Notas iniciais
[Oh Wow Thaynara: Como eu tô feliz, DOIS capítulos em um só dia. Vai um ponto de vista do nosso gato dos olhos verde-gelo, pra variar um pouco. VAMOS SER VIADAS JUNTAS! [Liandra Salvatore Stonem]: Esperamos que gostem. E não nos matem.

POV Drake

~ Sexta-feira ~

I've been standing here my whole life
Everything I've seen twice
Now it's time I realized
It's spinning back around now
On this road I'm crawling'
Save me cause I'm falling'
Now I can't seem to breathe right
'Cause I keep runnin runnin runnin runnin
Runnin runnin runnin
Runnin from my heart ♪ ♫

(Runnin – Jensen Ackles)

Encontrava-me sentado ao pé de minha cama, olhando para meus pés.

Estava pronto para mais um dia de aula.

Mas algo incomodava-me.

Ela não saia da minha cabeça.

Aquela petulante, marrenta, chata, brava... Linda!

Molly Cartter tinha visto um lado meu que poucos tiveram a chance de conhecer. Isso, de alguma forma, me assustava.

Ela sabia meu ponto fraco. Eu era vulnerável perto dela.

E o pior, ou não, é que ela tinha conseguido a afeição de Shelby também. A pequena ruiva tinha simplesmente amado a garota dos mais intensos olhos verdes que já vi em toda minha vida.

Depois que a pequena descobriu que Molly estudava na mesma escola que eu, não parava de perguntar se eu a tinha visto, assim que me via chegando da escola ou quando ia buscá-la.

Sim, eu a via. Eu a observava a distância. O modo como ela parecia não ligar para nada, como se o mundo dela fosse diferente dos demais. Como ela ria, descontraída, com os amigos. Ouvindo música na sala de aula. Sempre desligada do que a rodeava.

Mas não cheguei a conversar com ela.

Molly provavelmente me repudiava.

E com razão.

Lavigne odiava a garota. Foi a única que a desafiou em muito tempo, e eu admirava isso nela. Admirava o quanto aquela garota pequena não deixava nada ir contra ela, nem, muito menos, eu. Ela já mostrou suas garras para mim.

Já me desafiou. Muitas vezes.

E isso me fascinava.

Dei diversos motivos para a pequena garota me odiar. E eu dou razão, eu também me odiava.

Eu sou uma pessoa horrível.

Suspirei, levantando e pondo a mochila nas costas.

Lembranças vieram à mente.

~ Flashback On ~

~ No dia anterior ~

Eu tinha dado carona para ela hoje. Eu a vi na minha rua, e não tinha a mínima ideia do quanto eu estava perto de Molly.

Ela, inicialmente, não aceitou. Mas consegui convencê-la a ir para a escola comigo na moto.

O atraso foi um grande aliado para essa conquista.

Senti os braços dela apertando meu tórax, durante o percurso.

Minha vontade era de ir bem devagar, para poder aproveitar por mais tempo.

Porém, logo estávamos em frente ao colégio.

Eu pretendia conversar com ela, porem fomos interrompidos pela minha “digníssima” namorada.

A garota quase me derruba, pulando em cima de mim, com seu jeito grudento habitual. Só então percebe Molly e a confronta.

O lado leoa da garota volta a se mostrar.

Ela deixa a cara de Lavigne no chão.

E eu olho tudo, estupefato.

Aquela garota me surpreendia.

Ela se mostrou altiva durante toda discussão, mostrando-se superior, e desconcertando completamente a Lavigne. Minha vontade era bater palmas.

Até que Lavigne a surpreendeu a chamando de órfã. Essa revelação me assustou.

E percebi que isso a desarmou por alguns momentos.

Os pais delas eram o ponto fraco dela, assim como os meus pais eram o meu.

Porém, ela não deixou barato.

— Você é patética. _ Falou. _ Você é uma típica mal amada.

— Todos nessa escola me amam, querida. _ Respondeu Lavigne.

Não, não amavam. Na verdade, muitos a odiavam, mas tinham medo de seu poder sobre a escola, por ser filha de pessoas de grande influência na mesma.

Assim como tinham de mim.

— Todos nessa escola tem medo de você. Duvido que tenha tido algum amigo verdadeiro em sua vida. _ Silêncio. Ela sabia, e não escondia. Ela não tinha medo.

— Você está com ciúmes. _ Agarrou-me Lavigne. _ Veio dar em cima do meu namorado.

Revirei os olhos, eu não era dela. Nunca serei.

— Ele é todo seu. _ Garantiu Molly. _ Pode ficar tranquila.

Afastei-a devagar. Eu queria conversar com Molly, porém Lavigne não aceitaria, é claro. Então tentei amenizar o clima.

— Acho que já chega, não é Lavigne?

— Vai defendê-la, por acaso?! _ Ela estava indignada.

— Não estou falando isso... _ Era minha vontade, mas ela não poderia ver esse meu lado. Nunca!

— E o que está falando então? _ Percebi de canto de olho que Molly tinha saído.

