I Do Remember

3 Capítulo 3 - Memories That Time Can Not Erase


Notas iniciais
Demorou um pouco, mas o capítulo finalmente chegou! Rachel ainda tentando descobrir algo mais sobre a Rose *-*

– O que aconteceu depois disso? – Rachel perguntou sem nenhuma emoção.

– Quer saber se a gente transou? – eu perguntei com um sorriso cínico. – Não sabia que psicólogas gostavam das aventuras eróticas de adolescentes problemáticos e malucos.

Rachel me analisou por um tempo. Os óculos lhe davam um ar de superioridade sobre mim e não que eu me importava, mas me sentia estranha. Fazia tempo desde que alguma pessoa me observou por tanto tempo.

– Rose, eu sou uma psicóloga e esse tipo de assunto é até muito comum comigo – ela falou e desviou o olhar para outra pilha de papeis. – Julian disse que era seu amigo.

– E que amigo... Você já o viu, não é? – Rachel assentiu. – Então percebeu o quanto ele é gostoso. Será que ele vai continuar assim por muito tempo?

– Se quer ter certeza disso, aceite vê-lo – ela falou sem paciência. – Antes de vir aqui, eu procurei por algumas pessoas e a única que encontrei foi ele.

Dei de ombros.

– Eu era uma pessoa solitária.

Rachel levantou uma sobrancelha.

– Só uma pessoa solitária mesmo para matar a própria família.

– ELE NÃO ERA MINHA FAMÍLIA! – eu gritei, me levantando da cadeira e encarando a expressão surpresa de Rachel. – EU ODIAVA A MINHA VIDA E EU NÃO SUPORTAVA MAIS AQUELA CASA! EU NÃO ME ARREPENDO DE ESTAR AQUI, PORQUE EU TENHO CERTEZA DE QUE POSSO ME SENTIR MELHOR AQUI DO LÁ!

– Está confessando o crime? – Foi a única coisa que Rachel disse.

Sentei-me na cadeira novamente.

– Se você quer ver as coisas nesse ponto de vista, que seja – falei, desviando o olhar. – Não é como se fosse mudar alguma única coisa.

Rachel me ignorou e voltou os olhos para os papéis.

– Caramba, o que você tanto olha nesses malditos papéis? – falei, arrancando vários papéis das mãos da psicóloga, que nem tentou tomá-los de mim.

Eram fotos. Fotos dos corpos mortos de Mary, Paul e do pequeno Oliver de três anos. Nenhuma criança merecia morrer assim. A cabeça estava encharcada de sangue e os olhos estavam abertos. Rápidas lembranças passaram na minha cabeça. Oliver havia caído por acidente e batido a cabeça na quina do armário. Ouve um rápido choro e gemido antes que ele caísse no chão, morto.

A foto de Mary parecia bem pior. Ela havia morrido degolada. Um enorme risco vermelho brilhava em seu pescoço e os olhos estavam fechados. O cabelo castanho que ela sempre prendia em um coque, estava espalhado pelo chão todo ensaguentado.

Aquelas duas fotos me deixaram abalada, mas a foto de Paul me fez até sorrir. Aquele monstro merecia muito mais que uma facada no coração.

Rachel tomou a foto de Paul da minha mão bruscamente.

– Como era sua relação com Paul? – ela perguntou, fixando seus enormes olhos castanhos em mim.

A pergunta não me surpreendeu, eu só não queria chegar até aquela parte com ninguém.

– A gente brigava ás vezes – respondi. – Competíamos pela atenção da Mary e do Oliver. Era raro quando nos dávamos bem, mas não tínhamos uma relação tão ruim assim.

– E por que o sorriso ao ver a foto dele?

– Agora a competição acabou – eu menti para ela. – Não existe mais Mary e nem Oliver.

Rachel balançou a cabeça em exasperação.

– O que eu posso fazer com você, Rose?

Inclinei-me para frente com os cotovelos na mesa. Sorri alegremente para ela.

– Poderia sair da minha frente agora – retruquei. – É o meu desejo no momento.

– Infelizmente, não poderei cumprir – disse ela imediatamente.

– Sem perguntas, então?

Rachel balançou a cabeça de novo, só que dessa vez, para dizer não a minha pergunta. Eu ainda não estava entendendo onde ela estava querendo chegar, só sabia que não estava gostando disso. Era estranho pensar sobre isso, mas ainda falar sobre isso. Sentia nojo de mim mesma e vergonha por quem sabia sobre isso. Esse era o motivo pelo qual eu não queria falar com Julian.

– Queria saber o que você esconde – Rachel falou, chamando minha atenção.

– Você não quer – eu falei, ainda escondendo o meu rosto. – Ninguém quer. Os outros não quiseram, por que você poderia pensar em querer?

– Porque esse é o meu trabalho. – Eu olho para ela. – E eu gosto dele. Por eu gostar dele, eu quero te ajudar. Mas para isso, você tem que me deixar entrar.

Mesmo que aquelas palavras pareciam ser sinceras, eu não fraquejei.

– Não fique em silêncio – Rachel pediu com a voz dura. – Me fale sobre o Julian.

Eu ri e demorei ter noção de que tinha feito isso.

Fechei o sorriso e coloquei uma mecha que escapou do meu cabelo para trás. Pelo tempo que se passou, ele tinha perdido toda a maciez e agora estava áspero, grosso e embaraçado. Eu nunca tive muita vaidade, mas agora, definitivamente, eu estava precisando de um banho e uma escova de cabelo bem resistente.

– Nós éramos amigos há muito tempo – eu respondi, na esperança que ela me deixasse em paz. – Ele era bonito e seduzia qualquer garota que via pela frente, inclusive eu. Rolou alguns beijos e nada mais.

– Você é apaixonada por ele?

Contrai um músculo.

– Claro que não! – neguei rapidamente. – Julian era somente o meu melhor amigo e só isso! Era a única pessoa que eu confiava, apesar de nunca ter contado tudo.

– Tudo o quê? – Rachel aproveitou o meu pequeno ataque histérico para que eu respondesse suas perguntas, mas eu resisti.

– Tudo o que eu pensava – falei calmamente. – Eu tive uma paixonite por ele anos atrás.

– Então já esteve apaixonada por ele?

Cerrei os olhos. Aquelas perguntas já estavam me cansando.

– E se eu estivesse? – questionei duramente, mas Rachel continuou sua pose impassível e com os seus olhos em cima de mim. – Você é tão dura, grossa, arrogante. Parece até uma policial com esse tom de interrogatório. Já pensou em ser da polícia, invés de psicóloga?

– Ele te traiu? Decepcionou você? – Rachel ignorou as minhas perguntas e continuou com o interrogatório sobre a minha vida amorosa.

Eu realmente pensei nas palavras dela. Julian poderia ser assim com as namoradas que teve. Era tudo passageiro e pelo olhar desleixado dele, Julian não se importava muito quando tudo acabava. E nas raras vezes em que brigamos, ele nunca me decepcionou e sempre correu atrás da nossa amizade. Adorava dizer que eu era a única pessoa que me permaneceria para sempre na vida e que nunca me ia me esquecer ou me deixar em paz. Admito que eu adorava ouvir aquelas palavras e me dava arrepios toda vez que ele me dizia isso.

– Nunca – sussurrei. – Ele sempre foi a melhor parte de mim.

Notas finais
Nada de leitores fantasmas, hein? :)