Notas iniciais
Oláááa!! Capítulo novo pra vocês :D Espero que gostem! Beijooos

Ferdinando não conseguia pensar em mais nada. Gina tinha acabado de ir para longe, mas parecia que havia passado horas desde que a vira pela última vez. As palavras que disseram antes não saíam de sua mente, mas agora ele não conseguia lembrá-las. Pouco a pouco, ia esquecendo de detalhes importantes de sua vida, como de sua infância, de sua mãe, de quando se tornara engenheiro agrônomo, ou quando seu pai o expulsara de casa por isso.

Se encontrava deitado e não tinha vontade alguma de sair. Não antes de olhar ao seu lado e ver uma espingarda. No começo estranhou a presença dela ali, mas logo foi se lembrando de que Gina não se separava dela nem um minuto e que devia ter a deixado por ter fugido rápido demais. De repente, sentiu disposto a levantar-se, com a motivação de devolvê-la a alguém.

Mas a devolveria para Zelão ou a levaria de volta pra Gina? No fundo gostaria de escolher a segunda opção mas preferiu não arriscar levar a espingarda para a ruiva, com toda a raiva que ela estava dele. Riu com a lembrança.

Levantou-se e partiu para procurar Zelão. Chegou a venda do seu Giácomo mas, estranhamente, não encontrou nem ele e nem a filha. A venda estava completamente vazia e a Vila também. Espiou a escola da professora Juliana mas apenas o que encontrara foram livros e carteiras. Com certeza, o capataz estaria na casa de sua mãe, a Mãe Benta. Caminhou em direção ao local mas ainda assim, não encontrara ninguém. Teria que procurar Gina.

Voltou ao trigal e pensou na possibilidade dela estar certa. E se tudo aquilo não fosse verdadeiro? O fato de não ter encontrado ninguém ajudava mas o fato de ver tudo a sua frente não. Teve a ideia de colher um trigo e levar para Gina, junto com a espingarda, se ela não visse, sentiria.

Mas onde ela estaria? Tentou lembrar-se da posição em que estavam quando brigaram e foi a direção que lembrava dela ter seguido.

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Gina voltava da parte do trigal que lembrava de estar com Ferdinando, mas sem ter o encontrado. Se lembrou também de ter esquecido sua espingarda quando correra mas nem isso achara. Novamente, sentou-se atrás da árvore que estava antes, agora perdida.

E se Ferdinando deu um jeito de sair dali e conseguira, sem ela? Então teria que partir para o plano B. Teria que conseguir sozinha também.

Reunindo tudo o que vira e sentira desde que chegara ali, Gina chegou a conclusão que aquele lugar queria os deixar sem vontade própria. Que apenas o que quisessem fosse ficar no mesmo lugar, alheios. Que suas personalidades sumissem. Então a primeira coisa que veio em sua cabeça foi subir na árvore ao seu lado, pois era uma coisa que sempre quis fazer em sua vida.

Enquanto se sentava em um galho, tentou se lembrar de sua vida, pensar em suas opiniões e, principalmente, em quem era. Tudo ficava mais fraco, mas nunca sumia completamente. Viu algumas goiabas no pé e achou estranho não ter sentido fome o dia todo. Pegou uma, mas ao tentar mordê-la, ela sumiu. Irritou-se e pegou outra, a jogando para longe.

–Ara!– Ouviu uma voz conhecida dizer. Olhou para o chão e viu Ferdinando com uma expressão de dor e com a goiaba que jogara em uma mão. Na outra, se encontrava sua espingarda e mais uma coisa que não identificava de longe.

–Ferdinando, é você?– Perguntou, descendo.

–Quem mais seria Gina? Mai ieu to de passagem, só vi lhe devolve isso e já to indo embora... — Disse, ficando um pouco longe da ruiva, não sabendo como estava seu humor.

Veio só pra devolver minha espingarda?

–Sim Gina. — Disse, a entregando a arma, com a outra mão para trás. — Mai ieu também tenho outra coisa pra lhe mostrá...

Ferdinando estendeu sua mão e Gina viu nela uma das flores mais bonitas que já havia visto na vida. Ela ficou sem reação, de tudo que imaginava que ele lhe trouxesse, isso estava nas últimas opções.

–E então Gina, o que ocê tem pra me dizê?

–Eu... Ah eu num sei por que você tá me dando essa flor, Ferdinando. - Disse, virando a cabeça para não demonstrar o quanto tinha ficado vermelha.

–Mai que flor? Eu só lhe trouxe um pouco de trigo, pra ocê vê com os próprios olhos que aquele trigal existe de verdade.

Gina olhou novamente e continuava a mesma coisa. Se tudo ali era o que eles mais queriam ver, ela queria mesmo que Ferdinando lhe trouxesse uma flor? "Não, eu não posso querer isso", pensava. Agora, ao invés de ficar vermelha de vergonha, estava vermelha de raiva.

–Você não disse que só estava de passagem? Pois já pode ir embora, porque eu continuo com a mesma opinião!

–Ara! Pois eu iria com o maior prazer se eu tivesse encontrado alguma viva alma nessa Vila. –Respondeu Ferdinando.

–Então você já foi dar uma volta na Vila? – Perguntou Gina.– Por isso eu não te encontrei... – Completou, abaixando a voz.

–Eu fui buscar o Zelão pra devolver essa espingarda pra ele. Mai então ocê foi me procurá...? -Disse, se aproximando dela.

