I Hate Everything About You
7 Paixão antiga
Notas iniciais

"E toda a gente já foi abandonado"
Lullaby- Nickelback
O meu coração acelerou ao ouvir o nome do Nathan a ser pronunciado por aquela pessoa. Eles eram conhecidos. Qualquer que fosse o assunto suspeitava que nada de bom viria. Encolhi-me um pouco no cadeirão. Tinha que admitir que estava um pouco assustada.
—De onde conhece o Nathan? – A voz do homem fez romper o silêncio. Desviei o olhar para os meus sapatos pretos que tremiam ao de leve com os nervos.
—Conheço a pouquíssimo tempo. Ele esteve envolvido numa briga de rua, então fui eu que o salvei, por assim dizer.
Ele chegou o seu rosto um pouco para frente, apoiando os cotovelos nos seus joelhos e entrelaçando os dedos. Ficou a encarar-me durante uns segundos.
—Essa história é mesmo verdadeira?
Engoli em seco. Era obvio que era, mas não tinha como provar tal coisa.
—Sim é. Não tenho como provar, mas estou a dizer a verdade.
Mais uma pausa no ar. Ele parecia pensar em cada pergunta que me queria fazer. Mas estava a medir as palavras para ser cuidadoso.
—Sabe. O Nathan, à um tempo atrás trabalhou para uma empresa fundada por mim. –Os meus olhos subiram e olhei para ele. Estava sério, mas tinha um sorriso maldoso no rosto. –Agora, onde estamos é uma parte dessa empresa. É aqui que os clientes vêm para ter uma noite de prazer com quem desejam. Eles pagam aos seus acompanhantes a quantia adequada ao serviço que querem que seja prestado.
Uma imagem de repulsa veio à minha mente, embora eu tenha que admitir que fosse um trabalho considerado fácil. E como Nathan tinha dito anteriormente, ele não precisava de mais nada, pois um trabalho destes dava tudo o que um homem, ou mulher, poderiam desejar.
—Então à cerca de 4 anos, o Nathan entrou para a companhia. Era ainda um adolescente. Tinha que admitir que ele era charmoso e teve grande popularidade, embora fosse novo. Faturamos bastante com a vinda dele para a nossa empresa. As clientes eram doidas por ele. Era novo, mas tinha gosto no que fazia. Dedicava-se bastante ao trabalho. Não deixava nenhuma cliente descontente.
Ele fez uma pausa. Acendeu outro cigarro e levou-o à boca, tragando e libertando o fumo no ar.
—Até que ele cometeu o pior erro de todos.
Ele olhou-me desconfiado. Como se eu tivesse algo a ver com isso. Será que tinha? Aposto que não ...
—Ele apaixonou-se. Pela esposa de um traficante da zona.
Os meus olhos arregalaram-se e o meu coração acelerou ainda mais. Parecia que poderia sair-me do peito a qualquer altura. Estava nervosa e um pouco inquieta com aquela história.
—Tiveram um caso escondido por 1 ano inteiro. Eu desconfiei que algo se passava. Ele recusava outras clientes para poder estar com ela, várias vezes numa semana. Eles encontravam-se demasiadas vezes para o meu gosto. Então um dia, o marido da Gisele apareceu aqui, furioso.
Calculei que Gisele era a mulher por quem o Nathan se teria apaixonado do passado. Era um pouco difícil imaginar o Nathan apaixonado. Mas no fim de contas ele era humano, era normal que algo assim acontece, mesmo sendo inesperado.
—Ele ameaçou o Nathan de morte. E a mim também. Disse que eu era o culpado por deixá-los encontrarem-se. Claro que eu não tinha culpa, cada um dos meus trabalhadores agenda os seus encontros e apenas me pagam no final. Mas ele não percebeu isso. Então num dia, ele e o seu gangue apareceram aqui e fizeram uma espécie de motim. Destruiram camas, móveis artefatos. Deixaram alguns dos meus colaboradores no hospital, tudo por causa de uma paixão, que o Nathan não pode controlar.
