I Don't Know

4 Capítulo 4 - Pessoa irritante


Como eu suspeitava, levei bomba na prova, legal (super). Legal mesmo, será a reação da minha mãe, que chegou toda animada em casa me perguntando como foi a aula (chata, né?), a prova (BUM!), se eu devolvi a correspondência que entregaram errado (esqueci) meus amigos (tipo, hã?) e, claro, ela só fez essa pergunta para entrar no assunto: “Meu futuro namorado”, vulgo Matheus Vachelli ou DG. Sabe, ele é o meu tipo, alias ele faz o tipo de toda garota, sério, todas deveriam ter um Math na vida. Ele é alto, tem ombros largos, não é muito forte, mas também não é magrelo. O estilo do cabelo é perfeito, cabelo normal, sabe? Um castanho dourado, meio arrepiado, com um topete de leve. Sem essas coisas feias que vejo por aí. E isso faz um contraste maravilho com o lindo sorriso e os olhos castanhos. Ele é do tipo de garoto que todas ficam babando, e pelo visto, ele adora. Mas também, quem não gostaria de ter todos te olhando, elogiando e babando por onde você passasse?... Bem, eu não gostaria, fico constrangida com pessoas me encarando. Como ficou o Math hoje na aula. Não sabia se tinha alguma coisa de errado comigo ou se ele estava fitando o nada.

Depois, à tarde, o Luke veio em casa, filar o almoço, claro. Nunca conheci alguém mais folgado e nojento feito o Luke. Ele faz competição de arroto com ele mesmo, sempre está com o cabelo bagunçado de quando acorda, o quarto dele chega ser pior do que o meu, de tão desorganizado que é e ele tem uma péssima mania de lamber o rosto das pessoas em vez de dar um simples cumprimento, como qualquer pessoa normal. Mas tirando essas coisas, ele não é de se jogar fora. Tem um rosto bonito e com o cabelo bagunçado, o deixa com um ar charmoso, misterioso. Para não dizer que ele parece um mendigo, às vezes. E isso nos levou ao assunto da tarde, do dia e, pelo jeito, do ano inteiro!

– Então... Você está interessada no Matheus? – Diz Luke, na lata, não me deixa nem respirar.

– C-C-Como assim?! Aff Luke! Pelo amor. O garoto chegou hoje no colégio. – Comprometi essa frase, gaguejando no começo, droga!

– Calma Ju. Só estou dizendo o que eu observei hoje na aula.

– Eu estou calma. É que você chega assim falando essas coisas, me acusando... – Acusando? O quê?

– Acusando? O que é isso? – Gargalhadas histéricas do Luke – Ju, se você não tem culpa no cartório, não deveria estar assim preocupada. Até porque, você não fez nada... Ainda – Mais risos.

– Ai Luke! Você fala como se fosse acontecer alguma coisa entre eu e o Math. –Disse. E soou convicto, porque é verdade, não posso dizer que vai acontecer alguma coisa.

– Math? Ui, já está nessa intimidade? – O Luke, claramente, está me provocando. Ele não está ouvindo o que eu estou falando?

– Luke Becker Lopes! Para com isso! Ele mesmo disse que eu podia chamá-lo assim. – Luke odeia que o chamem pelo nome inteiro. Também sei ser irritante, hunf.

– Okay, okay. Parei,tá? Mas você não pode negar que ele está querendo alguma coisa com você. Cuidado, ele deve ser daqueles que iludem depois deixa a mina com cara de cão sem dono. – Ele pode estar certo. O Math sabe o poder que tem sobre as garotas.

– E você está preocupado com o que? Eu não caio nos papinhos de vocês.

– Não estou preocupado! É que se esse cara te der um pé na bunda, você vai ficar lamentando na minha orelha. E você já é chata naturalmente, então imagina.

– Luke, querido. Vai se... – fui interrompida com a chegada da minha mãe, informando que a mãe do Luke queria que ele fosse pra casa.

E poderia ter mencionado, também, para ele parar de achar que eu sou uma boba, só porque o Math é bonito e que, por isso, eu estaria na mão dele em questão de minutos. Ah! Também o fato dele vir na minha casa só para almoçar, porque a comida da Sônia (minha querida empregada) é uma coisa de outro mundo de tão maravilhosa que é.

– Olha... Pensa no que te falei, tá? Diz para a Sônia que a comida dela é o máximo. Ah! E me empresta a tarefa de História de amanhã pra eu copiar? – E ainda tem a cara de pau de me pedir isso.