I Hate Everything About You
1 That’s What I Said
Notas iniciais
Eu estou dizendo que sou algo que você tem que me ver agora
Este é o único lugar que você gostaria de estar agora
Vou fazer uma mágica
Isso é o que eu disse
Posso ser qualquer coisa, como um camaleão.
Eu sou uma em um milhão
Isso será dramático
Isso é o que eu disse
Aquele provavelmente seria o mês mais agitado da história de Los Angeles, isso porque a cidade dos anjos seria palco, mais uma vez, para os dois eventos mais importantes do mundo da fama: Grammy e o tão polêmico e aguardado Oscar.
Tudo estava mais agitado do que de costume na temporada de premiações. Motivo? O Grammy seria realizado apenas com uma semana de antecedência em relação ao Oscar. A Academia havia resolvido entregar as estatuetas banhadas a ouro antes do previsto, por motivos desconhecidos e inúteis, afinal, o foco desta história não são as burocracias corriqueiras.
Assim como várias estrelas, a cantora Kylle Morgan se preparava para sua apresentação musical na premiação desta noite. Kylle era um dos nomes mais aguardados e uma das candidatas mais fortes na categoria “Álbum do Ano”.
A garota de cabelos escuros terminou de tocar sua última nota em seu piano, quando foi surpreendida. Tentou abrir a porta do estúdio de gravação em que estava e a mesma havia sido trancada. Após um breve ataque típico das estrelas de Hollywood, Kylle foi se assustou quando viu um rosto bastante conhecido do outro lado da porta de vidro. Quando descobriu de quem se tratava a primeira reação da cantora foi revirar os olhos e encarar a moça loira que tinha um sorriso sarcástico nos lábios.
-Ally Stewart... Por que não estou surpresa? –Kylle perguntou irônica. –Abra essa porta, sua Regina George disfarçada de Cinderela! –Ally apenas riu da situação.
-Ninguém mandou você mencionar o meu nome naquela entrevista ridícula na semana passada. –A loira justificou. –Como você me chamou mesmo? Ah sim, “A cantora queé a mistura do pior da Celine Dion com o pior da Candece Night”. –Ally falou sem tirar o sorriso dos lábios.
-Garota, se toca! O Grammy é daqui a pouco e você não será a única a se aprestar hoje! –Kylle retrucou revoltada. –Abre a porta! –Ally deu uma risada discreta seguida por uma falsa expressão de piedade.
-Bem que eu queria meu amor, mas meu agente já ligou umas quinhentas vezes, eu realmente preciso encontra-lo. –Fingiu frustração. –Então, boa sorte. –Ally começou a andar em direção a saída, porém voltou rapidamente. –Ah, apenas um conselho: se quiser que essa sua música tosca pegue, deveria acelerar um pouco o ritmo e mudar essa letra decadente. –Dito isso, a loira foi embora dali deixando sua rival presa.
-Eu te odeio Ally Stewart, sua patricinha narcisista de quinta! –A garota gritou, mesmo sabendo que Ally já estava a metros de distância.
Falaremos um pouco sobre Alison Thompson Stewart, mundialmente conhecida como Ally Stewart. A garota dona dos fios loiros naturais era a queridinha da América e princesinha da NY Records, sua gravadora. Já lançou sete álbuns e suas músicas sempre estavam no topo das paradas. Seus prêmios eram tantos que sua casa tinha duas estantes lotadas de estatuetas por composições e vídeo clipes, sem contar com os discos de ouro, platina e diamante.
Ally era muito bonita e tinha certeza disso. Sempre moldou cautelosamente sua carreira, evitando escândalos e polêmicas desnecessárias. Seu sucesso podia ser facilmente comparado com a Beatlemania na década de 60: os garotos queriam ficar com ela e as garotas queriam ser como ela. Stewart sabia do poder que lhe pertencia e adorava isso.
Sorte no trabalho, azar no amor. Por mais que parecesse uma princesa, Ally não era nada disso. A loira era egocêntrica e mimada sem se dar conta disso, porém sofria muito quando um relacionamento chegava ao fim. Tinha muitos amigos, mas os verdadeiros eram contados nos dedos das mãos.