— Esquece ela, okay? _ Engoli em seco ao falar isso. _ Ela não merece sua raiva, nem nada seu.

Na verdade, ela não merecia, pois era superior a qualquer inveja daquela escola. Molly era melhor que toda a hipocrisia daquela escola, inclusive de mim.

Mas, eu não diria isso. Lavigne faria de minha vida um inferno.

— Concordo. _ Ela agarrou meu braço e me puxou para dentro da escola. _ Vamos!

~ *.* ~

~ Intervalo ~

So go on and tell all your friends
That I'm a failure underneath
If it makes you feel like a bigger man
But it's my, my heart, my life
That you're calling a lie
I've played this game before
And I can't take anymore ♫

(New Way To Bleed – Evanescence)

Depois daquele acontecimento, ainda vi a morena no refeitório.

Eu estava sentada com o time e as líderes, como de costume. Olhava de relance para a garota.

Lavigne falava para o time sobre ela, da pior forma possível. Eu fiquei calado, em todo momento.

Eu a via, Molly Cartter, rindo com os amigos. Se divertindo! Ela devia ter uma vida perfeita, amigos de verdade, família que a amasse. E eu? Só tinha minha irmã.

Em um momento, houve certo alvoroço na mesa de Molly e seu grupo. E eu olhei, e nesse momento seus olhos se encontraram com os meus.

Os olhos mais profundos que já vi.

E desviei.

Mas os garotos viram e começaram a encher o saco.

— Tá gostando da órfã, Drake? _ Ria os idiotas.

— Claro que não. _ Lavigne falou, indignada.

Mantive-me calado.

Eu estava?

— Duvido! Tá caidinho pela nerd. _ Respondeu o garoto idiota.

Fiz pouco caso e ignorei-os.

O dia passou rápido, e logo já era o fim das aulas.

Sai apressado.

Porém meu cadarço atrapalha, e me abaixo para arrumá-lo, até sentir uma aproximação.

Alguém parou a passos de mim.

Olho para cima para ver quem é. Era Molly Cartter.

— Hum... Oi! _ Sua voz era doce e exalava vergonha.

— Oi. _ Respondi, levantando.

Ela se calou, deixando que o silêncio tomasse conta do ambiente.

Pigarreei, chamando sua atenção. Eu queria saber o que ela queria, queria ouvir sua voz.

— Vim agradecer pela carona que me deu hoje. _ Falou em um só fôlego.

Só então os vi, atrás de Molly. O time e as líderes vindo em nossa direção. Droga!

Ela seguiu meu olhar e tornou a olhar pra mim, esperando eu dizer algo.

Seus olhos. Por um momento, perdi-me dentro deles.

Eu sabia que era a maior burrice da minha vida, o que eu faria em seguida.

Mas eu não podia deixar ela se aproximar de mim. Não queria mais um ponto fraco em minha vida. E devia provar isso para aqueles idiotas.

Eles encontravam-se atrás de onde Molly estava. Apontavam e cochichavam.

Poderiam ouvir claramente o que falávamos de onde estavam.

Mordi a lingua por alguns segundos, mas respondi:

— É bom fazer caridade a órfãos, às vezes.

Vi seus olhos verdes arregalarem, surpresa.

E logo em seguida, as risadas dos garotos.

Vi um reflexo de dor nos olhos grandes da pequena a minha frente, mas ela tratou de mascará-lo, me olhando com desprezo.

Eu sabia o poder das palavras. E o quanto elas eram pior do que lâminas, às vezes.

Eu era um idiota.

Tinha ódio em sua postura. Eu merecia isso. Eu queria que ela me batesse, era o que eu merecia! Na verdade, merecia algo pior.

Mas não, ela fez pior.

Eu queria que ela me rebatesse, que me xingasse.

Mas ela apenas virou e saiu.

E logo após entrou no carro de um garoto e foi embora.

Deixando-me ali, pensando em como eu era um idiota. E com uma sensação no peito, ao vê-la perto do garoto. Ver a intimidade entre eles me causava uma dor no peito.

Por que será?

~ Flashback Off ~

Desde aquele dia, eu só a via a uma distância circunstancial.

Eu havia a machucado, eu sabia. Mas, só Deus sabe o quanto aquelas palavras doeram em mim também. Eu não queria as dizer, mas não podia deixar ela se aproximar.

Não queria que ela se tornasse algo que pudesse me machucar futuramente.

Eu não acreditava no amor. Meus pais se odiavam e meus “amigos” só estavam ao meu lado por status social, dinheiro, poder.

Meu único refugio era Shelby.

Eu queria manter o máximo de distância de Molly.

Porém veio a grande surpresa.

Iríamos fazer um trabalho juntos.

~ *.* ~

~ No mesmo dia, à tarde ~

Maybe I know somewhere
Deep in my soul that love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face
And I've always lived like this
Keeping a comfortable distance
And up until now I had sworn to myself that I'm content with loneliness
Because none of it was ever worth the risk

Well, you are the only exception ♫

(The Only Exception – Paramore)

Eu estava indo para a casa dela agora. E me surpreendi ao descobrir que ela morava tão perto de minha casa.

