Acordei com um cheiro familiar. Parecia o cheiro do pequeno pinheiro que havia no meu quarto.

"Espera, eu acordei?!"

Abri meus olhos o mais rápido que pude, por mais que o meu rápido, no momento, levaria uns 10 segundos no mínimo.

Depois que a visão desembaçou, consegui visualizar o meu quarto. Minha visão estava bem embaçada, mas eu achava que era o meu quarto.

- Esse é meu quarto? — Eu perguntei para quem estivesse no local.

- Ela acordou pessoal! — Ouvi alguém gritar.

Minha audição estava horrível também. Aquele cheiro de café era tóxico. Retardadou todos meus sentidos.

Eu tentei me levantar, mas tudo parecia tão pesado.

Quando olhei vi que tinham várias embalagem de comida congelada em cima do meu corpo. Parecia o modo mais fácil de se resfriar o corpo de alguém.

Eu deitei minha cabeça no travesseiro novamente e podia jurar que ouvi cochichos vindos da porta.

Mas a voz que gritou que eu havia acordado me intrigava. Não conseguia me lembrar de quem era.

Derrubei algumas embalagens e levantei meus braços. Coçei meus olhos e a visão teria melhorado um pouco mais.

Começei a tirar todas as embalagens e me sentei na cama.

- Que dor de cabeça. — Disse colocando a mão na cabeça.

Ninguém vinha falar comigo.

"Por quê?"

Eu estava com saudades dos meus pais, do meu irmão e de Pether.

Tentei me apoiar no meu criado-mudo, mas eu cai porque não havia criado-mudo onde deveria.

- Mas como? — Eu me perguntei.

Depois disso minha visão voltou totalmente ao normal. Sem mais visões borradas.

Me virei e visualizei o quarto novamente.

- Não... É o meu... Quarto. — Eu disse olhando tudo novamente.

Eu me levantei e vi que minha espada e meu escudo estavam no canto do quarto.

Sai correndo e peguei-os.

- Aonde eu estou? O que querem comigo? — Eu perguntei bem alto.

Eu senti um frio na espinha assim que uma brisa passou pela pequena entrada da janela.

- Como assim frio? Eu não sinto mais frio... — Eu disse.

Eu abri as cortinas e vi que estava no topo de uma montanha, mas bem no topo.

Meus olhos se arregalaram de susto, tentei me afastar da janela e tropeçei do tapete.

- Aonde eu estou?! — Eu gritei ainda mais alto.

Em seguida, uma mulher alta e de cabelos ruivos abaixo no peito, entrou no quarto com uma bandeija.

A porta era pequena ou o corpo dela era muito grande, porque ela teve que se abaixar bastante para passar para dentro do quarto.

- Eu te imploro que pare de gritar bela dama. — A moça disse e entrou no quarto.

Eu estava paralisada no chão. O modo como ela falava. O jeito que se vestia, o lugar onde nós estávamos.

"Será que ela sabe alguma coisa sobre os elementais?"

- Bom gosto pela armadura minha jovem. — Ela disse sorrindo e se sentou em uma poltrona perto da cama.

Eu iria perguntar se ela era inimiga, mas se fosse, mentiria para mim.

Continuei calada, era a única coisa inteligente á ser feita.

- Eu estou ciente que deves estar assustada neste momento, mas vou tranquilizar-lhe. Sou parente de sua adorável mãe. Grau de parentesco, irmã mais nova. — Ela disse sorrindo.

Minha expressão ficou mais fácil de ser compreendida após o que ela disse.

- Irmã mais nova? Que farsa! Minha mãe não tem irmãs! — Eu disse com raiva.

- Por favor, eu te imploro que pare de gritar. Estamos em uma pequena morada de camponês no monte da montanha. Qualquer som muito alto e essa cabana vai desmoronar. — Ela disse ainda sorrindo.

Eu tentei conversar com Fire, mas não consegui. Não conseguia falar nada mentalmente.

"Isso pode ser uma armadilha? Será que ela é a forma original da elementar do ar? Ela quer me testar novamente? Por que ela cria armadilhas em que o inimigo tem que perceber que está nela? Qual o objetivo? Ela está só me causando problemas..."

- Vou acreditar em você. — Eu menti e me sentei na ponta da cama.

Pensei que se ficasse segurando a espada e o escudo ela desconfiaria. Por isso deixei a espada do meu lado. De modo que eu protegeria-me com ela se me atacasse. E o escudo eu deixei ao lado do meu pé. Eu consiguiria levantá-lo com o pé e proteger-me rapidamente.

- O que você quer? — Eu perguntei olhando dos olhos dela.

Foi neste momento que eu percebi. A mesma manchinha que a minha mãe tem nos olhos. Ela também tem.

Ainda não tinha me convencido, estamos falando de poderes elementais. Em forma de ar ela pode criar uma cópia perfeita ou criar algo realmente parecido.

Fiquei esperando ela responder, mas ela tomou o seu chá e ficou me observando calmamente.

Eu fiquei esperando um pouco antes de proseguir a conversa, mas ela com toda certeza teria perguntas se me trouxe aqui.