O homem fechou os olhos por uns momentos, inspirando fundo. Tragou de novo o cigarro e levantou-se do cadeirão ficando de frente para mim em pé. Senti-me intimidada naquele momento. Apertei as mãos à bainha do casaco e desviei o olhar para o chão de novo.
—Nesse dia o Nathan fugiu com a Gisele para longe. E quando tentou voltar, eu mandei-o embora, contudo ele tinha que pagar os estragos que foram feitos na associação por culpa dele. O marido de Gisele quando os encontrou juntos, espancou o Nathan que ficou de cama durante 2 semanas. À Gisele, ele apenas a avisou e trancou-a em casa proibindo-a de sair até que ela o esquecesse.
Ele apoiou as mãos nos braços do cadeirão prendendo-me entre eles. Fiquei assustada e encolhi-me.
—Já se passaram 2 anos, e como podes ver, a divida ainda não esta soldada. Tentei contatá-lo, mas ele parece uma barata, que foge e esconde e nunca mais temos vista dela, depois do nada aparece sem menos esperarmos. Mas desta vez ele deu-se mal, porque eu toquei no ponto fraco dele.
Ele passou os dedos no meu cabelo acariciando-o e desviou a franja dos meus olhos.
—Está enganado. Eu não sou nada ao Nathan, eu apenas o ajudei naquele dia. – Gaguejei um pouco e a minha voz saiu tremida demais. Estava com medo.
—Duvido. E mesmo que isso seja verdade, dá para garantir diversão por uns minutos.
Quase parei de respirar quando ouvi aquela frase. O meu corpo tremia e o meu coração estava cada vez mais acelerado, assim como a minha respiração descontrolada. A minha garganta parecia arder e os meus olhos queimavam de tentar reter as lágrimas que eu desejava controlar.
—Eu não tenho nada a ver com o Nathan, por favor, deixe-me ir embora!- Tentei suplicar, mas foi em vão. Ele apagou o resto do cigarro e mandou-o para dentro da lareira apagada.
Levou a sua mão esquerda a minha boca tapando-a. Tentei soltar-me, mas não consegui. Ele era o dobro de mim, quer em altura, quer em peso. Além de que eu estava sentada o que não dava tanta força nas minhas pernas.
Com a mão livre desapertou-me o botão do blazer e começou a abrir-me a camisa branca. Tentei gritar, mas ninguém me vinha socorrer, ali era ele que mandava, e todos estavam às suas ordens.
Até que pareceu-me ouvir alguém bater palmas. O som vinha da porta do grande salão. O homem que tentava me despir parou e encarou a pessoa que estava ali parada. Tentei olhar mas estava de costas para a porta.
—Sempre vieste Nathan.
—Era tudo saudades James? Ia ter um show de violação ao vivo, que pena que paraste.
Suspirei um pouco de alivio ao ouvir a voz de Nathan, mas fiquei um pouco apática com o que ele falou. Como sempre ele era frio e nem ligava para o que os outros iriam pensar.
James, que era o homem, dono da empresa, saiu de cima de mim e ajeitou o casaco. Consegui ver Nathan por cima das costas do cadeirão, pelo canto do olho. Sentia a minha garganta ainda quente e com vontade de colocar as lágrimas para fora.
Nathan caminhou até mim e agarrou-me pelo braço forçando-me a levantar meio desajeitadamente. Quando me pus de pé ficou agarrado ainda ao meu braço, como se tivesse a proteger-me.
Era a primeira vez que sentia as mãos dele no meu corpo. Tinha as mãos quentes e apertava com um pouco de força, notava-se que estava com raiva, mas não de mim. Os olhos dele estavam escondidos pelo cabelo e os óculos. Mas eu podia sentir que ele estava furioso.
—Se tinhas assuntos comigo, vinhas pessoalmente a mim. Não atacavas uma pessoa inocente.
Largou-me com brusquidão e agarrou pelo colarinho o tal de James.