Ao chegar à frente da casa dela, bati na porta, inseguro.

Ela, provavelmente, não queria nem olhar para minha cara. E muito menos fazer um trabalho, durante um mês comigo.

Ela não vinha abrir. Será que ela está em casa? Será que ela me dará o bolo?

Credo... Eu tava parecendo aquelas garotinhas de livros adolescentes antes de um encontro. Coloquei as mãos por dentro dos bolsos dos jeans e tentei acalmar-me.

A porta foi aberta. Deparei-me com uma morena da blusa de ombros caídos cinza da banda Kiss, um short detonado escuro e sandálias.

Fiquei mudo por alguns momentos.

— Entre! _ Disse.

Passei em sua frente e fiquei parado no meio da sala, sem saber exatamente o que fazer.

— Hum! O notebook está lá no meu quarto... _ Informou, apontando para as escadas.

— Okay._ Será que ela notava que minha voz falhava? O quanto eu estava nervoso? _ Vamos?

Ela passou em minha frente e subiu as escadas, e eu a acompanhei em silêncio.

— O quarto está uma bagunça.

— É só um trabalho. _ Interrompi bruscamente. Tentei demonstrar indiferença.

Reparei que ela revirou os olhos. Os incríveis olhos grandes e verdes.

— Então acabemos logo com isso. _ Respondeu, rude.

Pegou o notebook, o ligando e sentando numa das cadeiras da escrivaninha.

Sentei ao seu lado, envergonhado.

~ *.* ~

O assunto era Acidentes de Trânsito. Um assunto delicado.

Estávamos ali há horas, na frente daquele notebook. Estávamos tão perto, eu podia tocá-la se quisesse.

Eu queria tocá-la!

Conversamos o mínimo possível durante àquelas horas. Somente o necessário, e vi que ela evitava me olhar.

Lembrei de Lavigne a chamando de órfã. Como será que os pais dela morreram? Será que foi recentemente? Um acidente, talvez.

Decidi arriscar.

— Já viveu ou vivenciou algum acidente?

Ela travou. Cheguei ao ponto.

— Por que não coloca seu conceito? _ Evitou-me virando para o outro lado.

— Por que não. _ Eu queria saber. Devia saber mais sobre ela.

— Desculpe, mas não.

— Qual é, garota. Esse trabalho vale nota. _ Me irritei.

Ela levantou, saindo do quarto.

— Não!

— Por quê? _ Falei devagar. _ Foi assim que seus pais morreram? _ Eu estava curioso. Só então percebi que o assunto a machucava.

Ela estava chorando? Meu peito se apertou com a possibilidade.

Ela chegava perto da escada. Mas antes que ela chegasse à mesma, eu a parei, segurando seu ombro, com o mínimo de força que eu podia.

— O que? _ Perguntou, de cabeça baixa.

Será que eu tinha a feito chorar? Não era minha intenção. Mas a curiosidade me movia.

— Temos de terminar o trabalho, garota. É só responder a merda da pergunta. _ Falei.

— Não quero falar do assunto, dá para entender? _ Começou a falar, desesperadamente. _ Ou além de idiota, você também é burro? Não consegue entender quando o assunto desagrada alguém? Ou faz isso para machucar mesmo? Pra irritar? Não quero responder essa pergunta! Entendeu ou quer que eu... _ Eu, em determinado momento, esqueci-me completamente do assunto e me perdi em seus lábios.

E sem pensar, interrompi o falatório da garota beijando seus lábios carnudos e vermelhos.

Puxei-a para mim, praticamente fundindo seu corpo ao meu.

Eu estava beijando-a.

Eu estava beijando Molly Cartter.

Instintivamente, minhas mãos agarraram seu pescoço; E para minha surpresa, ela retribuía ao beijo.

Seu beijo. O beijo mais doce que já tive a chance de sentir em toda minha vida. Era único, especial. Eu queria mais. Mais e mais.

Seus lábios era a melhor coisa. Eu não podia soltá-la. Não queria!

Mas em um momento, cedo demais, ela me pegou de surpresa empurrando-me. Mas como estávamos perto da escada, a inevitável queda aconteceu.

Minha única reação foi apertá-la junto a mim, para não machucá-la, até chegarmos ao chão.

Ela estava sobre mim, com as mãos sobre meus peitos. Provavelmente podia ouvir meus batimentos acelerados. Mal sabia ela que o motivo era ela e seu beijo, e não a queda.

Eu ainda a segurava firme, observando seu rosto vermelho. Eu não devia está diferente.

Perdi-me naquele rosto.

— Hum... Acho melhor terminarmos esse trabalho depois. _ Disse ela saindo de cima de mim e levantando devagar.

Levantei e assentiu sem dizer nada, caminhando até a porta.

Olhei em sua direção uma última vez. Eu não queria sair.

Queria voltar e beijá-la novamente.

E nunca mais parar.

Mas apenas sai.

Notas finais
[Oh Wow Thaynara]: O que acharam? [Liandra Salvatore Stonem]: Apareçam, vai? E comentem, favoritem, recomendem. Façam-nos felizes.