Notas iniciais
Musiquinha da fic:

Three Days Grace: I Hate Everythig About you.

http://www.youtube.com/watch?v=9zxuR7IH08s

Leia ouvindo a música.

O vento frio batia contra o meu rosto e eu sentia como se navalhas o rasgassem, meus cabelos ondulados dançavam de acordo com o vento, o fino casaco de moletom não me mantinha aquecida, a calça skinny jeans me deixava com frios nas pernas.

Fechei os olhos por um estante, tentando parar de bater os dentes e de tremer. Ouvi uma buzina ao longe e abri os olhos. O Mustang preto parado a minha frente exalava um pouco de calor, o que me fez aproximar-me um pouco dele.

Arrependi-me na hora de ter feito isso, pois a janela do carro se abriu e o rosto de quem eu menos queria ver apareceu. Dylan, meu namorado, olhou-me com o rosto sério.

Dylan é bonito. A pele levemente bronzeada, os olhos negros como a noite e o cabelo castanho escuro, seu corpo não é nem muito forte, nem fraquinho. Ele é lindo. Mas ele tem muitos defeitos.

Um deles é ser ciumento. Outra é que ele é um mentiroso nato, mas eu sei quando ele mente. É quase impossível para eu não saber quando ele fala uma verdade ou mentira.

Dylan abriu a porta do carona e falou com sua voz rouca:

-Entra.

Eu não queria ficar no frio e o ônibus que me levaria até em casa iria demorar muito para chegar. Então por isso, e só por isso, entrei no carro.

Assim que fechei a porta do carro, Dylan ligou o motor e saiu cantando pneu na pista. Aquilo me irritava e dava-me medo, eu já cansara de dizer isso a ele, mas quem disse que ele me escuta?

O silencio era desconfortável, pelo menos pra mim, então estiquei minha mão até o rádio e o liguei. A música era calma e bonita, tinha tanta emoção. Eu logo a reconheci como sendo I see you da Leona Lewis. Desliguei logo que a música acabou. Não era momento para isso.

-Você está muito calada, — observou, e eu tive uma vontade imensa de dizer “jura? Eu ainda não tinha notado!”, mas me segurei, não queria começar uma discussão com ele no volante. – o que foi?

Voltei meus olhos para janela e fitei a chuva que começava a cair.

As palavras de Dylan me fizeram lembrar o que eu ouvi quando estava dentro da cabine do banheiro da faculdade.

“ –Ele foi tão gentil comigo, Kam. – ouvi a voz de Jane. Uma garota bem popular da faculdade. Prestei um pouco mais de atenção, afinal eu precisava me distrair enquanto tentava parar de pensar numa maneira de contar ao meu namorado a novidade do ano.

-Quem? – Kam perguntou.

-O Dylan. – congelei. Pare já de pensar besteiras Suzie, existe muitos Dylans no mundo, ela não está falando do seu. Eu me repreendia.

-Dylan? Que Dylan?

-Ai, não seja idiota, Kam. Eu só estou interessada em um Dylan.

-Você está falando do Dylan Palmer?

WTF?

-Ainda não entendo como ele pode estar com aquela sem sal, da Suzie Diaz.

WTF²? “

-Dylan, — comecei devagar – seja sincero comigo, agora, por favor. – pedi ainda com o rosto virado para janela, notei que paramos num sinal vermelho e virei-me para encará-lo.

-O que foi? – perguntou grosso. E sabe de uma coisa? Meus olhos inundaram-se de lágrimas antecipadas, mas não as deixei cair.

-Você me traiu? – perguntei. Fitei bem seu rosto e esperei a resposta.

Ele hesitou antes de responder. – Não.

Fechei meus olhos e sem querer deixei algumas lágrimas caírem sob meu rosto. Ele deu o primeiro sinal de mentira quando hesitou, mesmo que por alguns segundos. E bom, nem sei por que perguntei, eu ouvi muito bem quando as meninas falaram.

-Por que está chorando? – perguntou e passou a mão áspera pelo meu rosto, secando as lágrimas. Senti nojo dele e me afastei.

“I hate everything about you!

Why do I love you…?!

I hate everything about you!

Why do I love you?! ”

-O que foi? – o sinal ficou verde e ele saiu de novo, em poucos minutos eu estaria em casa. Não precisaria mais encará-lo.

Virei novamente meu rosto para a janela e suspirei abrindo meus olhos.

-Por que estou chorando? – perguntei amarga. – Pergunte a Jane, ela vai saber como te responder.

Com o canto dos olhos percebi Dylan apertar o volante com tanta força que os nós de seus dedos ficaram mais brancos que o normal.