—Nathan cala a boca. Eu andei atrás de ti este tempo todo, não banques o herói agora. Fugiste das tuas responsabilidades por causa de uma mulher estúpida.
Ouvi o Nathan a dar um estalinho com a língua e soltou James, que ajeitou a gravata.
—Ainda estou à espera do pagamento dos estragos que causaste à empresa.
—Eu não vou pagar porra nenhuma. Não fui eu que destruiu tudo, foram aqueles idiotas que entraram aqui a achar que eram donos de tudo!
Nathan falava alto e exaltado. Notava as veias no seu pescoço quase a explodirem, as suas sobrancelhas a fazerem aquela ruga que eu já conhecia.
—Mas foi por tua culpa que eles vieram cá e fizeram o “favor” de acabar com tudo. Porque tu não tiveste controlo nos teus sentimentos.
Nathan não pareceu ofendido. Ele sabia do que fizera e talvez achasse mesmo que era culpa sua.
—Nathan se não tens dinheiro agora, eu posso fazer-te uma proposta.
Fiquei pasmada a olhar para eles. Nathan pareceu tentar controlar a raiva, respirando fundo. Olhou para mim, com um olhar meigo, o que me deixou surpreendida e voltou-se de novo para James.
—Que tipo de proposta?
Falou por fim. James tentou aproximar-se de mim, mas Nathan impediu, agarrando o braço de James, que parou o andar e sacudiu a mão de Nathan.
—A minha proposta é a seguinte. Ou pagas a divida, ou ela começa a trabalhar para mim.
Olhei incrédula para ele. Trabalhar? Eu não queria fazer nada desse tipo. Era impossível para alguém como eu.
—Ela tem um corpo bonito para o que eu já pude explorar, é baixa e tem o seu certo charme. Acho que ia dar muito sucesso entre alguns homens. Assim o dinheiro que ela ganhava, metade era para a tua divida.
Fiz uma cara de repugnância.
—Desculpa, mas não posso aceitar. –Nathan falou firme e apertou o meu ombro, não com força, mas com jeito. — Ela não tem nada a ver comigo, apenas me ajudou. Então não teria nexo ela pagar algo que eu fiz. Se quiseres eu volto a trabalhar para ti, apenas pelo tempo até o dinheiro da divida ficar arrumado. É a minha ultima proposta.
James suspirou e passou a mão pelo cabelo que ficou bagunçado.
—Tudo bem. Pode ser. Acho que bastam alguns meses até tudo se resolver. Mas não quero outra confusão como a anterior.
Nathan acentiu com a cabeça e puxou-me para fora do salão.
—Eu disse que ias ficar envolvida caso começasses a conhecer-me – Ele falou enquanto caminhávamos até à saída. Não respondi. Não estava em condições para responder.
No portão estava um Audi TT preto estacionado. Nathan abriu a porta do passageiro deixando-me entrar. Fiquei desconfiada, mas aceitei. Queria sai dali o mais rápido possível. Ele caminhou para o lugar do motorista. Entrou e começou a fazer ligação direta ao carro.
—Roubaste-o? – Falei assustada.
—Sim. Não tenho carro vinha como? A pé? Se viesse a pé nesta altura podia ser tarde demais e metade da tua roupa já estava no chão naquela altura.
Engoli em seco. Era assustador relembrar daquelas mãos estranhas a mexerem-me.
—Obrigada. Por apareceres na hora exata.
Ele acariciou-me o topo da cabeça.
—Eu apenas vi pela janela da cozinha seres forçada a entrar no carro. Então conheci o careca e sabia aonde ir. Só isso. Além disso, estamos quites agora.
Senti-me segura ali com ele. Ele podia ser frio e egoísta, mas mesmo assim não deixou James tirar proveito de mim. Ele quis assumir o seu erro e ser ele mesmo a pagar a própria divida. A minha opinião sobre ele estava a mudar aos poucos, e eu sentia-me cada vez melhor ao lado dele.
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