Ao chegar a um café com uma entrada triunfal (pois chamava a atenção de todos) e com um sorriso invejável no rosto, Ally dirigiu-se até a mesa na qual estava seu agente, que por sinal não tinha uma cara nada boa.
-Espero que tenha uma ótima desculpa para me tirar da prova de figurino do show de hoje à noite. –A loira disse se sentando em uma cadeira em frente ao homem.
-Acredite, é urgente. –Ele respondeu sério. Parecia bastante aflito.
-Vá direto ao ponto Mark, está me deixando assustada.
Mark limpou o suor inexistente em seu rosto com um guardanapo e tomou um gole de seu café amargo.
-Bom... –Começou. –Lembra-se do Edward? Seu ex-namorado?
-Como poderia esquecer. –Ally respondeu revirando os olhos azuis. –O que tem aquele idiota?
-Ele limpou toda a sua conta bancária. –Mark falou aquilo de maneira tão rápida que a loira demorou alguns segundos para processar a informação.
-Espera... –Ela disse sorrindo sem humor e com um leve tom desesperado em sua voz. –Isso quer dizer que eu não tenho mais dinheiro?
-Não exatamente. –Ele continuou. –Você ainda tem alguns milhões guardados naquela conta na Suíça, mas eles não serão suficientes para cobrir os gastos da turnê e dos próximos discos. A situação está bem ruim.
A situação era péssima. Ally passou as mãos pelos cabelos frustrada, ela realmente não esperava por aquele balde de água fria.
-Tenho que dar um jeito nisso. –Dizia para si mesma. –Vamos lá Ally, pensa, pensa, pensa... Alguém podia me dar alguma dica sobre o que fazer pelo menos.
Naquele instante Alison passou os olhos por todo o café quando focou na televisão na parede atrás de Mark. Estava em um daqueles canais de fofocas sobre os famosos de Hollywood.
-Então quer dizer que temos um novo solteiro? –Uma das apresentadoras dizia.
-Exatamente Ann. –O apresentador respondeu. –Meninas já podem comemorar, pois o impossível aconteceu: Andrew Matthews está mais sozinho do que nunca!
-Ally o que você... –Mark começou, mas foi interrompido pela jovem.
-Quieto! Estou assistindo. –A loira reclamou.
-Alison, você odeia esse canal. –Ela ignorou o comentário e voltou a prestar atenção na TV.
-Mas o motivo da separação entre o ator e a jornalista Rachel Foster não é dos melhores. –A mulher continuou. –Parece que o queridinho de Hollywood não foi muito fiel no relacionamento, pelo menos é o que a moça está dizendo por aí.
-A questão é: quem será a garota misteriosa que fez Andrew, tão certinho e comportado, trair a namorada de longa data? Não temos muitas informações, mas por enquanto é isso. –O apresentador rapidamente mudou de expressão e anunciou os comerciais.
Mark olhou para Ally e ela estava sorrindo. Não um sorriso qualquer. Aquele típico sorriso de mulher que vai aprontar.
-Ally Stewart que cara é essa? –O agente perguntou apreensivo.
-Acho que já descobri como resolver este pequeno contratempo. –A cantora falou confiante.
-Alison... Por acaso Andrew Matthews faz parte dessa sua “solução”? –Mark.
-Não, meu caro agente. Andrew Matthews é a solução. –Ally percebeu o olhar confuso de Mark e resolveu explicar. –Depois que a namoradinha dele jogou pra Deus e o mundo que ele pulou a cerca, tá na cara que eles não voltam tão cedo.
-Prossiga...
-Talvez eu possa ajuda-lo. –A loira sorriu. –Tudo o que ele mais precisa agora é de uma namorada, e por que não futura esposa, de boa fama.
-Espera você tá querendo dar o golpe do baú? É isso? –Ele questionou e Ally riu.
-Qual o problema? Ele é o ator mais bem pago atualmente, sua carreira é brilhante, considerado o melhor da nossa geração, já ganhou muitos prêmios e nós temos praticamente a mesma idade. – Ally parou e deu um sorriso malicioso. –Sem contar que ele é uma graça, não seria sacrifício nenhum namorar com ele.
