

Abaixei-me e o peguei.

Bufei.

Não, Drake. Que você não tenha saído irritado e bêbado.

Joguei a lata de cerveja longe.

Olhei para o carro a frente, que estava totalmente arruinado, digo até que pior que o carro de Drake.

Caminhei em direção ao mesmo. Porém uma movimentação do outro carro chamou-me atenção.

Alguém saia do mesmo.

Drake arrastava-se para fora do carro, totalmente machucado.

Apressei-me em chegar até ele.

Quando o alcancei, ele pareceu perceber minha aproximação e olhou em minha direção.

E antes que eu falasse algo, ele desmaiou.

Sentei-me ao chão, com o coração na mão.

— Pelo amor de Deus, Drake...

No momento, o barulho de carros de polícias e de ambulâncias tomaram o lugar.

E então, luzes vermelhas e azuis e barulhos tornavam o lugar uma onda de incompreensão. Policiais rodeavam o local. Macas já faziam-se presentes perto dos carros.

Alguns policiais aproximaram de mim. Fui revistado e fui bombardeado por uma onde de pergunta.

Após responder todas as perguntas e passar por todos os procedimentos possíveis, fui até a porta da ambulância mais próxima e perguntei a uma mulher vestida de branco que estava encostada no mesmo, buscando algo dentro de uma maleta de socorros.

— Está todo mundo bem? _ Perguntei, com um nó na garganta.

— Não posso lhe informar no momento, senhor. _ Disse sem me olhar, concentrada na procura do material. _ O senhor é parente de algum dos acidentados?

— Sou amigo do garoto da Mercedes. _ Estava afoito.

— Deveria entrar em contato com alguém da família, então. _ Afirmou.

— Ele está bem? _ Perguntei, com a voz elevada.

— Avise aos pais ou para algum responsável do acidentado que devem comparecer ao Hospital da cidade. _ Respondeu, ignorando minha pergunta. _ Avise aos mesmos que serão interrogados pela polícia também.

— Ele está bem? _ Perguntei, com a voz beirando a irritação.

— Sabe se o garoto estava sobre efeito de alguma substância ilícita? _ Ignorou-me novamente. _ Bebidas, drogas...

— Não sei dizer... _ Tomara que você não tenha feito essa loucura, Drake.

— Enfim... Testes serão feitos. _ Afirmou a mulher. _ Apenas avise aos responsáveis do seu amigo.

Sai dali e caminhei até meu carro, antes que eu gritasse com alguém.

Peguei o meu celular e fui na discagem rápida.

A ligação foi completa rapidamente.

— Justin. _ A voz de Shelby saiu em quase um grito. _ Você o encontrou?

— Sim, Shel. _ Respirei fundo. _ Seus pais estão aí?

~ Flashback OFF ~

Falar com Shelby que o irmão dela tinha sofrido um acidente, e que eu não tinha ideia de como estava sua situação de saúde naquele momento foi muito complicado.

Falar com o pai dele foi ainda pior.

O homem pareceu se enfurecer, em vez de se preocupar.

Aquele dia não foi fácil.

Aquele dia foi o estopim para muitas reações e sentimentos.

Não foi fácil.

Notas finais
[Oh wow Thaynara]: Se tiver alguém acompanhando, peço com toda a minha carinha de gato de botas que comentem. [Liandra Salvatore Stonem]: Recomendações e favoritações de quem acompanha, mas ainda não o fez, também é muito bem vindo.