Notas iniciais
Mais um capitulo, desta vez um pouco mais pequeno. Mas mesmo assim espero que gostem. Talvez esteja um pouco confuso, mas se tiverem alguma duvida, podem perguntar que eu exclareço.

"E toda a gente já foi abandonado"

Lullaby- Nickelback

O meu coração acelerou ao ouvir o nome do Nathan a ser pronunciado por aquela pessoa. Eles eram conhecidos. Qualquer que fosse o assunto suspeitava que nada de bom viria. Encolhi-me um pouco no cadeirão. Tinha que admitir que estava um pouco assustada.

—De onde conhece o Nathan? – A voz do homem fez romper o silêncio. Desviei o olhar para os meus sapatos pretos que tremiam ao de leve com os nervos.

—Conheço a pouquíssimo tempo. Ele esteve envolvido numa briga de rua, então fui eu que o salvei, por assim dizer.

Ele chegou o seu rosto um pouco para frente, apoiando os cotovelos nos seus joelhos e entrelaçando os dedos. Ficou a encarar-me durante uns segundos.

—Essa história é mesmo verdadeira?

Engoli em seco. Era obvio que era, mas não tinha como provar tal coisa.

—Sim é. Não tenho como provar, mas estou a dizer a verdade.

Mais uma pausa no ar. Ele parecia pensar em cada pergunta que me queria fazer. Mas estava a medir as palavras para ser cuidadoso.

—Sabe. O Nathan, à um tempo atrás trabalhou para uma empresa fundada por mim. –Os meus olhos subiram e olhei para ele. Estava sério, mas tinha um sorriso maldoso no rosto. –Agora, onde estamos é uma parte dessa empresa. É aqui que os clientes vêm para ter uma noite de prazer com quem desejam. Eles pagam aos seus acompanhantes a quantia adequada ao serviço que querem que seja prestado.

Uma imagem de repulsa veio à minha mente, embora eu tenha que admitir que fosse um trabalho considerado fácil. E como Nathan tinha dito anteriormente, ele não precisava de mais nada, pois um trabalho destes dava tudo o que um homem, ou mulher, poderiam desejar.

—Então à cerca de 4 anos, o Nathan entrou para a companhia. Era ainda um adolescente. Tinha que admitir que ele era charmoso e teve grande popularidade, embora fosse novo. Faturamos bastante com a vinda dele para a nossa empresa. As clientes eram doidas por ele. Era novo, mas tinha gosto no que fazia. Dedicava-se bastante ao trabalho. Não deixava nenhuma cliente descontente.

Ele fez uma pausa. Acendeu outro cigarro e levou-o à boca, tragando e libertando o fumo no ar.

—Até que ele cometeu o pior erro de todos.

Ele olhou-me desconfiado. Como se eu tivesse algo a ver com isso. Será que tinha? Aposto que não ...

—Ele apaixonou-se. Pela esposa de um traficante da zona.

Os meus olhos arregalaram-se e o meu coração acelerou ainda mais. Parecia que poderia sair-me do peito a qualquer altura. Estava nervosa e um pouco inquieta com aquela história.

—Tiveram um caso escondido por 1 ano inteiro. Eu desconfiei que algo se passava. Ele recusava outras clientes para poder estar com ela, várias vezes numa semana. Eles encontravam-se demasiadas vezes para o meu gosto. Então um dia, o marido da Gisele apareceu aqui, furioso.

Calculei que Gisele era a mulher por quem o Nathan se teria apaixonado do passado. Era um pouco difícil imaginar o Nathan apaixonado. Mas no fim de contas ele era humano, era normal que algo assim acontece, mesmo sendo inesperado.

—Ele ameaçou o Nathan de morte. E a mim também. Disse que eu era o culpado por deixá-los encontrarem-se. Claro que eu não tinha culpa, cada um dos meus trabalhadores agenda os seus encontros e apenas me pagam no final. Mas ele não percebeu isso. Então num dia, ele e o seu gangue apareceram aqui e fizeram uma espécie de motim. Destruiram camas, móveis artefatos. Deixaram alguns dos meus colaboradores no hospital, tudo por causa de uma paixão, que o Nathan não pode controlar.