–Você não venha com essas conversa que eu só fui pegar a minha espingarda de volta! Porque, ao contrário de você, eu vou atrás do que quero e não fico fugindo, com medo! - Gritou Gina. Era impossível conversar com ele sem se irritar.

–Ara! Quem aqui tá com medo?

–E ainda pergunta... Eu tenho certeza que você preferiu levar a arma pro Zelão porque ficou com medo. Porque você é um covardão.

–Giina, ieu já lhe disse que não sou nenhum covarde. Mai pelo jeito, vou ter que lhe mostrá de novo...

–Pois mostra pra você ver! — Gina pegou a espingarda e apontou pra ele, com o queixo levantado. O desafiando. Não podia deixá-la ganhar o jogo. Não dessa vez.

–Pois eu acho...– Se aproximou. — Que ocê é que...– Colocou sua mão na arma. — Não teria coragem...– Tocou seu rosto com a outra mão. — De usar essa espingarda... — Foi abaixando a arma devagar. — Contra mim.

Após ter abaixado completamente a arma, completou:

–Porque assim como ieu acho que to começando a gostá docê... Eu acho que ocê também tá começando a gostar d'eu.

Gina não conseguia nem se mexer, muito menos raciocinar. Apenas sentiu os lábios dele tocarem os seus. O que se iniciou num beijo calmo, foi se tornando cada vez mais profundo e desesperado. Um precisava sentir o outro. Abriram os olhos e se esqueceram de tudo. De onde estavam, das brigas, do jogo, das provocações... Apenas se perderam no olhar enquanto sentiam uma brisa em sua volta. Olharam do lado e encontraram Juliana, Zelão, Milita e Viramundo sentados, no meio de uma floresta a sua volta.

Gina, Ferdinando. Vejo que conseguiram sair também.– Disse Juliana, animada. Ao perceberem o olhar da professora sobre eles, se separaram no mesmo instante.

–Juliana, Zelão, Milita, Viramundo? O que ocês tão fazendo aqui? Aliás, o que a gente tá fazendo aqui de novo? – Perguntou Ferdinando. A professora apenas se levantou e o entregou um pedaço de papel que, aparentemente, estava ali há algum tempo. Gina se aproximou para o ler, mas ele apenas continha a seguinte frase:

"Se você está lendo isso agora, sinta-se conhecedor do amor verdadeiro. Só assim conseguiu se livrar da ilusão e voltar a realidade. Lembre-se: não importa onde esteja, se estiver junto de quem ama encontrará a felicidade"

–Quem escreveu isso, Juliana? - Perguntou Gina.

–Eu não sei, Gina. Encontramos quando viemos parar aqui. Logo em seguida, apareceram a Milita e o Viramundo, do nada, assim como vocês.

–E os outros, onde estão? — Perguntou Ferdinando.

–Ninguém aqui sabe dotor Nando. A gente desconfia de que ainda estejam presos lá... - Respondeu Viramundo.

–O jeito é esperá...– Completou Milita.

Horas se passaram, já estava anoitecendo e nada de alguém aparecer. Ferdinando já estava aflito, pensando em sua irmãzinha, seu pai e sua madrasta. Olhava em volta da clareira e a única coisa que via era a parede de galhos e folhas que atravessou quando chegara ali. Também encontrou Gina próxima a elas. Caminhou em sua direção.

–O que ocê tá fazendo?

–Ara Ferdinando, que susto! — Respondeu Gina. — Eu só to olhando esses galhos. Parecem nós, que precisam ser desfeitos.

–E se nós tentássemos desfazer toda essa barreira, Gina?

–Eu acho que não custa tentar...

Os dois começaram a tirar todos os galhos do lugar, abrindo espaço entre as árvores. E conforme iam fazendo isso, sentiam o mesmo vento que sentiram quando saíram de lá. Ao tirarem o último galho, todos estavam de volta a floresta. Os reencontros foram como sempre, cobertos de saudações e calorosos abraços. Mas sem muita demora, pois todos estavam cansados e querendo achar algum lugar para passar a noite.

Seguiram o caminho da floresta e acharam o riacho, tão conhecido por Gina e Ferdinando. Pararam em volta dele para descansar, após todos terem entendido que tudo não passou de mais uma armadilha daquele lugar. Ninguém pode deixar de sentir certa decepção, mas a esperança que tinham de voltar a ter a vida que sempre tiveram era maior que tudo.

Gina encostou-se em uma árvore e Ferdinando ficou próximo dela. Vendo que ele tinha fechado os olhos, correu abrir sua mochila para examinar melhor a carta que Juliana achara. Mas para sua surpresa, acabou encontrando a flor, a mesma que achara que Ferdinando havia levado para ela, junto com a carta. Acabou vendo outra frase atrás do papel, que dizia:

"Ps: Algum objeto poderá ser trazido junto de cada um. Com ele, sempre que a saudade apertar, um pouco dela poderá matar"

Gina a cheirou e acabou se recordando imediatamente de tudo que acontecera naquele dia, assim, entendendo a frase que acabara de ler. Fechou os olhos, perdida nessas lembranças, até adormecer abraçada a flor.

Notas finais
Então é isso, espero que tenham gostado. Pra escrever, me lembrei daquela cena que a Gina tá com a espingarda guardando a escola e o Ferdinando diz que tá começando a gostar dela (mas só ta começando) hahaha aah que saudades... Ah e muito obrigada pelos comentários!! E nesse capítulo a mesma coisa, qualquer coisa que quiserem dizer, comentem ;) A fic não existe sem vocês (: Beijooos e até o próximo!