I Do Remember
5 Capítulo 5 - Don't Trust You
Notas iniciais
Rachel me encarou. Eu realmente não me importei. Não me lembrava da última vez que eu me importei com essa situação. Eu não havia entendido no início e parecia que eu não queria. Nesse mês que eu passei aqui dentro não me lembrava de Stacy ou de Gary. Eles eram meus amigos, mas não tão próximos.
Ainda consigo sentir a minha raiva daquela noite com Paul. É tão ruim relembrar de tudo isso e eu ainda não sei por que estou contando tudo isso para Rachel. Por que ela é uma psicóloga? Não, porque eu preciso de alguém, quem quer que fosse. Porque eu preciso de alguém para contar tudo, mas eu não posso e nem consigo. Se eu relembrar essa história, tudo vai se repetir novamente e eu não quero isso. Não posso suportar pensar que tudo poderia ter sido diferente com Julian, Mary, Oliver e Paul. Se esses nomes não me atormentassem tanto, as coisas seriam bastante diferentes do que estão sendo agora.
– O que está pensando, Rose? – Rachel perguntou e a expressão do seu rosto estava mais delicada e até mais compreensiva. Poderia até dizer que ela estava preocupada comigo.
– Por que você quer saber sobre isso? – eu pergunto imediatamente. Quero entender porque todas as perguntas e porque ela sente prazer em me ver nessa tortura.
Rachel parecia pensativa por um momento, mas logo retomou a compostura.
– Porque eu sou uma psicóloga – ela respondeu – e eu gosto do que eu faço. Você não é a primeira adolescente que eu tento aconselhar e nem implorar para que me conte tudo o que se passe nessa cabeça tão pequena. – Ela se inclinou para frente e pegou minhas mãos. Não recuei no início, mas logo me afastei das mãos dela. – Se algo não tivesse acontecido, você não estaria aqui. Você só me contou os fatos, Rose. Não me contou o que você sentiu. Se eu fosse fazer um resumo de tudo agora, eu diria: você me contou sobre sua irmã, a morte dos seus pais, o casamento de Mary, o nascimento de Oliver e o quanto sua amizade com Julian era forte. Isso é importante, mas eu preciso saber de mais. Preciso saber de mais para ajudar você. E eu quero fazer isso.
– Eu não confio em você. – Minhas palavras saíram em um sussurro e consegui perceber a expressão assustada de Rachel pelo o meu tom de voz. – Se eu fizer, eu vou ter que reviver tudo. Isso não pode acontecer.
– Foi tão grave o que aconteceu? – Rachel ainda continuou com o interrogatório, mas sua voz estava mais suave. – Não acredito que você tenha matado sua irmã, seu sobrinho e seu cunhado. Alguém os matou e eu quero saber quem e porque você o encobriu.
Eu até tentei pensar nas palavras dela. A polícia não via sentido em nada do que tinha acontecido e resolveu acreditar que eu era louca e por isso tinha matado minha própria família. Só que Paul não era minha família. E esse pensamento me levou a outros, com o fato de ele querer estragar a minha vida e eu nem sei por quê. Se houvesse algum tipo de felicidade para mim, sem dúvidas nenhuma, ela estava bem longe de mim e de Paul.
– Você é tão má, Rachel Waters – eu provoquei, desviando do assunto. – Já disse que não confio em você. Não quero confiar. Se eu disser mais alguma palavra, vou quebrar tudo o que eu penso.
– Ah. – Ela soltou um suspiro tão profundo e tão alto que eu pensei que ela estivesse liberando algo de dentro de si. Já senti isso uma vez e foi até engraçado no momento e me senti livre. – Você é tão complicada, garota. Talvez a Solitária seja uma companhia melhor do que eu.
Sorri alegremente para ela.
– Eu pensei que você demoraria a descobrir isso.
Ela sorriu para mim também e eu comecei a ficar com medo do que aquela mulher desconhecida na minha frente estava planejando. A minha morte, talvez?
– Me fale sobre Julian. Ele era adorável?
– Ele era muito gostoso e fazia coisas incríveis com a língua – respondi, totalmente indiferente com a pergunta ridícula que Rachel tinha acabado de me fazer. Ela realmente estava planejando algo. – As mãos dele também eram bastante macias.
Vi uma Rachel boquiaberta e não consegui segurar a risada.
– Não se preocupe, eu não fiquei grávida – falei para ela, estudando cada mínimo movimento dela. – Ou, pelo menos, eu acho que não. Contei que eu fui espancada logo depois que transei com ele? Foi horrível, Rachel. Minha bunda doeu por uma semana.
Rachel abaixou a cabeça, mas eu ainda consegui ver a sombra de um sorriso. Ela pensou que eu estava brincando. Do jeito que eu falei, até eu acreditei que tinha sido. A dor daquela noite percorreu cada parte do meu corpo e eu desejei que eu não me lembrasse daquilo tão cedo. Só que era difícil quando aquela noite teve uma parte tão maravilhosa e doce.
– Agora vejo porque ele gostava de você – Rachel murmurou secamente. – Um ótimo senso de humor você tem.
– Eu não estava brincando – retruquei.
Ela ficou tão estupefata que até senti a respiração ofegante e pesada dela. Eu mesma me surpreendi ao dizer aquelas palavras e fiquei com vontade de voltar alguns segundos no tempo e fechar a minha boca antes que fosse tarde demais. Mas o que foi não pode voltar.
Rachel inclinou a cabeça para o lado e começou a ma analisar. O cabelo crespo dela se virou para o lado, deixando à mostra a orelha. Tinha algum tipo de costura nela, eu não consegui entender ou ver, mas ela não era normal. Não era na região que ela usaria um brinco, então entendi que algo tinha acontecido com ela. Rachel deve ter reparado o meu olhar, pois rapidamente tampou a orelha com o cabelo e desviou o olhar de mim para as pilhas de papéis em sua frente. Rachel Waters estava claramente desconfortável.
– A sua orelha...
– Não fale sobre essa coisa horrível – ela me interrompeu. – Foi um acidente com a minha filha.
– Você tem uma filha? – perguntei e até fiquei surpresa com o fato de eu realmente estar interessada nisso. – Quantos anos ela tem?
Ela ficou em silêncio e eu cheguei a pensar que ela tinha me ignorado. Isso era totalmente injusto, porque eu tinha respondido a todas as perguntas dela, mesmo que não fossem as respostas que ela queria. Até que Rachel me olhou rapidamente e vi lágrimas brotarem nos olhos dela, que a psicóloga rapidamente limpou.
– Ela está morta – ela indagou de repente e foi naquele momento que eu percebi porque Rachel queria ajudar os outros. Não sabia há quanto tempo a filha dela estava morta, mas sabia que por causa dela e daquele acidente, Rachel havia levado uma marca e por causa daquela marca, ela sempre se lembraria da filha. Eu também tinha uma marca e ela estava no simples fato de que eu me lembro. Sempre me lembro.
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