- Não sei como consigo amar você. – falei com voz embargada. Eu não conseguia mais segurar o choro. – Você é tão bruto, tão grosso. E ainda trata-me como se eu fosse uma inútil.

-Do que você está falando?

-Eu odeio tanta coisa em você, Dylan. – praticamente gritei.

“Only when I stop to think about you I know...
Only when you stop to think about me do you know ...!”

O silêncio instalou-se novamente e eu me encolhi no banco.

Fique calma.

Fique calma.

Fique calma.

Fique calma.

Eu pensava isso repetida vezes, como se fosse um mantra.

Como eu pude ser tão idiota? Ele deveria fazer isso sempre que saia com os ‘amigos’. E pensar que eu me martirizava por não dar tanta atenção a ele por causa da faculdade. Eu não sei o que vi nele, quero dizer, sei sim.

Eu me encantei com os olhos negros, com o cabelo mediano e com a maneira gentil que ele me tratou assim que nós nos conhecemos.

Ele me tratava como uma deusa. Estava sempre comigo e quando podia me ajudava com a facul. Não sei ao certo quando tudo começou a mudar. Ou talvez eu saiba.

Sim, eu sabia.

Tenho quase certeza que ele mudou depois daquela viagem que fizemos ao Canadá. Eu deveria saber que quem trai uma vez, trai de novo e de novo, em vez de dar razão as minhas amigas preferi ignorá-las e continuar com ele, e agora o que eu ganho com isso? Sou mais uma vez traída.

Bosta de vida.

O resto do caminho até minha casa foi no completo e total silêncio e eu não iria quebrá-lo, estava exausta de tanto estudar, chorar e de agüentar isso.

Assim que ele parou o carro em frente ao meu portão eu soltei o cinto de segurança e já me preparava para sair quando Dylan segurou meu braço.

-Espera. — sua voz mesmo rouca, estava suave e gentil. – me desculpa?

-Não me pessa isso, Dylan. Foi difícil demais da primeira vez, você prometeu que não aconteceria de novo. – falei. Suspirei e tomando uma coragem de não sei da onde, perguntei:

-Por quê? Você estava insatisfeito comigo, é isso?

-Eu... – Dylan apoiou os cotovelos sobre o colo e apoiou a cabeça nas mãos. – não. Eu te amo, Suzie. – falou e me encarou.

Fiquei surpresa ao ver lágrimas rolarem por seu belo rosto. Abri a boca para dizer que o perdoava, mas isso não iria acontecer então a fechei.

-Então por que fez? – perguntei com as lágrimas voltando a molhar-me o rosto.

-Porque a queria, entendeu?

Foi como uma facada. Ele a queria. Logo ela.

-Ah. – murmurei. – Acho melhor eu ir. – falei e abrir a porta do carro.

-Não! – Dylan puxou-me, me fazendo sentar de novo. E antes que eu notasse seus lábios quentes e macios estavam sobre os meus. De inicio eu tentei resistir, mas ele me segurava com força e não deixava eu me afastar. Por fim deixei que rolasse, quando Dylan notou que eu não me debatia mais, me soltou e passou a mão por minha cintura e me puxou pra ele, me fazendo sentar em seu colo. Passei minhas mãos por seu peito e as deixei ali por no máximo cinco segundos, para logo levá-las até a nuca de Dylan e puxá-lo para mais perto.

Senti a língua dele no me lábio inferior, pedindo passagem para aprofundar o beijo. Entreabri meus lábios e logo senti a língua de Dylan acariciando a minha, passei minha língua pela sua e suguei seu lábio inferior, dando uma mordiscada depois.

Ficamos nos beijando por mais um tempo até que o ar nos faltou e eu tive que me afastar. Antes de eu sair do seu colo, Dylan meu deu vários selinhos e entre cada um deles ele dizia um ‘eu te amo’.

Quando ele parou com os selinhos olhou em meus olhos e pediu:

-Me perdoa?

E eu? Bom, como a idiota apaixonada de coração mole que sou, perdoei. É claro sem antes sussurrar em seu ouvido.

-Você conseguiu de novo. – falei colocando sua mão em minha barriga. – Parabéns papai.

“I hate everything about you!
Why do I love you...?
You hate everything about me!
Why do you love me?!
I hate...
you hate!
I hate...
you love me...
I hate everything about you!
Why do I love you?”

-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-XXX-

\"\"

Suzie Diaz.

\"\"

Dylan Palmer.

\"\"

Mustang — meu sonho de consumo — do Dylan Safado.

Notas finais
E então mereço reviews? estrelinhas? pontinhos de pop.?
Hein?Hein?Heeeein?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!