I Gotta Find You
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Ele precisava encontrá-la. Esse pensamento se tornara uma obsessão para Phil Coulson desde que ela havia se sacrificado por ele. Não ela. Uma imitação perfeita. Um LMD feito para se aproximar e localizar o Darkhold. Não era ela. Não era Melinda May.
Suas curvas eram as mesmas, suas habilidades eram iguais. Seus olhos traziam a mesma dureza superficial e doçura profunda. O beijo na biblioteca foi com a mesma entrega do que eles trocaram décadas antes, na academia.
Porém, Coulson não conseguia aceitar ter sido enganado por tanto tempo. O LMD foi capaz de quebrar um por um dos muros que ele construíra em torno dos sentimentos que ele sentia pela melhor amiga, criados e nutridos nos anos de formação na SHIELD e sempre reprimidos por medo de perdê-la. Alguns desses muros já ostentavam rachaduras, derivadas dos anos lado a lado no campo de batalha, tornando inútil qualquer resistência aos movimentos dos LMD.
E mesmo assim, Phil só foi capaz de perceber que não era Melinda quando ela saltou em frente a mira da arma. Quando todas suas conexões foram expostas e sua voz robótica sussurrou as últimas palavras.
—Você precisa acha-la. Você precisa me achar.
Depois que a LMD desligou e a equipe de apoio tomou conta da situação, Coulson não fez nada mais do que rastrear Radcliffe e esperava que May estivesse com ele. Ele pressionou Fitz para descobrir alguma informação na cabeça decapitada de AIDA. Ele obrigou Mace a usar todos os recursos públicos da SHIELD para localizá-la. Ela implorou para que Jemma conseguisse rastreia-la por algum dado biológico. Porém, nada fazia sentido, nada dava uma pista.
Dias e dias passavam, ele não dormia, comia apenas o que Daisy lhe forçava. Permitia alguns momentos de fraqueza nos braços daquela que considerava uma filha. Podia escutar alguns sussurros sobre ele na base:
—Fitz, estou preocupada com Coulson. Não temos esperanças sobre May e vê-lo dessa forma está me assustando. — Jemma comentou uma tarde, quando achava que o ex-diretor não a escutava.
—Eu não desisti de você, ele não irá desistir da May. — o engenheiro a respondeu.
Coulson apenas fechou os olhos e afundou-se em seu desespero.
***
Ela precisava sair dali. Isso era a obsessão de Melinda May.
Seus anos de academia e suas milhares de batalhas no campo não foram capazes de ensiná-la a sair daquela simulação, que se repetia várias e várias vezes em sua cabeça.
A alegria de ter Katya segura em seus braços quase a levavam a querer permanecer ali. Aquilo não era apenas um truque na sua mente. Era também um truque para seu coração.
Porém, em seu coração também estava o ponto que a trazia de volta à realidade: Phil Coulson. A euforia de tudo ter dado certo em Bahrain por alguns momentos camuflavam o que estava errado. Mas em poucos instantes, ela era capaz de identificar: Coulson não estava ali. Esse fato, era o que a fazia perder todo o entusiasmo de ter Katya viva. Ela logo sabia que aquilo era mentira. E voltava ao começo da simulação.
Por mais que apagassem sua memória, aos poucos ela não nem sentia mais a felicidade. Tudo parecia uma luta incansável sem nenhum objetivo. A menina estava salva. Coulson não estava. Percepção da realidade. Voltando ao ponto de partida.
AIDA não entendia as oscilações da mente da chinesa. Ela estava confortável, se sentia segura e haviam pontos de liberação de serotonina. Porém, a mulher sempre voltava ao começo da simulação.
E por mais que Radcliff tivesse sondado o cérebro de May e descoberto os sentimentos que ela guardava, ele não tinha descoberto o que a impedira de despedaçar após Bahrain. E foi apenas um abraço do homem que ela sempre amara.
Dessa forma ela continuava presa naquele pequeno inferno sem fim.
*
—Senhor, nós temos algo. — Jemma disse, receosa com a reação do homem.
—Preciso de detalhes maiores, Simmons. — o homem levantou os olhos da tela que ele encarava há alguns minutos.
—AIDA transmite em uma frequência única. Descobrimos uma frequência semelhante em uma casa de campo, na costa-oeste. — Fitz e Simmons responderam juntos, palavras embaralhando no sotaque dos dois, algo que Coulson já acostumara.
—Por que não estamos a caminho? — Phil olhou para os lados, como se buscasse uma arma. Ou um abraço. Os agentes mais novos se entreolharam, sem saber o que responder.
—Coulson, não sabemos se May está nesse localização. — Daisy foi a única que teve coragem de falar. Ela apoiou um braço em um de seus ombros. — Precisamos que você esteja ciente disso.
—Daisy, eu não sou mais uma criança. Eu sei tudo que pode acontecer. Mas também me recuso a acreditar que o pior tenha acontecido. — o homem encarava todos. — Vamos?
Rapidamente todos estavam em um dos quinjets. O team pousou há alguns quilômetros da casa, precisando percorrer uma distancia considerável em uma mata fechada. Uma vez na clareira, Fitz habilitou um PEM que desenvolvera na frequência ideal para desligar AIDA.
Os minutos seguintes foram muito confusos para o Phil. A equipe de apoio arrombou a casa. Encontraram AIDA caída no primeiro andar. Jemma queria que garantissem que a casa estava segura antes que procurassem May. Coulson ignorou qualquer pedido da bioquímica, seguindo para o segundo andar.