O homem fechou os olhos por uns momentos, inspirando fundo. Tragou de novo o cigarro e levantou-se do cadeirão ficando de frente para mim em pé. Senti-me intimidada naquele momento. Apertei as mãos à bainha do casaco e desviei o olhar para o chão de novo.

—Nesse dia o Nathan fugiu com a Gisele para longe. E quando tentou voltar, eu mandei-o embora, contudo ele tinha que pagar os estragos que foram feitos na associação por culpa dele. O marido de Gisele quando os encontrou juntos, espancou o Nathan que ficou de cama durante 2 semanas. À Gisele, ele apenas a avisou e trancou-a em casa proibindo-a de sair até que ela o esquecesse.

Ele apoiou as mãos nos braços do cadeirão prendendo-me entre eles. Fiquei assustada e encolhi-me.

—Já se passaram 2 anos, e como podes ver, a divida ainda não esta soldada. Tentei contatá-lo, mas ele parece uma barata, que foge e esconde e nunca mais temos vista dela, depois do nada aparece sem menos esperarmos. Mas desta vez ele deu-se mal, porque eu toquei no ponto fraco dele.

Ele passou os dedos no meu cabelo acariciando-o e desviou a franja dos meus olhos.

—Está enganado. Eu não sou nada ao Nathan, eu apenas o ajudei naquele dia. – Gaguejei um pouco e a minha voz saiu tremida demais. Estava com medo.

—Duvido. E mesmo que isso seja verdade, dá para garantir diversão por uns minutos.

Quase parei de respirar quando ouvi aquela frase. O meu corpo tremia e o meu coração estava cada vez mais acelerado, assim como a minha respiração descontrolada. A minha garganta parecia arder e os meus olhos queimavam de tentar reter as lágrimas que eu desejava controlar.

—Eu não tenho nada a ver com o Nathan, por favor, deixe-me ir embora!- Tentei suplicar, mas foi em vão. Ele apagou o resto do cigarro e mandou-o para dentro da lareira apagada.

Levou a sua mão esquerda a minha boca tapando-a. Tentei soltar-me, mas não consegui. Ele era o dobro de mim, quer em altura, quer em peso. Além de que eu estava sentada o que não dava tanta força nas minhas pernas.

Com a mão livre desapertou-me o botão do blazer e começou a abrir-me a camisa branca. Tentei gritar, mas ninguém me vinha socorrer, ali era ele que mandava, e todos estavam às suas ordens.

Até que pareceu-me ouvir alguém bater palmas. O som vinha da porta do grande salão. O homem que tentava me despir parou e encarou a pessoa que estava ali parada. Tentei olhar mas estava de costas para a porta.

—Sempre vieste Nathan.

—Era tudo saudades James? Ia ter um show de violação ao vivo, que pena que paraste.

Suspirei um pouco de alivio ao ouvir a voz de Nathan, mas fiquei um pouco apática com o que ele falou. Como sempre ele era frio e nem ligava para o que os outros iriam pensar.

James, que era o homem, dono da empresa, saiu de cima de mim e ajeitou o casaco. Consegui ver Nathan por cima das costas do cadeirão, pelo canto do olho. Sentia a minha garganta ainda quente e com vontade de colocar as lágrimas para fora.

Nathan caminhou até mim e agarrou-me pelo braço forçando-me a levantar meio desajeitadamente. Quando me pus de pé ficou agarrado ainda ao meu braço, como se tivesse a proteger-me.

Era a primeira vez que sentia as mãos dele no meu corpo. Tinha as mãos quentes e apertava com um pouco de força, notava-se que estava com raiva, mas não de mim. Os olhos dele estavam escondidos pelo cabelo e os óculos. Mas eu podia sentir que ele estava furioso.

—Se tinhas assuntos comigo, vinhas pessoalmente a mim. Não atacavas uma pessoa inocente.

Largou-me com brusquidão e agarrou pelo colarinho o tal de James.

