Eu ainda queria salvar minha família.

"Como...

Eu não sabia se já havia morrido, mas eu conseguia ver.

Eu consegui ver tudo acontecer ao meu redor. Por mais que eu estivesse de olhos fechados.

Parecia uma guerra. Deveria ter sido só uma invasão. Eu ainda sinto dor. Muita dor.

Eu ainda estou viva, nem que por um fio apenas."

Algo repentino aconteceu.

Minha dor começou a ser infernizante, eu começei a me mexer. Aquela dor... Não era normal.

– AAAAAHHHHHHHH! EU NÃO AGUENTO MAIS! — Eu gritava desesperadamente.

A bola de fogo aumentou. Ela formou um escudo em volta de minha casa e as da região em um raio de 3 quilometros.

Eu só vi as naves se dissolverem e meu pai sorrir para mim.

– Eu te amo... — Meu pai e minha mãe falaram.

Lágrimas escorreram pelo meu rosto.

Eu estava feliz. A dor diminuira.

A bola de fogo já tinha sumido e eu estava pousando ao chão devagar.

O chão estava destruído. Eu não conseguia mexer um músculo sequer.

Meus olhos estavam pesados. Eu os fechei. Havia um pequeno sorriso no meu rosto.

Antes de morrer, eu ouvi alguém gritar.

– NÃO! NÃO! ACORDA! VOCÊ NÃO VAI MORRER ASSIM! NÃO! NÃO! SABINA! — Leight balançava meu corpo com rispidez.

Eu abri meus olhos com muito esforço.

Eu via sua cara de apavorado, parecia uma criança de 4 anos que havia se perdido no mercado de sua mãe.

Suas lágrimas molharam meus rosto, eram muitas...

– Eu estou bem... Não se preocupe... — Eu sussurei.

– NÃO! NÃO! Não feche os olhos... Por favor não os feche... — Ele dizia segurando meu rosto com as mãos e olhando para baixo.

Meus pais provavelmente já estariam tristes, mas se eu estava feliz, por que eles não ficavam também?!

Meus olhos se fecheram novamente e a última coisa que ouvi foi os grunidos de Leight, seus choros, seus soluços.

Depois disso... Eu não ouvia mais nada.

Eu acho que já estava morta.

Que eles não sofram demais, eu desejava isso e nada mais.

-

Eu abri meus olhos com facilidade e olhei a minha volta. Não tinha nada. Parecia a dimensão em que eu ia toda vez que conversava com Elda.

Eu estava sem nenhum ferimento, estava muito bem.

Me levantei rapidamente. Eu estava de armadura, meu escudo e minha espada estavam ao meu lado.

–Parece que eu voltei a ser como antes da luta... — Eu disse me observando.

"Deseje... Deseje..."

Eu ouvi uma voz masculina calma e rouca sussurar naquela dimensão vazia.

– Quem está ai?! — Eu perguntei assustada, pegando minha espada e meu escudo.

"Deseje ver o mundo lá fora... Deseje... Deseje..."

Aquela voz soou novamente, eu não sabia o que iria acontecer se desejasse.

Mas assim eu fiz. Fechei meus olhos e me concentrei no pedido.

– Eu desejo... Eu desejo ver o que acontece lá fora, o que acontece com as pessoas em volta do meu corpo! — Eu falei com convicção.

Eu abri meus olhos e uma luz enorme em forma quadrada apareceu na minha fente.

"Bom proveito..."

A voz masculina disse, aquilo parecia ser um adeus entre nós.

Logo, naquela tela, começou a ser transmitido tudo o que acontecia onde eu estava. Onde meu corpo estava.

Leight estava ajoelhado ao meu lado, ainda estava chorando. Parecia uma criança.

Meus pais estavam ajoelhados no chão chorando.

– Não chorem! Não chorem! — Eu gritava para eles, estava ficando triste. — Eu deveria ter aguentado mais! Eu deveria! — Eu gritei comigo mesma.

– Calma... — Uma mão tocou meu ombro.

Eu me virei rapidamente e estava pronta para fazer um ataque.

– Você não vai fazer isso... Você morreu, Elda morreu, você não tem mais poderes... — Ele disse sorrindo.

Eu fiquei envergonhada. Ele era lindo demais. Me lembrava Pether.

– Por que fez isso comigo? — Eu perguntei calmamente de cabeça baixa.

Senti seus dedos tocarem meu queixo e levantarem meu rosto.

– Não se rebaixe... — Ele disse sorrindo.

Ele era muito sábio. Aquela frase teve um duplo sentido para mim. E acho que esta era a intenção dele.

– Claro... — Eu disse agora muito calma. Mas nada comparado a traquilidade que ele passava.

– Continue olhando... — Ele disse apontando para a tela enorme.

– Mas o que está acontecendo?! — Eu falei abismada.

Eu olhei para ele, ele também não estava entendendo nada.

– Não era para acontecer isso... O que você é afinal?! — Ele perguntou se afastando de mim.

– Por favor... Não me deixe... — Eu disse estendendo a minha mão.

Ele virou um brilho parecido com o de Elda, mas ele era alaranjado.

– Não pode ser... Ele era como Elda? Será que foi ele que me possuiu? — Eu perguntei com uma das mãos na boca. Lágrimas começaram a cair.

E eu voltei meu olhar para tela novamente.

– Será que isso... Não é normal? — Eu me perguntei.