- Você realmente acredita nisso?

Não respondi, nem me movi. Continuei olhando ele.

- Prefere acreditar na porra de um tablóide do que na minha palavra, Taka?

Suspirei esgotado, não era pra isso que eu havia acordado de manhã.

Levantei dando a volta no sofá, já pronto pra ir embora

- Então agora eles também mexem nas fotos, Akira? – Disse jogando a desgraça da revista que estava em minhas mãos na cara dele.

Ele ficou mudo e estático.

– Não precisa mais fingir pra mim, eu já sabia que tinha chifres há mais tempo que você imagina

- VOCÊ NÃO PODE ESTAR FALANDO A VERDADE

Continuei meu caminho, nada do que ele diria me faria voltar.

- Fique feliz. Os seus maiores ídolos acharam a felicidade na miséria. Com sorte você também encontra.

- VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR.

Senti ele me puxar com força e me virar, me fazendo bater a cabeça na porta.

- CARALHO AKIRA! AGORA QUER ARRANCAR MINHA CABEÇA JUNTO COM A PORRA DO MEU CORAÇAO?

Sentia ela latejar mais ainda, a pancada havia sido tão forte que tudo girava ao meu redor.

Ele arregalou os olhos e logo começou a me socorrer pedindo desculpas múltiplas.

Eu que não ligava pras desculpas dele.

Pra mim ele já era passado há tempos, só ele ainda não havia notado aquilo.

Levantei-me nem sentindo ter caído sentado no chão, tentei me segurar nas paredes.

- Eu prometo que isso não vai mais acontecer Taka, você sabe que eu te amo não sabe?! Me perdoa pequeno.

Ele tentava me abraçar e me forçava a aceitar suas desculpas.

- ME SOLTA CARALHO!

Ele parou de se mexer e me olhou com os olhos escorrendo lágrimas.

Tão falsas quanto os fios do cabelo dele ou seus olhos.

Coloquei uma mão sobre a cabeça e me encostei à parede.

- Vamos deixar as coisas claras. Número um: eu não ligo pro que você pensa, faz ou fala. Então se quiser transar com outra vadia vá em frente.

Ele nem respirava direito, internamente aquilo me deixava satisfeito.

Afinal de contas, ele poderia estar gritando ou tentando me ajudar de novo.

E isso eu não aturaria mais.

- Numero dois: o “nós” que existia há dois anos de namoro e quatro de casamento morreu na cama do motel barato que você e aquelas vadias treparam. Amanhã os papéis do divorcio estarão na sua mesa.

Abri um olho, tentando ver se ele iria se mover.

Graças a Deus ele estava de cabeça abaixada com as mãos no rosto.

- E numero três: cala a sua boca pra falar de mim daqui pra frente. Se eu ouvir algum comentário ou intriga que seja porque você falou alguma bosta de mim, você tá morto. Você não tem autoridade e nem direito de falar do que eu fiz ou deixei de fazer enquanto estávamos juntos que isso fique bem claro. É isso, tenha um bom dia.

Foram minhas últimas palavras e até que foram boas, na minha opinião.

Porque apesar de tudo, eu realmente não ligava pra tudo aquilo.

Contanto que fosse sobre mim.

~ Fim ~

Notas finais
Reviews fazem bem, em alguns casos deixam o autor tão feliz que faz com que ele tenha vontade de voltar a escrever

/fikdik
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!