Quando a localizou em um dos gabinetes, seu primeiro sentimento foi alívio. Logo em seguida a angústia dominou seus pensamentos. Ela estava pálida, ligada há vários aparelhos. Mesmo com os olhos fechados, ela chorava. E foram poucas vezes que Phil a viu chorando.
Seu primeiro passo foi desconecta-la de todos aqueles instrumentos que pareciam torturantes. Ele a deitou em seu colo, ciente que seu corpo estava sendo aquecido pelo dela. Longos minutos se passaram, todos iam se aglomerando nos limites da sala. Simmons fez uma tentativa de se aproximar, para examinar a mulher, mas Coulson a afastou com um olhar.
—Phil? — May sussurrou e metade da tensão da sala se dissolveu.
Ela apoiou a cabeça nos ombros de Phil, que com um pouco de esforço a levantou, devido à fraqueza gerada pelas semanas sem sono ideal. Quando chegaram a porta, o quinjet já estava na clareira e Phil a levou para dentro. No tempo que levaram para chegar a base, poucas palavras foram proferidas em sussurros, mas nenhuma proferida por Melinda May.
As primeiras sílabas proferidas por ela foram ditas logo após que Coulson a deitou na maca montada na baia médica. Simmons tentava se aproximar para descobrir se havia algo errado, mas Phil não a deixava aproximar.
—Coulson. Eu vou ficar bem. — ela proferiu, sua voz com mesmo tom firme.
—Okay. Estou saindo. — ele a olhou por alguns segundos antes de ir para seu quarto.
Sem o sentimento de angústia por não saber onde Melinda estava, Coulson conseguiu fechar os olhos e cochilar durante alguns minutos.
*
Melinda se sentiu feliz por estar em casa. Estar nos braços de Coulson depois daquela série de repetições do pior dia de sua vida parecia o paraíso. Porém, quando Simmons queria a examinar, precisou deixá-lo ir.
Várias pessoas vieram até a área médica para vê-la. Elena e Mack passaram alguns minutos antes de seguir para uma nova missão. Daisy lhe deu um caloroso abraço e lhe contou algumas coisas que aconteceram no tempo que ela foi "substituída". Quando Simmons finalmente a liberou seus de cuidados médicos, ela se sentiu feliz por finalmente por poder ir para seu quarto, colocar suas próprias roupas.
Após tomar coragem, ela caminhou os poucos passos que a levavam até a porta do pod de Coulson. Com duas batidas na porta, ela foi atendida, por um Phil com o rosto amassado, denunciando seu sono interrompido.
—Você estava dormindo. Desculpe-me — ela sorriu. — Volto depois.
—Melinda, apenas entre. — ele a deu espaço.
Com passos vacilantes, ela entrou no quarto que já conhecia. A última vez que ela se sentiu tão insegura mal tinha entrado na academia. Era estranho, ainda mais quando o motivo da insegurança era seu melhor amigo.
—Se importa se eu me deitar novamente? — ele perguntou. — Você pode me acompanhar.
Ele apontou para a cama, ela se sentou na ponta, enquanto ele se deitou do seu lado na cama.
Alguns minutos se passaram antes que ela deitasse, olhos encarando o teto.
—Você sabia para que ter todas aquelas coisas ligadas a você? — ele começou, curioso.
—Radcliff me pôs numa simulação, enquanto sugava meu pensamentos — Ela riu para o teto. — As primeiras eram em um spa. Não durei 5 minutos. — ela suspirou, lembrando das diversas vezes que o homem entrou oferecendo massagens ou outros tratamentos. — Logo depois foi uma incansável luta com AIDA. Eu venci todas, claro.
—Você parecia tão desligada quando te resgataram. Ainda era simulação com AIDA? — ele perguntou, rolando para olhá-la.
—Não. Era Bahrain. Ele me fazia acreditar que eu salvava Katya. Mas eu sabia que não era real. — ela rolou, ficando de lado e o encarando. — Sabia por que você não estava por lá.
Eles se encararam por um grande tempo.
—Eu sei que você nem sentiu minha falta. Daisy me contou tudo sobre LMD. — Melinda continuou falando.
—Yeah, sim. Ela conseguiu me enganar direitinho. Inclusive, ela odiava café. — ele lembrou de um fato que o fez perceber que havia algo errado quando a Agent 33 a substituiu.
—Ela era tão parecida assim comigo? — ela sorriu.
—Sim, tudo. Até o olhar. Até o beijo...- ele percebeu em poucos minutos que tinha falado demais.
—Você a beijou? — os olhos de Melinda se estreitaram.
—Sim. Mas apenas porque eu pensei que era você, porque eu queria te beijar! — ele percebia, pela expressão dela que estava apenas piorando as coisas. -Eu sei Melinda, que muito aconteceu conosco depois da academia. Sei que você amou Andrew, do mesmo jeito que eu senti algo por Rosalind ou qualquer outra mulher na minha vida. Porém, eu sou apaixonado por você desde do nosso ano de calouros. Nós já morremos, já tivemos que salvar um ao outro repetidas vezes. Temos filhos juntos. É um crime querer que finalmente você sinta o mesmo?
A mulher lhe encarou durante alguns minutos. Sabia que qualquer fosse a sua decisão, depois daquele momento não haveria volta. Mas se Coulson já tinha passado desse ponto, porque ela não poderia acompanha-lo?
Ela pousou a mão em seu rosto, se aproximando até que suas respirações se misturassem.
—Você se importa em beijar a real Melinda May agora? — ela sorriu e Coulson terminou com pouca distância que existia entre os dois.
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