-Eu acho... –Mark parou por alguns instantes. – Que essa é a ideia mais brilhante de todos os tempos! Ally Stewart, você é um gênio!
Ally sorriu e olhou para seu reflexo na porta de vidro. –Eu sei que sou.
***
Ally seria a próxima a se apresentar. Dava os últimos retoques no cabelo e na maquiagem enquanto se admirava no espelho do camarim.
-Chegou a hora. Suba naquele palco e seja a melhor como sempre. –Disse para si mesma quando anunciaram sua entrada.
O palco era iluminado por uma luz vermelha e os bailarinos entraram com seus figurinos chamativos. Eis que do cenário fabuloso surge à princesa do pop levando a plateia ao delírio.
-Como ela está linda! –Mary, melhor amiga de Ally, comentou sorrindo na primeira fila.
-Ainda não entendo como você, doce desse jeito, consegue ser amiga dessa peste. –Kylle, que conseguiu sair do estúdio uma hora antes do red carpet, resmungou para Mary que apenas riu.
-Ally é uma das pessoas mais incríveis que já conheci vocês duas precisam parar com essa briguinha de crianças.
-Ah Mary. –Kylle abraçou a morena. –Minha pequena e inocente Mary, ainda vai chegar o dia em que essa loira oxigenada vai aprontar uma pra cima de você. –Mary riu novamente e balançou a cabeça negativamente.
***
After Party. Julgada por muitos como a melhor parte das premiações, a do Grammy era uma das melhores. Quem não gostaria de ser uma mosquinha na parede para espionar o que os membros do mundo da música conversam após o evento.
Ally e Mary entraram de braços dados na festa. Riam e comentavam a apresentação da loira.
-Estou tão orgulhosa! Queria ter toda àquela sua confiança quando subo em cima do palco pra cantar. – Mary elogiou.
-Isso é pratica com o tempo você consegue. –Ally respondeu sorrindo. –Você tem uma voz muito bonita.
-Não chega nem perto da sua. –As duas se abraçaram.
-Bom, vou tomar um drink, quer algo? –Ally.
-Não, vou ficar aqui te esperando. –Mary disse e Ally se dirigiu ao bar.
Mary olhava para os cantos, um pouco perdida tentando achar algumas amigas que ainda não haviam chegado, quando seu olhar parou em um canto nada agradável do salão. Era Jason Kevin, seu ex-namorado, se agarrando com alguma garota qualquer.
Jason era vocalista de uma banda e haviam muitas “groupes” andando atrás deles. Mary engoliu em seco. Mesmo tendo terminado ainda gostava daquele babaca.
A morena não aguentou e saiu dali rapidamente. Foi até seu carro e trocou de roupa ali mesmo. Precisava dar uma volta e um vestido Oscar De La Renta não era o melhor visual para sair à noite em Los Angeles.
Mary dirigiu até um local afastado. Era uma praia que poucos conheciam inclusive um bom refúgio para quem já não aguenta mais os paparazzis de plantão.
-Já pensou na merda? – Falou para si mesma. – “Após o Grammy, a cantora Mary Santiago chora desolada pelas ruas de Los Angeles. Estaria ela chateada pelo fim do namoro com Jason Kelvin?”
-Realmente, seria uma manchete terrível. –Uma voz masculina disse atrás dela, fazendo Mary perceber que estava pensando alto demais.
“Que não seja um jornalista, que não seja um jornalista, que não seja um jornalista.” Mary repetia a frase em sua cabeça. A morena se virou e suspirou aliviada.
-Ah, eu sei quem você é! –Ela disse e o rapaz sorriu tímido com a expressão da garota.
-Eu também sei quem você é só não sei o que está fazendo aqui. –Ele questionou.
-Bom, mesmo trabalhando no mesmo meio, acho que nunca fomos devidamente apresentados. –A moça disse e os dois riram um pouco sem jeito. –Mary Santiago. –Ela estendeu a mão.
-Andrew Matthews. –Ele respondeu apertando a mesma.
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