—Nathan cala a boca. Eu andei atrás de ti este tempo todo, não banques o herói agora. Fugiste das tuas responsabilidades por causa de uma mulher estúpida.

Ouvi o Nathan a dar um estalinho com a língua e soltou James, que ajeitou a gravata.

—Ainda estou à espera do pagamento dos estragos que causaste à empresa.

—Eu não vou pagar porra nenhuma. Não fui eu que destruiu tudo, foram aqueles idiotas que entraram aqui a achar que eram donos de tudo!

Nathan falava alto e exaltado. Notava as veias no seu pescoço quase a explodirem, as suas sobrancelhas a fazerem aquela ruga que eu já conhecia.

—Mas foi por tua culpa que eles vieram cá e fizeram o “favor” de acabar com tudo. Porque tu não tiveste controlo nos teus sentimentos.

Nathan não pareceu ofendido. Ele sabia do que fizera e talvez achasse mesmo que era culpa sua.

—Nathan se não tens dinheiro agora, eu posso fazer-te uma proposta.

Fiquei pasmada a olhar para eles. Nathan pareceu tentar controlar a raiva, respirando fundo. Olhou para mim, com um olhar meigo, o que me deixou surpreendida e voltou-se de novo para James.

—Que tipo de proposta?

Falou por fim. James tentou aproximar-se de mim, mas Nathan impediu, agarrando o braço de James, que parou o andar e sacudiu a mão de Nathan.

—A minha proposta é a seguinte. Ou pagas a divida, ou ela começa a trabalhar para mim.

Olhei incrédula para ele. Trabalhar? Eu não queria fazer nada desse tipo. Era impossível para alguém como eu.

—Ela tem um corpo bonito para o que eu já pude explorar, é baixa e tem o seu certo charme. Acho que ia dar muito sucesso entre alguns homens. Assim o dinheiro que ela ganhava, metade era para a tua divida.

Fiz uma cara de repugnância.

—Desculpa, mas não posso aceitar. –Nathan falou firme e apertou o meu ombro, não com força, mas com jeito. — Ela não tem nada a ver comigo, apenas me ajudou. Então não teria nexo ela pagar algo que eu fiz. Se quiseres eu volto a trabalhar para ti, apenas pelo tempo até o dinheiro da divida ficar arrumado. É a minha ultima proposta.

James suspirou e passou a mão pelo cabelo que ficou bagunçado.

—Tudo bem. Pode ser. Acho que bastam alguns meses até tudo se resolver. Mas não quero outra confusão como a anterior.

Nathan acentiu com a cabeça e puxou-me para fora do salão.

—Eu disse que ias ficar envolvida caso começasses a conhecer-me – Ele falou enquanto caminhávamos até à saída. Não respondi. Não estava em condições para responder.

No portão estava um Audi TT preto estacionado. Nathan abriu a porta do passageiro deixando-me entrar. Fiquei desconfiada, mas aceitei. Queria sai dali o mais rápido possível. Ele caminhou para o lugar do motorista. Entrou e começou a fazer ligação direta ao carro.

—Roubaste-o? – Falei assustada.

—Sim. Não tenho carro vinha como? A pé? Se viesse a pé nesta altura podia ser tarde demais e metade da tua roupa já estava no chão naquela altura.

Engoli em seco. Era assustador relembrar daquelas mãos estranhas a mexerem-me.

—Obrigada. Por apareceres na hora exata.

Ele acariciou-me o topo da cabeça.

—Eu apenas vi pela janela da cozinha seres forçada a entrar no carro. Então conheci o careca e sabia aonde ir. Só isso. Além disso, estamos quites agora.

Senti-me segura ali com ele. Ele podia ser frio e egoísta, mas mesmo assim não deixou James tirar proveito de mim. Ele quis assumir o seu erro e ser ele mesmo a pagar a própria divida. A minha opinião sobre ele estava a mudar aos poucos, e eu sentia-me cada vez melhor ao lado dele.

Notas finais
Então que acharam? Pf deixem comentário para eu saber se devo ou não continuar com a historia :) Kissus